"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 14 de abril de 2012

A METAMORFOSE COMEÇA DENTRO DE CASA

Sem noticias da Islândia, porque?
 
 
Se alguém acredita que atualmente não há censura, responda-me: se tem-se tido notícia de tudo o que acontece no Egito, por que os jornais não falaram absolutamente nada sobre o que aconteceu na Islândia?

Na Islândia, o povo demitiu todo um governo, nacionalizou grandes bancos, decidiu-se não pagar a dívida que eles criaram com a Grã-Bretanha e a Holanda por causa de suas más políticas financeira e acabou de criar uma assembleia popular para reescrever sua constituição.

E tudo isso de forma pacífica. Toda uma revolução contra o poder que levou à crise atual. Eis aqui, porque nenhum fato foi revelado durante dois anos: Que aconteceria se o resto dos cidadãos da UE copiassem o exemplo? Esta é, resumidamente, a história dos acontecimentos:

2008. Nacionalizou-se o principal banco pano do país .
A moeda entra em colapso, a bolsa suspendeu suas atividades.
O país está na falência.
 
2009. Protestos de cidadãos diante do parlamento provocam a convocação de eleições antecipadas, causando a demissão do primeiro ministro e de todo seu séquito.
Continua a péssima situação econômica do país.

Mediante uma lei propõe-se a devolução da dívida à GB e Holanda, mediante o pagamento de 3.500 milhões de euros, quantia essa que todas as famílias islandesas pagariam mensalmente pelos próximos 15 anos com juros de 5,5% ao ano.

2010. O povo volta às ruas e pede para submeter a lei a um referendo.
Em janeiro de 2010, o presidente recusa-se a ratificar a lei e anuncia que haverá um referendo.
Em março acontece o referendo e a decisão do NÃO ao pagamento da dívida arrasa com um total de 93% dos votos.

Com tudo isso, o governo iniciou uma investigação para dirimir legalmente as responsabilidades da crise. Começam as detenções de vários banqueiros e altos executivos. A Interpol emite uma ordem, e todos os banqueiros envolvidos, abandonam o país.

Neste contexto de crise, é escolhida uma assembléia para elaborar uma nova Constituição definindo as lições aprendidas com a crise e para substituir a anterior que era cópia da Constituição dinamarquêsa. Para isso, recorremos diretamente ao povo soberano

Dos 522 cidadãos sem filiação política que se apresentaram para a candidatura para a qual bastava apenas ser maior de idade e ter o apoio de 30 pessoas, foram selecionados 25 cidadãos.
A Assembléia Constituinte iniciou seus trabalhos em fevereiro de 2011 para apresentar um projeto de Constituição com base nas recomendações de consenso em várias reuniões que foram realizadas em todo o país. Deve ser aprovado pelo Parlamento atual e por aquele que será constituído após a próximas eleições.

• Esta é a breve história da Revolução Islandesa:
• Demissão em massa de todo um governo
• Nacionalização do banco
• Referendo para que o povo decida sobre as decisões econômicas transcedentais
• Encarceramento dos responsáveis pela crise e
• Reelaboração da Constituição pelos próprios cidadãos.
Falou-se sobre isso no n meios de comunicação europeus?
Falou-se disso nos batepapos políticos radiofonicos?
Foram vistas imagens desses eventos na TV?
Claro que não.
 

O povo da Islândia soube dar uma lição para toda a Europa, mostrando-lhes na cara o sistema e dando uma lição de democracia ao resto do mundo.
 
14 de março de 2012
in lilicarabina

Nenhum comentário:

Postar um comentário