"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

CRÍTICA DOS BANDIDOS DE TOGA, ELIANA CALMON DEIXA CARGO DE CORREGEDORA DE JUSTIÇA



Brasília – Depois de dois anos de um mandato intenso, a ministra Eliana Calmon deixa hoje (4) o cargo de corregedora-geral de Justiça. O término de sua gestão foi lembrado nesta terça-feira à noite, no final da sessão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Eliana Calmon ganhou projeção nacional quando disse que era preciso ter cuidado com os “bandidos de toga”. A declaração foi divulgada em entrevista no ano passado, pouco antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir até onde o CNJ poderia ir na investigação de magistrados. Na época, a corregedora foi criticada por grande parcela da magistratura nacional e, em especial, pelo então presidente do CNJ e do STF, Cezar Peluso, que classificou as declarações da corregedora de "levianas".

Outro episódio polêmico relacionado a Eliana Calmon foi a decisão de investigar indícios de irregularidades no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Maior corte do país, por onde circulam cerca de 60% dos processos, o tribunal é conhecido pelo perfil conservador e avesso a interferências externas.

“Entendi que era preciso calçar as botas de soldado alemão e fazer inspeção, mesmo que eles não quisessem. E todos viram o que aconteceu”, disse, ao relembrar o episódio. Na época, Eliana Calmon foi acusada de quebrar ilegalmente o sigilo de milhares de pessoas ligadas ao tribunal, o que não ficou provado.

A corregedora disse que foi muito rigorosa com a corrupção porque os juízes não têm direito de transigir eticamente e admitiu que seu estilo “verdadeiro” e “sem limites” causou problemas. “Minha vida nesses anos foi extremamente incômoda, mas eu me dispus a ser assim para ser inteira, para fazer o que estava ao meu alcance”, observou Eliana Calmon, garantindo não guardar mágoas.

Ela tentou concluir hoje o julgamento de quase 30 processos que estavam sob sua responsabilidade, mas houve pedidos de vista na maioria dos casos, como o que apura se houve negligência na direção do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro no episódio que culminou com o assassinato da juíza Patrícia Acioli. Com a saída da corregedora, a conclusão desses processos deve demorar ainda mais porque eles serão distribuídos a um novo relator.

Eliana Calmon voltará a dar expediente no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e só deve deixar a magistratura daqui a três anos, quando se aposenta compulsoriamente. O cargo de corregedor-geral será assumido pelo ministro Francisco Falcão, também do STJ.

05 de setembro de 2012
Edição: Lana Cristina//O título foi alterado às 21h17

UM (A) POR TODOS

 

Ao molde do tempo em que sindicatos eram sindicatos, no PT funciona assim: mexeu com um, mexeu com a categoria. E se esse "um" é tido como o garantidor da sobrevivência, por mais razão mobilize-se a elite da tropa.

Em palavras breves, sem pretensão analítica profunda, podemos resumir assim a reação da presidente Dilma Rousseff em defesa do ex-presidente Lula contra as críticas feitas em artigo pelo antecessor Fernando Henrique Cardoso.

O contra-ataque poderia ser visto como uma tentativa de interditar a liberdade de opinião. Só por aqui e numa perspectiva autoritária é que se vê a exposição de um raciocínio como ofensa pessoal.
Embora perfeitamente adequada à ocasião, essa seria uma interpretação incompleta em face do real objetivo da nota da presidente para rebater o artigo "herança pesada" em que FH diz o óbvio sobre o legado de retrocesso moral e ético deixado por Lula.

Tão óbvio que há dele provas cabais. A demissão de sete ministros no primeiro ano do governo de Dilma dá testemunho substancioso a respeito.
Fosse pouco, o Supremo Tribunal Federal há um mês conta essa história três vezes por semana em todos os detalhes com transmissão direta pela televisão, fundamentação jurídica e posicionamentos contundentes.

A essa autonomia recebida pela sociedade como um legítimo resgate da legalidade, o presidente do PT dá o nome de "golpe".

Voltemos, porém, a Dilma e sua manifestação nesse momento de profunda consternação que se abate sobre o PT e da mais aguda desmoralização ao desmonte da farsa anunciado por Lula.

O que fez a presidente? Nada demais. Divulgou uma nota em termos absolutamente razoáveis sob a concepção dela dos fatos, para defender a "herança bendita" que recebeu de Lula.
Claro que não cita o ponto principal abordado por FH, "o estilo bombástico de governar que esconde males morais e prejuízos materiais para o futuro da nação".

Fala sobre o crescimento da economia - sem desta vez associá-lo à reconstrução da credibilidade do País consolidada pelo autor que contraditava -, sobre justiça social e sobre o reconhecimento de seu criador no cenário internacional.
Não é a verdade toda, mas ainda assim, verdades.

A presidente não incorreu em impropriedade, não desrespeitou leis, nada fez de excepcional além de resguardar o patrimônio político do grupo hoje por ela representado.

Fez, como petista, o que os correligionários de Fernando Henrique não fizeram quando o PT vendeu - e a sociedade comprou - a tese de que recebia uma "herança maldita".

Dilma demarcou terreno e deu uma lição aos tucanos, FH aí incluído, que viveram a ilusão de enxergar nos gestos de boa educação da presidente algo além de um movimento que agregaria novos valores - e por consequência novos eleitores - ao projeto de poder do PT.

Reciclar. Foi-se o tempo em que motoristas falavam e, se fosse o caso, incriminavam em comissões parlamentares de inquérito. Um ex-motorista da Delta ficou calado ontem na CPI do Cachoeira, assim como a ex-mulher do bicheiro. Agora só falta uma secretária calar para negar a velha escrita sobre fontes de comprovação de denúncias em CPIs.

Isso posto, é evidente que esse silêncio é uma espécie de defeito da qualidade das investigações parlamentares: a partir do momento que aquele tipo de depoimento começou a gerar consequências - muitas vezes nefastas para o denunciado largado à própria sorte (ou azar) depois do relevante serviço prestado -, mesmo as testemunhas ficam reticentes.

De onde estaria na hora de se revisar os métodos e os conceitos para adaptar as comissões de inquérito aos novos tempos. Enquanto os investigados aperfeiçoaram seus procedimentos, as CPIs continuam obedecendo a uma dinâmica ultrapassada.

Quando a forma antiga se alia ao propósito da maioria de postergar para não investigar, seus integrantes fazem papel de bobos da corte.

05 de setembro de 2012
Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
 

FRASE DO DIA


"Não há nenhuma possibilidade disso [a Câmara absolver um réu considerado culpado]. A decisão judicial da mais alta Corte do país deve ser integralmente cumprida."


Roberto Gurgel, procurador-geral da República, sobre a possibilidade da Câmara não cassar, caso condenados pelo STF, os mandatos dos deputados envolvidos no mensalão

05 de setembro de 2012

"ORDENS SUPERIORES" MANDARAM PF PARAR DE INVESTIGAR LIGAÇÕES DE PAES E CABRAL COM A DELTA

 


Um grupo de policiais federais está indignado e disposto a abrir a boca, e complicar a vida de Sérgio Cabral e Eduardo Paes. Eles pretendem revelar que receberam determinação superior para segurar as investigações que davam sequência às operações Vegas e Monte Carlo, que mostraram a conexão entre o contraventor Carlinhos Cachoeira e a empreiteira Delta, de Fernando Cavendish, o grande amigo de Cabral.





O nome da operação que chegou a fazer inúmeras gravações autorizadas pela Justiça chama-se “Pedra Bonita”, numa referência - por sinal muito apropriada - ao mirante carioca de onde saltam os praticantes de Asa Delta, na Pedra da Gávea.



O material obtido segundo tomei conhecimento é arrasador com Paes e Cabral. Se a CPI de fato não estender as investigações da Delta às administrações de Cabral e Paes, esse grupo de policiais federais vai começar a vazar as gravações para veículos de comunicação. O trabalho já estava bastante adiantado quando “alguém muito poderoso” pediu pra segurar tudo até passar a eleição.



É bom lembrar que Cabral não é candidato, Eduardo Paes é que está disputando a eleição deste ano. Convenhamos que não é preciso um grande esforço para concluir que as investigações da Polícia Federal se vierem a público terão um efeito devastador sobre a candidatura de Eduardo Paes.



Só deixo uma pergunta no ar que vários agentes da PF andam fazendo com indignação: É Polícia Federal ou política federal?



Em tempo: Durante esta semana para aqueles que não acompanharam pelo blog a divulgação das farras na Europa, de Cabral, Fernando Cavendish e a Gangue dos Guardanapos, vamos reproduzir o material como uma minissérie.



Fonte: Blog do Garotinho através do site da FENAPEF (Federação Nacional dos Policiais Federais).


P.S.: Eu sei que a fonte - Blog do Garotinho - não é confiável, mas como nem Cabral nem Paes são flores que se cheirem e há quase certeza do envolvimento de ambos com a Delta, não custa divulgar. É muito possível que tudo seja verdade.
05 de setembro de 2012

NOSSO "DITADOR" DE ESTIMAÇÃO

José Eduardo dos Santos comanda Angola há 33 anos e pode ficar mais dez no poder. Tem cara de ditadura, mas ninguém o incomoda – nem o Brasil

 
SIMPATIA Dilma Rousseff cumprimenta o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, em visita  a Luanda em 2011. A longevidade de seu governo nunca incomodou Brasília (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
 

A África é pródiga em longevos governantes. Alguns saíram de circulação com a Primavera Árabe, como o líbio Muammar Khadafi (42 anos no poder) e o egípcio Hosni Mubarak (30 anos). Outros tiranos estão em plena atividade. Robert Mugabe manda no Zimbábue desde 1980.

Em agosto de 1979, começava a tirania de Teodoro Mbasogo na Guiné Equatorial. Ambos são ditadores clássicos – e assim reconhecidos internacionalmente. Apenas um mês depois da ascensão de Mbasogo, chegava ao poder um homem cuja trajetória é um caso singular na política africana. Ele é o presidente de Angola desde então e se chama José Eduardo dos Santos.
A etiqueta de ditador não cola em ZéDu, como ele é apelidado no país. Os líderes do Ocidente não o incomodam com exigências democráticas. Ao contrário, eles vão a Angola para cumprimentar o mandatário angolano em visitas oficiais – e o Brasil faz parte dessa lista. A presidente Dilma Rousseff esteve em Luanda, capital angolana, em outubro do ano passado. Posou sorridente ao lado de José Eduardo. Qual o segredo?

O argumento mais direto a favor dele é que ditadores não costumam fazer eleições ou, quando as fazem, a fraude é regra. Não é assim em Angola. O país vai às urnas na próxima sexta-feira para renovar as 220 cadeiras da Assembleia Nacional. O voto é no partido, que apresenta uma lista fechada. Os angolanos também elegerão o novo presidente, o primeiro nome da relação de candidatos.

O novo presidente, não. O de sempre, porque José Eduardo é o cabeça da lista de seu partido, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), e ninguém duvida que ele ganhará. O MPLA não precisa de trapaças para seguir no comando do país.

Sua direção fala em quase 5 milhões de militantes. Houve eleições legislativas em 2008. O MPLA teve 82% dos votos, e observadores internacionais não registraram nenhuma grande irregularidade. José Eduardo ficará mais cinco anos no poder. A atual Constituição, escrita em 2010, lhe permite uma reeleição por outros cinco.

Conclusão: ZéDu pode estender seu mandato até 2022, quando terá 80 anos de idade e 43 de governo. Olhando de fora, parece um autêntico tirano. Curiosamente, não há quem adote esse raciocínio na comunidade internacional.

Parceiro estratégico (Foto: reprodução/revista ÉPOCA)
O tratamento afável do Brasil a José Eduardo é basicamente resultado de nossos interesses comerciais em Angola. Sem contar a vantagem da língua comum, o país africano tem a nos oferecer petróleo (é o segundo maior produtor do continente, atrás da Nigéria) e dezenas de obras de infraestrutura.

Angola foi assolada por uma guerra civil desde sua independência de Portugal, em 1975, até 2002, quando José Eduardo assinou um tratado de paz com a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), principal força de oposição.

O trabalho de reconstrução é enorme. Mais de 50 empresas brasileiras estão lá para aproveitar as oportunidades. A construtora Odebrecht foi a pioneira. Chegou em 1984, para erguer a hidrelétrica de Capanda, e tem a maior operação no país. Seu faturamento superou US$ 1 bilhão no ano passado (leia o quadro).

A Odebrecht é tão influente em Angola que José Eduardo não teve dúvidas a quem recorrer quando começaram a faltar produtos básicos nas prateleiras da rede de supermercados populares Nosso Super, criada pelo governo em 2007.
A Odebrecht assumiu a gestão das 29 lojas e enveredou no segmento com a construção do Belas Shopping, em Luanda. As exportações de bens e serviços das companhias brasileiras para Angola têm crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A linha mais recente, de US$ 2 bilhões, começa a operar no ano que vem. O lastro do financiamento é o petróleo angolano.

Se os negócios vão bem com José Eduardo há tanto tempo, o empresariado não tem por que pensar em mudança – por decorrência, nem o governo brasileiro. Um diplomata com experiência em Angola diz que, nas conversas informais de corredor no Itamaraty, há quem chame livremente ZéDu de ditador. Para fora, o discurso é protocolar.

A assessoria do ministério disse que não se pronunciaria sobre as eleições em Angola por se tratar de assunto da “esfera da política interna do país”. O Brasil está envolvido na campanha do MPLA por meio do marqueteiro João Santana, que comandou as campanhas do ex-presidente Lula em 2006 e da presidente Dilma em 2010.
A escolha de Santana teve o aval de Lula, que sempre manteve boa relação com José Eduardo. A preferência do MPLA pela publicidade brasileira é histórica. A agência Propeg, do baiano Fernando Barros, cuidou das campanhas nas eleições de 2008 e também em 1992, o último (e único) pleito presidencial angolano.

A gratidão de José Eduardo aos brasileiros vem desde antes da independência de Angola. Em sua última viagem a Brasília, em junho de 2010, ele fez uma visita regimental ao Supremo Tribunal Federal. Na conversa com alguns dos ministros da corte, contou sua admiração pela literatura do Brasil, especialmente de Jorge Amado.

Disse que os livros da fase comunista do escritor o inspiraram a lutar por seu país, ainda como líder estudantil em grupos clandestinos contra Portugal. Numa estratégia de apoio à causa anticolonialista, o Brasil foi o primeiro país do mundo a reconhecer a soberania angolana. José Eduardo era o chanceler do presidente Agostinho Neto.
Sua tarefa era buscar legitimidade internacional para o governo do MPLA. Agostinho morreu em 1979, abrindo o caminho para seu pupilo. A única vez em que o Brasil desagradou a José Eduardo foi em novembro de 2009, quando o governo concedeu a Ordem do Mérito Cultural a José Eduardo Agualusa, escritor angolano que é opositor declarado de seu xará presidente.

A embaixada angolana fez chegar ao Itamaraty sua insatisfação porque Brasília não avisou Luanda sobre a premiação de um “personagem controverso”. “Se houve isso mesmo, é um completo disparate, uma atitude antinacional. Prefiro acreditar que isso não ocorreu”, afirma Agualusa.

Tanto tempo no poder não pode ser explicado apenas pela complacência externa. José Eduardo é um “monstro político”, nas palavras de um ex-colaborador de suas campanhas. A sangrenta disputa com a Unita, que custou cerca de 500 mil vidas, sempre foi a justificativa para o MPLA adiar indefinidamente a realização de eleições. Em 1992, José Eduardo derrotou o líder da Unita, Jonas Savimbi.

Deveria ter havido segundo turno. Savimbi não aceitou as condições impostas pelo governo e retomou a guerra. A trégua com a Unita só viria em 2002. Dez anos depois, José Eduardo ainda se apresenta como o “arquiteto da paz”. Nas eleições de 2008, o discurso do MPLA era garantir a estabilidade do país. Agora, o slogan é “Angola a crescer mais e a distribuir melhor”, sob o argumento de que o país já se estabilizou – e é hora de aproveitar o crescimento econômico (o PIB subiu de US$ 11 bilhões em 2002 para US$ 101 bilhões no ano passado).

O MPLA conta com sua enorme estrutura no país inteiro, para se manter no poder agora que, aparentemente, haverá eleições de cinco em cinco anos. Os sinais de desgaste, porém, já são notados. Quando a Primavera Árabe estava no auge, no início do ano passado, as principais lideranças do MPLA deixaram suas lanchas a postos, com combustível no tanque, para fugir de Luanda caso estourasse uma revolta popular. José Eduardo tem uma lancha Ferretti de 115 pés. Até onde se sabe, não a deixou de prontidão.

Precavido, ele começou a abafar alguns focos de insatisfação, como os rappers Carbono Casimiro e Ikonoklasta, agredidos e detidos por estimular manifestações antigoverno. Mesmo a repressão é feita de maneira mais dissimulada. Não há violência brutal contra manifestantes.
Tudo é feito de modo calculado, como se espera de um tecnocrata. José Eduardo se formou em engenharia de petróleo no Azerbaijão, então parte da União Soviética, que apoiava o MPLA.

Os Estados Unidos financiavam a rival Unita, mas hoje se dão muito bem com ele. Enquanto outros governantes africanos ostentam sua riqueza descaradamente, ZéDu deixou a tarefa de enriquecer aos filhos – sua filha mais velha, Isabel, é a mulher mais rica de Angola, uma multiempresária com fortuna estimada em US$ 170 milhões.
Ele tem a fala mansa, uma voz frágil, e seus discursos não são nada empolgantes. Mas não há quem não o respeite no país. José Eduardo manda em Angola até quando quiser – seja ditador ou não.

PARCERIA Entrada de uma das lojas Nosso Super. A rede de varejo angolana foi comprada do governo pela brasileira  Odebrecht (Foto: Daniel Miguel-DM/O País)
 
 

PERIGO À VISTA: ORNITÓLOGOS DESCOBREM NOVA AVE EM MINAS


Há alguns anos, comentei o perigo que os ornitólogos representam para a economia de um país. A idéia que temos destes senhores é a de pacatos cidadãos que adoram observar essas maravilhas da natureza, os passarinhos. Até pode ser. Mas sempre é bom desconfiar quando ornitólogos apresentam um pássaro na televisão. Normalmente, há grossa sacanagem de ONGs e ambientalistas atrás disto.

Nos dias em que vivi no Paraná, durante semanas foi vedete dos noticiários televisivos um pequeno pássaro, uma espécie de pardal, que estaria ameaçado de extinção. Chamava-se curiango-do-banhado e habitava nos arredores de Curitiba. Durante longos minutos, o bichinho era exibido em seus ângulos mais simpáticos, sempre com a mensagem: corre perigo de extinção. Ano seguinte, foi a vez de uma nova espécie de tapaculo, da família Rhinocryptidae, batizada com o nome popular de macuquinho-da-várzea. Também vivia nos arredores de Curitiba.

Algumas semanas mais tarde se soube ao que vinham o curiango-do-banhado e o macuquinho-da-várzea. Para preservá-los, era preciso preservar seu habitat natural. E para preservar seu habitat natural, as tais de ONGs fizeram uma ferrenha campanha para impedir a construção de uma barragem que abasteceria a capital paranaense. Me consta que o projeto de barragem morreu na casca.

Leio na Folha de São Paulo de ontem que estes senhores encontraram uma nova espécie de pássaro, mais ou menos do tamanho de um sabiá. A ave, apelidada por eles de pedreiro-do-espinhaço, é um enigma evolutivo: seus parentes mais próximos, que também gostam de montanhas e de frio, estão a milhares de quilômetros dali, no Rio Grande do Sul, nos Andes e até na Patagônia.

Enquanto tentam entender como o bicho foi parar na serra do Espinhaço, a apenas 50 km de Belo Horizonte, os cientistas também estão levando em conta considerações mais práticas. Para eles, a espécie já está "nascendo" para a ciência como ameaçada de extinção.

Perigo à vista. Seria interessante investigar que projetos de vital importância social estão previstos para os arredores de Belo Horizonte. A reportagem da Folha já traz uma ameaça: “É que o habitat do animal, uma combinação única de rocha e vegetação rasteira adaptada a altitudes elevadas, corre o risco de sumir com a mudança climática, além de sofrer a pressão da atividade humana”.

Quem viver, verá.


05 de setembro de 2012
janer cristaldo

EM DEFESA DO CONTRADITÓRIO

 



Editorial do PSDB publicado nesta terça-feira

A democracia brasileira, conquistada a duras penas, pressupõe o contraditório, coisa com a qual o PT não consegue lidar bem. Só isso justifica o grande incômodo provocado no último fim de semana pelo artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no qual ele dá exemplos da herança pesada herdada do governo Lula pela presidente Dilma Rousseff.

Nos causa surpresa, em especial, a reação da presidente Dilma Rousseff, que, cedendo às pressões de seu partido, acabou se excedendo na defesa do legado recebido de seu antecessor. Infelizmente, usando os mesmos métodos utilizados pelo ex-presidente Lula: este sim um especialista em tentar reescrever a história brasileira de acordo com suas conveniências.

Basta lembrar as inúmeras tentativas do ex-presidente Lula e de vários de seus aliados em tentar negar a existência do mensalão. Uma tese, aliás, que o Supremo Tribunal Federal vem derrubando a cada dia com as condenações que já começaram a ser proclamadas.

No afã de defender a herança recebida de Lula, a presidente Dilma incorreu em alguns erros ao ressaltar que seu antecessor havia recebido um país sob “intervenção” do Fundo Monetário Internacional (FMI) do governo FHC.

Esqueceu a presidente de lembrar o pânico gerado, em 2002, nos meios financeiros só com a possibilidade de vitória do candidato do PT, o que chegou a provocar corrida bancária e forte elevação da taxa de juros, além de desencadear pressões inflacionárias.

Estas, sim, foram as razões que levaram o então presidente Fernando Henrique a negociar um acordo com o FMI. Um acordo, aliás, que teve o aval de todos os candidatos à Presidência, inclusive o do PT.

De fato o ex-presidente Lula não cedeu à tentação de disputar um terceiro mandato, como chegaram a pregar muitos de seus correligionários, mas não pestanejou em disputar a reeleição, garantida pelo Congresso Nacional em votações qualificadas e com o apoio majoritário da sociedade brasileira.

O mais curioso é que, mesmo há quase uma década no Poder, o PT ainda insista em atribuir à gestão tucana os males que não conseguiu consertar no país ou que reedite, sem cerimônia, políticas que tanto criticou como a das privatizações, hoje rebatizada como concessões à iniciativa privada.

Pior ainda é que o PT tente atribuir a adversários comportamentos golpistas, enquanto nos bastidores trabalha pela implantação de um projeto hegemônico, através do qual imagina ser possível aniquilar a oposição no Brasil.

Nada nos fará calar diante do que nos parecem erros graves, mas sempre com equilíbrio e sem faltar com a verdade.

05 de setembro de 2012
 

AS FARC JÁ MANDAM NA COLÔMBIA

    
          Notícias Faltantes - Foro de São Paulo 
juanmanuelsantos farcVolto a falar sobre a situação da Colômbia porque é gravíssima e não vejo a mídia noticiar nada do que se passa, a não ser fazer coro com as FARC e seus seguidores.

Cada dia que passa as coisas tornam-se mais horrendas, tensas e indignas, e observo que o que se divulga não reflete absolutamente NADA da realidade.
A imprensa afirma, feliz, que os colombianos estão aprovando esta aberração e que a popularidade de Santos está subindo depois do anúncio deste “acordo” infame.
 
Nada mais falso! Só quem está aprovando são aqueles que se beneficiarão com a impunidade, ou seja, as FARC e seus seguidores como os tais “Colombianos pela Paz”, ONG criada pela porta-voz das FARC “Teodora de Bolívar”, os políticos “ex” terroristas, os “padres” comunistas e a Justiça a serviço dos terroristas de todos os matizes.
 
Hoje a situação é: o ex-juiz Baltazar Garzón terá um programa no Canal Capital, televisão estatal dirigida pelo jornalista das FARC Hollman Morris, com o sugestivo título “Como vão a paz e os direitos humanos?”.
 
Na Espanha esse juiz está suspenso de suas funções após julgamento por escutas ilegais em processos. Desempregado, logo recebeu apoio do traidor Juan Manuel Santos e hoje aparece como “assessor” da OEA na Colômbia sendo mantido com os impostos dos colombianos.

presos
Prisioneiros políticos vítimas de falsos testemunhos, condenados pela máfia togada que só defende terroristas.
 
O Promotor Geral da Nação, Eduardo Montealegre (que deveria ser “triste” por seus atos infames) decretou que se suspendam imediatamente as ordens de captura e extradição contra os porta-vozes das FARC que estão “negociando” a tal “paz” e que serão expedidos salvo-condutos para que eles possam sair do país. As FARC JÁ estão mandando na Colômbia conforme desejava Marulanda, tanto é assim, que fizeram um vídeo onde Timochenko diz “chegamos à mesa de diálogos sem rancores nem arrogâncias” seguido de um “rap” debochadíssimo que diz em suas falas (me recuso a chamar aquilo de verso!):

“Vou para Havana desta vez para conversar
o burguês
(referindo-se a Uribe) que nos procurava

não nos pôde derrotar.

Vou para Havana, desta vez para conversar
com aquele que me acusava de mentir sobre a paz.

Vou para Havana, souberam com que emoção
Vou conversar a sorte de minha nação”.


Já no final dizem, com um sorriso na cara, dizem: “Nunca haverá rendição!” e o clip termina com Timochenko repetindo o bordão das FARC:

“Juramos vencer e venceremos!”. Precisa mais? Vejam o clip:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=CE75ZmSDlgo

Enquanto Timochenko dá as cartas e Santos diz aos colombianos que “tenham paciência”, as FARC continuam cometendo seus atos terroristas, emboscando, assassinando militares e civis, inclusive crianças, derrubando aquedutos e torres de transmissão de energia que deixam cidades inteiras às escuras, plantando minas e dizendo o quê, como, quando e onde o governo deve obedecer-lhes, e no tal “acordo” avisam que não vão cessar os ataques.
A revolta entre os colombianos de bem - que são maioria -, ao contrário do que afirma a mídia brasileira, é imensa! Hoje a associação de militares da reserva ativa, ACORE, enviou um documento ao Governo solicitando participação na mesa de negociações de pelo menos três militares - que representem as três Forças - mais três do Ministério da Defesa.
Para o general Jaime Ruiz as Forças Armadas são inegociáveis! E eles estão cobertos de razão, porque uma das primeiras coisas que as FARC vão fazer é acabar com o Tribunal Militar e perseguir ainda mais os militares que já estão presos injustamente sob acusações falsas, conforme venho denunciando ao longo desses dois últimos anos.
Além disso, o general Jaime Ruiz teme que os guerrilheiros, agora anistiados de todos os seus crimes, conformarão as novas milícias substituindo os militares, como já ocorre na Venezuela. E não era esse o sonho antigo das FARC, do Foro de São Paulo e do Bloco Regional de Poder Militar que denuncio desde 2008?
 
O ex-presidente Uribe vem sendo duramente atacado por denunciar que este “acordo” é um crime que se comete contra a Colômbia e os colombianos, e hoje, numa entrevista que ofereceu ao canal Caracol, ele referiu este “processo de paz” como “uma bofetada na democracia”. E diz, dentre outras coisas, que Santos perdeu dois anos de seu governo apenas se aproximando dos terroristas para tentar um diálogo, abandonando completamente a plataforma que o elegeu de dar continuidade à segurança do país. Assistam a essa entrevista magnífica aqui.
 
E para que não reste nenhuma dúvida sobre o que afirma Uribe, traduzo abaixo parte de uma publicação do blog “Colombia grande y libre” onde eles denunciam que essas conversações vêm sendo feitas em Cuba desde 6 de outubro de 2011, cujo acordo já foi assinado desde 7 de março de 2012, tudo pelas costas do Congresso e do povo colombiano!
 
“Não há nada que negociar, TUDO já foi entregue por Santos às FARC, com a assinatura de umas capitulações vergonhosas, pelas costas do país e em segredo, sob a vigilância de dois governos comunistas.
 
Cumprimos o dever patriótico de denunciar a assinatura dos acordos de ‘paz’ em Havana por parte de Juan Manuel Santos, Luciano Marín Arango, cognome “Iván Márquez” e Timoleón Jimenez, cognome “Timochenko” em 7 de março de 2012 em Havana, Cuba, como conclusão final das mesas de negociação e diálogo que se instalaram em segredo e pelas costas do país na mesma cidade, em 6 de outubro de 2011, lideradas pelo Alto Comissionado em Segurança e Alto Comissionado para a Paz, Sergio Jaramillo Caro. Foram garantidores e testemunhas desse acordo os presidentes da Venezuela e de Cuba, Hugo Chávez Frías e Raúl Castro. Os governos da Noruega e da Venezuela desempenharam os papéis de financiadores e de logística de tais mesas de negociação.
 
Colocamos isto para conhecimento da opinião pública, com a finalidade de que o povo colombiano se pronuncie contra um acordo que não foi autorizado pelo Congresso da Colômbia, nem pela Constituinte Primária. Não podemos confiar em Santos com o engano de que apenas vai instalar as mesas de conversações. É uma farsa bem montada para nos fazer crer que as FARC cederam, porém a verdade é que tudo foi concedido nas mesas de capitulações, mal chamadas de conversações.
 
Deixamos o seguinte documento como constância histórica e para sua avaliação, amigo colombiano. Evitemos que o futuro de nossos filhos e não sabemos de quantas gerações mais, seja hipotecado ao comunismo internacional, pela assinatura infame de um traidor e covarde, o presidente liberal Juan Manuel Santos”.
 
Traduzi apenas o começo da publicação e o restante vocês podem ler aqui. É estarrecedor o que Santos está tramando contra seu próprio povo, apenas para satisfazer sua vaidade pessoal desmedida e doentia de re-eleição ou Prêmio Nobel da Paz, sem levar em consideração que deu às FARC um status de Estado dentro do próprio Estado Colombiano, uma vez que as reconhece como um “interlocutor” legítimo com o qual se possa negociar. Isto é crime de lesa-pátria e é como TRAIDOR que ele será lembrado pela história!

terror
É este o cotidiano da Colômbia: ataques terroristas sem cessar contra civis indefesos, enquanto falam de "paz". E são esses monstros que muito em breve vão governar o país. Santos, você é um monstro abjeto igual às FARC!
 
Cabe lembrar, ainda, que nesse acordo não se falou uma só palavra nas milhares de vítimas seqüestradas, nem na entrega de armas, nem no fim do narco-tráfico. Só as FARC deram as cartas.
As fotos que ilustram esta edição de hoje mostram a situação real da Colômbia: os presos-políticos que não cometeram NENHUM crime, encarcerados injustamente, muitos condenados a penas que equivalem a prisão perpétua.
E a outra, chocante, mostra um atentado ocorrido em 27 de agosto último, quando este maldito “acordo” já havia sido assinado! É o destino de todo o nosso continente que está em jogo, portanto, não fechem os olhos a esta realidade dramática, porque se as FARC chegarem mesmo ao poder político na Colômbia, será o fim de todos nós. Fiquem com Deus e até a próxima!

05 de setembro de 2012
Escrito por Graça Salgueiro

http://notalatina.blogspot.com


A MÁFIA QUE GOVERNA A RÚSSIA

    
          Internacional - Rússia 
       
GodfatherPutin
Embora o percentual de assassinatos de jornalistas russos seja maior que o de jornalistas ocidentais, um passaporte ocidental nada garante.

O fato de a televisão russa estar nas mãos da KGB e dos jornalistas estarem sendo rotineiramente assassinados (e seus assassinos continuando soltos) é apenas a ponta de um iceberg muito maior de uma Guerra Fria.

 
Na segunda-feira (7/11/2011) eu conversei com Luke Harding, chefe do escritório em Moscou do jornal britânico The Guardian que foi expulso da Rússia em 5 de fevereiro de 2011.
 
“Para você a Rússia está fechada” foi o que ele ouviu quando retornava para Moscou após uma curta viagem à Grã-Bretanha.
O passaporte russo dele foi anulado e ele foi enxotado do país, mesmo sob protesto de seus colegas de profissão e amigos e mesmo ele tendo uma casa em Moscou (que por sinal fora invadida anteriormente pela polícia secreta russa a fim de intimidar Harding e sua família).
 
O Kremlin possui meios especiais de passar recados para os jornalistas que não cooperam: invadem a casa deles, mudam os objetos de lugar, abrem as janelas do décimo andar dos quartos das crianças e, se tudo isso falhar, eles expulsam o crítico indesejado do país.

 
Os efeitos colaterais desse tipo de ação não podem ser ignorados. Mas, segundo Harding, aqueles que dominam a Rússia – os siloviki – não estão muito interessados em ter boas relações com a Grã-Bretanha ou Estados Unidos.
Eles não dão a mínima para a nossa boa opinião. Eles estão mais preocupados em controlar a dissidência; e punir um jornalista britânico negando a ele acesso à Rússia serve de aviso para todos os jornalistas estrangeiros em Moscou. Não critique o Estado russo. Não critique a FSB ou o Presidente Putin.
 
 “Penso ser importante manter a honestidade ao falar sobre o regime de Putin”, explica Harding. O governo russo discorda violentamente.
 
Harding é bravo e, talvez, sortudo. Ele poderia ser raptado e morto, como sua colega Natalya Estemirova (amiga de Anna Politovskaya, uma crítica de Putin que foi morta a tiros em 7 de novembro de 2006, o dia do aniversário de 54 anos de Putin).
Embora o percentual de assassinatos de jornalistas russos seja maior que o de jornalistas ocidentais, um passaporte ocidental nada garante. Paul Klebnikov da revista Forbes morreu após levar quatro tiros em 9 de julho de 2004 em uma rua de Moscou. O editor da Forbes russa, ao expressar sua opinião, disse que o assassinato de Klebnikov estava ligado às “atividades profissionais” do jornalista no país.
 
Luke Harding escreveu um livro sobre suas experiências na Rússia intitulado Mafia State: How one reporter became an enemy of the brutal new Russia.
É o relato de um homem decente que entrou em uma zona política indecente. Harding tentou deixar claro na entrevista a necessidade da distinção entre o caloroso e de bom coração povo russo e os gângsteres no comando do país. “A Rússia não é a nossa inimiga”, disse. Os chefes do Kremlin e seus serviços de segurança são o problema.
Descrevendo a mentalidade de Putin como “empacado na Guerra Fria”, Harding disse que o Estado russo é uma competição caótica de interesses com atitudes soviéticas predominando nos altos níveis. “Eles não gostam dos Estados Unidos”, enfatizou.
 
Há alguma esperança de mudança positiva? Harding acha que não há perspectiva imediata de uma revolução laranja ou coisa do tipo na Rússia. “Talvez em quatro anos, ou dez”, explicou. Parece haver pouca dúvida de que Putin será eleito presidente no próximo ano [NT: Este artigo foi escrito em 2011].
 
Perguntei a Harding acerca da declaração do ex-presidente ucraniano Leonid Kravchuk sobre Putin estar “um escalão abaixo” dos verdadeiros governantes da Rússia. Harding descartou a ideia, dizendo que claramente era Putin quem estava no comando; embora em outra ocasião Harding tenha admitido que o sistema russo seja nebuloso. Em seu livro ele escreveu: “Em uma cidade inclinada à rumores e teorias da conspiração, é razoável dizer que durante o período de Medvedev poucas pessoas em Moscou realmente sabiam o que se passava no Kremlin. Mesmo o governo russo parece estar afundado na escuridão”.
 
Não podemos esquecer que Harding está escrevendo sobre um país que tem milhares de ogivas nucleares posicionadas estrategicamente, incluindo o ICBM mais avançado do planeta, o SS-27. O fato de a televisão russa estar nas mãos da KGB e dos jornalistas estarem sendo rotineiramente assassinados (e seus assassinos continuando soltos) é apenas a ponta de um iceberg muito maior de uma Guerra Fria.
 
O frio, por assim dizer, continua. Se a “nova” Rússia pode ser caracterizada como um regime de assassinato e censura doméstica, há alguma campanha russa de espionagem e subversão se propagando nos países estrangeiros?
 
Perguntei para Harding sobre o ex-agente da KGB Alexander Lebedev, um bilionário russo que atualmente é dono de dois jornais britânicos. “Ele não é o típico oligarca russo”, respondeu Harding, que descreveu Lebedev como “charmoso”, culto e elegante. “Como você se sente com um ex-agente da KGB sendo dono de dois jornais britânicos?”, perguntei. Embora Harding pessoalmente goste de Lebedev, ele não está completamente à vontade com a posição de Lebedev.
 
Estaria Lebedev usando seus jornais como instrumento de ocultação das notícias na Inglaterra? Supostamente Lebedev não interfere na política editorial, “Mas seus jornais esqueceram de analisar meu livro”, admite rindo Harding. Seria esse um inocente equívoco? Perguntei à Harding porque Lebedev não lida com o campeão mundial de xadrez e crítico de Putin, Garry Kasparov; ele admitiu que provavelmente Lebedev fosse um agente do Kremlin.
 
Então o que mudou na Rússia desde a queda da União Soviética? O rótulo comunista foi removido e a doutrinação ideológica não acontece mais. Mesmo assim o instrumento da ditadura continua com uma mentalidade soviética e um vasto arsenal nuclear; opressão e censura em casa, subversão no resto do mundo.
 
 Escrito por Jeffrey Nyquist
 
Publicado no FinancialSense.com

O STF DO B

    
          Artigos - Governo do PT 
Roberto Gurgel afirmou que não entrou com pedido de impedimento de Toffoli para não atrasar ainda mais a ação penal. Lorota. Ele poderia ter entrado com o pedido quando Toffoli foi nomeado ministro do STF, em 23 de outubro de 2009. Por que não o fez?

Com o julgamento da Ação Penal 470 (Mensalão) no Supremo Tribunal Federal (STF), observou-se que a Suprema Corte brasileira tem também o STF do B.
Trata-se de ministros que foram nomeados por Lula e estão comprometidos com o PT, não com o Estado brasileiro, ao qual deveriam servir por força institucional e prerrogativa funcional. Tudo de acordo com os preceitos do Catecismo Gramscista, de ocupação de espaços e cooptação política, seguidos com fé a ardor pelo petismo.
 
Eu utilizo a expressão STF do B em analogia a CNBdoB, criada pelo pensador e escritor José Osvaldo de Meira Penna, presidente do Instituto Liberal de Brasília. Em analogia a PCdoB, Meira Penna se refere aos padres de passeata e bispos vermelhos da CNBB, que causaram estragos profundos na Igreja Católica do Brasil.
 
O ministro Ricardo Lewandowski é um componente do STF do B. Isso ficou provado com seu voto a favor da absolvição do deputado petista João Paulo Cunha, apesar das inúmeras provas de seu malfeito constantes dos autos. Amigo íntimo da família Lula e petistas do ABC paulista, Lewandowski se comportou como advogado de defesa do réu, não como juiz.
 
Porém, o exemplar mais pomposo do STF do B é o jovem ministro José Antonio Dias Toffoli. Toffoli é um jabuti que está acocorado num poste.
Se o jabuti está acocorado num poste, é porque alguém o colocou lá - Lula da Silva. Exige-se de um ministro do Supremo altos méritos intelectuais, vasto saber jurídico, honradez de caráter e integridade moral, além de outros predicados.
 
O único predicado que habilitou o jabuti a ser ministro do Supremo foi ter sido advogado do PT e de Lula, porque seu currículo é ridículo para a função que ocupa. Não tem cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado, não conseguiu passar em concurso público (estadual), mas passou a ser um fiel servidor do petismo, como se observou no processo do Mensalão, sendo o único ministro que acompanhou o voto de Lewandowski pela absolvição de João Paulo Cunha.
Toffoli ficou rico trabalhando para o PT. Só na campanha de Lula pela reeleição recebeu R$ 1 milhão.
 
É claro que nem todos os ministros do Supremo ligados ao PT e Lula votam automaticamente a favor do PT e de seus malfeitores. Um salutar exemplo de que o cargo vitalício deve ser usado em favor da República e não de interesses partidários é o ministro Carlos Ayres Britto, atual presidente do STF.
 
Candidato pelo PT a deputado estadual do Sergipe, em 1990, e amigo íntimo de Lula de longa data, Ayres Britto provou que é um homem honrado ao votar pela condenação de mensaleiros, inclusive petistas.
 
Aliás, coube a Ayres Britto acelerar o início da votação do Mensalão, contrariando o revisor Lewandowski, que estava revisando e Lewando, Lewando, Lewandowski a ação a passos de cágado, de modo a jogar o processo para 2013, quando muitos dos crimes petralhas já estariam prescritos.
 
Vá lá, o jabuti foi colocado no poste, não há como tirá-lo de lá, a não ser que caia. Ele vai ficar pendurado no poste por uns trinta anos, caso seja aumentado para 75 anos a idade da aposentadoria compulsória para os ministros do STF.
 
No entanto, o jabuti deveria ter um mínimo de bom senso e compostura, e se declarar impedido de participar do processo do Mensalão, já que tem relações estreitas com José Dirceu, um dos réus, com quem trabalhou na Casa Civil, de 2003 a 2005.
 
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que não entrou com pedido de impedimento de Toffoli para não atrasar ainda mais a ação penal. Lorota. Ele poderia ter entrado com o pedido quando Toffoli foi nomeado ministro do STF, em 23 de outubro de 2009. Por que não o fez?
 
Aliás, foi por obra do engavetador-geral, sósia de Jô Soares, que Lula não foi indiciado no processo do Mensalão, por sua ligação promíscua com o BMG – Banco Mensalão do Governo.
Lula foi garoto-propaganda daquela instituição e remeteu mais de 12 milhões de cartas a aposentados e pensionistas, propondo empréstimos consignados a juros camaradas.
Os lucros do BMG foram às alturas, de modo que o Banco se deu ao luxo de enfeitar as camisas de 35 clubes de futebol do Brasil em 2011.
 
Toffoli é um jabuti jovem. Tem pela frente uns trinta anos para se manter pendurado no poste. Não será novidade se votar pela absolvição de José Dirceu. O jabuti foi colocado no poste com este propósito. No entanto, espera-se que, em três décadas, o jabuti se aperfeiçoe intelectualmente, faça mestrado e doutorado, e passe a votar de acordo com os princípios da honradez pessoal, não a favor de interesses petralheiros.
 
05 de setembro de 2012
Félix Maier

A CAMPANHA ANTITABAGISTA E O ESTADO TOTALITÁRIO

       
          Artigos - Direito

Por que uma campanha antitabagista tão virulenta e um “oba-oba” com relação às drogas em nível mundial? Incoerência global ou movimento calculado?


Sempre detestei a fumaça de cigarro, talvez por ter sido asmático quando criança. Por isso, comemorei a lei anti-fumo em lugares fechados.
 
Hoje, no entanto, vejo que a batalha contra o tabagismo foi longe demais: tornou-se uma campanha alarmista, moralista e mentirosa.
 
Por que o Estado me obriga a ver imagens terríveis de pessoas agonizando ou de fetos mal formados cada vez que eu, um não-fumante, entro em uma banca de jornal? Como afirmar em propagandas oficiais espalhadas em cartazes de aeroporto que o cigarro mata mais que as guerras?
 
A insanidade da coisa é tanta que enquanto o STF libera a “marcha da maconha”, clara apologia ao crime, a ANVISA quer acabar com a indústria do tabaco, que gera milhares de empregos. E lamentavelmente, o Brasil não é exceção. Ao contrário, seguimos totalmente a tendência mundial.
 
Os possíveis malefícios do cigarro já são mais do que notórios e públicos. O Estado acha que uma pessoa com 16 anos já pode votar e com 18 anos já alcança a maioridade penal e está apta a dirigir um carro. Por que, então, com a mesma idade, ela não teria capacidade de escolher se fuma ou não?
 
O tabaco é a “droga” mais inofensiva para a sociedade porque não altera o livre arbítrio de quem a consome, ao contrário de outras substâncias, entre elas, o próprio álcool. E, por isso, deve ser tolerado.
 
O Estado, só deve interferir na decisão individual quando um individuo desrespeita a liberdade alheia.
Em um lugar fechado, me parece adequado haver restrições ao fumo. Mas e dentro do próprio carro? Sim, há leis que querem proibir um fumante acender um cigarro dentro de seu próprio veículo. Em Nova York, já é proibido fumar na calçada.
 
Um certo doutor alarmista com “cara de doente” afirma que o cigarro vicia mais que o crack e, por isso, seria mais perigoso. É claro que este argumento não tem a menor lógica.
 
Em uma sociedade livre, cada indivíduo possui o livre-arbítrio para escolher se “viciar” no que quiser, mesmo que isso não seja saudável, desde que permitido pela legislação em vigor.
 
No ano do centenário de seu nascimento, muitos lembraram que o saudoso Nelson Rodrigues, viciado em jogos de futebol, foi impedido pela família de assistir as partidas decisivas do seu time de coração, o Fluminense, para preservar a sua saúde.
 
Eu, assim como Nelson, sou viciado em jogos de futebol e “tricolor de coração”. Quando o Flu ganha, fico eufórico. Quando perde, fico deprimido, às vezes doente.
 
Será que pensando no meu bem-estar - e de milhões de brasileiros -, o governo irá elaborar uma legislação para me impedir de ver “jogos para cardíacos” só porque sei a escalação do time campeão carioca de 1995? Ou por que sei a ordem dos pênaltis batidos na final da Copa de 1994?
 
Será que vão proibir que se frequente a praia sem protetor solar? Vão fiscalizar se as pessoas lavam a mão antes de comer? Será que vão proibir a batata frita? Bem, em Nova York já se gasta dinheiro alertando os consumidores dos “males” da batata frita. A proibição parece uma questão de tempo. Parece absurdo?
 
Pois é, mas estamos falando de uma prefeitura que encontrou uma brecha na legislação para, através de decretos municipais, limitar o direito de cidadãos de portarem armas, algo garantido pela 2ª emenda da Constituição dos EUA. Claro, a limitação do porte de armas é pensada para “proteger” o cidadão.
 
Cito as leis nova-iorquinas porque são o exemplo mais bem acabado de legislações que interferem indevidamente na vida dos cidadãos com a desculpa de protegê-los de si mesmos.
 
Esse fenômeno está sendo chamado de “Estado Babá” ou no original, o “Nanny State”, pelos conservadores americanos.
 
A história ensina que o “Estado babá”, quanto mais se fortalece, se transforma no “Estado totalitário”.
E todos os Estados totalitários que já tivemos notícia “cuidaram” da saúde de sua população, baseando-se na crença de que o cidadão “pertence” ao Estado.
 
A convicção autoritária sobre o cidadão encontra eco desde a cidade-estado grega Esparta, mas dois personagens do século XX ilustram bem essa lição.
 
Sir Winston Churchill, o grande estadista britânico, era conhecido por ser um fumante compulsivo, em especial, de charutos cubanos.
 
Quando Hitler se vangloriou de não beber e não fumar tornando o povo alemão mais “saudável” com seu exemplo, o líder britânico replicou: "Fumo e bebo sem moderação. Em compensação, durmo tranquilo todas noites com a minha consciência."
 
Em sua última estadia em Cuba, no ano de 1946, o ainda primeiro-ministro da Grã-Bretanha visitou a fábrica Romeo y Julieta que, após o fato, deu o nome de seus charutos longos de "Churchill". Era uma homenagem para aquele que se tornou um excepcional “garoto-propaganda” da marca cubana.
 
Churchill viveu “apenas” 90 anos - dos quais 65 anos como fumante-, o suficiente para ganhar o prêmio Nobel de Literatura e liderar o mundo livre contra o regime nazista, que proibia o fumo, mas que prescrevia morfina, anfetaminas e cocaína para que seus soldados lutassem melhor.

O dia 29 de agosto tornou-se o ‘Dia Nacional de Combate ao Fumo’. É o dia perfeito para a seguinte reflexão: por que uma campanha antitabagista tão virulenta e um “oba-oba” com relação às drogas em nível mundial? Incoerência global ou movimento calculado?

Quem, como eu, tem por hábito acompanhar as matérias do Mídia sem Máscara, já sabe a resposta.

Escrito por Rodrigo Sias

Rodrigo Sias é economista.
Artigo publicado originalmente no jornal Brasil Econômico, edição n. 754, ano 4, do dia 29 de agosto de 2012, em uma versão reduzida. Foi adaptado pelo autor para publicação no Mídia sem Máscara.
A versão original está disponível aqui.