"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 10 de agosto de 2013

REMEMBER...

Só as multidões indignadas conseguirão envelhecer o discurso de Jefferson Péres


Gravado em 30 de agosto de 2006, o vídeo de sete minutos que ilustra o post publicado em 23 de novembro de 2010 com o título A falta que fazem os homens honrados registrou o profundo desalento do senador Jefferson Péres, do PDT amazonense, com o deserto político brasileiro. Passados sete anos, a perturbadora atualidade do discurso ajuda a compreender a revolta da rua. E reforça a sensação de que as palavras pronunciadas por um parlamentar exemplarmente íntegro só ficarão grisalhas quando as multidões indignadas resolverem dissolver nas urnas o clube dos cafajestes que domina o país. Confira o texto reproduzido abaixo:

“Volto a este microfone para manifestar meu desalento com a vida pública deste país”, avisou o senador Jefferson Péres na tarde de 30 de agosto de 2006. Nos sete minutos seguintes, sem minuetos retóricos, sem quaisquer truques de tribuno, o parlamentar do PDT amazonense limitou-se a contemplar a paisagem do inverno eleitoral com o olhar desconsolado de um homem de bem. A plateia diminuta pressentiu que testemunhava um momento histórico. Mas ninguém poderia saber que ouvia o testamento político de Jefferson Péres, morto em maio de 2008 aos 76 anos.

"TEMO QUE O POVO SEJA TRAÍDO" - ZÉLIO ALVES PINTO, JORNALISTA, ARTISTA GRÁFICO E PINTOR

 

Zélio Alves Pinto


Nascido na cidade mineira de Caratinga, o pintor, jornalista, artista gráfico, escritor, caricaturista e ilustrador Zélio Alves Pinto, é um dos fundadores do mítico jornal ‘O Pasquim’, do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, do Salão Internacional de Humor Gráfico das Cataratas do Iguaçu.

Como autor literário, coordenou a edição de alguns livros, como Cadernos Paulistas, História e Personagens, Bayer, Noventa Anos de Brasil, O Humor no Brasil de Hoje e Vinte Anos Pagando o Pato; e escreveu as ficções Sem Sahida, O Navegador e o Príncipe, O Homem dentro do Poste.

Como artista gráfico e jornalista promoveu a reforma editorial e gráfica em diversos jornais e revistas no país e nos anos 1970 enquanto promovia a reforma gráfica na Folha de S.Paulo e produzia programas na TV Cultura (‘A Arte de Fazer Rir’ e ‘Cultura em Questão’), coordernou a edição do Salão Mackenzie de Cartum e Quadrinhos e a criação do Salão Internacional de Humor de Piracicaba que se prepara para comemorar sua 40ª edição.

Foi diretor dos Museus do Estado de São Paulo onde criou o Sistema Estadual de Museus e traçou a política estadual para as instituições oficiais. Coordenou a construção da sede do Arquivo do Estado e atuou como secretário adjunto de Cultura no Estado de São Paulo.

O crítico e pesquisador Enock Sacramento lançou em 2010 o livro “Zélio: 50 Anos de uma Aventura Visual” onde recupera a carreira do artista e jornalista desde seus tempos, nos anos sessenta em Minas, até os dias atuais reproduzindo cerca de 500 imagens criadas pelo artista em sua carreira.
No começo desse ano, Zélio, seu irmão Ziraldo e mais 9 pessoas foram condenados por improbidade administrativa na realização, em 2003, do primeiro Festival Internacional do Humor Gráfico das Cataratas do Iguaçu (Festhumor) e no Fantur – Iguassu dê uma volta por aqui, em ação movida em 2006 pelo Ministério Público Federal.
A ação relata que o dinheiro público municipal e federal foi mal utilizado porque, segundo a sentença, para o primeiro Festhumor, houve contratações sem licitação e pagamentos em duplicidade, que corresponde a remuneração dupla pelo serviço prestado uma vez.

O processo relata ainda desvio de verba no Fantur, que foi uma ação promovida pela Secretaria de Turismo de Foz do Iguaçu para levar jornalistas e cartunistas para cidade, com todas as despesas custeadas pela prefeitura.
O advogado do cartunista está recorrendo dessa decisão que na visão do mesmo, é um grave equívoco. Nessa entrevista, o artista fala sobre vários momentos da sua vida e de sua carreira, como o incêndio que destruiu boa parte de seu trabalho em 1989 em Nova York e que o fez ter ainda mais força para continuar ou como bem diz, se sentiu livre. Leia agora com exclusividade no portal Panorama Mercantil.
 
Panorama Mercantil-O senhor é pintor, jornalista, artista gráfico, escritor, caricaturista e ilustrador . Como é a interligação de todas as suas atividades, queremos dizer, como é passar a sua mensagem em cada uma delas e mesmo assim deixar uma marca que é só sua para aquele que aprecia o seu trabalho?

Zélio Alves Pinto-O fato de eu exercer várias atividades, e de essas serem primas umas das outras, facilita na unidade de linguagem e nos objetivos. Fossem diversas e antagônicas ou desparentadas seria uma dificuldade a mais. Mas sendo como são, ao contrário, facilitam e ampliam minhas possibilidades de atingir os objetivos.
 
Panorama-Sempre fazemos uma pergunta para todos os entrevistados qua fazem parte das múltiplas formas de arte, e sempre temos respostas completamente diferentes. Também faremos a mesma para o senhor: Em sua visão, a arte deve ser sempre social?

Pinto-Creio que toda atividade humana tem compromisso social de dentro pra fora, principalmente nos dias que correm. A arte é sempre estética, política e social, pois cria parâmetros e lida com eles. Por sua natureza, a estética envolve o pensamento social e político. O compromisso da arte é, pois, natural, mesmo que o engajamento seja uma atitude pessoal.
 
Panorama-Quando fez a exposição “Percurso e Presente” em 2005, o senhor revelou que o artista tem que correr o risco de se expor, para sentir se os observadores, sentem a mesma coisa que ele sente pelo seu trabalho. Nos fale mais sobre isso?

Pinto-Acredito que a arte impõe o risco. Ver e ir além é fundamental para qualquer exercício criativo. Sem isso o risco é ficar onde se está. Não se trata de bater recordes, mas de visitar recônditos incomuns. É mais que um compromisso, é antes um dever sem o que a arte se torna inóqua, embora a beleza continue a ser fundamental na criação artística mesmo não sendo indispensável.
 
Panorama-O senhor produziu dois bons programas na TV Cultura (‘A arte de fazer rir’ e ‘Cultura em questão’). Por quê programas com essa dinâmica, são tão difíceis de ser ver em redes com uma maior audiência na televisão aberta?

Pinto-Desde que a humanidade consagrou o mercado como parâmetro para as atitudes e atividades humanas, propostas como aquelas passaram a necessitar do envolvimento do Estado para sobreviverem, pois as leis estabelecidas não balizam ações com aquelas características. A mídia contemporânea é dependente e defensora intransigênte das regras do mercado não por desumanidade, mas como defesa de sua sobrevivência. Avaliadas pelo mercado, propostas como àquelas devem ser rachaçadas como princípio, pois o êxito delas abririam exceções perigosas a por em risco os próprios parâmetros.
 
Panorama-Nos parece, que a verdadeira arte, é sempre jogada em segundo plano em nosso país assim como a educação. Qual a sua percepção sobre esse fato?

Pinto-Creio que dois estágios na história humana prescedem a aventura da vida: sobrevivência e convivência. A segunda é consequência da primeira, embora o fato não estabeleça ordem de importância, pois uma sem a outra compromete a existência de ambas. As jovens nações, onde os princípios da convivência ainda aguardam o passar do tempo para se consolidarem – cultura de hábitos e costumes -, têm, naturalmente, maiores dificuldade na lida com valores subjetivos que se distanciam desses objetivos práticos e a arte é um dos princípios que qualificam a convivência. Em nosso caso nacional, enquanto a sobrevivência estiver em risco, a atenção para com os valores não concretos ficam secundados. Antes a sobrevivência física do homem, depois a relação com os pares: Arte e educação são, pois, insumos básicos, mesmo que subjetivos, na qualificação da convivência e não da sobrevivência física o que as torna dispensáveis aos guerreiros da vida. Isso me explica alguns aspectos da questão, embora não justifique o todo.
 
Panorama-Vamos falar um pouco de jornalismo. O senhor já promoveu, diversas reformas gráficas e editorais em vários veículos do nosso país. E hoje com o advento da internet, como deixar essas publicações mais interessantes para um público que cada vez lê menos jornais e revistas impressas?

Pinto-Esta é uma das graves perguntas orfãs que a contemporâneidade nos trouxe. Será a criatividade o agente que nos ajudará a responder tais questões com o passar do tempo e com a ocupação do vazio que se construirá no espaço herdado.
 
Panorama-Em 2002, o senhor juntamente com seu irmão Ziraldo, lançaram ‘O Pasquim 21′ que deixou de ser publicado em 2004. Atualmente, quais são os maiores empecilhos para um veículo alternativo fazer frente aos principais órgãos da chamada grande imprensa?

Pinto-Acho que aquela foi uma aventura romântica que a referida contemporaneidade não permite, segundo o mercado já citado antes.
 
Panorama-Existe muitos artistas que não gostam de voltar em trabalhos que já foram desenvolvidos e vistos pelo público, mas temos a sensação, que o senhor não tem esse esse tipo de problema, e parece que se precisar voltar a trabalhos anteriores, não pensa duas vezes em tirar ideias para os novos. Estamos certos ou errados nesse ponto de vista?

Pinto-Sinto realmente permanente atração pelo que foi, embora o passado seja a única coisa sólida e irremovível. Em minha ação como pintor, por exemplo, busco com frequência recuperar antigas experiências, pois creio que a vida nos oferece novos ângulos sobre o conhecido à cada nova aventura. Não é possível mudá-lo, mas acredito que modificá-lo seja viável, posto que arriscado.
 
Panorama-No livro ‘Zélio-50 anos de uma aventura visual’, diz que o senhor foi influenciado para se aproximar ao mundo das artes, sobretudo pelo seu irmão Ziraldo. O que tem no trabalho de Zélio que lembra de certa forma o trabalho de Ziraldo e vice e versa?

Pinto-Não nego a influência, mas creio que o trabalho dele me afetou muito menos do que sua atitude frente o mundo.
 
Panorama-Alguns críticos dizem que o maior desafio da sua carreira foi quando começou a trabalhar com abstrações, já que teria que transmitir emoção por meio da cor, do gesto e do movimento. Esse foi o seu maior desafio?

Pinto-Não sei. A incursão no que você identifica como abstração se deu por conta do mergulho e de minha atração por nossa herança visual mais remota. Aos trabalhos desse período identifico como “Ameríndios” numa referência a sensibilidade estética que vislumbrei na herança que chamo pré-Cabralina.
 
Panorama-O tema qua vamos tocar agora é um pouco delicado, mas gostaríamos de saber como foi que o senhor se sentiu e o que pensou, quando fez o seu primeiro trabalho, logo após aquele fatídico incêndio em Nova York em 1989, ter destruído dois terços da sua produção?

Pinto-Lembro-me que foi como um recomeçar. Embora ferido, me senti livre.
 
Panorama-O senhor também se enveredou pelo caminho da literatura, e disse que escrever é uma obsessão. De onde vem essa obsessão?
Pinto-Acredito que o artista deve se exercer em todas as direções pelas quais se sentir atraído. A literetura me atrai inclusive pela quantidade de riscos que ela expõe a quem lida com ela. A palavra é fascinante, tanto quanto a cor, a textura e a forma juntas. Isso me encanta e o risco é imensurável.
 
Panorama-Quando voltou ao Brasil, revelou que o país estava sem rumo. Nós encontramos o rumo novamente ou ainda falta algo para que esse rumo seja encontrado de uma forma mais ampla?

Pinto-Quando voltei senti que o povo havia sido traído não apenas pelos governantes, mas por ele mesmo. E temo que isso volte a acontecer, o que não será nenhuma novidade. A história registra inúmeros exemplos de nossa aproximação com a realização plena como nação. A este propósito, tenho trabalhado em um romance que espero desovar, dia desses.

10 de agosto de 2013
Colaboração do jornalista Eder Fonseca, Diretor-Executivo do portal Panorama Mercantil

O HUMOR DO DUKE

 
10 de agosto de 2013


 

ORQUESTRA DE BALALAIKA

NO MUNDO DAS CRIATURAS BIZARRAS...

Isso só pode ser falta de mulher!

 
 
Já imaginou sua filha chegando em casa apresentando este indivíduo como namorado?
 
 
 
10 de agosto de 2013

A ESPANHA E O TREM-BALA


Ao insistir no projeto do Trem-Bala, o governo federal está praticamente pedindo que novas manifestações sejam convocadas, dessa vez por causa de uma obra cara, desnecessária, feita sob medida para agradar – e repassar bilhões de dólares – para multinacionais.
Isso, em um país em que a população está refém de um sistema de transporte interestadual e intermunicipal de passageiros arcaico, em que um cartel incrustado há anos nesse mercado, impede a realização de novas licitações, obtendo, na justiça, sucessivas liminares para manter cartórios feudais que vem desde a época do regime militar.
Ora, numa situação dessas, o governo deveria ver o transporte ferroviário de passageiros como uma oportunidade para romper esse monopólio, obrigando as empresas de ônibus a diminuir seus preços e melhorar seus serviços, deixando o trem-bala para um momento mais favorável, do ponto de vista da opinião pública, investindo, calmamente e sem pressa, uma fração do que se pretende gastar no trem-bala, no estabelecimento de tecnologia própria de trens de alta velocidade, como a que já está sendo desenvolvida na Coppe, no sistema de levitação magnética do trem Cobra-Maglev.
No lugar disso, volta-se atrás em exigências antes estabelecidas para o Edital, para facilitar a vida de concorrentes como os espanhóis, sob o absurdo argumento de que o trem que se acidentou na Galícia há duas semanas, batendo contra a amurada de proteção de concreto a 190 quilômetros por hora “não é um trem de alta velocidade”, livrando a cara das estatais espanholas que o operam, e que pretendem concorrer à licitação.
É INEXPLICÁVEL
Está para ser explicada essa preferência do governo pela concessão de serviços públicos para a Espanha, que vem desde a época de FHC. A Espanha não dispõe hoje, como antes não dispunha, nem de capital nem de know-how.
Sua propalada tecnologia na área de trens de alta velocidade é canadense, francesa e alemã. A Telefónica nunca chegou a desenvolver sequer um prosaico aparelho de celular para o mercado brasileiro, e seus equipamentos mais recentes são da chinesa Huawei.
Dinheiro próprio, os espanhóis também nunca tiveram, nas décadas recentes. O país se “desenvolveu” com recursos dos fundos da UE e à base de uma das maiores dívidas (pública e privada) do mundo, situação compartilhada pelas suas grandes empresas, todas altamente endividadas, como a própria Telefónica e o Santander.
O governo pode fazer o que quiser em sua inexplicável “parceria” com os espanhóis, amplamente apoiados pelo governo corrupto de Rajoy. Só não pode nos fazer de parvos, dizendo que um trem que atinge 220 quilômetros por hora é de baixa velocidade, e nem deixar que a imprensa espanhola cante aos quatro ventos, mesmo depois do acidente fatal em que morreram 80 pessoas, que o consórcio ibérico é o favorito para a licitação do projeto brasileiro.

SÃO PAULO, MINAS E RIO DE JANEIRO FORMAM A GRANDE BASE DE VOTOS NO PAÍS


Na edição de sexta-feira, a Folha de São Paulo publicou reportagem da sucursal de Brasília, outra da sucursal de São Paulo, que convergem para a sucessão presidencial de 2014 sob o ângulo do PT. A primeira diretamente, a segunda de forma indireta. A sucursal de Brasília refere-se a um encontro no Palácio do Planalto entre a presidente Dilma Rousseff e a bancada do PT no Senado, quando a chefe do executivo comprometeu-se a ampliar sua atuação política no final de seu mandato. A sucursal de São Paulo anunciou que o ex-presidente Lula, num encontro partidário marcado em Bauru, lançaria de maneira informal a candidatura do ministro Alexandre Padilha ao governo paulista. Confirmada a versão, ele terá que deixar a Saúde até 5 de abril de 2014, como determina a lei, seis meses antes das eleições.

Alexandre Padilha terá de enfrentar Geraldo Alckmin que vai às urnas em busca da reeleição e normalmente deverá apoiar Aécio Neves à presidência. Apesar do apoio de Lula, que conseguiu eleger Fernando Haddad prefeito da capital,Alexandre Padilha não aparenta possuir um bom potencial de votos. Um problema para Dilma e para o PT. Afinal de contas, trata-se do maior colégio eleitoral do país, representando 22% do eleitorado. Como uma coisa leva a outra, Minas Gerais é o segundo, o Rio de Janeiro o terceiro colégio eleitoral. Os três estados significam em torno de 41 a 41% dos votos. 
CANDIDATOS
Qual o candidato que o PT apresentará em Minas? Ainda não se sabe mas o panorama não parece positivo. No Rio de Janeiro, a legenda está bem representada por Lindbergh Farias, mas em contrapartida, com ele escolhido, desfaz-se a aliança PT-PMDB no RJ, já que o governador Sérgio Cabral já lançou a candidatura do seu vice, Luiz Pezão. Há alguns meses, Cabral praticamente exigiu a manutenção do acordo em torno do seu vice. Mas o panorama mudou. Perdeu, em face do desgaste sofrido nas manifestações de rua, a situação de exigir. Terá, na melhor das hipóteses, que tentar estabelecer um novo diálogo. Lindbergh Farias sentiu o clima e iniciou uma propaganda agressiva nos pequenos horários de propaganda política na televisão. Agora dificilmente a direção nacional do Partido dos Trabalhadores poderá agir para afastar sua candidatura potencial, substituindo-a pela de Pezão. 
Verifica-se assim a necessidade de a presidente Dilma e também o ex-presidente Lula, que é o maior líder partidário, dedicarem atenção maior ao triângulo São Paulo-Mina-Rio de Janeiro, que dependendo das circunstâncias, poderá se tornar decisivo para o desfecho da próxima sucessão presidencial. O PT necessita estar forte em São Paulo, o que não aparenta, precisa apresentar um nome competitivo para o governo de Minas Gerais, que ainda não surgiu, e finalmente concorrer unido para o Palácio Guanabara. São condições essenciais para que a candidatura à reeleição sinta-se à vontade ao iniciar sua nova caminhada no rumo das urnas. Inclusive há outros estados importantes como Rio Grande do Sul, onde é governo, e Paraná, este governado pelo PSDB, que acrescentam peso à balança dos votos. 
O PT, creio eu, necessita dar mais atenção às alianças regionais. Podem se tornar decisivas ao rumo do pleito. O Bolsa Família é importante fonte de votos, sem dúvida. Mas não é a única. O quadro de 2014 não deverá ser o mesmo do panorama de 2010.

10 de agosto de 2013
Pedro do Coutto

CONFIRME COMO O VELHO PARTIDÃO ATACOU O PT NO FÓRUM DE SÃO PAULO


imagem
 
Em documento oficial do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro ao Fórum de São Paulo, o velho Partidão mostra que está vivo e diz que é preciso acabar com a ilusão de que o governo brasileiro, há quase 11 anos nas mãos do PT, seria “progressista e antiimperialista”.
 
####

O PT É UM PARTIDO DA ORDEM CAPITALISTA

No imaginário da esquerda latino-americana os governos petistas são progressistas; alguns chegam a idealizá-lo como antiimperialista. Isso ainda tem a ver com o passado combativo do PT e de Lula, seu principal referente.

Superar esta ilusão, este obstáculo, é de fundamental importância para avançarmos na construção de uma unidade de ação continental revolucionária, anticapitalista e antiimperialista. O PT é hoje um partido da ordem capitalista, a serviço do “neodesenvolvimentismo”. Domesticou e cooptou as entidades de massa, como a CUT e a UNE.

No Brasil, nunca os banqueiros, as empreiteiras, o agronegócio e os monopólios tiveram tanto lucro. A política econômica e a política externa do Estado burguês brasileiro estão a serviço do projeto de fazer do Brasil uma grande potência capitalista mundial, nos marcos do imperialismo.

As chamadas multinacionais de origem brasileira, alavancadas por financiamentos públicos, já dominam mercados em muitos países, notadamente na América Latina, um grande canteiro de obras da Oderbrecht e de outras empreiteiras favoritas do governo e que são os principais financiadores do PT. A Petrobras, apresentada na América Latina como estatal, é uma multinacional como outra qualquer, com mais de 60% de suas ações em mãos particulares.

Hoje, o governo brasileiro é o organizador da transferência da maior parte da renda e da riqueza produzida pelo país para a burguesia (através do superávit primário, da política de juros altos e do sistema tributário altamente regressivo).
Cerca de 50% do orçamento se destina a pagar os juros e a amortização da dívida (externa e interna), para satisfação dos banqueiros internacionais e nacionais, assim como dos nossos rentistas (que não chegam a 1% da população). A desigualdade social aumenta.
O consumo é aquecido pelo crédito farto e caro e não por aumentos salariais. O resultado é que as famílias brasileiras têm um dos mais altos índices de endividamento do mundo, que compromete 46% de suas rendas.

Na visão do PCB, não há contradições significativas entre a burguesia brasileira e o imperialismo. Este, no caso do Brasil, não é um inimigo externo a ser combatido pela nação, numa frente de conciliação de classe entre o proletariado e a burguesia “nacional”.
Pelo contrário, o Brasil é parte, mesmo que de forma subalterna, do sistema imperialista mundial, apesar de suas contradições e de ser ainda um ator coadjuvante em ascensão. A contradição fundamental da sociedade brasileira é entre o capital e o trabalho, o que objetivamente define o caráter da revolução brasileira como socialista e não nacional libertadora.

Aqui neste Encontro, os reformistas que dão sustentação aos governos petistas tentarão, mais uma vez, iludir os companheiros, dizendo que o ressurgimento das lutas de massa no Brasil se deve ao fato de o povo querer ampliar as mudanças trazidas pelos governos petistas. Nada mais falso.
A opção dos governos petistas pela governabilidade institucional e pelo “neodesenvolvimentismo” capitalista é a principal responsável pela explosão de amplos setores da sociedade brasileira.

Na verdade, como um pavio de pólvora, um novo reajuste das tarifas de transporte público (todo ele nas mãos de máfias da iniciativa privada), desmontou a mentira oficial de que os brasileiros viviam felizes e em harmonia, num capitalismo “de rosto humano”. O sucateamento e a privatização da saúde, da educação e dos serviços públicos em geral são os fatores determinantes da revolta popular.

As alianças com o centro e a centro-direita para garantir a tal governabilidade fizeram esse governo refém e operador político dessas forças levando a que, em dez anos, não produzissem uma medida sequer de natureza socializante nem democratizante. Ao contrário, promoveram contra-reformas.

A pauta legislativa brasileira está nas mãos do PMDB, um partido burguês que preside a Câmara dos Deputados e o Senado, comanda seis ministérios e tem mais influência nos governos e parlamentos estaduais e municipais. Não se pode chamar esse governo sequer de reformista, mas de social-liberal.

Os resultados são a retomada das privatizações em grande escala, a entrega de nossas reservas de petróleo, a opção pelo agronegócio, pelo sistema financeiro e grandes monopólios; a desoneração de impostos para o capital, a precarização do trabalho (com mais e piores empregos); a política de superávit primário, com o sucateamento do serviço público; a banalização da corrupção; o endividamento crescente das famílias, a falta de perspectiva para a juventude, o descrédito na política e nos partidos políticos.

Para mostrar o governo como progressista e captar solidariedade, os ideólogos reformistas, valendo-se da frustrada tentativa da ultradireita de mudar os rumos dos protestos, levantaram o fantasma do golpe de direita, como se as oligarquias quisessem derrubar um governo que age a serviço delas, com competência e com a vantagem de iludir e apassivar os trabalhadores.

Diante da queda de popularidade da Presidente, o PT – depois de dez anos de submissão à institucionalidade burguesa – tenta agora mobilizar o povo para o que chama de reforma “política”, em verdade uma reforma eleitoral de fachada, que não muda em absolutamente nada o caráter da democracia burguesa.

E para que pareçam progressistas – pensando nas eleições de 2014, diante de um possível fracasso eleitoral de Dilma -, setores petistas distanciam-se da Presidente e clamam por Lula, acusando-a (aliás corretamente) de governar segundo padrões neoliberais, como se o mandato dela não fosse a continuidade de oito anos de governo Lula que, segundo suas próprias palavras, “destravou” o capitalismo e promoveu “o espetáculo do crescimento”.

PESQUISA: O MAIS DESGASTADO É FERNANDO HADDAD

              

O Instituto Sensus fez uma pesquisa para o PSDB, para conferir os estragos na avaliação de governantes e políticos. Concluído no dia 31 passado, o levantamento ouviu 1.500 pessoas nos estados de São Paulo, Minas e Rio.

Em São Paulo, Dilma obteve 29% de avaliações positivas, 38% de regular e 31% de negativa. O governador tucano Geraldo Alckmin, 37% de avaliação positiva, 37% de regular e 20% de negativa. O mais desgastado seria o prefeito petista Fernando Haddad, com apenas 17% de nota positiva, contra 30% de regular e 45% de negativo.

Em Minas, para Dilma, 38% de positivo, 37% de regular e 21% de negativo. Para o governador Anastasia, 40% de positivo, 30% de regular e 12% de negativo. Bem na foto, o prefeito Marcio Lacerda: 50% de positivo, 20% de regular e 20% de negativo.

No Rio, Dilma aparece melhor que Cabral. Ela com 23% de positivo, ele com apenas 16%. Ela com 41% de regular e 33% de negativo, ele com 31%  e 47%, respectivamente. O prefeito Eduardo Paes é que acompanha melhor Cabral na queda, ficando com apenas 19% de nota positiva.
A pesquisa mediu também intenções de voto, apenas em Minas. Em abril,

 pesquisa do mesmo instituto apontou 39,9% para Dilma e 35% para Aécio Neves. Agora ele é que teria 45%, contra 25% dela. Ele ganharia dela num eventual segundo turno por 52% a 28%.
O meio político espera ansioso por uma pesquisa Datafolha no final de semana.

MAUS MODOS

Coisas assim é que envenenam a relação entre o Governo e sua base.  Pelo rodízio acertado entre os líderes, a presidência da comissão mista da MP dos médicos caberia ao bloco PTB-PSC-PR, que indicou o senador médico Eduardo Amorim (PSC-SE). Os governistas romperam o acordo e indicam o senador João Alberto (PMDB-MA).

10 de agosto de 2013
Tereza Cruvinel (Correio Braziliense)

O HUMOR DO DUKE


Charge O Tempo 10/08
 
10 de agosto de 2013

USO DO GÁS DE XISTO PODE REVOLUCIONAR A ECONOMIA MUNDIAL

Aparentemente tudo está calmo e o futuro se mostra risonho. A histeria do aquecimento global já foi desmoralizada, e os países mais adiantados voltaram a utilizar a energia barata do carvão, além da descoberta de novas fontes. A utilização do gás de xisto gerou um excedente de carvão nos EUA, que foi vendido a preço baixo aliviando a economia europeia.

Caso sejam confirmadas as melhores expectativas sobre o gás do xisto haverá uma revolução na economia mundial. Os EUA ressurgirão como potência industrial, o preço do petróleo cairá, talvez inviabilizando projetos como o do pré sal e o do etanol. Entretanto, persiste a desconfiança que o propalado gás não seja tão barato como foi anunciado e que a guerra pelo petróleo possa recrudescer.

Cada vez mais ninguém consegue competir com as indústrias da China. Os EUA baseiam suas esperanças no gás do xisto. Se não der certo não saberão o que fazer. Detroit, que já foi o símbolo da indústria está as moscas. Notícias não confirmadas de que o gás do xisto esteja sendo subsidiado põe em dúvida a sustentabilidade da recuperação norte-americana enquanto o Euro permanece na UTI.

Para as potências ocidentais a única saída parece ser o protecionismo, mas isto não impedirá a perda de seus mercados no Terceiro Mundo para a China, e não terão como pagar pelos recursos naturais que necessitarem para suprir sua protegida industria, mesmo restrita ao mercado interno.

Mais do que possível, este é o cenário mais provável. Acontecendo, poucos países sobreviveriam em boas condições, entre eles o nosso, se conseguir dissuadir aventuras desesperadas do estrangeiro.
Tudo pode acontecer, inclusive uma guerra. Enfim, o mundo nunca foi mesmo um lugar tranquilo como gostaríamos que fosse.

DÓLARES SEM LASTRO

Além da imensa quantidade de dólares sem lastro no mundo está havendo novas emissões, com o valor sustentado por informações que podem ser falaciosas e o mercado acionário poderá passar por um derretimento.
Cresce a consciência que os grandes problemas mundiais são, em grande parte, manipulados por um pequeno grupo de grandes financistas internacionais.

10 de agosto de 2013
Gelio Fregapani

ÚLTIMA DAS CHANCES

Comissão especial criada por Alckmin para investigar cartel é bala de prata para derrotar o PT

Governador do mais importante estado brasileiro, o tucano Geraldo Alckmin anunciou nesta sexta-feira (9) a criação de uma comissão especial para investigar a eventual criação de cartel por empresas que participaram de licitações do Metrô e da CPTM.
 
Fazem parte do grupo, batizado como Movimento TranSParência, a Ordem dos Advogados do Brasil, a organização Transparência Brasil e o Instituo Ethos, que terão acesso liberado a documentos e contratos para identificar possíveis irregularidades.
 
“Instituímos hoje o Movimento TranSParência para trazer a sociedade civil, com a ‘expertise’ que cada entidade tem, que seus membros têm, para que tenhamos transparência absoluta nesse processo investigativo. Só a transparência absoluta vai nos levar à verdade. Nós queremos toda a verdade. Somos o maior interessado nisso”, disse o governador paulista.
 
A decisão de criar a comissão, que só aconteceu porque o Cade agiu criminosamente ao vazar para a imprensa, de forma seletiva seletivamente, documentos sigilosos relativos às investigações, iniciadas depois que diretores da Siemens acusaram o governo de São Paulo de ter conhecimento sobre o cartel. Por enquanto, todas as informações divulgadas mostraram ser frágeis as acusações, uma vez que o Cade levou em conta depoimentos por escrito, declarações sem comprovação e e-mails trocados entre os integrantes da quadrilha.
 
Independentemente das investigações do Cade, Geraldo Alckmin tem a obrigação moral de fazer valer sua palavra, levando às últimas consequências os resultados do trabalho da comissão especial, não sem antes submeter os culpados ao rigor da legislação vigente.
Se nada do que foi prometido pelo governador paulista acontecer, o PSDB estará dando ao PT a senha para tomar de assalto o Palácio dos Bandeirantes, a última peça que falta à esquerda verde-loura para implantar no Brasil uma ditadura comunista.
 
Além da obrigação do governo de Geraldo Alckmin de esclarecer os fatos, cabe ao povo paulista o dever de salvar o País das mãos desses saltimbancos que fizeram do Brasil o paraíso dos impunes. Nada acontece por acaso e essa é derradeira chance para o PSDB fazer o que não fez por ocasião do escândalo do Mensalão do PT. Dar um basta ao lobista Lula. Sempre lembrando que a política jamais foi um agrupamento de inocentes bem intencionados.

10 de agosto de 2013
ucho.info

FREDDIE MERCURY (1970 / 1991)

PRISÃO PRIVADA

 


 
O que acontece quando o governo se arroga o direito de fazer de tudo, de ser um grande empresário, de ser a locomotiva do progresso, da justiça social, de decidir o padrão das tomadas, o preço do pão francês, enfim, quando os tentáculos do Leviatã estatal parecem não encontrar limites de ação?
Resposta: as áreas que deveriam ser função básica do estado ficam abandonadas, largadas.
Nem mesmo um semideus seria capaz de cuidar de tantas funções, de tantas coisas diferentes! Quando liberais falam em “estado mínimo”, é justamente porque eles entendem que a imensa maioria das coisas pode ser feita melhor pela iniciativa privada, restando ao governo somente poucas funções que lhe cabem, e que ele deveria cuidar com todo o esmero.

Mas como não é isso que acontece, resta aos indivíduos assumir por conta própria aquelas funções que deveriam ser feitas pelo governo. Foi exatamente o que fizeram os habitantes de Vianópolis, em Goiás. Cansados de esperar pela ação do poder público, os moradores do local decidiram construir uma delegacia na cidade por conta própria. Diz a matéria do G1:

A delegacia impressiona pela qualidade. Têm salas espaçosas, banheiros, cozinha e celas para os presos. As portas são de vidro e o balcão da recepção é feito de mármore. Porém, corre o risco ter sido construído em vão, pois não há pessoal para trabalhar no local.

Em meu livro Privatize Já, dediquei um capitulo ao tema, defendendo a privatização também desse setor, ao menos na administração dos presídios. O governo simplesmente não dá conta do recado, como podemos perceber por esses dados:

De acordo com o censo do IBGE de 2000, a população carcerária brasileira era de quase 240 mil, sendo que havia um déficit de vagas de quase 60 mil. Seria necessária a construção de 116 estabelecimentos penitenciários com capacidade para 500 vagas, número recomendado como limite desejável pela ONU. Alguém consegue imaginar o governo construindo isso tudo, em prazo razoável, e por custo aceitável?
No mais, há bons precedentes, como menciono no livro:

A Penitenciária Industrial de Guarapuava, no Paraná, que foi a primeira a contar com gestão privada no Brasil, abriga uma fábrica de móveis, onde a maioria dos detentos trabalha, recebendo um salário mínimo mensal. Além disso, o índice de reincidência é de apenas 6%, enquanto no restante do país esse índice chega a 70%, segundo a própria autora. Ela alerta que esse índice em Guarapuava é discutível, pois ela começou a funcionar em 2000. Mas os sinais não são desanimadores.

O governo brasileiro é tão agigantado e seu escopo de ação é tão extenso, que ele acaba não fazendo direito nem mesmo aquilo que deveria ser sua função. Assim sendo, resta-nos privatizar áreas que outrora talvez nem precisassem ser privatizadas, e continuar lutando para que o governo reduza seu campo de ação, para ter mais foco naquilo que realmente é importante e de sua seara.

10 de agosto de 2013
Fonte: G1

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE


 
 
10 de agosto de 2013



 

O ET DE VARGINHA CERTAMENTE DUVIDA DA EXISTÊNCIA DE UM PAÍS GOVERNADO POR DILMA




“Um país vira uma grande nação, porque uma coisa é um grande país, outra coisa é uma grande nação”, começa a aula de 55 segundos, em dilmês acadêmico, ministrada pela presidente da República no campus avançado da Universidade Federal de Alfenas. Faz sentido.
Entre outros, o Dicionário Escolar da Academia Brasileira de Letras ensina que, embora possam ser usados como sinônimos, os dois termos têm significados diferentes.
Nação é uma comunidade cujos membros possuem identidade étnica, cultural, linguística e histórica que habita um território. País é o território em que vive um povo independente, com fronteiras definidas, cultura própria e organização política e social.

O que não faz sentido é que vem a seguir. “Uma grande nação é grande porque suas… sua população é grande“, comunica Dilma Rousseff. (Não necessariamente. Os dinamarqueses, por exemplo, não são tantos quanto os brasileiros. Mas formam uma grande nação).  “E… nós só podemos ser de fato um país desenvolvido, não é se o nosso PIB crescer – é também –, não é só se nós descober… descobrirmos mais riquezas, é também, mas é, sobretudo, se nós mudarmos radicalmente a qualidade da educação prestada às crianças e aos jovens deste país”, desembesta e muda espetacularmente de rumo. “E também aos adultos, porque também adulto não pode pará de estudá, não”. Não pode mesmo, confirmam os casos de Lula e Dilma.

Na mesma quarta-feira em que ministrou a aula de geopolítica, a presidente informou que acredita na existência do ET de Varginha, por quem tem muito respeito. Sumido desde 1996, quando teria aparecido pela primeira e última vez na cidade do sul de Minas, não se sabe se o misterioso extraterrestre continua por lá. Em caso positivo, o ET de Varginha provavelmente duvida da existência de um país governado por Dilma Rousseff.

10 de agosto de 2013
Augusto Nunes

LEWANDOWSKI INTERFERIU EM PROCESSO PARA AJUDAR O PT E DILMA

TSE deu sumiço em parecer que reprovava contas de campanha da presidente por determinação do ministro

 
dilma lewandowski 449x338 Lewandowski interferiu em processo para ajudar o PT e Dilma
Reportagem da revista Veja deste fim de semana:
Em outubro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal monopolizava as atenções do país quando alinhavava as últimas sentenças aos responsáveis pelo escândalo do mensalão. Naquele mesmo mês, só que em outra corte de Justiça e bem longe dos holofotes, um auditor prestava um surpreendente depoimento, que jogava luz sobre episódios ainda nebulosos que envolvem o maior caso de corrupção da história.  
O depoente contou que, em 2010, às vésperas da eleição presidencial, foi destacado para analisar as contas do PT relativas a 2003 – o ano em que se acionou a superengrenagem de corrupção. Foi nessa época que Delúbio Soares, Marcos Valério, José Genoino e o restante da quadrilha comandada pelo ex-ministro José Dirceu passaram a subornar com dinheiro público parlamentares e partidos aliados.  
Havia farto material que demonstrava que a contabilidade do partido era similar à de uma organização criminosa. Munido de documentos que atestavam as fraudes, o auditor elaborou seu parecer recomendando ao tribunal a rejeição das contas. O parecer, porém, sumiu – e as contas do mensalão foram aprovadas. 
Menos de dois meses depois, ocorreu um caso semelhante, tão estranho quanto o dos mensaleiros, mas dessa vez envolvendo as contas da última campanha presidencial do PT. O mesmo auditor foi encarregado de analisar o processo. Ao conferir as planilhas de gastos, descobriu diversas irregularidades, algumas formais, outras nem tanto.  
Faltavam comprovantes para justificar despesas da campanha. A recomendação do técnico: rejeitar as contas eleitorais, o que, na prática, significava impedir a diplomação da presidente Dilma Rousseff, como determina a lei.  
Ocorre que, de novo, o parecer nem sequer foi incluído no processo – e as contas de campanha foram aprovadas. As duas histórias foram narradas em detalhes pelo auditor do Tribunal Superior Eleitoral, Rodrigo Aranha Lacombe, em depoimento ao qual VEJA teve acesso.  
Ambas cristalizam a suspeita de que a Justiça Eleitoral manipula pareceres técnicos para atender a interesses políticos – o que já seria um escândalo. Mas há uma acusação ainda mais grave. A manipulação que permitiu a aprovação das contas do mensalão e da campanha de Dilma Rousseff teria sido conduzida pessoalmente pelo então presidente do TSE, o ministro Ricardo Lewandowski.

10 de agosto de 2013
 implicante

SE A SAÚDE DO LULA ESTÁ PERFEITA, PARA QUE TODO ESTE TEATRO?


A equipe médica que atende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma coletiva de imprensa no início da tarde deste sábado (10) para informar que a saúde do petista "está perfeita".
Lula chegou ao hospital Sírio-Libanês por volta de 8h e foi submetido a três exames. Segundo o cardiologista Roberto Kalil Filho, todos deram normal. Lula fez, inclusive, uma laringoscopia, além de ressonância. "Todos os exames foram normais. A saúde do Lula está perfeita", disse Kalil.

O ex-presidente deixou o hospital sem falar com a imprensa, mas, segundo Kalil, foi Lula quem pediu que o resultado dos exames fosse detalhado aos jornalistas para dar fim a boatos de que o câncer diagnosticado em 2011 havia voltado.
Segundo o oncologista Paulo Hoff, as chances de a doença reaparecer, agora, são "mínimas". "A cada mês que passa a chance de a doença voltar é menor", afirmou o também oncologista, Artur Katz.

Kalil encerrou a coletiva dizendo que os exames deveriam "enterrar" boatos sobre o estado de saúde do ex-presidente.
Ao final da entrevista, ele atendeu um telefonema da presidente Dilma Rousseff, que questionava sobre o estado de Lula. "Tá tudo bem, presidenta, tá tudo certo", respondeu o médico.
 
(Folha Poder)
 
10 de agosto de 2013
in coroneLeaks

"A ORDEM VEIO DE CIMA" - MAIS UMA LULADA DO COMPANHEIRO LEWANDOWSKI

 
 
veja2334
A revista Veja deste final de semana conta em reportagem que o TSE sumiu com os pareceres técnicos que sugeriam a reprovação das contas do PT na época do mensalão e da campanha da presidente Dilma em 2010. A ordem foi do ministro Ricardo Lewandovski.


10 de agosto de 2013
Rodrigo Rangel - Veja

"UM FORO ANACRÔNICO"

O Foro de São Paulo, que realizou seu 19.º encontro de 31 de julho a 4 de agosto na capital paulista, é uma organização latino-americana fundada por Luiz Inácio Lula da Silva, por inspiração de Fidel Castro, em 1990, quando o ex-presidente brasileiro ainda era tido como político de esquerda. De lá para cá muita coisa mudou no panorama continental, inclusive o então incendiário líder sindical que veio a se tornar presidente da República.
 
Mas o Foro de São Paulo permanece o mesmo, tal e qual, fiel a uma histórica vocação "anti-imperialista" e ao propósito difuso de "promover a integração econômica, política e cultural da região", com base numa retórica populista e no modelo estatizante que hoje impera na maior parte dos países que integram o grupo.
 
Não por coincidência, são esses os países, como Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina, que, a exemplo do Brasil, exibem o pior desempenho econômico no continente, em contraste com o dos integrantes da Aliança do Pacífico - México, Colômbia, Peru, Chile e, mais recentemente, Costa Rica - que colhem os resultados positivos de suas bem-sucedidas políticas de integração na economia global.
 
A ideia-força, hoje mais do que nunca anacrônica, que inspirou a criação do Foro de São Paulo, durante uma visita de Fidel Castro a Lula em São Bernardo do Campo 23 anos atrás, era promover o debate, entre as forças de esquerda da América Latina, sobre as consequências políticas da então recente queda do Muro de Berlim e elaborar estratégias para combater o "neoliberalismo" que "ameaçava" dominar a comunidade latino-americana.
 
E, por causa do ditador cubano, ganhou destaque na pauta de discussões do Foro a luta "anti-imperialista" focada no combate ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba.
 
O marco inicial do movimento foi a "Declaração de São Paulo", aprovada no final do primeiro encontro. É um documento muito significativo, menos pelas boas intenções proclamadas e mais pela constatação, na perspectiva de mais de 20 anos, de que seus objetivos estão muito longe de ser alcançados: "vontade comum de renovar o pensamento de esquerda e o socialismo, de reafirmar seu caráter emancipador, corrigir concepções errôneas, superar toda expressão de burocratismo e toda ausência de uma verdadeira democracia social e de massas".
 
Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia e até mesmo, cada vez mais, a Argentina são hoje exemplos da estratificação de um "pensamento de esquerda" anacrônico.
 
Todos padecem de um burocratismo do aparelho estatal semelhante ao que levou à falência a União Soviética e seus satélites. E cada um deles amarga a frustração da falta de qualquer perspectiva de conquistar uma "verdadeira democracia social e de massas".
 
Em 1990, cerca de 50 partidos políticos, organizações não governamentais e frentes de esquerda de vários países latino-americanos e caribenhos atenderam ao convite feito pelo Partido dos Trabalhadores e aderiram à iniciativa. Hoje são mais de 80, de cerca de 20 países.
 
A partir da virada do século, quando Lula e o PT já estavam empenhados em atualizar o discurso para conquistar o poder no Brasil, a influência de ambos no Foro foi diminuindo na mesma medida em que crescia a do coronel Hugo Chávez e do seu socialismo "bolivariano". Não faltaram, assim, durante o encontro, generosas referências ao "legado político e ideológico do pensamento e da ação do comandante Hugo Chávez".
 
As intervenções dos principais representantes brasileiros no Foro, Lula e sua pupila Dilma Rousseff, foram dedicadas especialmente à tentativa de reverter a favor do lulopetismo as recentes manifestações populares contra a corrupção e por serviços públicos mais eficientes.
 
O argumento é singelo: como a vida dos brasileiros melhorou muito nos últimos 10 anos e meio de governo petista, a população, especialmente os jovens, tende naturalmente a pedir mais. E o governo, é claro, está atento ao clamor das ruas. Todo mundo aplaudiu e, após cinco dias de convescote, voltaram todos para casa com a satisfação do dever cumprido.

10 de agosto de 2013
Editorial do Estadão

DEPOIS DE SE ELEGER DEMONIZANDO PRIVATIZAÇÕES, DILMA VENDE O GALEÃO

 
Casa Civil anunciou que estudos sobre a licitação e dos contratos estão em análise pelo TCU
 

A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, anunciou que a licitação dos aeroportos do Galeão e de Confins (em Belo Horizonte) será no dia 31 de outubro. Os estudos referentes ao leilão e aos contratos de concessão estão em análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
 
Além de permitir a entrada na disputa dos vencedores da primeira rodada de concessão (Brasília, Viracopos e Guarulhos), como os fundos de pensão e empresas, com participação limitada a 15%, o Executivo ajustou o valor dos lances mínimos e dos investimentos necessários ao longo dos contratos nos dois aeroportos.
 
O lance mínimo pelo Galeão subiu de R$ 4,65 bilhões para R$ 4,73 bilhões e o de Confins, caiu de R$ 1,56 bilhão para R$ 994 milhões. Pelas regras do edital, o novo concessionário do Galeão terá que investir R$ 5,8 bilhões, ao longo dos 25 anos da concessão. O valor inicial era de R$ 5,2 bilhões. Em Confins, o valor do investimento previsto, durante o contrato de 30 anos, aumentou em R$ 100 milhões, para R$ 3,6 bilhões.
 
O governo retirou do edital o prazo para a construção da terceira pista de pouso do Galeão, que deveria entrar em operação em 2021. Já a segunda pista de Confins ficou mantida em 2020.
 
Outra mudança nos editais é que a Infraero, que terá participação de 49% no negócio, terá que acompanhar o sócio privado (51%) nos aportes iniciais de capital, antes da assinatura do contrato. A previsão inicial para a estatal era de 30% do capital necessário e subiu para 50%.

10 de agosto de 2013
Geralda Doca - O Globo

CÂMARA PODE CRIAR A (INCRÍVEL) FIGURA DO DEPUTADO ENCARCERADO NO BRASIL

Saiba quem são os parlamentares que compõem a vergonhosa galeria de cassados por desvios de conduta desde o fim da ditadura militar. E quem são os cinco deputados que deveriam integrar - logo - essa lista
 

Montagem dos deputados João Paulo Cunha, José Genoino, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry
QUARTETO MENSALEIRO - Os deputados João Paulo Cunha, José Genoino, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry, todos condenados pela Justiça, mas com gabinetes na Câmara (Dida Sampaio/Dorivan Marinho/Vagner Campos/Lindomar Cruz )

Na última quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) inovou ao rever sua posição sobre parlamentares condenados pela prática de crimes. Por seis votos a quatro, a Corte decidiu que caberá ao Legislativo deliberar pela cassação ou não dos políticos sentenciados pela Justiça. No extremo, o Brasil poderá se tornar um caso raro no qual deputados ou senadores poderão exercer seus mandatos durante o dia e dormir na cadeia.
 
Até o final do ano, é provável que a Câmara dos Deputados analise ao menos cinco processos de cassação de mandatos de deputados condenados pela Justiça. O primeiro da fila, inclusive, o ex-peemedebista Natan Donadon (RO), já cumpre pena no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. Condenado por desviar 8 milhões de reais dos cofres da Assembleia Legislativa de Rondônia, Donadon se entregou à Polícia Federal no final de julho, mas uma placa ainda aponta como seu o gabinete 239 no Anexo IV da Câmara. Ele perdeu o direito ao salário, aos benefícios e assessores, mas, juridicamente, ainda é um parlamentar eleito pelo estado de Rondônia. A manutenção do mandato garante algumas (poucas) regalias para Donadon: ele permanece em uma cela isolada no presídio, sem convívio com os demais detentos.
 
Na sequência, a tendência é que a Câmara tenha de deliberar sobre o futuro do quarteto de mensaleiros: João Paulo Cunha (PT-SP), José Genoino (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP). Durante o julgamento do mensalão, o STF votou pela perda imediata dos mandatos. Mas, com a recente virada no posicionamento da Corte graças aos votos dos ministros novatos Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso, esse cenário pode mudar: caberá, agora, aos deputados decidirem sobre os mandatos dos quatro mensaleiros.
Ou seja, dado o histórico de corporativismo e complacência com desvios éticos, tudo pode acontecer.
 
O último parlamentar que perdeu o mandato na Câmara foi em 2006. O ex-presidente do PP Pedro Corrêa (PE), que comandava o partido quando o mensalão operava a todo vapor, deixou o Congresso pelas portas dos fundos junto com José Dirceu (PT-SP) e Roberto Jefferson (PTB-RJ).
Desde então, foram abertos 89 processos de cassação de mandatos no Conselho de Ética. Todos os congressistas saíram ilesos. O maior exemplo da blindagem dos parlamentares aconteceu em 2006, na chamada Máfia dos Sanguessugas: 69 deputados envolvidos no esquema de desvio de verba pública para compra de ambulâncias escaparam de punições - a maioria foi poupada em plenário e, alguns, optaram por renunciar aos mandatos e poder disputar as eleições seguintes.

No Senado, só dois cassados

O Senado, que por muitas décadas manteve uma imagem mais positiva do que a Câmara, passou a lidar com escândalos políticos rotineiros nos anos 2000. O primeiro parlamentar cassado pela Casa foi Luiz Estevão (PMDB-DF). Perdeu o mandato quando veio à tona sua participação no desvio milionário nas obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, em 1999.
Em 2001, dois senadores tiveram de renunciar para não perderem o mandato: José Roberto Arruda (então no PSDB) e o baiano Antônio Carlos Magalhães (PFL). Eles haviam participado da quebra do sigilo do painel eletrônico que registra as votações do Senado. No mesmo ano, Jader Barbalho (PMDB-PA) renunciou para não ser punido, após ser flagrado envolvido no desvio de verbas da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
Em 2011, foi a vez de Demóstenes Torres (DEM-GO) perder o mandato por cassação. Ele foi flagrado mantendo conversas e negociações nada republicanas com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Muitos outros casos surgiram sem que os acusados perdessem o cargo - José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL) sabem disso muito bem. Na última semana, o STF credenciou mais um candidato à cassação: Ivo Cassol (PP-RO), condenado pelo Supremo a quatro anos e oito meses de prisão. A perda do mandato será avaliada pelos senadores.


O atual presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), diz que o voto secreto em plenário é o principal culpado pelas absolvições em massa: "Enquanto não se adotar o voto aberto na Casa, vão continuar esses números ruins".
 
Outro exemplo recente de parlamentar absolvida em flagrante cena de corrupção foi a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), filha do ex-governador de Brasília, Joaquim Roriz. Ela aparece em um vídeo recebendo 50 mil reais de Durval Barbosa, delator do chamado mensalão do DEM. Por entenderem que o episódio aconteceu antes de assumir o mandato na Câmara – a cassação foi analisada em 2011 e a gravação havia sido feita em 2006 -, Jaqueline foi absolvida por seus colegas.
 
Também foi absolvido pelo plenário o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP). Em 2005, os deputados o consideraram inocente na denúncia de que havia recebido 50 mil reais do operador do mensalão, Marcos Valério. Sete anos depois, o STF o condenou a nove anos e quatro meses de prisão. Provavelmente, Cunha voltará a ser julgado em plenário.

Os 17 cassados – Desde a redemocratização do país, apenas 17 parlamentares tiveram a degola aprovada em plenário. O caso mais emblemático aconteceu em 1994, em um dos maiores escândalos de corrupção do Brasil. A CPI dos Anões do Orçamento, nome dado em alusão à estatura dos parlamentares envolvidos, descobriu um esquema de desvio de recursos do Orçamento da União para empresas relacionadas a deputados, senadores, ministros e governadores. Seis deputados envolvidos no caso foram cassados.
 
Outra cassação que não poderia passar impune foi a de Hildebrando Pascoal (PFL-AC). O parlamentar foi apontado como o comandante de um grupo de extermínio responsável pela morte de mais de sessenta pessoas. Não apenas a quantidade de assassinatos espanta. Em um dos casos que revelam o nível crueldade com o qual agia, ele ganhou o apelido de Homem da Motoserra – uma referência à arma utilizada no crime. Hildebrando foi condenado a mais de cem anos de cadeia.
 
O ex-deputado Sérgio Naya também se destaca na lista de parlamentares cassados. Ele perdeu o mandato em 1998, depois que parte do edifício Palace II, construído por uma de suas empresas na capital fluminense, desabou. Oito pessoas morreram e a tragédia poderia ter sido maior - um segundo desmoronamento ocorreu quando o prédio já havia sido evacuado. As investigações mostraram erros grosseiros na execução da obra. O concreto empregado, provavelmente produzido com areia de praia, se esfarelava facilmente. Naya foi cassado pelos colegas por um placar de 277 votos a 163.

Os deputados cassados desde a redemocratização

Pedro Corrêa (PP-PE) - 2006


 
O parlamentar pernambucano foi um dos três deputados cassados por participação no escândalo do mensalão. Ficou provado que ele ordenou que um assessor sacasse 700.000 depositados pelo publicitário Marcos Valério. Corrêa, que era presidente do partido, embolsou o dinheiro após prometer apoio ao governo Lula. Em 2012, o ex-deputado acabou condenado à prisão pelo Supremo Tribunal Federal, mas ainda não começou a cumprir a pena.
 
10 de agosto de 2013
Marcela Mattos e Gabriel Castro, Veja

LEWANDOWSKI INTERFERE EM PROCESSO PARA AJUDAR O PT MENSALEIRO E DILMA

O Tribunal Superior Eleitoral sumiu com os pareceres técnicos que sugeriam a reprovação das contas do PT na época do mensalão e da campanha da presidente Dilma em 2010. Documentos revelam que isso ocorreu por determinação do ministro Ricardo Lewandowski

 
Ricardo Lewandowski
Ricardo Lewandowski (Cristiano Mariz)

Em outubro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal monopolizava as atenções do país quando alinhavava as últimas sentenças aos responsáveis pelo escândalo do mensalão. Naquele mesmo mês, só que em outra corte de Justiça e bem longe dos holofotes, um auditor prestava um surpreendente depoimento, que jogava luz sobre episódios ainda nebulosos que envolvem o maior caso de corrupção da história.
 
O depoente contou que, em 2010, às vésperas da eleição presidencial, foi destacado para analisar as contas do PT relativas a 2003 - o ano em que se acionou a superengrenagem de corrupção. Foi nessa época que Delúbio Soares, Marcos Valério, José Genoino e o restante da quadrilha comandada pelo ex-ministro José Dirceu passaram a subornar com dinheiro público parlamentares e partidos aliados.
 
Havia farto material que demonstrava que a contabilidade do partido era similar à de uma organização criminosa. Munido de documentos que atestavam as fraudes, o auditor elaborou seu parecer recomendando ao tribunal a rejeição das contas. O parecer, porém, sumiu - e as contas do mensalão foram aprovadas.
 
Menos de dois meses depois, ocorreu um caso semelhante, tão estranho quanto o dos mensaleiros, mas dessa vez envolvendo as contas da última campanha presidencial do PT. O mesmo auditor foi encarregado de analisar o processo.
 
Ao conferir as planilhas de gastos, descobriu diversas irregularidades, algumas formais, outras nem tanto. Faltavam comprovantes para justificar despesas da campanha. A recomendação do técnico: rejeitar as contas eleitorais, o que, na prática, significava impedir a diplomação da presidente Dilma Rousseff, como determina a lei.
 
Ocorre que, de novo, o parecer nem sequer foi incluído no processo - e as contas de campanha foram aprovadas. As duas histórias foram narradas em detalhes pelo auditor do Tribunal Superior Eleitoral, Rodrigo Aranha Lacombe, em depoimento ao qual VEJA teve acesso. Ambas cristalizam a suspeita de que a Justiça Eleitoral manipula pareceres técnicos para atender a interesses políticos - o que já seria um escândalo.
 
Mas há uma acusação ainda mais grave. A manipulação que permitiu a aprovação das contas do mensalão e da campanha de Dilma Rousseff teria sido conduzida pessoalmente pelo então presidente do TSE, o ministro Ricardo Lewandowski.

10 de agosto de 2013
Rodrigo Rangel - Veja

LULA VOLTA AO HOSPITAL PROMETENDO QUE VAI VIVER "UM POUCO MAIS"


 
“O meu sonho era dormir aqui. Mas, como alguns canalhas andaram inventando que eu tenho metástase, que o câncer voltou, eu tive que antecipar o meu exame pra poder os médicos provar pra esse bando de imbecis que eu não vou morrer com a pressa que eles desejam que eu morra. Eu vou viver um pouco mais.”
 
Lula, ontem, em Bauru, São Paulo, onde lançou a candidatura de Alexandre Padilha, ministro da Saúde, ao governo de São Paulo.
 
O ato mostrou como a metástase tomou conta do governo petista, que promoveu um evento com dinheiro público, para fazer propaganda eleitoral fora de época e proibida por lei.
 
10 de agosto de 2013
in coroneLeaks

NOVO CÓDIGO DE CENSURA

 
 
A palavra "ética" é retirada de novo código de conduta dos senadores porque esse princípio de moralidade não é conhecido e muito menos respeitado pela maioria dos nobres que frequentam essa pocilga denominada Congresso Nacional. Aproveitando a oportunidade, não seria a hora para outros termos de pouco significado na Casa também serem excluídos? por exemplo, falta de vergonha, falta de caráter, falta de cidadania, enfim todos os indicativos que um parlamentar deveria ter e respeitar, mas que nessa republiqueta bananal eles não as tem, portanto não respeitam.
 
Também foi excluído do documento a obrigação para que os parlamentares apresentem, quando empossados, declaração de bens de seus parentes até o segundo grau. Essa obrigatoriedade  sem dúvidas poria fim as roubalheiras do dinheiro público, que acontecem através dos conchavos com o Executivo e também com empresas privadas, principalmente empreiteiras das obras oficiais, arrebanhadas pelo Exu de Garanhuns, verdadeiros cartéis que transformaram o Planalto Central em um tremendo "laranjal" com a farta distribuição de propinas.
 
 O mais impressionante em toda essa podridão que tomou conta do Poder Legislativo, em conluio com o Poder Executivo, é que o Regimento Interno do senado é de 1970, auge da ditadura militar, e que desde então nunca foi reformado. Dedução das entrelinhas, os senadores da época entravam no Senado pobre e saiam pobres. Isso não pode mais acontecer.
 
Para encerrar com chave de ouro, o relator das mudanças, senador Lobão Filho, não acatou emenda que obriga a comunicação à Corregedoria de atos incompatíveis com o decoro ou com a compostura pessoal praticada pelos "nobres" fora das dependências da Casa Legislativa. Explicação macunaímica: prostitutos extramuros, nobres intramuros. É a automática metamorfose ambulante proposta pelo chefe dos chefes. O cretino que institucionalizou a corrupção no país.
 
10 de agosto de 2013
Humberto de Luna Freire Filho é Médico.