"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 3 de julho de 2013

DE ONDE SAIU ESSE PLEBISCITO?

 

pt8

É como na história da namorada, depois esposa, depois ex-esposa:
Quer testar um “guerrilheiro da democracia” dos “Anos de Chumbo”? Ponha ele no poder. Quer conhecê-lo de fato? Ameace tirá-lo do poder.
Eu sempre soube que o Brasil só conheceria o PT real na hora em que ele estivesse realmente ameaçado de perder o poder.
Agora ele está.
De 70 e tantos para 57% e daí para 30% em menos de quatro semanas é um trambolhão de que será difícil levantar. Ainda mais a Dilma que está mais perdida que cego em quarto escuro procurando um gato preto que não está lá.

pt7

Sempre tem o Lula, é verdade. E seria até bem feito se fosse ele que tivesse de descascar o abacaxi peludo que a Dilma vai deixar em vez de passar o resto dos seus dias no bem bom agora que enricou.
Isso seria o definitivo “reforço” da vacina anti populismo que o povo brasileiro está começando a tomar agora e ainda vai doer muito, mas muito mesmo.
Mas um pálido consolo porque quem vai descascar esse abacaxi pra valer como sempre somos nós mesmo.
De qualquer jeito, o momento é dos mais perigosos. Quando gente como o Rui Falcão começa a salivar incontidamente é porque a liberdade e a democracia estão seriamente ameaçadas de tomar uma mordida potencialmente fatal.

pt1

Em primeiro lugar, pense bem: de onde foi que saiu essa ideia de plebiscito?
Da “voz das ruas” é que não foi. Eu não vi nenhum cartaz pedindo “Plebiscito já!” Os que eu tenho visto, aliás, falam de coisas que não requerem reforma nenhuma. O que se pede, no mais das vezes, é só que se cumpra as leis existentes e que elas valham para todos.
Acabar com a impunidade dos dois tipos de criminosos que nos infernizam a vida, hospital melhor, escola melhor, menos rapinagem no uso do dinheiro publico, etc., nada disso precisa de plebiscito nem de mexida na Constituição.
É só começar. Por os 80% de sócios que o governo tem no Congresso votando as coisas certas.

pt2

Em vez disso dona Dilma tira um plebiscito da cartola e começa a chamar, dia após dia, todos os “movimentos sociais” que foram explicitamente escorraçados de todas as manifestações que tentaram usurpar com suas bandeiras vermelhas para sentarem à mesa onde o PT pretende elaborar a pauta do “seu” plebiscito.
Impossível não pensar que “aí tem”, ainda que esteja claro pra qualquer pessoa com um pingo de juízo que se esses malucos golpistas prevalecerem arriscam levar o país a uma guerra civil.
A questão espinhosa, porém, é que o problema real que dona Dilma foi construindo com sua arrogância e sua incompetência autoritárias é de um tamanho e de uma profundidade tais que já não tem conserto. E ninguém sabe melhor disso do que eles. A economia vai chegar em frangalhos a outubro de 2014. Tem uma metade do país – mais os estrangeiros todos que bateram asas, coisa que vai acelerar muito esse processo – que já se deu conta do que vem vindo aí. E essa metade, que está nas ruas, já deixou claro que está perdida pro PT.

pt12

O risco de perder o poder e ter a verdadeira “caixa preta” aberta pro país inteiro saber o quanto é pouco o que ele já sabe e o indigna tanto, coisa que levaria muita gente boa pra trás das grades, é real.
Assim, estão jogando para esse Congresso marrom e cúmplice que o Lula criou a alternativa de aderir ao golpe para salvar a pele ou se apresentar ao público como “surdos à voz das ruas”.
Essa sinuca de bico é a lenha ideal pra fogueira de um plebiscito envenenado.
A aposta, portanto, parece ser a de que, com um plebiscito, o outro Brasil sem internet também virá às urnas insuflado por discursos sabor “luta de classes”, podendo a “Primavera Brasileira” sofrer o mesmo destino das “Primaveras Árabes” que começaram com a classe média ilustrada e conectada pedindo liberdade nas ruas e acabaram com as multidões penduradas nas “bolsas” lá dos fundões aprovando governos islâmicos mais duros que os que tinham sido derrubados.

pt13

Taí, pra não me deixar mentir, o Egito chamando o exército pra ver se sai da encalacrada.
Uma reforma política mais ampla via plebiscito, poderia até ser uma resposta, já que não se pode esperar muito do Congresso Nacional que temos em matéria de reformas a nosso favor.
Mas para se provar honesta, ela teria de começar pelo afastamento da hipótese golpista pelo expediente simples de definir, desde já, que o que o plebiscito decidir só vale pra 2016. E então começar a procurar com calma caminhos para montar uma pauta honesta para ele.
Em vez disso, a senhora “presidenta” que não pode nem mostrar a cara no Maracanã, convoca a cada dia um dos “Não nos representa!” para “representar o povo” na mesa de negociações do “seu” plebiscito.
Se for por esse caminho vamos mal…

pt11

03 de julho de 2013
vespeiro

POR QUE BRIZOLA DIZIA QUE O PT É A UDN DE MACACÃO E TAMANCOS?


Nos idos dos anos 80, Leonel Brizola cunhou uma frase sobre o PT dizendo:

 “O PT é a UDN de macacão e tamancos”.

Referia-se aos preconceitos e discriminações que tinham sobre os trabalhistas do PDT.E sutilmente dizia à sociedade: Não se enganem Lula é um político de direita.
Posteriormente, Darcy Ribeiro cunhou outra frase: “O PT é a esquerda que a direita gosta”.
O certo é que toda essa balbúrdia foi provocada pelo Lula.Sabendo que para dominar oito milhões de quilômetros quadrados, com mais de 190 milhões de brasileiros dentro , precisa de duas coisas: Ganhar a presidência e o governo de São Paulo em 2014.
Antecipou-se lançando, três anos antes do previsto, Dilma como presidente.

Preparou o PT e seus filhinhos PSOL e PSTU e “foram para as ruas aproveitarem-se das palavras do profeta”. Acontece que perderam o controle, as massas tinham muitas outras reivindicações. Vem agora Lula manobrando um protesto das Centrais Sindicais, com apoio da UNE, MST e parte das 200 mil ONGs que financia, tentando colher louros dos movimentos acontecidos.
Mais uma do feiticeiro.
Tem como amigo observador o homem da CIA chamado Stanley Gacek. Não se enganem, da CIA mesmo. Hoje esse sinistro personagem, amicíssimo de Lula, é diretor adjunto da Organização Internacional do Trabalho. Veio a Luziânia no III Congresso da Nova Central Sindical e ficou por aqui conversando com o amigão Lula para ver os acontecimentos. Quem quiser e puder, desminta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG

É difícil desmentir, porque Stanley Gacek já foi chamado de “guru de Lula no sindicalismo dos EUA” aqui mesmo na Tribuna, por nosso comentarista internacional Argemiro Ferreira.Casado com a brasileira Liliane Fiúza, Gacek fala português fluentemente. Em 1980, quando Lula ficou preso por 31 dias, ele veio ao Brasil para demonstrar a “solidariedade” da poderosa AFL-CIO (Federação dos Trabalhadores das Indústrias dos EUA) ao sindicalista brasileiro.
Em 1981, Gacek levou Lula a Varsóvia para trocar figurinhas com Lech Walesa, o metalúrgico de Gdansk que recebeu toda ajuda da CIA para minar o governo da Polônia e chegar à presidência.  Por fim, foi Gacek quem promoveu, em 1992, o primeiro encontro do Banco Mundial e do FMI com 80 líderes sindicais latino-americanos, incluindo Lula.
Muito conhecido no PT, onde é chamado de Stan, o sindicalista da AFL-CIO se mete também com negócios financeiros, representando interesses de fundos de pensão americanos que investem no Brasil. (C.N.)

03 de julho de 2013
Antonio Santos Aquino

PROTESTOS CONTRA A CONTRATAÇÃO DE MÉDICOS ESTRANGEIROS


Médicos e estudantes de Medicina ocuparam ruas de Belo Horizonte e de outras cidades mineiras no fim da tarde e início da noite desta quarta-feira para cobrar investimentos em Saúde por parte dos governos e protestar contra a contratação de profissionais estrangeiros, como defende o Executivo federal, que tem preferência pelos médicos de Cuba.

Na capital, ao menos 2 mil pessoas participaram de passeata que saiu da área hospitalar da cidade, deu a volta na Praça Sete de Setembro – principal ponto de concentração dos manifestantes que promovem, nas últimas duas semanas, os maiores atos já registrados – e voltaram para a Associação Médica de Minas Gerais, também no Centro, onde realizaram assembleia durante a noite.

Houve protestos em outras cidades, inclusive Brasília, onde os médicos se concentram na Esplanada dos Ministérios.

03 de julho de 2013
Marcelo Portela (Estadão)

REFORMA POLÍTICA: PRESIDENTE DO PPS DIZ QUE PMDB FOI FUNDAMENTAL AO RECHAÇAR PLEBISCITO

 

Tentativa frustrada – Presidente nacional do PPS, o deputado federal Roberto Freire (SP) considerou “fundamental” a posição da bancada do PMDB na Câmara para inviabilização da proposta da presidente Dilma Rousseff de realização de um plebiscito sobre a reforma política.

Em reunião realizada ontem na Casa, os deputados do partido se colocaram contra a iniciativa.

“O papel fundamental para a afirmação do Congresso Nacional, que não pode ser responsabilizado pelo Planalto por não atender aos reclames das ruas, foi exercido pela bancada do PMDB”, disse Freire.

O parlamentar defendeu a reforma política, mas ressalvou que ela deve ser votada pelo Congresso e depois submetida à consulta popular por meio de um referendo. Da mesma forma, os peemedebistas afirmaram, em nota, que é esta a forma de ouvir a opinião da sociedade sobre o tema. “Assim fica garantido o cronograma eleitoral, com eleições gerais dentro das regras que estão valendo, sem casuísmos”, declarou Freire.

Diversionismo

O presidente do PPS salientou que a presidente não deu respostas concretas ao clamor das ruas. “As manifestações pediam o fim da corrupção no governo. Ela não tocou neste ponto e ainda manteve ministros e partidos que já haviam sido escorraçados por causa de corrupção”.
Sem tomar nenhuma medida que atendesse às reivindicações expressas nas manifestações que tomaram conta do país, disse Freire, a presidente “partiu para o diversionismo, primeiro pelo golpismo, com a proposta de constituinte exclusiva e, após recuo nesta proposta absurda, refugiou-se no plebiscito”.

Freire lembrou que o Parlamento vem dando respostas às ruas com atitudes como a rejeição da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 37, que impedia o Ministério Público de investigar, e a transformação da corrupção em crime hediondo. “Ao enviar a proposta de plebiscito, Dilma criou não só um inconveniente político nas relações com o Congresso, mas também foi responsável por uma proposta inadequada”, afirmou.
Para o deputado, um plebiscito não pode tratar de assunto tão complexo como código eleitoral e uma lei partidária.

Um exemplo de que a proposição de plebiscito por parte da presidente “não é séria e de que se trata de diversionismo é que consta da lista de questões enviada pelo Palácio do Planalto o voto secreto, que já está em vias de votação na Câmara, o que demonstra oportunismo”.
A proposta enviada pela presidente é “pífia e mostra inconsistência, ao trazer assunto que não diz respeito à reforma política e até questões que são afeitas ao Congresso”.

Reivindicações

Freire lembrou que a reforma política é necessária, mas em nenhum momento foi objeto de reivindicação nos protestos. “Houve, sim, crítica aos políticos e aos partidos, mas não exigência de reforma política, como foi o caso do foco na melhoria dos serviços nas áreas da saúde, educação e mobilidade urbana, além da corrupção desenfreada no governo.
Atender a todos esses clamores depende do Executivo, não adianta querer passar a responsabilidade para o parlamento”.

O presidente do PPS ressalta também que o custo exagerado dos estádios de futebol para as copas foi um dos catalisadores para as manifestações. “Isso era o que pontificava nos protestos e suas difusas reivindicações”. O assunto, salientou, diz respeito diretamente ao governo federal, que flexibilizou a lei de licitações, criou o RDC (regime diferenciado de contratação) e abriu brecha para a corrupção.

03 de julho de 2013
ucho.info

BASE ALIADA DO GOVERNO COMEÇA A SE POSICIONAR CONTRA A PROPOSTGA DE PLEBISCITO PARA A REFORMA POLÍTICA

 

Turma do contra – Não bastasse os entraves políticos e burocráticos para a realização de um plebiscito neste ano, a presidente Dilma Rousseff enfrenta a rebelião de boa parte da chamada base aliada, que percebeu a manobra palaciana que tem como objetivo a criação de caminhos que levam ao totalitarismo esquerdista.

Diante de câmeras e microfones a cautela tem predominado, mas nos bastidores as declarações são contundentes. Na tarde desta quarta-feira (3), o senador Pedro Taques (PDT-MT) ocupou a tribuna da Casa e chamou de farsa a proposta enviada ao Congresso por Dilma Rousseff. Depois de comparar o pacto apresentado pela presidente com a montanha parindo um rato, Taques confirmou tese antecipada pelo ucho.info e disse que o objetivo do governo é promover uma reforma eleitoral, não uma reforma política.

O parlamentar pedetista que uma reforma política precisa ser muito mais ampla do que o projeto palaciano, devendo discutir inclusive a reeleição dos ocupantes de cargos majoritários, como é a Presidência da República. Pedro Taques lembrou que o candidato à reeleição não pode ter privilégios, como forma de preservar o princípio da igualdade e da isonomia na disputa eleitoral. Ou seja, os representantes do Executivo não podem se valer da máquina estatal para alavancar suas campanhas com vistas à reeleição.

Pedro Taques foi antecedido pelo senador Ivo Cassol (PP-RR), outro integrante da base aliada. Cassol declarou cm excesso de clareza que votará contra a proposta do plebiscito, caso a matéria seja levada à discussão mesmo depois de tantas contrariedades. Se insistir no tema, Dilma cometerá um enorme erro político.

03 de julho de 2013
ucho.info

FIM DA FARRA

Deputado da oposição apresentará PEC que acaba com a contribuição sindical obrigatória

O deputado federal Augusto Carvalho (PPS-DF) já está colhendo assinaturas para apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) prevendo a extinção da contribuição sindical obrigatória.

Com isso, o parlamentar abre uma nova frente contra o repasse bilionário dos recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) para as centrais e sindicatos. Ex-presidente do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal, o parlamentar afirma que o imposto obrigatório é o grande responsável pela proliferação de sindicatos no país com baixa representatividade.

Todos os trabalhadores com carteira assinada, sindicalizados ou não, são obrigados a contribuir, uma vez por ano (no mês de março), com o imposto. O desconto no contracheque é equivalente a um dia de trabalho.

“Se os trabalhadores e os empresários tivessem a chance de manifestar, seja através de plebiscito ou referendo, sobre o que pensam da estrutura sindical do país, acredito que esse famigerado imposto sindical já teria sido extinto”, afirmou Augusto, em pronunciamento.

A proposta de Augusto Carvalho determina que os trabalhadores devem decidir, em assembleia das respectivas entidades, se querem pagar o imposto ou não.

Para o deputado, a retirada do pagamento obrigatório vai fazer com que muitas entidades sindicais de fachada, criadas apenas para receber o dinheiro advindo da contribuição, sejam extintas. “São mais de dois bilhões de reais por ano que saem do bolso dos trabalhadores para instituições que, muitas vezes, não têm representatividade, nem de trabalhadores, nem de empresários, a não ser para custear uma farra e uma estrutura sindical absolutamente fraudulenta”, criticou.

Augusto Carvalho condenou ainda a postura das centrais sindicais, especialmente a CUT (Central Única dos Trabalhadores). Segundo o deputado, a central que reúne o maior número de filiados ao Partido dos Trabalhadores, que encampou, junto com o então PCB, a luta contra a cobrança obrigatória, “tem o dever de ser coerente com sua história”.

03 de julho de 2013
ucho.info

MARILENA CHAUÍ: BURRA, CEGA, CANALHA OU DOIDA? SOU PELO PALPITE QUÁDRUPLO!


“Não foram poucos os que, pelos meios de comunicação, exprimiram sua perplexidade diante das manifestações de junho de 2013: de onde vieram e por que vieram se os grandes problemas que sempre atormentaram o país (desemprego, inflação, violência urbana e no campo) estão com soluções bem encaminhadas e reina a estabilidade política?”
 
(Marilena Chauí comentando sobre o povo nas ruas)

A frase de Joelmir Betting nunca foi mais apropriada:
 
“A questão não é que o PT não enxerga a solução, é que o PT não vê o problema”
 

ONDE ESTÁ LULA?


 
03 de julho de 2013

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE




03 de julho de 2013
 

O CINISMO DE HENRIQUE ALVES AVISA QUE OS DONOS DO PODER SUBESTIMAM A VOZ DAS RUAS

Na semana em que a multidão indignada ocupou o teto do Congresso, o deputado Henrique Alves não se teria arriscado a requisitar um jato da FABTur para ver um jogo de futebol no Maracanã.

Na semana em que milhares de manifestantes voltaram a sitiar a sede do Poder Legislativo, o presidente da Câmara não teria ousado embarcar numa unidade da Aeronáutica um filho, a noiva, dois filhos da noiva, um irmão da noiva e a cunhada da noiva. Um pai-da-pátria e sete agregados.

Se a onda de atos de protesto estivesse em seu clímax, o parlamentar do PMDB potiguar não teria acrescentado uma história muito mal contada ao pontapé no decoro, na ética, na moral e nos bons costumes. Descoberta a agressão ao patrimônio público, Henrique Alves argumentou que viajara, justo na véspera da final da Copa das Confederações, para conversar com o prefeito Eduardo Paes. Devem ter debatido a ida de Neymar para o Barcelona e as performances do artilheiro Fred.

Para reparar o que qualifica de “um erro”, o gerente da Casa dos Horrores promete entregar ninguém sabe a quem uma quantia equivalente a sete passagens de ida e oito de volta (um amigo do irmão da noiva juntou-se aos passageiros do avião da alegria no retorno ao Rio Grande do Norte). Feito isso, a página estará virada.

É muita desfaçatez. É muito descaramento. É mais uma prova de que os destinatários se recusam a receber a claríssima mensagem das ruas: milhões de brasileiros já não aceitam ser tratados como idiotas. Estão fartos de bancar a gastança dos debochados no poder. Paciência tem limite. A dos brasileiros honestos chegou ao fim.

Henrique Alves e seus iguais devem imaginar que, como anda recitando o marqueteiro João Santana, o que houve neste junho foi apenas “uma catarse temporária”. Estão brincando com fogo ─ literalmente. Desde o começo da revolta da rua, os donos do poder nada fizeram para eliminar os motivos que mobilizaram, em centenas de cidades, incontáveis manifestantes. O copo até aqui de náusea vai transbordar de novo.

O elenco do espetáculo do cinismo decerto ignora que, minutos antes do tsunami, as águas se afastam da praia. É um recuo enganoso. Avisa que a onda imensa começou a avançar.

03 de julho de 2013
augusto nunes

CONGRESSO DERRUBA 1478 VETOS PRESIDENCIAIS. IMPACTO PODE CHEGAR A R$ 500 BILHÕES


Numa resposta ao Palácio do Planalto, o Congresso declarou nesta quarta-feira (3) a anulação de 1.478 vetos que se acumulavam sem votação pelo Legislativo há mais de dez anos.
A nulidade abre caminho para que os deputados e senadores retomem a votação dos vetos, que estava parada no Congresso, permitindo aos congressistas barrar decisões da presidente Dilma Rousseff e até mesmo colocar para andar uma "pauta bomba" de vetos para o governo, como o fim do fator previdenciário. 

Os vetos foram declarados nulos por se relacionarem a leis que já foram revogadas, ou a matérias que perderam a validade -- como no caso de antigos orçamentos da União.
"O que não faria sentido era votar vetos inócuos, superados pelo tempo", disse o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL).
Como há mais de três mil vetos na pauta do Congresso que não foram votados até hoje, os deputados e senadores ainda terão que analisar cerca de 1.500 --mas discutem um mecanismo para reduzir esse número. 
 
Entre os líderes da Câmara e do Senado, ganha força a manobra para que cada sigla escolha dois vetos, entre os restantes, a serem analisados. Os que não forem "escolhidos" seriam automaticamente declarados prejudicados. Renan marcou para a próxima quarta-feira reunião com os líderes dos partidos para definir qual critério será adotado para a votação dos vetos restantes. 
 
"Temos que ouvir a todos. Está havendo a obstrução das votações dos vetos em função da inexistência de critérios para que os vetos possam ser apreciados. A apreciação dos vetos é a última etapa do processo legislativo. Enquanto isso não acontece, o processo legislativo não está completo", disse Renan.
 
O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), reclamou dessa ideia de escolhas aleatórias dos vetos para votação. "Se for definir veto por reivindicação, você não tem uma regra clara para ser votada. Pode parecer democrático, mas não é estável", disse. 
 
Deputados cobram do Senado a votação de um projeto de resolução que estabeleça que os vetos passem a trancar a pauta de votação do Congresso se não forem analisados em 30 dias. A Constituição estabelece apenas que eles precisam ser analisados em um mês, prazo que não é cumprido pelo Legislativo, mas não determina o trancamento da pauta --o que impede a votação de outras matérias pelo plenário do Congresso. 
 
O primeiro veto que será analisado pelo Congresso, segundo Renan, é o que permite a familiares de taxistas que morrerem herdarem a concessão do táxi.
O Legislativo aprovou o benefício, mas ele foi vetado pela presidente Dilma Rousseff. De acordo com a AGU (Advocacia Geral da União), a derrubada de parte dos vetos que estão nas gavetas do Congresso pode gerar um prejuízo de R$ 471,3 bilhões aos cofres públicos. 


O governo teme a análise de "vetos bombas", como o do fator previdenciário, Código Florestal e a revisão do crédito tributário prêmio do IPI, aprovado em 2010 por meio de uma medida provisória que, se cair, vai gerar impactos de R$ 280 bilhões aos cofres públicos.
 
(Folha Poder)
 
03 de julho de 2013
in coroneLeaks

O ROMBO OCULTO DO COMÉRCIO! "BURACO DE US$ 3 BILHÕES NO COMÉRCIO EXTERIOR, FOI MENOS FEIO QUE O RESULTADO REAL MASCARADO NAS CONTAS OFICIAIS"

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O buraco de US$ 3 bilhões no comércio exterior, o pior resultado no primeiro semestre em 18 anos, foi menos feio que o resultado real mascarado nas contas oficiais.

De janeiro a junho, as exportações de manufaturados, no valor de US$ 42,77 bilhões segundo o governo, foram infladas com vendas fictícias, no valor de US$ 2,43 bilhões, de plataformas para extração de petróleo. Só em junho esse tipo de operação proporcionou uma receita meramente contábil de US$ 1,63 bilhão.

Esse valor corresponde a dois terços do superávit comercial de US$ 2,39 bilhões registrado no mês pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A melhora efetiva na conta comercial, depois de um semestre de resultados muito ruins, foi bem mais modesta do que poderia parecer à primeira vista e combina muito com o desempenho ainda fraco da indústria.

Mesmo inflada pela exportação fictícia de plataformas, a receita das vendas externas, de US$ 114,52 bilhões de janeiro a junho, ainda foi 0,7% menor que a dos primeiros seis meses de 2012. Ao mesmo tempo, o gasto com importações, de US$ 117,52 bilhões, foi 8,4% maior que o de um ano antes. Houve alguma reação em junho, mas bem menos notável que a indicada pelos números oficiais.

Descontado o valor da plataforma (US$ 1,63 bilhão), a receita do mês ficaria reduzida a US$ 19,6 bilhões e seria apenas 1,29% maior que a de um ano antes. A variação teria sido menor 1,5% que a das compras externas. As importações começaram a crescer mais que as exportações em 2007. Essa tendência foi interrompida na recessão, mas logo ressurgiu.

A erosão do superávit comercial, mais acentuada a partir de 2011, resultou de vários fatores com pesos diferentes em diferentes momentos. A valorização do real encareceu as exportações e barateou as importações. Isso resultou em parte da grande oferta de dólares, mas a inflação acentuou o desajuste cambial.

 Custos importantes, como o da mão de obra, reduziram o poder de competição dos produtores nacionais.

Mesmo sem o aumento real dos salários, no entanto, os exportadores já estariam em desvantagem, por causa da tributação e dos problemas de logística, para citar apenas dois fatores de grande relevância. Além disso, erros diplomáticos dificultaram o acesso dos produtores a mercados do mundo rico e tornaram o comércio brasileiro muito dependente do Mercosul, de alguns compradores da vizinhança e da China.

Uma das consequências dos vários erros cometidos pelo governo - na diplomacia e na política interna - foi a dependência crescente das exportações de commodities, isto é, de produtos básicos e semimanufaturados.

Neste ano, as vendas desses dois tipos de produtos, embora menores que as de um ano antes, ainda proporcionaram, em conjunto, 60,4% da receita de exportações.

As exportações de manufaturados (37,3% do valor total) aumentaram 0,4%, mas graças, em grande parte, à receita contábil das operações com as plataformas.

A piora da conta comercial é evidente, apesar da confusão introduzida nos números pelas estranhas práticas do governo. Parte das importações de combustíveis e de lubrificantes de 2012 só apareceu nos registros neste ano. Nesse caso, a distorção foi limitada, porque as compras ocorreram e acabariam entrando nas contas.

A distorção mais grave é a das exportações fictícias permitidas pelo Repetro, regime especial criado nos anos 90 e reformulado várias vezes na década seguinte.

Por esse regime, uma empresa do setor de equipamentos para petróleo pode realizar uma exportação meramente contábil para uma subsidiária da Petrobrás. Esse mesmo equipamento é em seguida usado no Brasil mediante aluguel. O sistema foi criado para reduzir a tributação paga pela Petrobrás e por outras companhias dedicadas à pesquisa e extração de petróleo e gás.

No mercado financeiro, a projeção mais recente é de um superávit comercial de US$ 6 bilhões, menos de um terço do obtido em 2012, de US$ 19,41 bilhões. No começo do ano, projetava-se um saldo de US$ 15 bilhões.

O Estado de S. Paulo
03 de julho de 2013

BNDES E CAIXA ENTRE OS MAIORES CREDORES DE EIKE


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgsrwuERlZq9NKBYudLfDbeqz4LTmBxGbH1VGCRN_H9v5d-Z-hgmOcFu9Gd78dQZMB-RMlIma6ucxRKV6zTPyanMa1BTe1uq9mqP1FwhRdvFpZZ0GffUHZ7JzfMaEmA80Lz0FcewCulSLdk/s400/SALVEM+EIKE.jpg
A exposição das empresas X, do empresário Eike Batista, no mercado financeiro está concentrada em cinco bancos brasileiros, de acordo com relatório do Bank of America Merril "Lynch, enviado a clientes.

Os estatais Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal estão entre as principais com R$ 4,888 bilhões e R$ 1,392 bilhão, respectivamente.

Em seguida estão os privados Bradesco, ItaúUnibanco e BTG Pactuai. Juntos, conforme cálculos dos analistas Alessandro Arlant, AnneMilne e Roy Yackulic, esses bancos somam exposição de mais de 9,4 bilhões às empresas do grupo X.
Eles destacam, no relatório, que os números estão baseados nos balanços do primeiro trimestre deste ano e são apenas uma visão parcial da exposição global das empresas X aos bancos brasileiros.

“As informações e a divulgação das mesmas são pobres e, por isso, é tão difícil avaliar o tamanho da exposição dos bancos em relação às empresas X uma vez que ele pode estar subestimado”, avaliam os analistas.

Eles lembram que o fato de o grupo EBX, holding que concentra os negócios de Eike Batista, não ter capital aberto e, por isso, não divulgar informações sobre suas dívidas totais, dificulta uma análise mais apurada sobre o risco X para os bancos.

Além disso há, conforme atentam Arlant, Anne e Yackulic, títulos de dívidas, como debêntures, por exemplo, que não são contabilizadas na linha de empréstimos dos balanços das instituições bancárias e garantias concedidas.
Os analistas destacam ainda que Bradesco (R$ 1,252 bilhão) e Itaú Unibanco (R$ 1,235 biIhão) têm uma exposição semelhante ao grupo X, representando 13% e 14% do seu capital, respectivamente.

Injeção. Já para o BTG, embora tenha uma menor exposição, da ordem de R$ 649 milhões, principalmente referente à MPX (R$ 459 milhões), dado o seu pequeno tamanho em relação aos bancos comerciais, a exposição é de 4,3% do seu capital total.

O JPMorgan estima que a OGX precisa de uma injeção mínima de capital de US$ 700 milhões para garantir a operação da petroleira até meados do próximo ano.

“A injeção de capital em meio a um desenvolvimento de capex (investimentos para a manutenção dos equipamentos e da produção) reduzido em 2014 pode ser um alívio para as necessidades de caixa no curto prazo, mas a geração de caixa dificilmente será suficiente para cobrir o vencimento de bônus de US$ 2,6 bilhões com vencimento em 2018, exigindo uma renegociação da dívida”, afirma o relatório da instituição financeira.

 
O Estado de S. Paulo
/ colaborou FERNANDA GUIMARÃES
03 de julho de 2013

CHARGE DO NANI



03 de julho de 2013

"GUERRA DE GANGUES! MARIN SE VINGA DE DILMA E IMPEDE CAMPEÕES DE VISITAR O PLANALTO

 
Durante o segundo tempo da partida em que o Brasil se sagrou campeão da Copa das confederações, quando já estava claro que o resultado era "batata", um emissário do Palácio do Planalto presente ao Maracanã se encontrou em sigilo com um representante da CBF e disse que a presidente Dilma estava se "oferecendo" para receber toda a seleção em uma recepção de gala na segunda-feira por volta da hora do almoço.
  Não seria nada demais, uma vez que já é uma tradição que seleções campeãs em torneios oficiais sejam recebidas pelos presidentes da República em exercício. Tem sido assim desde a ditadura, aliás. O que ocorreu, porém, foi que o representante da CBF contatado pelo emissário do Planalto era um fiel escudeiro de José Maria Marin, presidente da entidade esportiva e inimigo "figadal" de Dilma --depois que a presidente por várias vezes se recusou a recebê-lo para audiências ou mesmo um cafezinho.
 
Assim que foi informado do interesse de Dilma, Marin chamou Felipão e informou que oficialmente estava dispensando toda a seleção assim que a cerimônia de encerramento da Copa terminasse. Felipão, que nem sequer sabia do interesse de Dilma na visita dos campeões, repassou o aviso à comissão técnica, que por sua vez repassou aos jogadores.
 
Antes que o prato esfriasse, Marin se vingou de Dilma ao não lhe dar o gostinho de tirar uma "lasquinha" da impressionante campanha da seleção na Copa das Confederações.

03 de julho de 2013
Ricardo Feltrin, colunista do UOL

"O SONETO E A EMENDA"

 

Açodamento para realizar plebiscito impede debates que a consulta deveria suscitar e traz risco de reforma política apenas piorar sistema atual
 
A presidente Dilma Rousseff acerta ao afirmar que as instituições representativas devem "dar a adequada resposta à voz das ruas". Erra, porém, ao defender que esse esforço seja feito a tempo de alterar as regras eleitorais de 2014.
 
Embora a reforma política não tenha sido uma bandeira das manifestações, a insatisfação profunda que se viu nas últimas semanas decerto aponta também para a atuação dos Poderes Legislativo e Executivo, em todos os seus níveis.
 
É razoável, assim, procurar mudanças capazes de aproximar representantes e representados, e faz sentido que o plebiscito seja um dos caminhos escolhidos. Em tese, mecanismos de consulta popular fortalecem a democracia, não só porque oferecem um canal de participação direta, mas também porque estimulam amplo debate.
 
Dizer que pelo menos o segundo desses benefícios seria perdido com um plebiscito feito de afogadilho é mero truísmo. Mas não há como atender ao desejo presidencial sem incorrer nesse desatino.
 
A fim de valerem em 2014, as novas regras precisariam ser aprovadas até o começo de outubro. A população teria pouco tempo para se informar e debater os temas em questão, e o Congresso teria prazo ainda menor para elaborar leis com base no plebiscito.
 
Merecem comentário, ainda assim, os cinco pontos sugeridos pela presidente --e deve-se observar que ficaram de fora da relação itens importantes, como a adoção do voto facultativo e a distorção verificada na Câmara (deputados de Estados maiores representam um contingente muito maior de pessoas do que os de Estados menores).
 
Talvez o aspecto mais relevante --e complicado-- seja o sistema eleitoral: proporcional, como hoje, ou distrital? Esta Folha defende um modelo misto, no qual os eleitores apontam um candidato individual em seu distrito e, com um segundo voto, escolhem um partido, ajudando os nomes mais sufragados de uma lista aberta.
 
Esse sistema favorece a representatividade e a prestação de contas --o deputado distrital é eleito com votação majoritária, em concorrência direta com os adversários--, sem prejudicar os partidos.
 
Dilma Rousseff também sugere consulta sobre o fim das coligações em eleições para deputado e vereador. De fato, essas alianças provocam uma deformação: o voto destinado a uma legenda pode eleger o candidato de outra.
 
O financiamento de campanhas foi destacado pela presidente: só com recursos públicos ou doações privadas devem ser aceitas? Com certas restrições ao poder econômico, não faz sentido impedir que pessoas ou empresas colaborem com candidatos de sua escolha.
 
Há ainda dois pontos menos polêmicos. O fim da suplência de senador (só deve permanecer no Senado quem foi eleito) e a extinção do voto secreto no Congresso (o abuso do anonimato apenas oculta as decisões dos representantes).
 
Como se vê, o debate requer tempo. Fazê-lo às pressas embute o risco de piorar o sistema atual. Dada a complexidade dos temas, é duvidoso que mesmo um grupo pequeno de cientistas políticos chegue a consenso em prazo tão exíguo.
 
03 de julho de 2013
Editorial da Folha

"PLEBISCITO É SÓ EMBROMAÇÃO"

 
A presidente Dilma Rousseff tem feito o possível para fazer do limão das multidões contra tudo nas ruas das cidades brasileiras a mesma limonada envenenada com que seu Partido dos Trabalhadores (PT) tenta em vão engabelar o País desde 2007.
Há seis anos os petistas querem moldar as instituições republicanas a seus interesses específicos e impor a suas bases no Congresso Nacional uma reforma política que favoreça, se não uma imitação tupiniquim do bolivarianismo chavista, pelo menos a garantia de sua permanência no poder. Mas a acachapante maioria no Legislativo não bastou para aprovar o que os maiorais do socialismo caboclo consideram fundamental para manter suas "boquinhas".
Agora o povo foi para a rua e a chefe do governo tentou incontinenti surrupiar suas palavras de ordem para convocar uma Constituinte exclusiva, capaz de satisfazer os caprichos que a reforma constitucional não possibilitou. O óbvio golpe sujo não colou, mas ela mantém idêntica embromação em forma de consulta popular, o plebiscito.
Acontece que as multidões ocuparam as ruas para reclamar, primeiro, da elevação da tarifa do transporte público. E daí em diante, sem oposição à altura que os represente na democracia, os manifestantes passaram a protestar contra o óbvio: a inflação, a impunidade, a violência, a corrupção e, sobretudo, a péssima prestação de serviços por um Estado que cobra um absurdo de impostos. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT (ou será o contrário?), foi rechaçada a pauladas de manifestação no Rio.
E ninguém no País ouviu os gritos de "fascistas" com que militantes esquerdistas tentaram abafar o clamor apartidário que abortou a tentativa de infiltrar bandeiras do partido e camisas vermelhas numa passeata na Avenida Paulista. Esses invasores obedeciam à palavra de ordem do presidente nacional petista, Rui Falcão, que queria reverter a onda contra políticos numa manifestação a favor de Dilma e seus correligionários, alvos prioritários da insatisfação generalizada.
A resposta do governo foi de um cinismo atroz. Com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante Oliva, no papel de Richelieu do Cerrado, dona Dilma pediu ao povo na rua o aval para uma reforma política de interesse exclusivo de sua grei. O PT quer lista fechada de candidatos indicados pela oligarquia partidária para furtar do eleitor o direito de escolher seu parlamentar preferido.
E financiamento público exclusivo para campanha eleitoral para extorquir do bolso do contribuinte despesas de propaganda de candidatos, cada vez mais altas. O cidadão já contribui para o tal Fundo Partidário e está com as finanças exauridas de tanto patrocinar vantagens e benesses dos "pais da Pátria".
Ao fazê-lo, ela diz que está ouvindo a "voz rouca das ruas". Mas o povo quer mudar tudo e ela só dará mais do mesmo. Enquanto seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciava que aumentará a carga tributária, com que o brasileiro não suporta mais arcar, para pagar promessas feitas para dissolver as passeatas das massas, ela reuniu 37 de seus 39 ministros, quase todos recrutados das bancadas dos partidos que alicia para seu palanque para a reeleição.
Talvez ela não tenha nomeado um ministro para cuidar das redes sociais porque o 40.º à mesa lembrará certo conto das 2.001 noites. Tal referência certamente não é nada agradável enquanto Rosemary Noronha, amiguinha íntima de seu padrinho e antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, protagoniza um escândalo em que é acusada pela Polícia Federal (PF) de fazer parte de uma quadrilha que traficava influência na cúpula federal.
Por que Dilma não aproveita a capacidade auditiva que nunca tinha demonstrado antes para dispensar seu ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, da condição de Maquiavel do Planalto para que ele solucione este caso e descubra quem lucrou com a tenebrosa transação da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás?
Mas ela preferiu foi se aproveitar com desfaçatez oportunista da conquista da Copa das Confederações, definindo a própria gestão, contestada em praça pública, como "padrão Felipão". Mesmo tendo o Datafolha revelado na véspera sua queda de 27 pontos porcentuais e a constatação de que já não ganharia a reeleição no primeiro turno.
Em vez de reunir o Ministério, cujo número a incapacita de conversar com um por um, ela deveria tê-lo reduzido a 12, número fixado por Jesus Cristo como ideal para uma equipe administrável. Mas como esperar isso de quem convoca governadores, prefeitos, sindicalistas, gays e lésbicas para que a escutem, e não para ouvi-los?
Pelos decibéis de suas broncas em subordinados, que contrastam com o papel de boneco de Olinda (só que falante!) que ela desempenha em pronunciamentos públicos convocados para embromar os cidadãos, que trata como súditos, Dilma deve ter muita dificuldade em ouvir a própria voz. Quanto mais a dos interlocutores que convoca para... escutá-la!
Seus berros de "otoridade", porém, não impedirão que os clamores da rua cheguem às casas dos brasileiros. A queda vertiginosa nas pesquisas deixa claro que as favas para a reeleição já não são contadas e, se ainda é cedo para prever sua eventual derrota no pleito, não custa lembrar que a galáxia de adesões obtidas com a barganha de cargos por apoio parlamentar pode encolher com os índices de prestígio.
De fato, seu antecessor e padrinho Lula caiu para 28 pontos (dois menos do que ela agora) na pesquisa Datafolha feita à época em que o mensalão foi denunciado e, ainda assim, se reelegeu.
Só que agora o julgamento desse escândalo no Supremo Tribunal Federal STF) e a condenação de seus companheiros Dirceu e Genoino deram à Nação a certeza de que seu partido em nada contribuiu para reduzir a corrupção no País.
E se ela continuar condescendendo com a inflação e a impunidade, os cidadãos poderão sair de suas casas e das ruas para votar contra a perenização do status quo que os deixa indignados.
03 de julho de 2013
 José Nêumanne, O Estado de São Paulo

PMDB ADERE A TESES DA OPOSIÇÃO E DEFENDE ATÉ REDUÇÃO DOS MINISTÉRIOS

 


Henrique participou da fase final da reunião da Executiva, presidida por um constrangido Temer
 
Saiu pela culatra o plano de Dilma Rousseff de liderar o processo que levaria à aprovação de uma reforma política. A proposta da presidente de realizar um plebiscito em ritmo de truque cinematográfico não foi bem digerida pelos congressistas. Até os seus aliados viram na iniciativa uma manobra para jogar as ruas contra o Congresso. De todas as reações, a do PMDB foi a mais eloquente.
Em duas reuniões –uma da bancada de deputados federais e outra da Executiva nacional—, o partido do vice-presidente da República, Michel Temer, tomou distância do plebiscito na modalidade ligeira, tal como sugerido por Dilma. E aproximou-se de teses defendidas pela oposição.
O PMDB enrolou-se na bandeira do enxugamento do número de 39 ministérios, decidiu desengavetar o projeto que destina 10% da arrecadação federal para a saúde e quer elevar a participação de Estados e municípios na partilha do bolo de tributos arrecadados pela União. Simultaneamente, cobra do governo que integra o respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal.
Tomando-se a sério todas as deliberações, haveria um novo PMDB na praça. Um partido cuja principal característica seria o desapego pelos cargos. Considerando-se o histórico da legenda, é mais lógico concluir que os aliados de Dilma tentam devolver para o colo dela a batata quente assada nas ruas. A reformulação do sistema de representação política não é a prioridade do meio-fio, eis o recado do PMDB para Dilma.
E quanto ao plebiscito? Bem, a bancada de deputados do PMDB informou em nota que irá se empenhar pela aprovação imediata da reforma política. Consulta popular? Só se for em 2014, junto com as eleições. Sem custos para o contribuinte. Em encontro que terminou perto da meia-noite, a Executiva nacional do PMDB também aprovou uma nota.
No seu texto, a Executiva atenua a versão dos deputados sem desautorizá-la. Anota que o PMDB buscará a aprovação de uma reforma política já. Obtendo-a, seria levada a referendo em 2014. Simultaneamente, mantém-se o plebiscito em cena como um objetivo retórico.
Ficou entendido, porém, que o PMDB descartou, por irrealizável, a ideia de preparar o questionário do plebiscito, aprovar um projeto de resolução, ouvir o povo e, depois de tudo isso, ainda entregar uma reforma pronta nos primeiros dias de outubro, em tempo de vigorar nas próximas eleições.
Descrente do plebiscito, o PMDB foi afirmativo quanto ao resto. Os deputados escreveram: “A bancada sugere ao governo, para uma demonstração de austeridade, a imediata redução do número de ministérios.” O texto informa que a legenda irá “propor medida legislativa nesse sentido.”
Mais: a bancada liderada por Eduardo Cunha (RJ) avalia que o partido deve abrir mão, “se necessário”, dos seus próprios feudos na Esplanada. São cinco os ministérios chefiados pelo PMDB: Agricultura, Turismo, Aviação Civil, Minas e Energia e Previdência.
Na outra nota, a da Executiva nacional, a cúpula do PMDB ecoou seus em praticamente tudo. Inclusive no trecho em que pregam o ministério menor, como prova de austeridade. A diferença é que o documento da Executiva não faz menção à hipótese de devolução das pastas chefiadas por prepostos da legenda. Presidia essa reunião um constrangido Michel Temer.
Numa tentativa de evitar o pior, Temer articulara a redação de um texto com as deliberações amenas da Executiva.
O amigo Geddel Vieira Lima, presidente do PMDB da Bahia e autor do requerimento que convocou a Executiva, estranhou o método. Como o colegiado pode ter tomado decisões antes de se reunir?, indagou. Passou-se, então, a adicionar pimenta no documento de Temer: os 10% para a saúde, a prioridade para a redefinição do pacto federativo, a responsabilidade fiscal…
Os dois encontros, o da bancada e o da Executiva, foram marcados pela acidez. Num instante em que despenca nas pesquisas, Dilma foi duramente criticada. Na reunião dos deputados, Newton Cardoso (PMDB-MG), personagem precedido pela (má) fama, chegou mesmo a propor o rompimento da aliança que une o PMDB ao PT e ao governo Dilma.
No encontro da Executiva, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) ironizou alguns dos temas que Dilma sugeriu ao Congresso que fossem inseridos no plebiscito. Ele acha que “a tia”, como se refere à presidente, jogou para a plateia ao propor, por exemplo, que a consulta inclua o fim do voto secreto no Congresso. Requião viu na esperteza as digitais do marqueteiro João Santana.
E sugeriu que o povo seja consultado também sobre o fim do sigilo nos gastos com viagens e cartões da Presidência.
Michel Temer não se animou a prolongar o debate. Ele ajudara a redigir o texto da menagem endereçada por Dilma ao Congresso. Acompanhara o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) no ato de entrega da peça aos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros. A propósito, Renan não deu as caras no encontro da Executiva.
Ele ritmo de resposta às ruas, ele presidia a sessão em que foi aprovada a proposta que destina 75% dos royalties do petróleo para a educação. Também retido no plenário, Henrique chegou na fase final do encontro.
03 de julho de 2013
 
Josias de Souza  - UOL

"CONTABILIDADE CRIATIVA NA CONTRAMÃO DE DILMA"

Ao dar seguidos tiros no pé, o governo só tem contribuído para a perde de credibilidade da política fiscal, fragilizando a economia brasileira em momento delicado
 
A política fiscal no Brasil está em descrédito, a ponto de essa desconfiança já se refletir no conceito atribuído ao país pelas agências internacionais de classificação de risco.
 
 
Como reação a esse descrédito, declarações recentes da presidente Dilma e de autoridades fazendárias pareciam demonstrar que o governo iria este ano abandonar a chamada “contabilidade criativa”, pela qual buscara “melhorar” a aparência dos resultados das finanças públicas nos últimos dois exercícios.
 
 
Admitindo que o esforço fiscal será menos ambicioso em 2013 — superávit primário fixado em 2,3% do PIB e não em ilusórios 3,1% —, o governo prometeu atingir as metas recorrendo a um cálculo convencional, como, aliás, era feito no passado, quando o ajuste nas finanças públicas se tornara uma questão de sobrevivência da economia brasileira.
 
 
Mas não basta o discurso, pois o governo está naquela condição da mulher de César: tem de provar sua sinceridade.
 
 
Surpreendentemente, sob o pretexto de agilizar transferências de recursos entre o Tesouro e o BNDES (banco de fomento integralmente controlado pela União), o governo mudou regras relativas ao recolhimento de dividendos pela instituição financeira.
 
 
Essa mudança deve originar uma receita extraordinária de R$ 1,2 bilhão para o Tesouro, mas é, outra vez, um truque no mesmo espírito da “contabilidade criativa” que desencadeou esse processo de perda de credibilidade da política fiscal.
 
 
Ao persistirem nessa prática, as autoridades econômicas não conseguirão convencer quem quer que seja da seriedade da política fiscal no Brasil. Não é por conservadorismo ou simples antipatia ao governo Dilma que as críticas à política fiscal se acumulam.
 
 
A inflação está em patamar perigoso, no topo da meta que o Banco Central tem a missão de alcançar (6,5%). O xadrez da economia mundial está passando por um momento de mudanças expressivas, com os Estados Unidos voltando a atrair capitais, enquanto a China perde fôlego.
 
 
Nesse quadro, os mercados financeiros se agitam, e as economias que estiverem em posição mais fragilizada podem sair chamuscadas. O risco de a inflação fugir ao controle, em tal conjuntura, não é desprezível, por pressão da desvalorização da moeda nacional. E isso sem que o país consiga sair da armadilha do baixo crescimento.
 
 
É uma questão tão séria que o Banco Central resolveu adotar, internamente para avaliação dos rumos da economia, uma metodologia que acompanha a evolução das receitas e despesas do setor público sem levar em contar essas receitas e despesas extraordinárias, incluindo as resultantes da “contabilidade criativa”. Fica difícil entender porque o governo insiste em dar tantos tiros no pé.
 
03 de julho de 2013
  Editoral de O Globo

"UNIVERSOS PARALELOS"

 

Enquanto os cidadãos clamam por serviços públicos de mais qualidade, maior rigor na gestão e a preservação de um ambiente de estabilidade na economia, Dilma Rousseff lhes oferece um plebiscito e a importação de médicos. Além disso, ela e sua equipe continuam viajando na contabilidade criativa e no fantasmagórico trem-bala. Os problemas do país se avolumam sem encontrar reação à altura da presidente, que parece habitar um universo paralelo.
 
As respostas que vêm sendo apresentadas pela presidente da República às cobranças emanadas das ruas parecem ter partido de um universo paralelo. Os brasileiros vivem problemas reais no seu dia a dia e vêm as perspectivas para o país turvarem-se, comprometendo o futuro de uma geração. Mas Dilma Rousseff mostra-se apartada desta realidade.
Enquanto os cidadãos clamam por serviços públicos de mais qualidade, maior rigor na gestão e a preservação de um ambiente de estabilidade na economia, a presidente lhes oferece um plebiscito para reformar a política e a importação de médicos... Além disso, ela e sua equipe continuam viajando ao gerir criativamente as contas do país e ao insistir em embarcar no fantasmagórico trem-bala. Não tem como dar certo.
 
A proposta de plebiscito enviada ontem ao Congresso está fadada ao fracasso. Em primeiro lugar, porque é a última coisa que a população espera ver enfrentada neste momento. Em segundo, porque se concentra, principalmente, em tentar emplacar as teses prediletas do PT, como o financiamento público de campanha, e não em aperfeiçoar a representação popular. E, por fim, porque, felizmente, o país ainda tem uma lei a ser respeitada: a Constituição.
 
O plebiscito é apenas uma das respostas lunáticas que Dilma tem conseguido balbuciar depois que foi atordoada pelas ruas e viu sua popularidade rolar ladeira abaixo, junto com suas chances de reeleição. A questão é que os problemas do país se sucedem e se avolumam sem que encontrem reação à altura do governo da petista.
 
A economia brasileira vive atualmente um estado de convulsão que nos torna párias do mercado mundial. Somos um dos países com menor perspectiva de crescimento neste ano, com uma das taxas de inflação mais elevadas, com o mercado acionário mais cadente, o comércio exterior mais depauperado e a indústria mais decadente.
 
Como quem habita outro planeta, também nesta seara a presidente apresenta venenos como se fossem remédios, como é o caso do possível aumento de impostos, segundo informa O Estado de S.Paulo hoje. Isso depois de distribuir benesses fiscais a torto e a direito aos amigos do rei e da rainha – para ficar num tema da hora, só no grupo de Eike Batista BNDES e Caixa têm R$ 6,3 bilhões injetados.
 
A presidente aparenta ignorar que o Brasil enfrenta uma crise de confiança que tem nome – Dilma – e sobrenome – Guido Mantega. Com uma dupla de área destas, ladeada por um time de mais 38 cabeças de bagre, não há quem se aventure a correr riscos por aqui, o que explica a intensa fuga de capitais e investimentos que o país ora assiste.
 
Indiferente, o governo continua a abusar da manipulação das contas públicas e das maquiagens contábeis. Novamente, mete a mão nos recursos do BNDES e também volta a avançar sobre os dividendos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, como informa hoje o Valor Econômico em manchete. É um modelo que já fez água, mas só Dilma e sua equipe de extraterrestres parecem não perceber.
 
A economia real está desmoronando. A indústria teve, em maio, mais um mês de péssimo desempenho. A queda de 2% sobre abril atingiu todas as categorias de produtos e 20 dos 27 setores analisados pelo IBGE. O pior tombo foi o da categoria de bens de capital, que costumam antecipar o comportamento futuro dos investimentos.
 
Nosso comércio exterior vai mal como há 18 anos não se via e, para completar, a bolsa de São Paulo tornou-se palco diário de um show de horrores. O comportamento do mercado acionário no primeiro semestre foi o pior desde a segunda metade de 2008, quando uma hecatombe global arrastou todo o mundo.
 
A diferença é que, agora, a maré geral é montante e, entre as economias que contam, só nós estamos indo ladeira abaixo. Será que mesmo assim Mantega e sua equipe continuarão insistindo em dizer que o Brasil só vai mal porque o mundo também vai? Na realidade, o problema está, e sempre esteve, aqui mesmo: é o "risco Dilma”, do qual todos querem distância.
 
Na mensagem que enviou ontem ao Congresso sugerindo a realização do plebiscito, a presidente defendeu a consulta popular afirmando que "as formas de representação política dão sinais de que precisam ser renovadas”. Pelo menos nisso, Dilma Rousseff tem bastante razão: a renovação que precisa ser feita deve começar pela chefe da nação.
 
03 de julho de 2013
Instituto Teotônio Vilela