"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sexta-feira, 1 de junho de 2012

SENADOR BOLIVIANO PEDE ASILO POLÍTICO AO BRASIL

       
          Internacional - América Latina        
Desde que Morales chegou ao poder, os cultivos de coca na Bolívia subiram de 25.400 para 31 hectares, segundo a ONU. A Bolívia é o terceiro produtor mundial de coca e cocaína, depois da Colômbia e do Peru, e o maior fornecedor para Brasil, Argentina, Chile e demais países do Cone Sul.

O senador boliviano Roger Pinto, da oposição de direita, está refugiado desde a segunda-feira na embaixada do Brasil em La Paz e solicitou asilo político no país. A presidente Dilma Rousseff analisa a petição,segundo informaram fontes de ambos países.

O ministro brasileiro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, confirmou que seu gabinete recebeu e “analisa” a petição de asilo de Pinto, que diz ser perseguido pelo presidente populista e nacionalista Evo Morales, a quem acusa de nexos com o narcotráfico. (N. do E.: não entendi por que os redatores da UnoAmérica não usaram o termo ‘socialista’ ou comunista’.)

Em carta lida pelos parlamentares, Pinto denuncia, entre outras coisas, que há “mais de 20 processos penais” abertos contra ele pelo governo e o oficialismo, “cada um mais descabido que o outro”, segundo Roger Pinto.

Desde que Morales assumiu a Presidência em 2006, dezenas de dirigentes da oposição têm fugido da Bolívia e procurado refúgio no Brasil, Paraguai, Estados Unidos, Peru, Espanha e outros países, após acusar o Governo de perseguição política.

Patriota não precisou quanto tempo seu governo necessitará para decidir a respeito.
O deputado boliviano Adrián Oliva indicou em coletiva de imprensa que Pinto solicita asilo porque não lhe resta outra opção ante o “acosso” e a “perseguição inclemente”, dos quais acusa Morales.

Pinto se queixa de que foi citado para depor “quase todas as semanas” em quatro das nove principais cidades do país. “A cada denúncia que fiz por corrupção ou narcotráfico me abriram um processo penal por desacato, sedição ou difamação, entre outros (...). Já não são um opróbrio a corrupção e o narcotráfico, senão denunciá-los. Institucionalizou-se a impunidade”, afirma em sua missiva, lida por legisladores opositores.

A embaixada brasileira em La Paz declarou à EFE que não se pronunciara sobre o caso e que qualquer informação será dada a conhecer pelo Ministério de Relações Exteriores em Brasília.

O porta-voz do ministério brasileiro de Relações Exteriores, Tovar Nunes, explicou que a solicitação de Pinto será analisada dentro do marco legal, o qual supõe “reunir elementos de julgamento para estabelecer se cabe” a concessão do asilo político.
Nunes sublinhou que o Brasil tem uma “longa tradição” em matéria de asilo e que é signatário de convênios internacionais que garantem esse “direito”, mas esclareceu que cada caso é “examinado cuidadosamente”.
Também explicou que Pinto poderá permanecer na sede da embaixada brasileira até enquanto não haja uma decisão.

Pinto, que representa a região nortenha de Pando, fronteiriça com o Brasil, foi muito ativo nos últimos tempos em criticar Morales por corrupção e falta de política antidrogas, chefe de sindicatos de produtores de coca, matéria-prima da cocaína.

Desde que Morales chegou ao poder, os cultivos de coca na Bolívia subiram de 25.400 para 31 hectares, segundo a ONU. A Bolívia é o terceiro produtor mundial de coca e cocaína, depois da Colômbia e do Peru, e o maior fornecedor para Brasil, Argentina, Chile e demais países do Cone Sul, acrescente a mesma fonte.

A senadora Jeanine Añez, correligionária de Pinto que o acompanhou na segunda-feita à embaixada brasileira, disse a EFE que ele enfrentava um perigo iminente de perder sua liberdade e que tanto ele quanto sua família receberam ameaças de morte anônimas. “O Governo de Evo Morales não garante a vida de nenhum opositor no país.

Lamentavelmente, estamos vivendo em um estado de indefesa”, acrescentou Añez.
A oposição anuncia que na próxima semana acorrerá à cidade central de Cochabamba para denunciar ante a 42ª Assembléia da Organização dos Estados Americanos (OEA) as supostas perseguições de que são objeto.

Por outro lado, deputados do partido de Morales, o Movimiento al Socialismo (MAS), negaram a denúncia de perseguição e disseram que Pinto deve responder por acusações de suposta corrupção quando foi governador de Pando (1999-2002).
“As asseverações de que é uma perseguição são absolutamente falsas. Pinto tem que prestar contas à justiça boliviana. Ele alienou recursos econômicos a favor de empresas estrangeiras”, disse o deputado do MAS, Galo Bonifaz, segundo a agência oficial ABI.

01 de junho de 2012
Da UnoAmérica.

Tradução: Graça Salgueiro

RATINHO & RATÃO, O 'SALVADOR DA PÁTRIA'...

Ao lado de Ratinho, Lula mente, se apresenta como salvador da pátria e ignora as mazelas do seu governo


Missa encomendada – Ao receber em seu programa o ex-presidente Luiz Inácio da Silva e Fernando Haddad, candidato do PT à prefeitura de São Paulo, o apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, permitiu que novamente seus telespectadores fossem atropelados por uma avalanche de mentiras e pensamentos obtusos.

Precisando se fazer de coitado por causa do entrevero com o ministro Gilmar Mendes (STF), Lula falou sobre o câncer na laringe e a dificuldade do tratamento. O ex-presidente disse que para que o povo tenha o mesmo tratamento que ele [Lula] teve no Hospital Sírio-Libanês, um dos melhores do País, é preciso que o governo invista mais dinheiro no setor.

Lula tentou transferir à oposição as mazelas da saúde pública, usando para isso o fim da malfadada CPMF, que ele burramente classificou como um imposto pago pelos ricos. A CPMF, ao contrário do que disse Lula, era um imposto disfarçado de contribuição que afetava toda a sociedade sem distinção.

Ao falar da necessidade cada vez maior de investimentos na saúde pública para que a excelência do setor seja acessível a todos os cidadãos, Lula acabou desmentindo a si próprio. Em meados de 2006, quando se preparava para a campanha pela reeleição, o petista disse que a saúde pública no Brasil estava a um passo da perfeição.
Tempos depois, o mesmo Lula sugeriu, durante um de seus discursos falaciosos, que o presidente Barack Obama deveria adotar nos EUA um modelo semelhante ao do SUS, que na opinião do mandatário brasileiro é barato e eficiente.

Crise e consumismo

Na troca de elogios entre Lula e Fernando Haddad, o ex-ministro da Educação, que como candidato à prefeitura paulistana ainda não tem proposta convincente, disse que os acertos do governo do PT permitiram que o brasileiro visse “a vida melhorar da porta de casa para dentro”. E Haddad usou o consumismo desenfreado dos últimos anos como justificativa para essa melhora de vida.

Haddad, que chegou a ser chamado de “bonitão” por Ratinho, é um utópico que se presta a adular seu mentor eleitoral, como se o poder de compra do cidadão significasse qualidade de vida. O candidato petista se esquece que da porta de muitas casas para dentro existem milhões de carnês atrasados, resultantes da onda de consumo irresponsável incentivado pelo próprio Lula, que disse ser a crise financeira do ano de 2008 uma obra dos “loiros de olhos azuis”.

Em nenhum momento Ratinho manifestou o desejo de perguntar a Lula sobre a volta da inflação, cada vez mais resistente. E se isso tivesse ocorrido, mereceria por parte do apresentador a colocação de que a crise que marca o cotidiano verde-louro é obra de alguém que abusa da mitomania e acredita estar acima da lei.

Retorno ao Planalto

Perguntado sobre a possibilidade de se candidatar à presidência em 2014, Lula disse que Dilma Rousseff chegará ao final do seu mandato com força suficiente para tentar a reeleição. Diante da insistência do apresentador, que seguiu um script previamente elaborado pelo entrevistado, o ex-presidente disse que no caso de Dilma não se interessar pela reeleição, ele será candidato, pois não permitirá que um tucano volte ao Palácio do Planalto.

Lula precisa compreender que o Brasil ainda é uma democracia e que o golpe que ele tenta aplicar terá pela frente a resistência da massa pensante do País, representada pelos 80 milhões de eleitores que não votaram em Dilma.
Esse comportamento totalitarista reforça a tese de que no entrevero com Gilmar Mendes o mentiroso é o ex-presidente da República, que tenta evitar que o julgamento do escândalo do Mensalão do PT se transforme em uma espécie de julgamento do seu governo.

Lula quando muito manda, desde que deixou o poder, na sua casa, mas não pode continuar tratando o Brasil como propriedade particular ou como um boteco mequetrefe de porta de fábrica, onde, aliás, embalado por goles excessivos, ele construiu boa parte da sua trajetória político-sindical.

Não cabe ao ex-presidente decidir se esse ou aquele político deve ou não governar o País. Lula quando muito manda, desde que deixou o poder, na sua casa, mas não pode continuar tratando o Brasil como propriedade particular ou como um boteco mequetrefe de porta de fábrica, onde, aliás, embalado por goles excessivos, ele construiu boa parte da sua trajetória político-sindical.

Classe média

A forma tacanha e irresponsável como Lula trata o atual cenário brasileiro prova a sua conhecida incapacidade administrativa. Avesso ao planejamento, palavra que jamais frequentou o seu cotidiano, o ex-metalúrgico fez questão de falar sobre a chegada de 40 milhões de novos consumidores à classe média.

Obtuso por conveniência política, Lula criticou os que alegam que o consumo descontrolado fez com que as ruas e avenidas das principais cidades brasileiras fossem alvo de uma avalanche de carros novos, o que complicou sobre maneira o trânsito. No momento em que o Brasil está a um passo de sediar a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, esse discurso fanfarrão é um tiro pela culatra que reforça a falta de capacidade administrativa do ex-presidente.

Ainda no universo do consumo, Lula disse ao apresentador que sente-se satisfeito ao ver os aeroportos brasileiros congestionados, pois, segundo ele, o pobre também tem o direito de viajar de avião. Habilidoso em termos políticos, Lula é traído por seguidos lampejos de ignorância, algo que não pode acometer um estadista. Vangloriar-se da fracassada infraestrutura do País é no mínimo um atentado contra a lógica do raciocínio.

Contra fatos não há argumentos, dizem os experimentados, e por conta disso não há como deixar de reconhecer, em análise isolada, a chegada de milhões de novos consumidores à classe media.
Contudo, esse upgrade social aconteceu não por causa da geração de riqueza por parte dos cidadãos, mas na esteira do endividamento recorde das famílias brasileiras e da disparada da inadimplência.
Lula, por questões óbvias, não explicou aos telespectadores do apresentador Ratinho que essa nova classe média é composta por pessoas que recebem no máximo dois salários mínimos, dinheiro insuficiente para honras as necessidades básicas do dia a dia.

Corrupção

Alguns temas importantes não foram abordados na entrevista de Lula ao apresentador Ratinho. E a corrupção foi um deles. Sem tocar no escândalo do Mensalão do PT, o que lhe tira o bom humor, Lula preferiu ignorar os inúmeros casos de corrupção que marcaram sua passagem pelo Palácio do Planalto.
O modelo de convívio político vigente, que garante à presidente Dilma Rousseff apoio no Congresso Nacional, é resultado da substituição do pagamento de mesadas regulares a parlamentares pela entrega de ministérios e autarquias a partidos políticos da base aliada, que assumem a responsabilidade pelas transgressões cometidas em cada pasta.

Acreditando ser a versão moderna e tropical de Messias, o ex-presidente Lula passou para a história na condição de responsável pelo período mais corrupto do País, que precisará de pelo menos cinquenta anos para recuperar os estragos cometidos na última década, período em que  prevaleceu a imoralidade pública e a pirotecnia oficial.

01 de junho ded 2012
ucho.info

LULA RÓI A LEI ELEITORAL, FATOS, INSTITUIÇÕES, DECORO, BOM SENSO...

No Ratinho, Lula rói a Lei Eleitoral, os fatos, as instituições, o decoro, o bom senso… É o passado que insiste em não passar; é a rabada privada paga com a rabada pública!
Há dias a transgressão à Lei Eleitoral estava anunciada. Lula daria a sua primeira entrevista depois de deixar a Presidência da República ao Programa do Ratinho, do SBT. O SBT é a emissora do empresário e ex-banqueiro Silvio Santos, cujo banco, o Panamericano, quebrou, deixando um rombo de R$ 4,3 bilhões na praça. Isso deveria lhe ter custado o patrimônio pessoal e empresarial. Mas saiu ileso, sem gastar um centavo.
O então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, deu um jeitinho. Foi um dos maiores escândalos financeiros do país. Voltarei ao ponto mais abaixo. Pois bem: os petistas anunciavam, e a imprensa noticiava: a “entrevista” ao apresentador Ratinho será a primeira de uma série de aparições do ex-presidente em programas de TV para tentar catapultar a candidatura de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo. Ou por outra: o desrespeito à Lei Eleitoral estava sendo, por espantoso que pareça, anunciado. Fazia-se a crônica do crime antes mesmo de ele acontecer. E assim se deu. Só não se esperava que pudessem ir tão longe — aposta sempre perdida quando se trata de Lula. E foram!
Haddad, em pessoa, apareceu a tiracolo, para ter suas virtudes exaltadas por Lula e para tentar, ele mesmo, com peculiar ruindade, vender o seu peixe. Um escracho! Um acinte! Um deboche! A maracataia que livrou a cara e o bolso de Silvio Santos vivia ali mais um capítulo das compensações, da política do “é dando que se recebe”.
Ataque boçal e antidemocrático

Lula — com o concurso do SBT, é evidente! — não foi além do aceitável apenas quando apareceu com seu candidat, um notável desajeitado, que mal escondia a condição de boneco de mamulengo. A certa altura do programa, Ratinho perguntou — com aquela falsa espontaneidade que, admita-se, o apresentador encarna muito bem — se o petista admitia voltar a se candidatar à Presidência da República.
Depois de afirmar, obviamente, que Dilma tentará a reeleição, que está fazendo um trabalho extraordinário, não se conteve: “Se ela não quiser ser candidata, vou ser. Não vou permitir que um tucano volte a ser presidente do Brasil”. Ainda que a resposta pareça banal na sua boca e, até certo ponto, esperada, é bom que se destaque: não há democracia respeitável no mundo que aceite uma intervenção como essa. Lula transforma um dos partidos de oposição numa anátema, como se, na Presidência, tivesse feito um mal ao Brasil.
É essa abordagem verdadeiramente criminosa que o petismo tem da política que me causa — a mim e a quantos possam prezar o regime democrático — repúdio. Ratinho, com Haddad ali presente, numa programa que tinha justamente o objetivo de tirá-lo da obscuridade eleitoral, não perdeu tempo. Olhou para as câmeras e disparou:
— Zé Serra, cê tá ralado!
O empresário Ratinho, dono de concessões de emissoras de televisão, de tonto só tem o andado e o jeitão. É espertíssimo. Sabe que o tucano José Serra é candidato à Prefeitura de São Paulo e, pois, adversário de Haddad, não à Presidência. Mas estava ali prestando um serviço. Lula havia dado a Silvio Santos, afinal, quando fez a maracataia do Panamericano, bem mais do que aquilo. A dívida, aliás, é impagável!
Pagando a rabada de Ratinho com a rabada do povo

Lula está com a aparência doentia, ainda bastante inchado e rouco, mas o caráter, o que ele tem, já está cem por cento. Nos primeiros instantes de programa, contou que havia prometido a entrevista ao apresentador porque eram amigos pessoais: “Já comi rabada na casa do Ratinho, e o Ratinho comeu rabada na Granja do Torto”.
O valor de uma e de outra é certamente irrisório, mas não o simbolismo. O apresentador pagou a iguaria que ofereceu a Lula com seu próprio dinheiro, e Lula pagou a que ofereceu a seu amigo com o nosso. Mutatais mutandis (e põe uma montanha de “mutandis” aí…), o acordão do Panamericano foi uma rabada pública de dimensões pantraguélicas! Mas ainda não é a hora de falar disso. Sigamos.
O país de Lula é assim, fraterno, feito de amizades, compadrios, arranjos, acertos, conversas ao pé do ouvido, transgressões legais, artimanhas, manhas, arranjos à socapa, ilegalidades à sorrelfa, cochichos… À guisa ainda do troca-troca de rabadas, repetiu uma das divisas da República da Companheirada:

“Eu costumo dizer que um irmão nem sempre é um grande companheiro, mas que um companheiro é sempre um grande irmão”.

Na plateia, o irmão Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo (com os cabelos tingidos, mais negros do que as asas da graúna) e, claro!, Haddad, que logo seria chamado para uma das cadeiras dos entrevistados.
O câncer e o ataque a quem tem plano de saúde privado

Aí chegou a hora da exploração eleitoreira do câncer. Lula fez digressões sobre a sua boa saúde até então, sem tomar remédios — no máximo, disse, ingeria uns Engovs para minimizar os efeitos da “marvada pinga” —, até que recebeu a notícia da doença. Fez um resumo até bem-humorado das dificuldades para, ora se não faria isto!, atacar aqueles que votaram contra a CPMF e, pasmem!, os brasileiros que têm plano privado de saúde!
O homem que se tratou num dos hospitais mais equipados e caros do mundo — teria sido tudo pago por seu plano de saúde??? — tem clara noção do contraste entre o tratamento que ele recebe e aquele dispensado por seu governo à população pobre, certo? Quem é o responsável por isso? Ora, os que votaram contra a CPMF! “Se a gente quiser que o povo tenha o tipo de tratamento que eu tive, tem de ter dinheiro”. Não! Lula não foi se tratar no SUS — que ele chegou a declarar “perto da perfeição” e a oferecer como modelo a Obama.
Preferiu o Sírio-Libanês. E afirmou, de modo um tanto oblíquo, que o conjunto dos brasileiros só não tem um Sírio-Libanês para chamar de seu por culpa dos adversários.
A mentira escandalosa sobre os planos de saúde

Está, sim, um tanto alquebrado, mas, afirmei, o caráter continua o mesmo. É o que sempre digo: doença não é categoria de pensamento, não melhora ninguém. Aproveitou, ainda, para fazer caricatura dos brasileiros que pagam plano privado de saúde, que seriam uns reclamões injustos: “Quem paga o plano de saúde dele? É o estado brasileiro, que não recebe imposto!”
Trata-se de uma falsificação grosseira da verdade. Lula sabe muito bem o que é Imposto de Renda e como funciona — o governo petista bate sucessivos recordes de arrecadação. Quando o contribuinte declara os gastos de saúde está apenas — atenção! — deixando de ser tributado sobre aquele valor, mas é mentira que o estado esteja pagando alguma coisa! O coitado está efetivamente tirando um dinheiro do bolso para financiar a sua saúde e a da família.
A afirmação é uma mentira, uma vigarice! Terá a oposição prestado atenção que o petista hostilizou, com essa afirmação, milhões de brasileiros obrigados a aderir à saúde privada para fugir do “sistema quase perfeito” de Lula? Se fosse ágil, estaria amanhã nas redes sociais fazendo esse debate. Mas até acordar do sono eterno…
Aí chegou a hora de Haddad

Aí chegou a hora de Haddad. Como quem não quer nada, como se a pergunta tivesse acabado de lhe ocorrer, Ratinho indagou por que ele escolhera o ex-ministro da Educação como candidato à Prefeitura de São Paulo. E o ApeDELTA explicou que queria alguém com uma cara nova, que tinha criado o ProUni e 14 universidades federais (mais um número mentiroso!). O candidato, então, foi chamado a integrar a mesa, como entrevistado.
Tudo estava tão organizado, que havia até uma “reportagem” com uma estudante do quarto ano de medicina, financiada pelo ProUni. Ela, claro, estava gratíssima aos dois petistas. Setenta por cento das universidades federais estão em greve. Algumas delas não contam nem com sistema de esgoto. Aulas estão sendo ministradas em barracões e prédios improvisados. E isso é apenas um fato. Em 2010, formaram-se menos estudantes em universidades públicas do quem em 2004!
Exibindo notável falta de treino, um tanto desenxabido, Haddad engrolou ali um discurso segundo o qual os críticos do Bolsa Família (???) acusavam o programa de assistencialista — o que, atenção!, é falso! Lula roubou o programa do governo FHC, como já provei aqui. Antes de adotá-lo como seu, quem dizia que programas de bolsa deixava o pobre preguiçoso, “sem vontade de plantar macaxeira”, era o próprio Lula.
E já estava na Presidência da República. Indagado por que quer ser prefeito, Haddad afirmou que pretende melhorar a vida das pessoas do portão para fora — tarefa que seria da Prefeitura — porque, do portão para dentro, tudo o que aconteceu de bom aos brasileiros é obra de Lula e, vá lá, de Dilma. E teve a cara de pau de falar justamente sobre saúde, como se o governo do PT não administrasse o país, estados e cidades em que a área vive em petição de miséria. O atendimento na rede municipal de São Paulo é muito superior àquele dispensado pelo governo federal.
Lula retomou a palavra. Pelo visto, está disposto a ressuscitar a sua pantomima do arranca-rabo de classes — justo o homem que comandou o arranjo de mais de R$ 4 bilhões do Panamericano… Já chego lá! “Muita gente diz que o Lula só cuida dos pobres”… Meus Deus! Que calúnia! Muita gente diz que eu me pareço com o Brad Pitt, e eu não me ofendo… Ora, quem diz isso? Desconheço.
Eu acho que o Lula cuida é mal dos pobres. O ProUni, por exemplo, com raras exceções, é o quê? Faculdade ruim, paga com dinheiro público, para os… pobres! Os ricos vão para as universidades públicas. Mas isso fica para outra hora.
SBT X Record e os evangélicos

Ali pelo fim da entrevista, algo curioso se deu. Ratinho anunciou que o Ibope do seu programa estava maior do que “o da emissora do bispo”, referindo-se à Record, de Edir Macedo, que concorre com o SBT no esforço de puxar o saco de Lula e do PT. E disse ao ApeDELTA: “Eu estive com o apóstolo Valdomiro [na verdade, é "Valdemiro"], e ele te mandou um abraço. E Lula: “Eu quero falar com ele!” Ratinho responde: “Posso marcar?” O petista disse que sim.
Pois é… Haddad é amplamente rejeitado, por enquanto, pelos cristãos, tanto católicos como evangélicos, por causa do kit gay preparado para as escolas e da defesa fanática que o PT faz da descriminação do aborto. Valdemiro, originalmente um desgarrado da Igreja Universal do Reino de Deus, de Macedo, é dono da Igreja Mundial do Poder, uma das pentecostais que mais crescem. E esse crescimento tem-se dado justamente sobre a Universal, tomando-lhe fiéis e pastores.
Os dois donos de igreja travam uma batalha feroz, com pesadas acusações mútuas. Macedo já pôs o, por assim dizer, “jornalismo” da Record para atacar o adversário do mercado da fé. É bem possível que Lula queira falar com o concorrente de seu amigo Macedo para promover a paz religiosa… O dono da Universal também é proprietário (!) de um partido político, o PRB, que tem, por enquanto, um candidato à prefeitura de São Paulo: Celso Russomano. Nada, certamente, que o Babalorixá de Banânia não possa resolver.
Agora o Panamericano

Em 2008, o Banco Panamericano já estava quebrado. Mesmo assim, em 2010, a Caixa Econômica Federal comprou 49% das ações da instituição. Um ano depois, estava quebrado, com um rombo de R$ 4,3 bilhões. A única saída seria Silvio Santos arcar, conforme a lei, com os seus bens pessoais e os das suas empresas. A menos que aparecesse um super-Lula no meio do caminho, como apareceu.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ficou com o espeto. Luiz Sandoval, ex-presidente do Grupo Silvio Santos, contou tudo à Folha numa entrevista no dia 11 de março. A história de que o FGC é só dinheiro privado é conversa para boi dormir. A “sociedade” com a CEF rendeu a ignominiosa reportagem da “bolina de papel” em 2010, lembram-se? A operação salva-Sílvio, rende agora a campanha eleitoral arreganhada para Haddad. Dado o tamanho do socorro — R$ 4,3 bilhões —, vem mais coisa por aí.
Os truques

É quase certo que a patranha desta quinta será lavada com convites aos demais candidatos à Prefeitura. Aposto que Serra e alguns outros serão convidados, sob o pretexto de garantir condições iguais a todos. Eles irão, claro! Mas se trata de um truque. Não haveria nada de errado em Lula conceder uma entrevista e elogiar fartamente as gestões petistas. Do mesmo modo, o candidato Haddad poderia ter sido entrevistado (outros teriam a sua chance).
A malandragem está na operação casada, no uso de um programa de TV para que Lula faça proselitismo em favor do outro, transformando uma suposta entrevista em horário eleitoral gratuito. Ratinho e o SBT puseram um programa da emissora a serviço do lançamento de uma candidatura. A propósito: caso os demais candidatos sejam convidados, devem exigir da produção “reportagens” com pessoas gratas à sua atuação pública.
“Vamos bater nos jornalistas”

Ratinho encerrou o programa fazendo um gracejo, convidando Lula para um programa em conjunto, na televisão. Seria o certo. Finalmente, a vocação de animador de auditório! O apresentador emendou: “Tem muito jornalista que bateu em você; vamos bater neles”. E Lula respondeu: “Vamos entrevistá-los“. Trata-se de um gracejo revelador, a exemplo do troca-troca das rabadas. Políticos não entrevistam jornalistas porque estes, na sua profissão, não se candidatam a cargos públicos nem são sustentados pelo povo — há alguns que são, mas não são jornalistas, e sim paus-mandados.
Lula nunca entendeu direito o trabalho da imprensa, não é? Daí que se dedique, com frequência, a tentativas de censura e intimidação.
Indagado, finalmente, e de forma indireta, sobre o caso Gilmar Mendes, o petista afirmou que não falaria a respeito se limitou a dizer: “Quem acusou que prove”! Pois é! Só se Gilmar Mendes estivesse com um microfone na lapela. O relevante é que todo mundo sabe o que aconteceu. Não estivesse Lula ali a roer a Lei Eleitoral, os fatos, as instituições, o decoro e o bom senso, talvez um ou outro ainda pudessem ter direito à dúvida. Mas como duvidar?
Como acreditar num Lula que se dizia respeitador da lei enquanto a desrespeitava uma vez mais? O passado não quer passar. O passado quer ficar. A tradição de todas as gerações mortas insiste em oprimir como um pesadelo o cérebro dos vivos, como disse aquele…
Ave, Lula! As instituições, que hão de sobreviver, o espreitam!

Reinaldo Azevedo - Veja Online
01 de junho de 2012

UM GOVERNO EMBASADO EM MENTIRAS

Ele e seus seguidores, preocupados com o clamor público, estão se valendo para defender o indefensável, do surrado sistema de negar e acusar a imprensa de mentir.


Lula antes de um discurso que proferiu no V Fórum Ministerial de Desenvolvimento (30/5), Deu uma entrevista declarando, sem citar nomes: “Vou falar de pé porque senão vão dizer que eu estou doente. Então, para evitar esses pequenos dissabores… Vocês sabem que tem muita gente que gosta de mim, mas tem algumas pessoas que não gostam. Eu tenho que tomar cuidado contra essas. São minoria, mas estão aí no pedaço”.

Será que Lula, com isso quis dizer, que a foto onde ele aparece de bengala e amparado (3/5), seja uma montagem dos que não gostam dele?
Essa saída insidiosa, havia sido adotada no mesmo dia, “pela presidenta” Dilma Rousseff ao dizer que o governo não entrará na briga entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
Contudo se desdisse, quando adiante afirmou que “são, no todo, falsas as informações contidas na reportagem”. ( O Estado de São Paulo, 29/5 por Vera Rosa e Tânia Monteiro, na íntegra “Planalto quer se manter longe da crise”).
O governo que, como disse a presidente, não entraria na briga, emitiu a nota que segue abaixo, demonstrando que mais uma vez dona Dilma Rousseff, como uma relés descarada mentiu.

A íntegra da nota:

“A Presidência da República informa que são no todo falsas as informações contidas na reportagem que, em uma de suas edições, apareceu com o título “Para Dilma, há risco de crise institucional”, publicada hoje no diário O Estado de S. Paulo.

Em especial, a audiência de ontem da presidenta Dilma Rousseff com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, tratou do convite ao presidente do STF para participar da Rio+20 e de assuntos administrativos dos dois poderes. Reiteramos que o conjunto da matéria e, em especial, os comentários atribuídos à presidenta da República citados na reportagem são inteiramente falsos.

Contrariando a prática do bom jornalismo, o Estadão não procurou a Secretaria de Imprensa da Presidência para confirmar as informações inverídicas publicadas na edição de hoje. Procurada a respeito da audiência, a Secretaria de Imprensa da Presidência informou ao jornal Estado de S. Paulo e à toda a imprensa que, no encontro, foram tratados temas administrativos e o convite à Rio+20.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República”

O Estado de São Paulo, em seus 137 de existência, juntou um cabedal de confiabilidade, enquanto a presidente Dilma Russef, vem colecionando inverdades, a partir de seu doutorado inexistente.

Está na hora de Dilma Roussef, perceber que não está agradando e sair de fininho para juntar-se à sua súcia.

(*) Foto: Dilma e Ayres de Britto se…bem, deixa isso prá lá

01 de junho de 2012
Giulio Sanmartini

SOBRE ENSINO

Sempre que volto a pensar no sistema de quotas no ensino e na injustiça flagrante que o mesmo representa acabo concluindo que a algum nível do subconsciente nacional brasileiro, de inspiração portuguesa ( e aqui não cabem as piadas de português e sim mera constatação de fatos inerentes) me ocorre que a educação, no sentido mais largo do que o conceito de ensino, parece ser vista como um privilégio, a despeito do enorme corpo de leis assegurando educação para todos.


Anos atrás, em algum momento, creio que o Secretário da Receita era o Dornelles, até mesmo o direito à dedução do Imposto de Renda dos gastos com educação foi negado aos contribuintes.

Estranhamente a própria revista Veja, comentando as reclamações sobre o assunto alegava que os que se dirigiam ao ensino pago eram privilegiados já por poderem pagar o ensino privado. Ignoravam o fato de que alguns pais faziam sacrifícios enormes para manter dois ou três filhos na melhor escola possível, onde não havia greves de professores, e que o ensino recebido por nossos filhos se incorporava ao patrimônio intangível da nação.

É importante dizer que as boas escolas privadas haviam se originado nas comunidades, seja de cunho religioso seja de natureza laica. O Rio Grande do Sul tivera uma excelente rede de ensino público, mas nos anos 70 esta já estava decadente pela politização excessiva do corpo docente.
Os melhores resultados no ensino sempre foram alcançados por crianças cujos pais se interessaram pelo aproveitamento dos filhos. Crianças criadas em comunidades engajadas neste sentido, como por exemplo, o Bexigaem São Paulo, ou as regiões com comunidades japonesas ou alemãs recebiam este tipo de incentivo de uma maneira geral. Nas escolas públicas havia a convivência de todos e o ambiente levava a um interesse competitivo na educação. Verdadeiramente a escola brasileira que existia, se insuficiente, era eficaz na formação de pessoas dos anos 30 aos anos 70. Depois dos anos 80 nota-se um interesse em estatísticas falsas que não indica a efetiva decadência.

A presença de alunos com mais facilidade de aprender e maiores tradições educacionais, por terem preparo e atenção em casa convivendo lado a lado com outras para quem o desafio era maior, era salutar.

O sistema de quotas, entre outros defeitos, tende a remover essa possibilidade de transferência de atitudes culturais. O fato de pessoas bem preparadas serem preteridas significa fixar as expectativas de educação num patamar mais baixo.

Na minha infância eu ouvi falar de comunidades que tinham uma sala de aula, com uma professora apenas, atendendo alunos de diferentes idades em séries diferentes. A comunidade juntava algum dinheiro, mantinha uma professora e um prédio com uma sala.
Não obstante isto, dali saíram advogados, médicos jornalistas e fundadores de empresas.
Do sistema de quotas o que sairá?

(*) Charge: O sistema de cotas, por Alpino

Ralph J. Hofmann
01 de junho de 2012

CPMI VIRA BORDEL

As chicanas do ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos, são tão chulas que transformaram a CPMI de Carlinhos Cachoeira em uma piada de mau gosto em salão de uma casa de putas pobres.
A lei do silencio, que ele mandou seus clientes (fregueses?) criminosos usarem, é um bofetão na cara das pessoas de bem que resistiram ao furacão petista que tomou o governo do país.


No dia 30 seis acusados envolvidos na organização criminosa comandada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, deveriam depor na CPMI, só compareceram quatro, e estes, simplesmente, mantiveram-se calados, alegando que assim fizeram para não produzir provas contra si mesmos.
A turma do silêncio foi a seguinte: Cláudio Abreu, ex-diretor da empresa Delta no Centro-Oeste, José Olímpio de Queiroga Neto, apontado como um dos gerentes da organização investigada, Lenine Araújo de Souza, investigado como contador da organização, e Gleyb Ferreira da Cruz, apontado como “laranja” de empreendimentos de Cachoeira.

Quer dizer que estes salafrários achincalham, o já bem combalido poder Legislativo. O autor intelectual dessa cena burlesca, Thomaz Bastos, já foi advogado do hoje ex-presidente Lula, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (1987) e ministro da Justiça entre 2003 e 2007.

Mas ao que parece, Thomaz Bastos não se sairá dessa empreitada airosamente, primeiro há suspeita que tenha praticado crime de lavagem de dinheiro ou receptação não intencional de recursos de atividades criminosas. Depois o fato de Thomaz Bastos receber R$ 15 milhões em honorários para defender Cachoeira é indício de crime. Haja vista que toda sociedade brasileira sabe que Cachoeira não tem condição de pagar honorários elevados com renda lícita; logo, é de se presumir que os recursos foram obtidos por meio criminoso.

Não é razoável Thomaz Bastos, que, como ministro da Justiça, teve a missão de defender o Estado brasileiro da ação deletéria de infratores, agora passe a defender um desses infratores. Isso fere de morte a ética e a moral.
Ilude-se que espera que alguma pessoa honesta e correta possa provir do governo Lula

01 de junho de 2012
Giulio Santmartini
(*) Texto de apoio: Eduardo Militão.

AGENTES DA TORTURA FALAM PELA PRIMEIRA VEZ

MP ouve depoimento de Guerra e Marival por 16 horas

Em sigilo, começou esta semana a autópsia da ditadura brasileira. Durante 16 horas de depoimento em Vitória, ES, ao longo de segunda e terça-feira, o ex-delegado do DOPS Cláudio Antônio Guerra e o ex-sargento do DOI-CODI Marival Chaves Dias do Canto falaram pela primeira vez e formalmente ao Ministério Público Federal, na presença da coordenadora da Comissão Memória, Verdade e Justiça da Câmara de Deputados, deputada Luiza Erundina de Souza (PSB-SP).

Uma força tarefa de cinco procuradores do MP de quatro Estados (SP, RJ, MG e ES) foi enviada discretamente à capital capixaba pela subprocuradora geral da República, Raquel Elias Ferreira Dodge, para a inédita oitiva dos dois únicos agentes da repressão brasileira que ousaram testemunhar e confessar os abusos e crime praticados nos porões da ditadura.

O depoimento de Guerra e Marival acontece apenas doze dias após a instalação oficial pela presidente Dilma Rousseff da Comissão Nacional da Verdade, ainda enrolada na discussão burocrática de seu regimento de trabalho.

Ninguém da imprensa teve acesso ou soube dos depoimentos em Vitória. Uma equipe da TV Câmara, que acompanhava Erundina e o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), membro da Comissão Memória, Verdade e Justiça, não teve permissão dos procuradores para presenciar o ato. Uma equipe da própria Procuradoria Geral da República gravou os dois depoimentos na íntegra.

O ex-delegado Guerra, autor do livro recém-lançado Memórias de Uma Guerra Suja, em depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, falou durante 12 horas — nove horas na segunda-feira, entre as 9h e as 18h, e outras três horas na manhã seguinte, respondendo a uma bateria de perguntas dos procuradores. Na tarde de terça-feira, entre as 14h e as 18h, o ex-sargento Marival deu o seu testemunho, o primeiro que faz desde a histórica entrevista que concedeu em novembro de 1992 ao repórter Expedito Filho, da revista Veja.

No livro, o delegado do DOPS admite que matou com disparos à queima roupa, envolveu-se em atentados como o Riocentro e coordenou a incineração de corpos de presos políticos no forno de uma usina de açúcar em Campos, interior fluminense. Na revista, o sargento do DOI confirma, na frase dura que ilustra a reportagem de capa: “Eles matavam e esquartejavam”.

“É a primeira vez que o Estado brasileiro ouve formalmente os seus depoimentos”, observou o procurador Sérgio Gardenghi Suiama, que acompanhou o histórico evento na sede do Ministério Público Federal em Vitória, na companhia dos procuradores Antônio Cabral, Ivan Cláudio Marx, Silmara Goulart e Paulo Augusto Guaresqui.

Os dois agentes da repressão falaram longamente sobre o que viveram e viram, apontando nomes e locais que servirão para instruir os três procedimentos criminais já abertos no MP.

Guerra, apesar de se sentir ameaçado por ex-colegas que serviram à rede do DOPS, DOI-CODI e SNI, dispensou a sua inclusão no Programa de Proteção a Testemunhas, instituído em 1998 pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério da Justiça. Apesar disso, a deputada Erundina, como coordenadora da Comissão Memória, Verdade e Justiça, formalizou ali mesmo, em Vitória, um pedido ao procurador da República em Campos dos Goytacazes, RJ, Eduardo Santos de Oliveira. “O depoente encontra-se sob frágil proteção policial executada pela PM do Espírito Santo”, ressaltou Erundina no ofício de terça-feira, 29, solicitando a cobertura da Polícia Federal ao ex-delegado.

“O Estado brasileiro, a partir desse ato formal perante o MP, é o responsável pela segurança pessoal de Guerra e de Marival e pela preservação dos locais e endereços onde foram praticados os crimes de tortura, morte e desaparecimento forçado”, observou Luiza Erundina, animada com as revelações detalhadas e as novas pistas oferecidas.

A deputada da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça espera, agora, que outras pessoas se inspirem no exemplo dos dois agentes da ditadura, contando o que viram e sabem sobre os porões da repressão. “Guerra e Marival provam que podemos e devemos buscar e revelar a verdade, por mais terrível que ela seja. A verdade está aí, basta ter vontade e coragem para ir atrás dela”.

Transcrito do blog Utopia, texto
enviado pelo jornalista Sergio Caldieri
Betinho Duarte

NEM VANISH RESOLVE...



COMO SERIA POSSÍVEL ALGUÉM ACREDITAR EM LULA OU EM NELSON JOBIM?

ACREDITAR EM LULA

Possui em seu currículo a ausência de escolaridade e a contumaz omissão perante situações patentes de corrupção no íntimo grupo político que faz parte. Isso, é claro, além de ser reconhecido como acentuadamente vaidoso.

Toda a nação presenciou – na boca de Lula, por seu interesse pessoal e político – José Sarney evoluir de demônio corrupto a imaculado santo milagroso. Lula acha que pode enganar a todos, por todo o tempo. Seu passado é farto em fatos comprobatórios que indicam colocar a luta pelo poder acima de qualquer decisão ética que tenha de tomar.

Corrupção, como tem demonstrado, é um ato necessário, desde que seja ele o beneficiário, como provou Sebastião Nery na matéria editada dia 30/5/2012 na Tribuna, na qual Paulo de Tarso Venceslau, fundador do PT, declarou na CPI dos Bingos ter entregado a Lula uma denúncia formal (escrita) e provas sobre corrupção nas prefeituras administradas pelo PT, nestes termos:

“Tentei levar a informação para dentro do partido, procurei todas as instâncias, mas não consegui ser ouvido. Registrei uma carta em cartório com a denúncia e mandei para Lula, então presidente do PT. Tirei uma cópia e entreguei na mão de Mercadante, Suplicy, Genoíno, Chinaglia, Greenhalgh”.

Lula não fez nada na ocasião nem em data alguma, pois o benefício da corrupção interessava a ele, e o arrecadador da propina (via empresa CPEM) era Roberto Teixeira, compadre de Lula, que cobrava 20% do valor das obras, contratadas sem licitação “para fazer um trabalho com base em notas falsas, rasuradas”. Essa grana era oriunda dos impostos pagos pelos cidadãos e usufruída por Lula e sua tropa de elite no PT.

Lula residiu de graça – com casa, comida e roupa lavada – por proveitoso tempo, numa casa do compadre Roberto Teixeira, o coletor da grana surrupiada dos impostos. Um final feliz para Lula. Fora esse aspecto meramente corrupto-monetário, ainda há o imoral caso dos lutadores de boxe cubanos que foram entregues ao “humanista” Fidel Castro (durante a ditadura, segundo a Anistia Internacional, Fidel Castro mandou matar 86.587 pessoas).

Lula adorou tirar retrato ao lado de Fidel Castro à beira de uma mansão com piscina em Havana, bem como financiar obras em Cuba com o dinheiro arrecadado dos impostos pagos pelos brasileiros…
E o caso do Cesare Battisti, condenado em 1993 à prisão perpétua pela corte de apelações de Milão, Itália, por ter cometido diversos assassinatos, dentre os quais o de um simples comerciante? Battisti foi mantido no Brasil, livre e faceiro, por ato isolado de Lula em seu último dia de mandato?

Ainda há o episódio de seu filho, o “Lulinha”, por ele tratado esportivamente de “fenômeno” empresarial; o orgulho da “famiglia”.
Peço desculpas, mas não posso acreditar em uma pessoa com esse passado. Muito menos sendo um político…

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ACREDITAR EM JOBIM?

Hélio Fernandes, em 31 de dezembro de 2009, na Tribuna da Imprensa, foi peremptório ao afirmar sobre Jobim que a participação dele em cada um dos Poderes foi marcada pela indignidade, irregularidade, até mesmo pela calamidade, confessada por ele.

Hélio Fernandes fez um balanço das atividades de Jobim, que maculou os três Poderes da República: “Como deputado-constituinte, um fracasso, nas comissões ou no plenário. Foi o responsável (em parte) pela derrota do Parlamentarismo. Toda a Constituinte se encaminhava para aprovar o sistema que tinha como grande defensor o senador Afonso Arinos. Ficamos com essa Constituição dúbia e desequilibrada.
No conteúdo, Parlamentarismo. Na forma, Presidencialismo-pluripartidarismo, uma excrescência. Essa palavra se aplica maravilhosamente ao Jobim que nos subterrâneos da madrugada, na Comissão de Redação da Constituinte, emendou a “Constituição” que nascia. Ninguém soube. Era o crime perfeito. Como a maldição do crime perfeito é o fato de ninguém saber, passados alguns anos, ele mesmo veio a publico e REVELOU TUDO.”

Afinal, qual foi o delito cometido por Nelson Jobim? Augusto Nunes escreveu na VEJA(06/06/2009), com todas as letras: “Em outubro de 2003, o Brasil foi confrontado com um crime que, praticado 15 anos antes pelo deputado-constituinte Nelson Jobim, assumiu dimensões bem mais perturbadoras ao ser revelado por um Nelson Jobim já vestindo a toga de ministro do Supremo Tribunal Federal.
Com a naturalidade de quem explica por que prefere chimarrão a café, o ex-parlamentar do PMDB gaúcho confessou ter infiltrado na Constituição de 1988, cujo texto definitivo lhe coube redigir, dois artigos que não haviam sido votados, muito menos discutidos no plenário.”
Disse Jobim que viu o artigo acrescentado, sabia-o irregular, mas nada fez, deixou passar e pronto. Assim, acabou sendo votado e aprovado o texto final da Constituição com este artigo inserido SEM TER SIDO VOTADO sequer, no primeiro turno.

Pedro Antônio Dourado de Rezende e o advogado e consultor legislativo do Senado Adriano Benayon fizeram importante estudo sobre os efeitos causados no Brasil pela conduta de Nelson Jobim. Em 1988, a dívida externa e a inflação assombravam as contas públicas. A aprovação da alínea “b” do artigo 166 da Constituição (a “emenda” Nelson Jobim) serviu para beneficiar os credores dos mercados financeiros internacionais.
“É um cheque em branco para o credor botar a mão na arrecadação”, disseram Rezende e Benayon. E citaram dados da Secretaria do Tesouro Nacional, atualizados em moeda corrente:

“Em 1986, a União pagou o equivalente a R$ 50,5 bilhões no chamado serviço da dívida, isto é, despesas com juros, taxas bancárias e outras obrigações relacionadas com os débitos externos. Quatro anos mais tarde, com a aprovação da nova Carta Magna, o valor passou para R$ 564,1 bilhões, em cifras atuais. Por outro lado, os investimentos caíram de R$ 20,9 bilhões para R$ 12,8 bilhões naquele mesmo período. Na opinião dos dois, a alínea “b” do artigo 166 (a “emenda” Nelson Jobim) contribuiu para essa discrepância.” Um belo presente de Nelson Jobim ao Brasil …

E Hélio Fernandes continua: “Não dá para contar o mínimo das barbaridades cometidas por ele, principalmente na presidência (do STF). Até que mais de 200 advogados e magistrados do Rio Grande do Sul (seu estado) exigiram a saída dele do Supremo.
Esse movimento foi liderado no Rio, bravamente, pelo advogado Ivan Nunes Ferreira, que não descansou nunca. Nelson Jobim estava exatamente com 60 anos, a “expulsória” acontece aos 70, ele tinha portanto mais 10 anos no Supremo. Só que não dava para resistir, foi para casa. Literalmente.”
Peço desculpas, mas não posso acreditar em uma pessoa com esse passado. Muito menos sendo um político…

AMANHÃ: As duas versões de Lula sobre o mensalão. Alguma delas será verdadeira?

Jorge Brennand

NOVO PAPEL DO PROCOM: ENSINAR O POVO A SE LIVRAR DAS PRESTAÇÕES EM 40 OU 60 VEZES

Até onde sei (ou me lembro), houve uma importante luta em nosso país, anos atrás, para conquistar um instrumento efetivo de proteção ao consumidor. Na esteira dessa luta, veio o Código de Defesa do Consumidor, considerado verdadeiro marco por suas avançadas normas, e surgiram, em todos os lugares, pessoas cuja dedicação à defesa dos direitos do público em geral fizeram delas personalidades queridas por todos nós.

Enfrentaram a ganância em cadeia, desde o industrial ou agricultor, até o intermediário e o comerciante final, sem esquecer o papel crescente dos bancos como financiadores de todo o processo.

Não cito nomes para não cometer injustiças, mas qualquer um que ler este artigo poderá lembrar-se de vários desses pioneiros, em diversos Estados. Posso também recordar com clareza os debates que eram travados na Câmara dos Deputados, em diferentes comissões, a respeito do problema que adviria do recém-estimulado comércio entre os membros do Mercosul, uma vez que os outros países não possuíam nada tão moderno.

Quando, finalmente, consolidaram-se os Procons, em diferentes níveis, e quando buscar sua ajuda passou a ser comportamento comum entre nós, acho que eles passam a ter novo desafio pela frente.
É bem verdade que esses órgãos já andam sobrecarregados, enfrentando os gigantes dos problemas contra os consumidores, a saber, bancos, empresas de telefonia e cartões de crédito em geral. Tarefa hercúlea, mas hoje insuficiente, diante daquilo que vem se tornando o inferno das famílias e dos indivíduos, sobretudo os da chamada nova classe C.

Reporto-me, de um lado, ao constante estímulo do governo ao consumo e à busca de crédito facilitado, de outro, ao superendividamento que sobrecarrega quem não conhece as mutretas da matemática financeira.

Acho que os Procons estão naturalmente vocacionados a enfrentar essa questão, capacitando o povo com cursos, cartilhas e simulações capazes de livrá-lo das armadilhas das prestações em 40 ou 60 vezes.

Nesta semana que passou, assistimos ao ministro Guido Mantega, acompanhado do ministro Fernando Pimentel e do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, anunciando mais um pacote de subsídios às montadoras (elas, sempre elas, as queridinhas do desenvolvimentismo de JK e depois as grandes amigas do outrora combativo sindicalismo do ABC paulista que nos brindou com a figura de Lula, cuja história, no futuro, mostrará os grandes acertos e os muitos erros).

Depois, as TVs nos brindaram com cenas de consumidores da véspera da edição do pacote, desesperados, buscando usufruir de seus descontos, para, finalmente, nas edições seguintes dos matutinos, os jornais estamparem os níveis astronômicos de endividamento das famílias.
Apesar de esse pacote também incluir ônibus (transporte coletivo), quem vai resistir à sedução do carro próprio, ainda que amanhã acorde inadimplente?!
Com a palavra os dirigentes dos Procons de todo o Brasil.

01 de junho de 2012
Sandra Starling

EIKE BATISTA, O "PAI DOS POBRES" DO SÉCULO 21

“Eike Fuhrken Batista (…) é um empresário brasileiro com atuação em diversos setores, em especial petróleo, logística, energia, mineração e indústria naval. É presidente do Grupo EBX, formado por cinco companhias listadas no Novo Mercado da Bovespa, segmento com os mais elevados padrões de governança corporativa. Segundo a Forbes, Eike Batista é o homem mais rico da América do Sul, possuindo, em 2012, uma fortuna avaliada em 30 bilhões de dólares”.

Esta é a apresentação simpática que a Wikipédia faz do homem mais rico do Brasil, o sempre sorridente Eike Batista. Um dos maiores tomadores dos empréstimos subsidiados do BNDES, um banco público, o moço, blindado que é pelo consenso da mídia em torno de si, virou modelo de empreendedor, de “capitão da indústria”, de “maior do mundo”.

Entre seus projetos bancados direta e indiretamente por muito dinheiro público, Eike “financia” UPPs, “dá” empregos, quer o Maracanã e já pensa até em “adotar” uma favela. É uma espécie de “Pai dos Pobres” do século 21.

Agora, o moço constrói em São João da Barra (RJ) um complexo industrial que desaloja milhares de camponeses que ali vivem e produzem há décadas, e o faz em articulação com a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin).

A Codin é uma estatal comandada por Sergio Cabral – aquele dos guardanapos em Paris. E a construção do Complexo do Açú é um dos negócios de Eike subsidiados por muito dinheiro público emprestado pelo BNDES.

Em verdade, Eike é só mais uma caricatura do consenso que orienta o noticiário: que o Brasil finalmente cumpre seu “destino” e vai se tornar uma potência de crescimento eterno. O rapaz, por sua vez, “empreende”, “dá” emprego e faz a “sua parte”. Acalenta o sonho de sermos o “maior do mundo”.

Claro que Eike não é o único beneficiário deste padrão de acumulação. Um grande bloco de poder se constituiu no Brasil ao longo do século 20. Junta, numa ponta, o Estado brasileiro e, na outra, conglomerados cujos próceres, como Eike, são responsáveis pelos maiores absurdos cometidos contra camponeses, favelados, indígenas e demais brasileiros deixados de lado pelo mais recente ciclo de crescimento do País.

E quase todas essas violações acontecem no Estado que em 20 dias sedia uma conferência da ONU que deveria questionar esse modelo de desenvolvimento. Um modelo que se aprofunda e utiliza caricaturas de um Brasil que se vê grande e finge não enxergar que oprime os pequenos.

Carlos Tautz, jornalista, é coordenador do Instituto Mais Democracia – Transparência e Controle Cidadão Sobre Governos e Empresa

Carlos Tautz
01 de junho de 2012

CHÁVEZ SOBREVIVE COM MEDICAMENTOS CEM VEZES MAIS FORTE QUE A MORFINA

REVELA JORNAL ESPANHOL EM DOCUMENTO EXCLUSIVO!
Clique sobre a imagem para vê-la ampliada
 
Segundo o jornal ABC da Espanha, em sua edição especial deste sábado, o caudilho Hugo Chávez está tomando um memdicamento denominado fentanilo que é cem vezes mais potente que a morfina, para aliviar as dores.
 
O periódico espanhol revela que teve acesso a informações de setores de inteligência.
A notícia do ABC coincide que a informação revelada nesta semana, conforme noiticiei aqui no blog, pelo jornalista americano Dan Rather, dando conta de que o câncer que acomete Chávez é de alta agressividade e que estaria em etapa final. ABC diz que o câncer atacou os ossos do caudilho. Clique AQUI para ler - En español
 
01 de junho de 2012
in aluizio amorim

CHOCANTE É O QUE FOI FALADO EM PÚBLICO

 
Comecemos por uma recapitulação factual básica (há tanto barulho em torno do assunto que, por vezes, retomar o óbvio se faz necessário). A imprensa brasileira anda obcecada com o teor de uma conversa privada, que ocorreu em Brasília há mais de mês. Em 26 de abril, no escritório de Nelson Jobim, ex-ministro da Defesa e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com o ministro do Supremo Gilmar Mendes. A notícia desse encontro, porém, só circulou agora, no fim de semana, numa reportagem de Otavio Cabral e Rodrigo Rangel na revista “Veja”. Desde então o tema não sai do noticiário – e a tensão cresce.

Mendes afirma que Lula o teria pressionado pelo adiamento do julgamento do mensalão no STF. De seu lado, o ex-presidente da República apenas soltou uma nota pública na qual ele se declara “indignado” com o relato de Mendes, que ele, Lula, qualifica de “inverídico”. Quanto a Jobim, primeiro deu a entender que não foi bem isso, depois tentou o “deixa disso” e finalmente se refugiou no protocolar “nada a declarar”.

Óbvio: os jornalistas têm razões para estarem obcecados pela reunião.
Em primeiro lugar, porque ela pode ter encerrado uma insinuação que seja, mas uma insinuação indevida, de um ex-presidente da República para constranger um magistrado da Corte Suprema, o que, se confirmado, seria um escândalo. Em segundo lugar, porque um dos dois está torcendo a verdade e, se esse alguém for Gilmar Mendes, o escândalo talvez seja pior. O ministro do Supremo seria o vetor de uma acusação falsa contra um ex-presidente da República, o que tornaria moralmente insustentável a sua permanência no tribunal e comprometeria a confiabilidade de decisões anteriores do STF.

Não por acaso, além dos repórteres, dos deputados, dos senadores, dos ministros e dos cidadãos, a própria presidente Dilma Rousseff se preocupa, e bastante, conforme este jornal noticiou ontem, com os efeitos retardados da conversa que teve lugar no escritório de Jobim em Brasília, em 26 de abril. Não é para menos: ela precisa desvincular seu governo de toda essa confusão. O quanto antes. O quadro é urgente e dramático.
E até aqui falamos apenas do óbvio, do básico.

Acontece que há outra face desse mesmo problema. Não é bem uma face oculta: ela é ofuscante, tem uma claridade solar. Deveria ser mais óbvia ainda, mas, talvez por ser tão chocante, tão difícil de assimilar, nós olhamos para ela como se fosse transparente, invisível, inexistente.
Essa outra face é a face pública que cerca, feito uma moldura entalhada em fatos indisfarçáveis, a conversa misteriosa entre Lula e Gilmar Mendes. O que os dois estão falando em público é muito mais perturbador do que poderiam ter falado ali, a portas fechadas, longe dos holofotes.
Vamos, então, às falas.

O ex-presidente vem repetindo a todas as plateias que o mensalão foi uma grandessíssima “farsa”, articulada num conluio entre setores da imprensa e da oposição, com o objetivo de arrancá-lo do poder, em 2005, por meio de um “golpe” sem armas.
Com isso – deveria ser óbvio, mas parece que não é – Lula está acusando reiteradamente o STF de ter dado acolhida formal a um processo fajuto, baseado em fatos que nunca ocorreram, um processo que seria o prolongamento maldito da “farsa”.

Atenção: ele não ataca apenas o Ministério Público e a Polícia Federal, ataca também e principalmente o Poder Judiciário em sua mais alta Corte, que seria cúmplice de uma tentativa de golpe de Estado. Em vez de pedir um julgamento justo e desapaixonado – a exemplo do que têm feito os próprios acusados -, o que seria legítimo e adequado, Lula fustiga: esse processo não passa de uma falsificação de fato e de direito. Com isso desqualifica a Justiça.

Lula representa, hoje, a ponta de lança de um discurso corrosivo que acusa o STF de ter recebido como processo jurídico normal uma repugnante tentativa de golpe de Estado
Essa postura vem de tempos. Mais abertamente, vem pelo menos desde 2010. Numa entrevista a blogueiros, ainda instalado no Planalto, Lula caracterizou o mensalão como uma “tentativa de golpe”. E prometeu: “Depois que eu deixar a Presidência, vou querer me inteirar um pouco mais disso, mas, como presidente, não posso ficar futucando”.

Em outro evento, como este jornal noticiou em 20 de novembro de 2010, o então presidente anunciou que a partir de janeiro de 2011 iria empenhar-se em “desmontar a farsa do mensalão”. E assim tem sido. Agora, em 21 de maio, ao ser homenageado na Câmara Municipal de São Paulo, ele voltou a falar do caso como um movimento golpista: “Na verdade, era um momento em que tentaram dar um golpe neste país”.

As palavras de Lula encerram o significado de Lula. Ele representa, hoje, a ponta de lança de um discurso corrosivo que acusa o STF de ter recebido como processo jurídico normal uma repugnante tentativa de golpe de Estado.

Por isso Gilmar Mendes cometeu um erro ao ter dito sim ao convite para se reunir reservadamente com Lula, justamente aquele que enuncia publicamente uma acusação peremptória contra o STF. Agora, nesta semana, Mendes incidiu num segundo erro, que é pior. Falou várias vezes a repórteres sobre seu diálogo com Lula e a cada nova manifestação vem subindo o tom, numa escalada que amedronta. Chegou a dizer que Lula está ligado a “moleques”, “bandidos” e “gângsteres”, que se teriam associado numa operação para desmoralizá-lo.

Aí, complica. O ministro tem o direito – e talvez o dever – de dizer o que ouviu de Lula numa reunião particular. Só não deveria partir para o desaforo. Quando um magistrado da Corte Suprema bate boca, o Estado de Direito bate os dentes.

Naquele dia 26 de abril, num escritório brasiliense, pode ter havido uma conversa grave, mas o cenário que a envolve, e que é público, é mais grave ainda. Tão grave e tão claro que nos cega e nos deixa paralisados.

Eugenio Bucci
Fonte: 31/05/2012

PPS VAI À JUSTIÇA CONTRA A APARIÇÃO DE LULA E DO PUPILO HADDAD NO PROGRAMA DO , NO SBT


O PPS decidiu protocolar no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo uma representação contra Lula e Fernando Haddad, o candidato do PT à prefeitura paulistana. Na peça, o partido questionará a legalidade da aparição da dupla no Programa do Ratinho, veiculado pelo SBT na noite desta quinta (31).
Presidente do PPs federal, o deputado Roberto Freire veiculou uma nota. No texto, afirma que Lula “dá uma demonstração ao país de seu total desprezo pelas leis e pelo estado de direito.” Acrescenta: “A lei não permite que um pré-candidato, acompanhado de seu principal cabo eleitoral, transforme um programa de televisão em um palanque de campanha.”
Freire critica também o dono do SBT: “Nunca é demais lembrar, e por isso é tudo tão previsível, que o senhor Sílvio Santos –o célebre dono do canal de televisão em tela e ex-controlador do Banco PanAmericano– quisesse agraciar o ex-presidente que tanto o ajudou.”
Em almoço com repórteres, Haddad injetou ao inusitado uma dose de inacreditável. Disse que sua participação foi “espontânea e não estava planejada”. Heimmm?!? Deu a entender que fora ao estúdio do SBT como mero espectador. Ao vê-lo, Ratinho perguntou se poderia dirigir-lhe “uma ou duas perguntas.”
“Respondemos que sim, naturalmente. Sentei na plateia com um microfone e ia responder as perguntas dali mesmo. Mas a produção do programa e o apresentador pediram [para que esentasse no sofá que estava no palco, ao lado de Ratinho e Lula], pois seria melhor por questões de enquadramento da imagem na TV e coisas do tipo.” Então, tá!

01 de junho de 2012
Por Josias de Souza - Notícias uol

INSOLÊNCIA INSIGNE

LULA PODERIA ESTAR SOFRENDO DE DOENÇA MENTAL, SEGUNDO AFIRMA LÍDER OPOSICIONISTA

Lula: metaformose depois do câncer
Ao reagir a uma declaração do ex-presidente Lula, o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), disse nesta sexta-feira que as últimas movimentações políticas do petista mostram que ele "não anda bem da cabeça".
Guerra ficou irritado com a fala de Lula sustentando que não pode "deixar que um tucano volte a governar" o Brasil, ontem durante participação no "Programa do Ratinho", do SBT.
Para o tucano, Lula tem dado seguidas demonstrações de autoritarismo e ataques à democracia. Ele citou a recente polêmica entre Lula e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. Segundo o ministro, o ex-presidente o procurou e defendeu o adiamento do julgamento do mensalão, previsto para ocorrer este ano.
Lula nega.[Só faltava Lula confirmar...essa Folha de S. Paulo é cínica!]
"Essa declaração de que ele não deixará um tucano ser presidente do Brasil é antidemocrática, autoritária e reforça a ideia de que o ex-presidente Lula não anda bem da cabeça. Quem escolhe o presidente é o povo. É bom que o Lula fique atento que o Hugo Chavez e a Venezuela não andam nada bem e o Brasil não vai entrar nessa", afirmou.
Na avaliação de Guerra, outro sinal de autoritarismo do ex-presidente é a escolha de Fernando Haddad como pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. "Há claros sinais de que Haddad não teve legitimidade dentro do próprio partido e isso tem refletido nas pesquisas".
Ontem, durante participação no programa do Ratinho, Lula disse que será candidato ao governo federal em 2014 apenas se a presidente Dilma Rousseff não tiver interesse de se reeleger. Na sequência disse: "Não posso deixar que um tucano volte a governar."
Sobre o episódio com Mendes, Lula afirmou que "quem inventou a história, que prove a história. Eu acho que o tempo se encarrega", afirmou.
Do site folha.com
01 de junho de 2012
in aluizio amorim