"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

PRIORIDADE DE LULA É ABAFAR ROSEGATE E AMPLIAR BLINDAGEM A EMPREITEIRO LIDER DO ESQUEMA CACHOEIRA

 

Além de conter os efeitos do estrago de imagem que o Rosegate já está causando, a prioridade imediata de Luiz Inácio Lula da Silva é fortalecer ainda mais a blindagem ao empreiteiro Fernando Cavendish. Lula sabe que pode sobrar para ele mesmo se o ex-presidente da Delta Construções for alvo de investigações mais profundas sobre a maneira como operou além dos esquemas de Carlinhos Cachoeira.

A Delta de Cavendish foi citada em gravações legais de conversas captadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. Por isso, o temor maior dos petralhas é que alguma nova revelação de Cachoeira (que sempre faz ameaças pelos bastidores políticos) demonstre o quão íntima era a ligação entre Cavendish, o governador Sérgio Cabral (RJ) e o ex-presidente Lula. Embora nunca tenha aparecido nas fotos de festejos, Lula sempre foi altamente considerado pela famosa “turma de Paris”.

A empreiteira de Cavendish foi a maior beneficiária de obras do PACo (o conto do Programa de Aceleração do Crescimento) – cuja mãe-gerentona sempre foi Dilma Rousseff. De 2004 até agora, a Delta recebeu R$ 4 bilhões do governo federal. Em 2012, mesmo classificada como “inidônea” no mês de junho, a Delta embolsou R$ 379,2 milhões do governo federal. Em 2011, foram R$ 862,4 milhões. Em 2010, R$ 753,2 milhões. Desde 2007, a Delta também acumulou quase R$ 1,5 bilhão em contratos com o governo do Estado do Rio de Janeiro.

Em nome da blindagem a Cavendish, a Presidenta Dilma será até obrigada a engolir um desafeto pessoal, o deputado federal Eduardo Cunha (RJ), emplacando-o como líder do PMDB na Câmara dos Deputados. Dilma tem antiga bronca de Cunha pela influência dele nas “estatais” do setor elétrico – principalmente Furnas. Ao bem articulado Cunha se atribui um papel fundamental nos bastidores para cumprir a missão petista de fazer com que a CPI do Cachoeira desse em coisa alguma.

Lula aguarda, tenso, pela quase certa convocação do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, para prestar esclarecimentos sobre sua relação pessoal e profissional com Rosemary Nóvoa Noronha, a exonerada chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo.


17 de janeiro de 2013
Jorge Serrão

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