"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

NOTAS POLÍTICAS

A segunda etapa do movimento contra a corrupção

Sucesso, mesmo, obtiveram as marchas contra a corrupção, realizadas ontem em 28 cidades do país. Em algumas, mais, em outras, menos, a população compareceu para protestar diante das lambanças praticadas à sombra dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

Propostas concretas foram apresentadas, como o fim do voto secreto no Congresso, a manutenção das prerrogativas do Conselho Nacional de Justiça e a aplicação da lei ficha-limpa em todas as eleições, a partir do próximo ano. Para não falar na necessidade de só cidadãos de reconhecida probidade e capacidade serem nomeados para ministérios e empresas públicas.

Vai tomando corpo o que nasceu apenas como grito de indignação e revolta da sociedade civil diante dos descalabros do mundo oficial. Algo como aconteceu na campanha das “diretas já”, em 1984. Mesmo com o Congresso rejeitando naquele ano a emenda Dante de Oliveira, o caudal não foi contido e até hoje votamos para presidente da República.
Mesmo que demore, parece óbvio estarem sendo obstruídos os desvios e desvãos do mau uso da coisa pública.

Importa que não pare nas estruturas oficiais essa manifestação ampla. Porque, no reverso da medalha, a corrupção é geral e irrestrita no arcabouço privado. Para que existam corruptos tornam-se necessários corruptores. Por que não atingi-los numa segunda etapa desse movimento nacional?

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ABSURDO INOMINÁVEL

Deviam ser presos e condenados a trabalhos forçados pelo resto da vida os responsáveis pela aquisição e autorização do uso de pistolas de choque elétrico pelos funcionários do Detram do Distrito Federal. Não sendo policiais, o que torna a situação ainda pior, esses agentes logo começarão a disparar raios diabólicos sobre motoristas suspeitos de cometer infrações de trânsito em Brasília.

As pistolas paralisam por cinco segundos o cérebro dos indigitados cidadãos, ignorando-se as seqüelas daí decorrentes, a curto, médio e longo prazo. Tudo porque um veículo avançou o semáforo ou seu condutor foi flagrado dirigindo embriagado.

Como se já não bastassem as abomináveis maquininhas de gás de pimenta distribuídas a policiais encarregados de manter a ordem pública, a moda agora será imobilizar quem o Detran imaginar responsável por tumultuar o fluxo de automóveis pelas avenidas da capital federal.

Logo virão sucedâneos,ainda que ninguém pense em criar as “pistolas da honestidade”, que quando disparadas farão os corruptos confessarem suas lambanças.

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OS MILHÕES DE DEMITIDOS

Terá sido sem querer, não por maldade ou sabotagem, que o Ministério do Trabalho acaba de colocar em frangalhos todo o aparato publicitário que vem desde o primeiro ano de governo do Lula, tentando demonstrar que quase não há desemprego no Brasil. Pelos números oficiais, entre 2007 e 2010, nada menos do que 72 milhões de trabalhadores perderam o emprego. Só no corrente ano de 2011, já foram demitidos 12 milhões.

Claro que o governo responde com respeitáveis estatísticas de criação de novos postos de trabalho, mas agora a gente não precisa mais verificar nos movimentados cruzamentos de avenidas que o desemprego desmente a propaganda.

Além da legião de infelizes vendendo óculos, panos de chão e bolas de plástico, sem contar os que simplesmente pedem esmola, agora somos informados pelo ministério do Trabalho do horror que o desemprego atinge parte dos assalariados. Porque 12 milhões de cidadãos postos na rua da amargura não é brincadeira, mesmo se parte deles encontrar novo trabalho.

Carlos Chagas

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