Quando o livro de Amaury Ribeiro Jr. foi lançado, houve uma verdadeira febre de fervor patriótico entre os petistas e alguns dos partidos aliados, que passaram a exigir a convocação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a chamada Privataria Tucana (royalties para o jornalista Elio Gaspari, que criou a expressão).
O deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) prontamente começou a colher as assinaturas e facilmente conseguiu atingir o quorum mínimo. A opinião pública então passou a aguardar a convocação dessa CPI, que realmente interessa a toda a sociedade brasileira e deveria ter sido formada logo no início do primeiro governo Lula. Mas nada aconteceu.
Ou melhor, aconteceu o contrátio. O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), desde então já assinou requerimentos para a criação de três CPIs, que irão investigar assuntos correlatos: tráfico de pessoas, exploração sexual de menores e trabalho escravo. Mas esqueceu completamente de convocar a CPI da Privataria Tucana.
Ao comentar os trabalhos de investigação, Maia disse que as comissões não podem ser apenas um “instrumento de disputa entre situação e oposição”.
“Nós queremos resgatar o papel das CPIs e que elas se transformem em instrumento concreto de melhoria da qualidade de vida do nosso povo”, assinalou.
É justamente isso que se quer. As pessoas do bem estão interessadas em passar esse país a limpo, mas não conseguem. A sujeira é tamanha que está saindo pelo ladrão, digamos assim. E a CPI da Privataria Tucana seria um grande marco nesse sentido moralizador.
Mas cadê a CPI? Parece que falta vontade política para realmente convocá-la.
12 de fevereiro de 2012
Carlos Newton
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