"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

PROJETO DE LEI RUINOSO SOBRE DROGAS

 

Em qualquer lista dos mais equivocados projetos em tramitação no Congresso, um, do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), ganharia destaque. E com méritos, porque trata de aumentar o castigo penal do usuário de drogas, na contramão da tendência correta de se descriminalizar o usuário, tratando-o como uma questão de saúde pública e não de polícia. 
O projeto estabelece, ainda, a internação compulsória do drogado, contra a opinião de especialistas no mundo todo.
 
Já aprovada por unanimidade pela Comissão Especial do Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas, a proposta pode ir à votação, em regime de urgência, em fevereiro. Se aprovada, será um sério retrocesso na nova abordagem do problema, seguida, com êxito, em vários países.
 
No Brasil, a legislação, ainda incompleta, protege o usuário, caracterizado pelo porte de pequenas quantidades de drogas. Mas é pouco.
 
Os bilhões de dólares gastos, a cada ano, principalmente pelos Estados Unidos, na perseguição planetária ao tráfico, e, internamente, ao usuário não fizeram o consumo e a produção de drogas retrocederem.
 
Ao contrário. Feita a constatação, um grupo de países passou a se mobilizar para tentar alterar a política da ONU de enfrentamento da droga. Começou uma mobilização mundial para a mudança de enfoque na abordagem da questão. Na América Latina, por exemplo, foi criada uma comissão para atuar com esta finalidade, da qual participam os ex-presidentes FH, Cesar Gavíria (Colômbia) e Ernesto Zedillo (México).
 
A paquidérmica ONU, influenciada pelos Estados Unidos, defensores da militarização do problema da droga, apesar da legalização em alguns estados americanos, formalmente não se moveu.
 
Porém, há avanços em andamento. Vários países já descriminalizam o uso de todas as drogas e tratam usuários como dependentes químicos, não como criminosos. E o tratamento só é feito com a concordância do usuário, porque está provado que o sucesso em internações compulsórias ocorre apenas em 2% a 3% dos casos.
 
Há situações em que não existe alternativa, e a coação serve para proteger o próprio drogado. Mas não pode ser a primeira e única alternativa.
 
Portugal, um dos mais avançados na Europa na descriminalização, constata a queda no consumo de drogas. Na Suíça, o tratamento não policial do tema também debelou uma epidemia de Aids, acelerada pelo compartilhamento de seringas por viciados.
 
Evita-se o contato, nos presídios, de simples viciados com criminosos experientes, e ainda protege-se o usuário do achaque policial. A nova política tem entre outros adeptos a Colômbia e mais recentemente o Uruguai. E o Brasil pode ficar para trás.
 
O deputado autor do projeto alega propor o endurecimento legal para atender “a sociedade brasileira, que vive o drama das drogas”. Erra porque este não é um tema a ser regulado a partir apenas de boas intenções e da ideia perigosa do “senso comum”. É inconcebível abordar problemas como este sem base no conhecimento científico.

28 de dezembro de 2012
Editorial - O Globo

PUXA, QUE ALÍVIO, FOI FALHA HUMANA!

 

Mas que boa notícia! E eu apavorada pensando que esses apagões pudessem ser sabotagem de algum Maia ensandecido!

Você sabe, não é, que há Maias e Maias? Tinha os Maias intelectualmente robustos e os Maias parvinhos. Como dizia uma propaganda antiga nas rádios uruguaias para vender umas pastilhas digestivas: chiquititas, pero cumplidoras...

Sei lá, fiquei com medo que fosse um Maia chiquitito, pero cumplidor... Muito bom saber que foi um ser humano que falhou. Nos humanos podemos dar um jeito. Se não de imediato, pelo menos no dia em que eles forem parar diante do Joaquim Barbosa.
Mas que tal aproveitar sua descoberta que são os humanos que estão a fim de arrebentar com estepaís e dar um jeito nesse seu ministério e nos programas do governo?

O Brasil é imenso, enorme, e já está mais do que na hora de pelo menos voltar a ser o que já foi um dia: o país que olhava para o futuro com esperança e não com a desilusão de hoje.
Que tal essa sugestão? Dinheiro, de agora em diante, só para programas sensatos e voltados exclusivamente para Saúde, Educação, Transporte e Energia.

Esquece a Copa e as Olimpíadas, Dilma. Mateus, primeiro os teus. Vamos cuidar da nossa gente e não dos turistas. Aposto como eles serão os primeiros a aprovar. Já sofreram nas mãos de COIs, FIFAs e governos ambiciosos, sabem o que é isso.

Esquece o pré-sal. Até aquilo render dinheiro o Gabriel já estará formado em Engenharia Elétrica e terá encontrado a solução para impedir que os raios desliguem o sistema. Ele e a geração dele gargalharão muito às nossas custas, mas até lá, perdão, nem sorrir, Dilma, que dirá gargalhar.
Vamos lá: saúde. O que implica em alimentação. Em vez de TVs e jornais e revistas estatais, porque não mercados e mercadinhos municipais com produtos de boa qualidade e preços controlados?

Unidades de atendimento médico são imprescindíveis, mas sem médicos e enfermeiros? Os salários dos profissionais de saúde, assim como os dos professores, deveriam ser o teto salarial do país.
Invista nisso, Dilma. Já pensou todos os hospitais federais do Brasil com o nível do Moinhos de Vento, de Porto Alegre?
O transporte. Bondes, ônibus, metrôs, trens, barcos, aviões.

Primeira necessidade: transporte urbano de qualidade, funcionando bem. Primeira vantagem: um carro por família será mais do que bom. O morador da cidade vai agradecer por não ter que lidar com engarrafamentos, flanelinhas, detrans, seguros, oficinas, revendas, etc. e tal. Dê transporte decente que o carro passa a ser uma necessidade menor.

Uma malha ferroviária segura, trens como os que cruzam a Europa, a Ásia, os EUA. Trem de velocidade normal, que dê para ver a paisagem e até para ler um livro ou terminar um dever. Trens como os que já cortaram nossos estados no tempo de Pedro II! (ver foto abaixo)

Estação no Recife erguida em 1885.

Navegação de cabotagem como a que já tivemos unindo o Brasil de norte a sul (Itamar Franco nasceu num Ita, lembra?). Unir, em vez de separar, como queria o Lula. Esse método de dividir para melhor dominar já não cola, Dilma, é descerebrado.

Olha, achei um Cartão-postal da Cia. Costeira editado nos anos de 1920/30 com portos e datas de escala dos "Itas" que nos serviam. (Acervo- L. J. Giraud).



Nossos rios e lagos também não merecem bons barcos para transportar carga e passageiros? Sem falar que isso iria incrementar o turismo...

Aeroportos em bom estado, funcionando com segurança e conforto para usuários e funcionários, é fundamental. Não vamos repetir o erro de nossos pais: entra o carro, mata o trem e o navio. Voltam os trens e os barcos e esquece os aviões? Não, claro que não.

Mas esqueça, por favor, os tais 800 aeroportos regionais. Quem te deu esse número foi um daqueles Maias sabotadores, bote para correr.

O mesmo com a eletricidade, que sem ela é impossível saúde, educação, transporte. Energia solar? Energia eólica? Hidrelétricas? Usina nuclear? Tudo que temos direito, Dilma. O que não pode é ter apagões, o que não pode é ter gente morrendo – literalmente – pelo calor excessivo ou pela falta de energia durante um procedimento hospitalar.

Você tem fama e jeito de durona. Assim como o Joaquim Barbosa. Não é simpática. Ele também não é. Na semana passada comentei sua cara zangada ao chegar a Paris. Continuo a achar errado. Repito: acrescentar e não subtrair. Polidez não impede sinceridade. A sinceridade é vital. Chega de mentiras. Mas a polidez é fundamental.

Eu não tenho ideias fixas, sabe? Pensei melhor desde a sexta passada e concluí o seguinte: o temperamento dos presidentes do Executivo e do Judiciário pode vir a ser a nossa salvação. Chega de brasileiro tão bonzinho e tão falsinho. Chega de beijos e sorrisos e interesse e afeição mais rasos que um pires.

Vamos amar nossas crianças de todo nosso coração. Para que elas cresçam amando umas às outras e ao Brasil. Uma geração traz as outras a reboque, Dilma. Vamos lá. Os frutos serão nossos, mas os louros serão seus.

28 de dezembro de 2012
Maria Helena RR de Sousa

À LUZ DE VELAS...




28 de dezembro de 2012

UM GOLPE DE MESTRE

 

O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, pode ter vários defeitos, mas de bobo ele não tem nada. Com a decisão de negar-se a decretar a prisão imediata dos condenados no julgamento do mensalão, ele consegue, de uma tacada só, atingir seis objetivos:
1. Esvazia (ainda que em aparência) o discurso de parcialidade do julgamento, exaustivamente repetido pelos críticos da condenação;

2. Reafirma a credibilidade do STF junto à opinião pública, pois se ele deixasse a decisão para qualquer outro ministro (ou mesmo para o plenário) choveriam críticas em caso da ausência de decretação imediata da prisão (como “herói nacional”, Barbosa é o único ministro do Supremo acima do bem ou do mal; isso é fato, ainda que não seja salutar para as instituições);

3. Impede uma crise institucional mais séria, que já se desenhava nos últimos dias, com ameaças de cassação de ministro do STF, por parte do presidente da Câmara, e de processo por prevaricação de deputado, por parte de ministros do Supremo;

4. Não se arrisca à utilização da prisão imediata como jogada de mídia por parte dos acusados (publicou-se, há alguns dias, que alguns dos acusados, se presos, exigiriam ser algemados e fotografados, em óbvia vitimização);

5. Impede o desgaste de — uma vez mais — ser obrigado a justificar eventual mudança jurisprudencial do STF;

6. Deixa o problema da questão dos mandatos dos parlamentares nas mãos do Congresso.
Negar a prisão, nesse momento, significa rejeitar a execução imediata da decisão condenatória do STF. Assim, a cassação efetiva dos mandatos também só se dará após o trânsito em julgado do acórdão (ou seja, depois de interpostos os recursos — embargos declaratórios — por parte dos condenados).

Ou seja, até lá o desgaste de ter membros condenados por corrupção passiva, peculato e formação de quadrilha é do Congresso.

E o STF ainda pode tripudiar: “Se vocês acham que a competência para cassar é de vocês, por que não promovem (ou tentam promover, já que a votação é secreta) a cassação dos parlamentares condenados, nos termos regimentais? Ou preferem assistir passivamente à atuação, em plenário e em comissões (como a de Constituição e Justiça), de congressistas condenados criminalmente por corrupção, peculato etc...?”

Qualquer pessoa pode expressar restrições pontuais à atuação do ministro Barbosa (inclusive sobre sua conduta no caso do mensalão, embora tais restrições não correspondam, por evidente, a acreditar na inocência dos acusados).

Sua postura, em julgamentos passados, mostrou-se, por diversas vezes, excessivamente draconiana e parece óbvio que a convivência com ele, em plenário e fora dele, deve ser dificílima.
Mas essa decisão, independentemente do mérito da condenação (até porque, nesse aspecto, Inês já é morta, velada e enterrada, ou seja, o caso está encerrado), foi, antes de tudo, uma prova de inteligência. Verdadeiro golpe de mestre.

28 de dezembro de 2012
Otávio Bravo é promotor de Justiça e professor de Direito Penal e de Direito Internacional da PUC-Rio

ACREDITE QUEM QUISER...




28 de dezembro de 2012

DEPUTADO DO PDT, DA BASE CORRUPTA DO LULISMO, JUSTIFICA EXCLUSÃO DE JOAQUIM BARBOSA

 
Deputado alega problema técnico para não incluir Joaquim Barbosa como homenageado na Bahia. Parlamentar queria incluir presidente do STF na lista de personalidades que receberiam título de cidadão

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo (PDT), assumiu nesta sexta-feira a responsabilidade pela não inclusão do nome do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, na lista de personalidades que receberam da Casa o título de "cidadão baiano" na última sessão do ano Legislativo, quarta-feira à noite. No entanto, fez questão de esclarecer que a não concessão deveu-se a um problema "técnico", nada relacionado à "vingança" contra a figura de Barbosa, relator do processo do mensalão.

Segundo Nilo, os deputados elaboram, por acordo, a lista das pessoas a ser submetida a uma votação secreta na Casa para a distribuição dos títulos.

- Eu já estava apurando os votos das nove personalidades que os parlamentares propuseram para receber o título (entre os quais o deputado Ronaldo Caiado o o ex-jogador do Flamengo e Vitória Petkovic) quando apareceu o deputado Luciano Simões (PMDB) pedindo para incluir o nome do ministro Barbosa. Ai eu disse que não era mais possível - explicou o presidente da Assembleia, assegurando que os deputados baianos, em princípio, não tem nada contra o presidente do STF. - Ele (Simões) pode apresentar a proposta de concessão quando os trabalhos legislativos forem reabertos (em fevereiro) e, se houver acordo de lideranças para a dispensa de formalidades, o título é votado imediatamente - informou ainda Nilo.

Simões causou irritação na bancada do PT ao lançar a ideia de homenagear Barbosa e acusou os deputados petistas por não votar o título de cidadão baiano do ministro. O líder do governo, deputado Zé Neto (PT), explicou que resolveu não apoiar a proposta pela polêmica que se travou entre os deputados quando Álvaro Gomes (PCdoB) propôs que se concedesse o título, também, ao ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão.

Caso o título seja proposto novamente em fevereiro e vá para a votação em plenário, pode ser recusado, já que a bancada governista, que apoia o governador Jaques Wagner (PT), tem ampla maioria na Casa. Como a votação da concessão do título é secreta, ficaria mais fácil para os deputados votarem, anonimamente, contra Barbosa.

28 de dezembro de 2012
Biaggio Talento - A Tarde

"A VINGANÇA DOS ZUMBIS"

 
Por que a mídia só tem credibilidade quando contribui para a popularidade de Lula e Dilma, e não quando denuncia escândalos do governo e o mensalão?

 Mesmo sem ser simpática nem carismática, sem ter o dom da palavra e da comunicação, e com o país crescendo apenas 1% ao ano, a presidente Dilma Rousseff obteve índices espetaculares de confiança e aprovação pessoal na pesquisa do Ibope. Mas como os pesquisados de todo o Brasil se informaram sobre o dia a dia de Dilma e do país, sobre suas ideias, ações e resultados? Ora, pela “mídia golpista”, que divulgou nacionalmente os fatos, versões e opiniões que a população avaliou para julgar Dilma.

Os mesmos veículos informaram os 83% que tiveram opinião favorável a Lula no fim do seu governo, já que a influência da mídia estatizada e dos “blogs progressistas” no universo pesquisado é mínima. Claro, a maciça propaganda do governo também ajuda muito, mas só se potencializa quando é veiculada nas maiores redes de televisão e rádio, nos jornais, revistas e sites de maior audiência e credibilidade no país — que no seu conjunto formam o que eles chamam de “mídia golpista”.

Mas que golpismo de araque é esse, que tanto contribui para divulgar os feitos, as qualidades e a força popular do objeto de seu suposto golpe?

Por que a mesma mídia só tem credibilidade quando contribui para a popularidade de Lula e Dilma, e não quando denuncia os escândalos do governo e o julgamento do mensalão? A conta não fecha, mas eles insistem. Zé Dirceu e Rui Falcão já avisaram que a vingança dos zumbis do mensalão e do “Rosegate” vai ser a regulamentação da mídia, como na Argentina e na Venezuela, culpando o mensageiro pela mensagem.

No Brasil democrático todo mundo tem voz, fala o que quer, ouve quem quiser. Mas eles querem “pluralizar” a mídia, denunciando monopólios e ignorando a concorrência acirrada em todos os segmentos do mercado multibilionário da comunicação de massa, em que ganham mais os que têm mais credibilidade e popularidade.

Mas o Brasil não é Argentina, e Dilma não é Cristina. Além da cobertura nacional que tanto contribui para sua boa exposição e avaliação pública, ela deveria agradecer à mídia por revelar os malfeitos que lhe permitiram fazer uma faxina no seu quintal.

28 de dezembro de 2012
Nelson Motta, O Globo

GILBERTO CARVALHO, A VOZ DA INCONSEQUÊNCIA

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da república defende mensaleiros, ataca adversários, constrange magistrados, grava mensagens ao partido – enfim, atua como porta-voz do PT dentro do governo Dilma Rousseff
A ordem era manter o governo totalmente afastado de qualquer polêmica que envolvesse o julgamento do mensalão.
Ministros não deveriam comentar, analisar ou fazer juízo sobre o caso. Ordem presidencial.
Ordem, ao que tudo indica, sem nenhum valor para o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.
Contrariando a determinação da presidente Dilma Rousseff, o ministro já saiu em defesa dos mensaleiros, já usou as dependências do Palácio do Planalto para gravar um vídeo conclamando a militância do PT a reagir às acusações, já atacou adversários e, na semana passada, chegou ao extremo ao tentar constranger o Supremo Tribunal Federal (STF), a corte que acaba de condenar os chefes petistas à cadeia.
Em entrevista, Gilberto Carvalho revelou que conversou reservadamente com dois juízes da corte sobre o mensalão.
Para alguém investido de poder e empenhado na defesa dos companheiros de partido, é um comportamento flagrantemente inadequado.
O ministro se queixou ao então presidente do STF, Ayres Britto, da data escolhida para o julgamento – muito próximo das eleições municipais.
Britto, segundo ele, explicou que tentara, sem sucesso, antecipá-la. Com Luiz Fux, o outro magistrado, a conversa teria sido ainda mais imprópria:
“Sem que eu perguntasse nada, ele falou para mim o que falou para todos os outros. Que ele tinha estudado o processo. Que o processo não continua prova nenhuma. Que era um processo absolutamente sem fundamento. E que ele tomaria uma posição muito clara”.
O diálogo ocorreu antes da nomeação de Fux para o Supremo.
Ou seja, o secretário-geral da Presidência revela que ouviu do juiz a ser indicado à corte pelo seu governo o compromisso de que votaria a favor dos mensaleiros.
Não foi uma inconfidência despropositada.
Como já fizeram petistas envolvidos no escândalo, i ministro insinua que a nomeação de Fux – que condenou todos os principais acusados – estaria condicionada à absolvição da quadrilha.
Não é a primeira vez que Gilberto usa seu posto para mandar recados do partido.
O ministro é considerado os olhos, os ouvidos e a voz do PT e do ex-presidente Lula no atual governo.
28 de dezembro de 2012
Adriano Ceolin – Veja

"PUXADINHOS"

 
O mais surpreendente no café da manhã de ontem da presidente Dilma Rousseff com jornalistas, conforme relatos na internet, foi a superficialidade nas falas sobre o "pibinho" de 1% neste ano e nas respostas à avalanche de críticas à incapacidade do governo de impulsionar a economia.

O máximo que Dilma disse foi que o "ambiente" será melhor em 2013 e que está fazendo "o possível e o impossível" para um maior crescimento. Soou como palavras ao vento, talvez como torcida,não como compromisso e, menos ainda, como prestação de contas sobre o que foi e o que poderia ter sido feito.

Segundo Dilma, em 2012 a prioridade foi "buscar competitividade".Citou queda dos juros, taxa de câmbio mais realista e investimentos pesados em infraestrutura.

Especialistas como o economista e ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega veem com outros olhos. No artigo "2013, o ano da volta ao passado", ele criticou duramente o intervencionismo: "A taxa de juros baixou na marra, o regime cambial deixou de ser flutuante, o cumprimento da meta de superavit primário passou a depender de malabarismos financeiros e artifícios contábeis".

A sensação, neste final de ano, é que Dilma e o ministro Guido Mantega tentaram consertar a casa com puxadinhos. Ora a redução do IPI para carros, ora a desoneração da folha de pagamento, ora o aumento de crédito de bancos públicos.

Tudo bem, tudo bom, mas o resultado é que os EUA estão saindo da crise, a China se mantém forte, os emergentes emergem de fato e o Brasil empacou em 1% (ou menos).

Para Maílson da Nóbrega, o erro é de estratégia: o foco da política econômica é a demanda/consumo, quando o problema está na produção/oferta. O investimento só cai.

Aliás, não pega bem para uma especialista em energia atribuir tão variados apagões só a "falhas humanas". Se as há, começam de cima...

28 de dezembro de 2012
Eliane Cantanhêde

FALTA DE PUDOR DE GENOÍNO CUSTARÁ R$ 136 MIL POR MÊS

 
136 mil por mês: o preço da falta de pudor de Genoino. Condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha, petista assumirá mandato na Câmara. Até que o STF o retire de lá, vai gerar mais prejuízo ao país
 
José Genoino
Mesmo condenado pelo Supremo, petista assumirá vaga na Câmara ( Dorivan Marinho/Folhapress)
O ex-presidente do PT José Genoino, condenado no Supremo Tribunal Federal por corrupção ativa e formação de quadrilha, vai mesmo reassumir o mandato na Câmara dos Deputados. Em 2010, ele não teve votos suficientes para conquistar uma cadeira na Casa, mas ficou na suplência. A espera terminou: Carlinhos Almeida (PT) renunciou ao mandato para assumir a prefeitura de São José dos Campos (SP) e abriu caminho para Genoino, que perderá uma nova oportunidade de demonstrar ao país um pouco de pudor. A posse deve ocorrer no início de janeiro.
O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que os mensaleiros com mandato na Câmara – três são parlamentares da Casa – perderão o mandato. Mas a determinação só será cumprida após o trânsito em julgado do processo do mensalão, o que depende da análise dos embargos apresentados pelos réus. O ex-presidente do PT foi condenado a 6 anos e 11 meses de prisão, que terá de cumprir em regime semiaberto. Juntamente com o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, Genoino formava o núcleo político do maior esquema de corrupção da história brasileira.
Enquanto são julgados os recursos da ação, Genoino, vai poder apresentar projetos de lei, participar de comissões, votar em plenário e discursar na tribuna da Câmara. Terá, também, direito ao auxílio-moradia (3 000 reais), à verba indenizatória para gastos de rotina (27 769 reais) e à contratação de 25 assessores (até 78 000 reais). Receberá, ainda, um generoso salário de 26 723 reais – exatamente o que recebem os ministros do STF que o condenaram. O total do "custo-Genoino" pode chegar a 135 492 reais por mês.
Considerando que Pedro Henry (PP-MT), João Paulo Cunha (PT-SP) e Valdemar Costa Neto (PR-SP) também foram condenados pelo STF e estão cumprindo hora extra na Câmara, o total desperdiçado pode ultrapassar os 500 000 reais por mês.
Em janeiro, o Congresso não vai se reunir um dia sequer. Genoino, portanto, tomará posse para receber sem trabalhar. Como mostrou o julgamento do mensalão, o petista certamente contribui mais ao país quando está ocioso.
28 de dezembro de 2012
Gabriel Castro - Veja

JOSÉ GENOÍNO VAI SER EMPOSSADO DETURPADO FEDEMAL

                                                        (OLHA O DEDO PRA NÓIS...)
E no país da constituição mal feita e da democracia caolha, José Genoíno, o mensaleiro condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, poderá ser empossado como deputado federal já no próximo começo de ano.

Não sei se sinto revolta ou vergonha, o que sei é que estamos vivendo tempos dificeis para as instituições brasileiras.

Na opinião da maioria dos Brasucas pensantes, estes trastes já deveriam estar passando suas férias na cana dura, mas como as leis são mal feitas, os vagabundos ainda tem a chance de ganharem algum tempo legal até o efetivo cumprimento das penas.

Certo que muita gente protestou pelo fato do Ministro Barbosão não ter acatado o pedido da PGR e não emitiu as ordens de prisão imediata dos vagabundos vermelhos.

Barbosão cumpriu a lei, e por outro lado tirou a possibilidade, neste ano, da PresidANTA Dilmarionett Ducheff, meter um indulto nos mensaleiros e livra-los da cadeia. Ao menos com o pedido de prisão sendo cumprido após o ano novo a possibilidade dos vagabundos vermelhos passarem uns meses na cadeia é mais concreta.

Eu bem que gostaria de saber o que pensa o mundo quando da de cara com uma notícia que diz que no Brasil políticos condenados por corrupção mantém os seus mandatos e ainda existe a possibilidade de outro ser empossado na mesma condição.

Esse é o preço que o povo pagar por eleger ratos no lugar de homens. Nossa constituição foi feita nas coxas, e TODO constituinte meteu uma emenda ou um artigo quando da "construção" da carta magna da pocilga.
E o que poderia ser um avanço para o país, se tornou em uma colcha de retalhos desconexa e medíocre.

E de remendos e emendas muitas leis acabaram ficando ambíguas e conflitantes, o caso do supremo ser a última instância da república ter que se ajoelhar diante do legislativo. É absurdo!!!

A independência entre os poderes é bom para a democracia, mas o que não pode acontecer é os poderes entrarem em conflito por ideologia. E o congresso não cumpre as determinações legais que o STF impõe para alisar o lado dos cumpanheros de quadrilha.

Esse angu ainda vai encaroçar, e se o Brasil fosse minimamente sério a população já teria feito pressão pela expulsão dos mensaleiros que ainda tem cargos políticos.

Mas um povo bunda que adora se achar esperto e vive sob o domínio da mediocridade, aceita e vota em gente de quinta categoria como, Renans, Malufs, Collors, Sebentus, Dilmas Genoinos, Dirceus, entre outros. Não vai poder reclamar no futuro quando o país estiver de pernas para o ar.

Em uma democracia séria esse tal de Marco Maia, já teria sido cassado e preso por desrespeito ao STF, mas aqui na pocilga, ele ainda é capaz de virar o herói dos palhaços.
O Brasil é assim, gentinha desqualificada e bandidos tem o poder nas mãos, e o povão quer mais que se phoda, desde que não suspendam a venda de cerveja, o carnaval, o futebol, as novelas e o BBB, o resto é consequencia.

A posse de José Genoíno é uma afronta a democracia e um soco na cara dos brasileiros honestos e trabalhadores.

TÁ TUDO DOMINADO E APARELHADO PELO QUE HÁ DE PIOR EM GÊNERO HUMANO. VAGABUNDOS, BANDOLEIROS, LADRÕES, E PÚSTULAS NO PODER, O PAÍS À BEIRA DO CAOS INSTITUCIONAL, E O POVARÉU BALANÇANDO A BUNDA ENCHENDO O RABO DE CERVEJA E À ESPERA DE UM MILAGRE.

VALE A PENA RIR DE NOVO...



                               O PMDB é coisa nossa, muito nossa...


"Sem nós, ela não faz nada! Não pensem vocês que estamos de brincadeira. Demos um tempo no ‘blocão’ para não assustar a madame ainda, mas qualquer coisa a gente volta a ter 202 deputados, no mínimo, na Câmara. Estes soviéticos não aprendem... Tentaram enrolar o PTB, logo com quem - o cobra-criada Jefferson, que os botou para correr. E, agora, acham que vamos topar outro petebista mandando na Comissão Mista do Orçamento, como quer d. Dilma? Aquele Gim Argello, que não foi nem eleito, lugar tenente do Roriz? Sei que o plano da presidente (a) é combater nosso excesso de poder; sei que ela quer, ‘homeopaticamente’, desfazer nossos esquemas (que chamam de ‘corrupção’...) com mais ‘corrupção’ (‘similia similibus curantur’ - sei latim, meu filho). Não adianta... a gente coopta quem aparecer, principalmente esse aí que nem foi eleito, lá do buraco do Roriz...) e, se bobear, fazemos novo ‘blocão’, pois, além dos ‘nanicos’, nós temos os grandes mestres, os faixas-pretas do país: Sarney, o eterno, Renan, Jucá, o impalpável Eduardo Cunha, tantos... Eles sabem nos comandar, eles sabem o que querem... E tem mais: agora, estamos no Executivo...

Nosso comandante Temer conquistou a posição ideal que sempre almejamos: a vice-presidência. O vice é tudo. O presidente é alvo, o vice pula de lado e escapa das flechas. O presidente é culpado e o vice, observador isento. E o Temer não é o tipo de vice que ‘não aporrinha’, como quis o Serra; nós aporrinharemos, sim.

Esses comunas pensam que a gente é babaca. São séculos de aprendizado. O PMDB é uma das mais belas florações de nossa história.

Temos interesses, claro. Queremos cargos, muitos cargos e, no mínimo, seis ministérios importantes porque, sem nós, não tem comuna que se dê bem.

Não é assim que essa tigrada do PT fala: os fins justificam os meios? Pois é, nós somos os meios. No entanto, meu caro, os fins são deformados pelos meios e de ‘meios’ acabaremos sendo ‘fins’. Viu como sou profundo? Não há casamento sem interesse. É belo e progressista o interesse. O desprendimento, a honestidade alardeada, é hipocrisia de teóricos.

E nossos fins são sábios, experientes; são frutos de uma grande tradição brasileira que os maldosos chamam de ‘corrupção’, quando são hábitos incrustados em nossa vida como a cana, o forró, a obediência dos filhos que seguem nosso exemplo, nossos bigodes, que chamam de bregas, as ancas das amantes risonhas com joias de ouro tilintando em pescoços e pulsos, diante da palidez infeliz de nossas esposas... Vocês não entendem que isso é a cara do país? Vocês reclamam de nossa voracidade. E os milhares de famintos que invadiram o batatal do poder para comer tudo, os ex-pelegos hoje de gravata?

O PMDB é um exército de amigos unidos - qual o mal? Admire a beleza superior desse imenso patrimônio espiritual que nós possuímos, tanto em nosso partido como nas alas aliadas. É uma beleza feita de amizades, famílias amplas, burocratas cooperativos. E tem mais: nós do PMDB temos um projeto, sim, para este país... Um projeto muito mais pragmático, mais progressista que esses dogmas de 1917 do Dirceu e outros - abstrações ridículas como ‘igualdade’, ‘controle social’ , ‘comitês centrais’, ‘palavras de ordem’.

Nosso projeto é mais Brasil... ‘São coisas nossas, muito nossas...’, como cantou o Noel. Nosso projeto é uma girândola de malandragens, de negociatas que deixam cair pelas brechas, pelas frestas das maracutaias, migalhas de progresso. É isso: tudo que houve de bom no país foi fruto de malandragens no encontro entre o privado e o público.

Não, cara, não há corrupção no PMDB - trata-se apenas da continuação de um processo histórico. O dinheiro que arrecadamos em emendas do orçamento, em gorjetas justas de empresas e burocratas, esse dinheiro sempre foi a mola do crescimento do país. Haveria Brasília sem ela? Onde estaríamos nós - na roça de um país agropastoril? Essa é a eterna verdade desde a Colônia, tão eterna quanto a miséria que sempre haverá. Querem o quê? Que fiquemos magros também, que dividamos nossas conquistas com os que nada têm, querem socializar a miséria? Quando eu faço uma piscina azul em meio à seca, não é crueldade, porque é preciso que alguém tenha piscina na caatinga para que a dor dos miseráveis seja suportável. A vida do pobre ganha um sentido hierárquico: ele está embaixo, mas se consola porque alguém vive feliz em cima.


De modo que não nos venham com papos de inclusão social. Ademais, é impossível salvá-los (como alguns poucos ainda pensam no PT). São 40 milhões de pobres chocados em quatro séculos de tradição patrimonialista da boa. Vocês verão que isso é natural, a natural ‘survival for the fittest’ (‘sobrevivência do mais forte’, como bem traduziu meu filho do MIT)...


Vamos olhar para a outra face da beleza: a alegria de ver a grande arte dos lucros fabulosos, as mandíbulas salivando a cada grande negócio fechado, o encanto dos shoppings de luxo, as velozes paixões dos cartões de crédito, o eufórico alarido dos restaurantes, os roncos de jetskis à beira mar, os gemidos das amantes no cetim, a euforia dos almoços de conchavos... Tudo isso doura o nosso progresso.

A classe dominante deste país é uma grande família, unida por laços de amizade total, mesmo que definhe sob nossos pés a massa de escravos em seus escuros mundos.

Nós somos muito mais o Brasil profundo do que esse bando de comunas que chegaram aí, com um sarapatel de ideias feitas por um leninismo mal lido e um getulismo tardio...

No entanto, sou otimista - acho, sim, que a aliança PT-PMDB poderá ser doce e linda. Mas, do nosso jeito. Tudo bem que censurem a imprensa e coisas menores (é até prático para nós...), mas, na infraestrutura de nosso passado de donatários, ninguém toca. Temos no peito o orgulho de proteger a sobrevivência da linda tradição de nossa colonização portuguesa.
O PMDB é a salvação da democracia; suja, mas muito nossa".
Paz, Força e Alegria
28 de dezembro de 2012
Arnaldo Jabor
(março de 2010)

UMA HISTÓRIA POUCO LOUVÁVEL

 

"O PT combateu ferozmente Tancredo Neves e se negou a participar da votação no Colégio Eleitoral, que era, àquela altura, o único caminho possível para evitar a eleição de um presidente ainda indicado pelo Regime Militar. Sem a união do PMDB com o grupo de dissidentes do PDS — Frente Liberal, que seria o núcleo do futuro Partido da Frente Liberal (PFL) —, Paulo Maluf teria sido eleito presidente da República.

ATENÇÃO! Não é que o PT tenha apenas de oposto oficialmente à participação no Colégio e pronto! Ele expulsou 3 de seus então 8 deputados que contrariaram a orientação e decidiram votar em Tancredo: Beth Mendes, José Eudes e Airton Soares. Isto mesmo: expulsou, botou na rua, não quis mais saber, jogo-os aos leões. Foram tachados de “traidores”.
Por quê? Porque, segundo os petistas, tudo não teria passado de uma tramóia para fazer a transição negociada. Tramóia? A emenda das Diretas tinha sido derrotada pelo Congresso.

Este é o PT. Construiu-se depredando reputações, dizendo um “não” sistemático a todas as tentativas honestas — as atrapalhadas e as boas, tanto fazia — de melhorar o Brasil que não estivessem sob o seu controle e sob o seu comando.

E vejam que coisa fabulosa: José Sarney, indicado pela Frente Liberal para ser o vice de Tancredo, acabou assumindo a Presidência.
Os petistas lhe fizeram oposição ferrenha — num momento em que, vá lá, ele estava do lado que fazia avançar a democracia.
O PT só se uniu a Sarney em 2002, quando ele estava de volta a seu nicho original, o coronelismo mais atrasado, ecoando o patrimonialismo mais primitivo.

Não foi só o Colégio Eleitoral que o PT sabotou não:

- tachou a Constituinte e a Constituição de tramóia das elites; o partido se negou a homologar o texto numa solenidade simbólica de adesão do Congresso á Carta Magna. Lula esteve entre os parlamentares constituintes mais relapsos. Dizia abertamente que aquilo não servia pra nada; que era a Casa dos 300 picaretas;



- quando Collor renunciou, e Itamar Franco assumiu a Presidência, o país chegara a uma espécie de grau zero da legalidade. O PT se negou a participar do governo porque as pesquisas indicavam que Lula era o favorito para sucedê-lo. Cumpria, pois, ficar na oposição, malhando o governo;

- o PT expulsou Luíza Erundina, que aceitou ser ministra do presidente Itamar Franco;

- o PT se opôs ferrenhamente ao Plano Real e sustentava que ele era contra os trabalhadores;

- o PT se opôs ao programa de reestruturação de bancos — para o partido, nada além de mamata para banqueiros. O Proer é a base da solidez do sistema bancário brasileiro, que resistiu muito bem à crise global;

- o PT se opôs ao programa de reestruturação dos bancos estaduais, fonte permanente de desastres para os estados;

- o PT se opôs às privatizações, que retiraram o país da taba;

- o PT se opôs às reformas constitucionais, parte delas apresentada pelo próprio partido em 2003;

- o PT recorreu ao Supremo contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que Palocci passou a considerar “inegociável ” e “intocável” só a partir de 1º de janeiro de 2003;

- hoje, o PT sabota o programa de reestruturação da educação e da saúde em São Paulo.

Peguei este trecho no blog do Reinaldo e um de seus comentaristas disse que o ideal era espalhar isto na rede. Gostei da sugestão e estou fazendo a minha parte
 
                               Espalhem sem moderação
 



28 de dezembro de 2012
Cida Fraga

in lilicarabina

ALERTA AOS MILITARES E A NAÇÃO BRASILEIRA!

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=eAsII_iXZVE

Senhores Civis e Militares e a Nação Brasileira

Repassem este vídeo entre os seus contatos.

 28 de dezembro de 2012
ANMB

PENSANDO COMO OS REVOLUCIONÁRIOS


          Artigos - Movimento Revolucionário 
A técnica da “solução agravante”, que mencionei no artigo anterior, é uma das constantes históricas mais salientes do movimento revolucionário.
Os casos são tantos e tão evidentes que chega a ser espantosa a ingenuidade com que liberais e conservadores continuam discutindo (e não raro aceitando) as propostas sociais esquerdistas pelo sentido literal dos seus objetivos proclamados, sem atinar com o astuto mecanismo gerador de crises que elas sempre trazem embutido.

A dificuldade, aí, vem do descompasso entre a mentalidade científico-positivista dominante na prática do capitalismo e a visão histórico-dialética que orienta o movimento revolucionário.
Aquela segue uma lógica linear em que, definido um objetivo, os meios se encadeiam racionalmente para produzir um efeito que, uma vez alcançado, pode ser medido e avaliado objetivamente em termos de sucesso ou fracasso.
A lógica revolucionária opera sempre com dois objetivos simultâneos e antagônicos, um declarado e provisório, o outro implícito e constante.

O primeiro é a solução de algum problema social ou de alguma crise. O segundo é a desorganização sistemática da sociedade e o aumento do poder do grupo revolucionário. Entre o problema apontado e a solução proposta há sempre um non sequitur, um hiato lógico, camuflado sob intenso apelo emocional. Mas entre os meios adotados e o objetivo verdadeiro a conexão é sempre de uma lógica perfeita, inexorável.
O problema sai intacto ou agravado. O movimento revolucionário sai fortalecido.

Em seu já clássico The Vision of the Annointed (New York, Basic Books, 1995), Thomas Sowell fornece, entre outros exemplos, o da educação sexual, proposta nos anos 60 como remédio infalível contra a proliferação dos casos de gravidez e de doenças venéreas entre meninas de escola.
Contra a advertência óbvia de que quanto mais ouvissem falar de sexo mais as garotas se interessariam em praticá-lo, a medida foi adotada em metade das escolas americanas.

Resultado: a incidência de doenças venéreas entre as estudantes aumentou em 350 por cento em quinze anos, e os casos de gravidez passaram de 68 por mil em 1970 para 96 por mil em 1985, enquanto o número de abortos ultrapassava o de nascimentos. Diante do fato consumado, os promotores da idéia genial passaram à etapa seguinte: promover o livre acesso às clínicas de aborto para as menores de idade.

Outro exemplo, mais claro ainda – que não está no livro –, é a estratégia Cloward-Piven (v. http://www.olavodecarvalho.org/semana/090305dc.html). Concebida por dois discípulos do revolucionário profissional Saul Alinsky, Richard A. Cloward e Frances Fox Piven, seu objetivo nominal era “acabar com a pobreza”.

O verdadeiro objetivo só transparecia obscuramente na exposição dos meios. “Se esta estratégia for implementada -- prometiam os autores --, o resultado será uma crise política que poderá levar a uma legislação que garanta uma renda anual e portanto acabe com a pobreza.”

O plano não explicava como extrair da tal crise a legislação pretendida, nem de onde proviriam os recursos para garantir a cada cidadão americano uma renda anual; detalhava apenas os meios de produzir a crise (subentendendo, sem a mais mínima razão, que esta geraria por si o fim da pobreza).

Esses meios consistiam em recrutar o maior número de pessoas e convencê-las a exigir da Previdência Social todos os benefícios a que legalmente tinham direito, quer precisassem deles ou não. É evidente que nenhum sistema de previdência social do mundo tem meios de fornecer todos os benefícios a todo mundo ao mesmo tempo.
Em suma: não se tratava de eliminar a pobreza, mas de quebrar a Previdência e, junto com ela, os bancos, espalhando a pobreza em vez de eliminá-la e impondo quase que automaticamente a maior intervenção do Estado na economia.

O resultado foi atingido em 2008, favorecendo a eleição de Barack Hussein Obama, o qual, não por coincidência, tivera como seu único emprego na vida o de “organizador comunitário” incumbido de por em ação… a estratégia Cloward-Piven.

Mas o exemplo mais lindo de todos é a política do mesmo Barack Hussein Obama no Oriente Médio. Objetivo nominal: implantar a democracia moderna nos países islâmicos.
Meio adotado: espalhar dinheiro e armas entre os movimentos de resistência às ditaduras locais, fingindo ignorar que esses movimentos são orientados principalmente pela Fraternidade Muçulmana e estão repletos de agentes da Al-Qaeda. Resultado obtido: elevar ao poder a Fraternidade Muçulmana, trocando ditaduras pró-americanas ou neutras por ditaduras fundamentalistas islâmicas ferozmente anti-americanas.
Passagem à etapa seguinte: campanhas de propaganda destinadas a intimidar os americanos para que não digam uma palavra contra o Islam.

Nesses casos e numa infinidade de outros, os críticos liberais e conservadores falam de “fracasso” das políticas adotadas, fazendo de conta que os objetivos dos revolucionários são os mesmos deles próprios e recusando-se a enxergar o cálculo subjacente planejado para fazer de cada um desses fracassos da nação ou da sociedade um sucesso espetacular do movimento revolucionário.

Se o leitor compreendeu como a coisa funciona, sugiro-lhe agora um exercício: a esquerda americana, aproveitando-se do impacto da tragédia de Sandy Hook, está clamando por maior controle governamental das armas em poder dos civis.
Objetivo nominal: prevenir novas matanças de inocentes. De quanto tempo você precisa para descobrir qual será o resultado efetivo?

28 de dezembro de 2012
Olavo de Carvalho

EM DEFESA DE UMA MORALIDADE LEGISLADA

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          Artigos - Direito 
Um dos mitos mais absurdos do nosso tempo é que “você não pode legislar moralidade”. Nada poderia estar mais longe da verdade. Toda lei é uma moralidade legislada.

Leis são promulgadas para proteger pessoas e propriedades ou para promover a saúde e a segurança. Leis dizem que algo é bom, então a sociedade a protegerá, ou que algo é mau, e portanto será regulado ou punido.
Leis contra roubo e assassinato são declarações morais sobre o direito à propriedade privada e sobre a santidade da vida. Até mesmo um sinal de PARE é uma lei moral.
Um sinal de PARE diz que você não tem o direito de arriscar a vida de outras pessoas por dirigir de maneira imprudente. Muito tem sido dito em anos recentes sobre aborto e atividades homosseuxais como passando de um pedido de aceitação para um status legal favorecido. Isso é verdadeiro e representa uma progressão lógica.

Primeiro, o homossexualismo e o abordo foram exigidos como direitos, isto é, a moralidade como vista pela lei foi buscada e adquirida.
Então, favores e proteções para o que a lei considera moral e digno de proteção têm sido progressivamente exigidos e concedidos. A exigência da liberação do casamento gay é baseada nos “direitos” concedidos pela decisão moral anterior.

Não podemos legislar pessoas morais, mas legislaremos moralidade. Leis contra roubo e assassinato nunca foram feitas para tornar alguém melhor, nem pretendem fazê-lo. Elas têm o intuito de dissuadir as pessoas imorais de um comportamento imoral por meio do medo da justiça.
Nem parar num sinal de PARE faz você uma pessoa moral; o intuito não é torná-lo moral, mas fazer você dirigir de uma forma que proteja a vida e propriedade dos outros. Os magistrados, diz o apóstolo Paulo, devem ser um terror para os malfeitores; seu propósito é controlar as pessoas que querem fazer o que a lei diz ser errado.

A moralidade sobre a qual nossas leis são baseadas é sempre religiosa em natureza. A ética moral de um cristão será diferente daquela de um humanista, ou hindu, ou muçulmano. Quando mudamos de religião, nossa moralidade mudará e nossas leis eventualmente reflitirão isso. Temos visto uma mudança progressiva da fé e lei cristã para uma lei mais vigorosamente humanista em décadas recentes.

O inverso também é verdade. Quando mudamos nossa moralidade, estamos mudando nossas pressuposições religiosas, e nossa própria religião é mudada. Não é apenas o anti-cristianismo de fora que é o nosso problema hoje; estamos também lutando contra o elemento anti-lei de Deus (antinomiano) que tem atacado o Reino de Deus dentro dos seus próprios portões.

Todos cremos na lei, de forma que todos cremos em legislar moralidade. Eu creio na moralidade de Deus. Em qual moralidade você crê?

28 de dezembro de 2012
Mark R. Rushdoony
é presidente da Chalcedon Foundation.
Publicado no site Monergismo.
Tradução: Felipe Sabino

HOMENS-FORMIGA


          Artigos - Cultura 
O meio urbano de nossas cidades mostra uma desoladora angustia de espaços. Um instinto de formiga move o povo e como tal carregam coisas. É no metrô que esse instinto de formiga mais se revela:
todos com mochilas às costas.

E antenas implantadas pelos celulares comunicam. Enormes edifícios para apartamentos minúsculos. Angústia desoladora de espaços. Inferno claustrofóbico. Homens-formiga escalam alto. Ruas de carros não cabem gente; ruas de gente não têm carros.

Multidões caminham sem rumo sob o peso do seu destino. Pombal projetado para homens, os edifícios modernos. Horrenda arquitetura do fim dos tempos.

Pobreza de espaço e de beleza. Prisão! Arquitetura do fim dos tempos nessa angústia de espaços, devoradora de dignidade, de felicidade, de bem viver. Prisão! Espaço minúsculo para numerosos ocupantes. Vida projetada no nada espacial, exíguo metro quadrado para muitos.

Dormir por turnos e comer também. Até cemitérios aéreos na forma de pombal fizeram. Consistência aeroespacial. Corpos que se elevam para espíritos de gravidade prisioneiros. Cadáveres que se elevam para espíritos que não podem subir.

Prisioneiros dos pombais. Espírito de gravidade que não sai do pó da terra. Homens-massa. Multidões sem rumos. Zumbis habitantes de pombais. Angústia desoladora de espaços. Anel de ferro dos presos à terra. Prisão! Prisão vitalícia na angústia desoladora de espaço.
Do berço ao túmulo. Claustrofobia indolor. Arquitetura de perdição. Almas mortas. Na arquitetura de pombal não cabe a liberdade. Não cabe amor. Talvez sexo.
Não cabe família, nem filhos. Homens sós. Formigas atomizadas. Horror!

28 de dezembro de 2012
Nivaldo Cordeiro

A DEFORMAÇÃO DA LEI


          Artigos - Governo do PT 
Márcio Thomas Bastos dificilmente tirará as consequências de seu corretíssimo diagnóstico do sistema jurídico nacional.

Não é possível deixar de admirar Márcio Thomas Bastos, o famoso advogado que ficou riquíssimo na profissão pela sua competência. O artigo citado na Folha de São Paulo é uma aula magna de Direito desde o ponto de vista de um operador qualificado. Leigos como eu têm até dificuldades de acompanhar os doutorais argumentos advocatícios.


O fato é que Márcio Thomas Bastos revela uma aguda percepção da deformação do nosso sistema jurídico-penal. As afirmações duras assim comprovam:

“A importância da advocacia criminal é diretamente proporcional à tendência repressiva do Estado. Nunca o esforço do advogado criminalista foi tão importante como agora”;

“Desde que a democracia suplantou o regime de exceção, em nenhum momento se exigiu tanto das pessoas que, no cumprimento de um dever de ofício, dão voz ao nosso direito de defesa”;

Se em 2012 acentuou-se a tendência de vigiar e punir, o ano que se descortina convida a comunidade jurídica a participar do debate público e a defender, com redobrada energia, os fundamentos humanos do Estado de Direito”;

“Não é de hoje que o direito de defesa vem sendo arrastado pela vaga repressiva que embala a sociedade brasileira. À sombra da legítima expectativa republicana de responsabilização, viceja um sentimento de desprezo pelos direitos e garantias fundamentais”;

“Ocorre que, em 2012, a tendência repressiva passou dos limites. Ameaças ao exercício da advocacia levaram ao extremo a “incompreensão” sobre o seu papel social numa sociedade democrática”;

“Um desses diabólicos redemoinhos nos surpreendeu em agosto, com a pretendida supressão do habeas corpus substitutivo. A Primeira Turma do STF considerou inadequado empregar a mais nobre ação constitucional em lugar do recurso ordinário. O precedente repercutiu de imediato nos tribunais inferiores, marcando um perigoso ponto de inflexão na nossa jurisprudência mais tradicional”.

O Márcio Thomas Bastos do artigo é muito diferente daquele que foi apresentado na revista Piauí: o apoiador do PT, o ministro do Lula, o advogado riquíssimo e progressista que aderiu às esquerdas.

O que o Márcio não viu é que a turma do PT não convive pacificamente com o Estado de Direito, não gosta de advogado burguês de burgueses e pensa o sistema jurídico não do ponto de vista da sagrada liberdade dos cidadãos, mas da vingança coletivista contra indivíduos que ousam ser o que são, a despeito do Estado.
A transgressão maior para um esquerdista é não depender do Estado.

No mundo jurídico desenhado pelas esquerdas não há lugar como homens como Márcio Thomas Bastos enquanto advogado, apenas como militante político que é. O artigo é precioso porque vemos que ele se deu conta disso, que revelou o seu espanto com a nova ordem. É claro que foram os legisladores que quiseram assim. Mas quem são os legisladores? Eles mesmos, o PT e seus aliados.
Eles que estão esculpindo a prisão jurídica em que se transformou a Constituição e as leis. Mas foram também os juízes que assim o quiseram, sobretudo os do Supremo Tribunal Federal – STF.
Todos ali, de alguma forma, alinham-se com a escola jurídica dos direitos humanos, linha de frente das esquerdas mundiais. Todos são cúmplices, em maior e menor grau, da ascensão do PT ao poder.
Alguns são claramente militantes e já deixaram claro que sua militância vem em primeiro lugar e é superior às funções jurisdicionais.

(João Paulo Cunha jamais imaginou que mandar a mulher sacar a misera quantia de R$ 50 mil fosse coloca-lo na prisão e acabar com sua carreira política. O crime de lavagem de dinheiro era para pegar banqueiros e gente rica em geral, não membros da aristocracia do PT. Acontece que os petistas enriqueceram no exercício do poder e que o sistema jurídico é único e mesmo os companheiros togados não podem ignorar as leis. Deve ter sido com espanto que se viu arrolado no processo do Mensalão.)

É claro que a lei está deformada no Brasil. E não apenas no Código Penal e no Código de Processo Penal. Exemplo gritante desse estado de loucura jurídica é a Lei Seca recém aprovada, que consagrou o instituto do pré-crime no Brasil.

Melhor que a inteligência jurídica de Márcio Thomas Bastos tenha acordado para a alucinação em que se transformou o sistema jurídico brasileiro. Espero que a sua inteligência moral possa ajuda-lo a leva-lo às devidas consequências: é preciso fazer oposição ao legislador, isto é, ao PT e seus asseclas. Terá coragem? Terá tutano? Duvido. Embarcou na canoa revolucionária e dela não tem mais condições de escapar. Márcio dificilmente tirará as consequências de seu corretíssimo diagnóstico do sistema jurídico nacional.

28 de dezembro de 2012
Nivaldo Cordeiro

A DECADÊNCIA DE NOVA YORK É IMPRESSIONANTE


Qualquer observador que tenha visitado os Estados Unidos nas últimas décadas pode constatar a visível decadência social.
É bem verdade que se agravou nos derradeiros 10 anos. Para uma pessoa que tenha estado na cidade de Nova York, por exemplo, nos anos 60 e 70, é simplesmente assustador o visual social na atualidade.

Áreas que nos anos 70 eram cheias de vida e elegância, como as circunvizinhas ao Bloomingdale’s, estão praticamente mortas ao entardecer, incluindo a Av. Lexington, entre as ruas 44 e 60, outrora movimentadíssima.

Os comércios da tradicional rua 34, entre as 5ª e 8ª avenidas, excluindo Macy’s, estão cheios de lojinhas de produtos ordinários e chineses. Produtos de toucador europeus de boa qualidade desapareceram das lojas em geral. Nem no Saks Fifth Avenue se podem achar. A proliferação de ambulantes a vender bagulhos falsificados e comidas gordurosas nas ruas cêntricas, até defronte ao famoso Radio City,deprimem o ambiente.

Os turistas que outrora priorizavam shows da Broadway e espetáculos clássicos no Lincoln Center hoje visitam a cidade apenas para compras de computadores, tablets e roupas que podem ainda ser adquiridos a preços inferiores aos de seus países.

Nem para mencionar os antigos amplos e aprazíveis "coffee shops", hoje reduzidos a minúsculos e incômodos espaços. Lugares de entretenimento elegantes, como o Chateau Madrid, com orquestras, ou do tipo Maxwell’s Plumps, na 64 st e 1ª Av não existem mais.

O sistema de metrô parece que parou no tempo, com os mesmos carros barulhentos dos anos 70, bem inferiores aos silenciosos e limpos, por exemplo do Rio, com seu corredores e escadas em péssimos estado de conservação. O sistema de metrô IRT do "west side" atenta contra a audição humana, tamanha a barulhada que sofre o usuário do serviço. Os idosos penam para subirem suas escadas.

Os táxis estão imundos e os motoristas parecem de outro mundo, levando muitos passageiros a preferirem serviços de limousine que proliferam pela cidade com corridas de preços combinados. A outrora alegre Little Italy (bairro italiano), pegada ao Chinatown, é uma tristeza só, com seus restaurantes às moscas, até mesmo em noites de verão.

Demais lugares movimentados e cheios de vida no passado, como Forest Hills, Woodside (Queens), Brooklyn Heights, Atlantic Avenue (Brooklyn) parecem que foram golpeados severamente pela crise econômica, cheios de espaços vazios para alugar.

Quem duvida, que vá lá fazer suas comprinhas, conversar e constatar com pessoas sexagenárias. E o retrato da crise econômica e do incremento da concentração de renda...

28 de dezembro de 2012
Laco Silva

A DEUSA DOS CONSERVADORES AMERICANOS DIVIDIA O MUNDO ENTRE A ELITE E O RESTO. CONQUISTOU ASSIM OS EUA

 

Se você quer entender os conservadores americanos, tem que conhecer Ayn Rand, escritora russa de origem judaica que fugiu da Revolução Comunista de 1917 e se instalou nos Estados Unidos. Ali ela morreria aos 77 anos, em 1982. Uma biografia recente de Rand tem um título que diz tudo: “A Deusa do Mercado”.


Ayn Rand glorificou o egoísmo

Rand voltou às manchetes recentemente nos Estados Unidos por causa de um de seus devotos: Paul Ryan, o companheiro de chapa de Mitt Romney nas eleições presidenciais. Num vídeo feito antes de ele ser escolhido por Romney, Ryan disse ter sido fundamentalmente inspirado pelas idéias de Ayn Rand. Num Natal, ele comprou vários exemplares do principal livro de Rand, lançado no Brasil com o título de “A Revolta de Atlas”, e distribuiu como presente.

Ryan é tido como um pensador entre os republicanos, e uma de suas missões foi dar algum lustro à chapa republicana, dado que Romney parece tão bronco quanto Ronald Reagan sem ter o charme hollywoodiano dele. Como se viu, não funcionou.

O problema, para Ryan como candidato a vice, é que Rand era atéia. Os partidários de Obama exploraram isso. Então Ryan pediu que esquecessem o que dissera, e afirmou que sua inspiração, na verdade, era São Tomás de Aquino.
Licença para um ha-ha-ha básico.

Bem, o ateísmo é irrelevante na filosofia de Rand. O ponto central – e foi a ele que os conservadores se agarraram – é que o mundo é dividido entre a elite rica e os parasitas. A elite rica é uma minoria que empurra o mundo adiante, com sua criatividade incansável da qual deriva sua justificada fortuna. Parasitas somos todos nós, que sugamos o sangue dos melhores.
É uma inversão curiosa do conceito consagrado pelo movimento Ocupe Wall Street: o 1% é glorificado e os 99% desprezados.

Rand é o ídolo maior dos integrantes do Tea Party, a direita da direita americana. Nas reuniões do Tea Party, são comuns cartazes em que aparece o nome “John Galt”. John Galt é o herói de A Revolta de Atlas, um romance filosófico que está sempre entre os mais vendidos nos Estados Unidos desde seu lançamento, em 1957.

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CULTO À ELITE

Galt representa o Atlas, ou melhor, a elite que leva o mundo nas costas. Galt, revoltado com as pressões dos parasitas por condições de vida melhores, decide fazer uma greve. Não só dele, mas de todos os seus iguais – o 1% santificado. A humanidade é tremendamente castigada pela insurreição comandada por Galt.

O culto a Rand na década de 1960 entre os americanos sofreu um golpe quando veio a público que ela mantinha um caso com um discípulo bem mais jovem. Ambos eram casados. Os traídos foram avisados e aceitaram o caso, mas não a sociedade americana.

Rand, no apogeu, foi uma figura presente nos mais prestigiados programas de entrevistas da tevê americana. No YouTube, o acervo de vídeos dela é enorme. Numa entrevista, perguntaram a ela qual deveria ser a posição dos Estados Unidos no Oriente Médio. Ela chamou os árabes de “selvagens”.
Rand defendeu o egoísmo como a virtude suprema da elite. Pense em você, em você e ainda em você.

“Eu” era a palavra sagrada para ela. “Nós”, uma abominação. Ela levou a extremos um clássco pensamento de Adam Smith, o filósofo do livre mercado. Smith, em A Riqueza das Nações, de 1776, disse que o bem estar da comunidade depende do interesse pessoal do leiteiro, e do padeiro etc. Eles fazem o que fazem pensando em si mesmos, e a sociedade se beneficia disso.

Mas Adam Smith, na essência, não poderia ser mais diferente que Rand. Smith tinha um conceito de moral oposto ao da deusa da direita americana.

Um pensamento dele: “A disposição de admirar, e mesmo louvar, os ricos e os poderosos, e desprezar, ou pelo menos negligenciar pessoas de poucos recursos, é a maior e mais universal causa de corrupção dos nossos sentimentos morais”.

Isso é a antítese de Rand e de Galt – e do 1% americano que viu em ambos, criador e criatura, uma oportuna defesa intelectual para seus privilégios, sua ganância e seu egoísmo. As consequências disso estão aí: um país em acentuado declínio, atolado numa crise econômica, moral e social que leva a pensar que bem que Galt e seus congêneres poderiam mesmo entrar em greve e sair de cena – permanentemente.

28 de dezembro de 2012
Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)