"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 28 de janeiro de 2012

HISTÓRIAS DO SEBASTIÃO NERY

A nova classe brasileira

Eles eram três: Tito, Kardelj e Djilas. Quando Hitler, em 41, invadiu a Croácia, Eslovênia, Bósnia, Sérvia, Montenegro, toda a bela costa iugoslava do Adriático, Josip Broz Tito, Edvard Kardelj e Milovan Djilas eram dirigentes dos clandestinos Partidos Comunistas da Croácia, Eslovênia e Montenegro. Já tinham sido presos vários anos na década de 30.

Juntaram-se no Comitê Nacional de Libertação, sob a presidência de Tito e a vice-presidência de Kardelj e Djilas, criaram o mais poderoso movimento de resistência antinazista e antifascista da Europa. A Alemanha e a Itália chegaram a mandar para lá 600 mil soldados. Um milhão e 700 mil iugoslavos morreram. Mas, em outubro de 44, quando as tropas soviéticas chegaram a Belgrado, Hitler já estava derrotado e a Yugoslávia independente.

E nasceu a República Yugoslava, uma federação de seis repúblicas, sob a presidência do Marechal Tito. Kardelj, ministro do Exterior e representante na ONU. Djilas, presidente da Assembléia Federal.

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DJILAS

Em 48, inconformada com a independência da Yugoslávia, a União Soviética rompe e faz um bloqueio de longos anos e só em maio de 55, Stalin morto, Khrushev e Bulganin visitam Tito em Belgrado e Tito vai a Moscou.

Mas Djilas queria mais. Intelectual, escritor consagrado, em 1953 começou a divergir de Tito sobre questões da organização do Estado. Em 54 é expulso do Partido Comunista e tenta fundar o Partido Socialista Democrático. Em 57, publica em Paris (e depois no mundo todo) seu livro-bomba, A Nova Classe, uma crítica devastadora da burocracia comunista e uma denúncia profética do aparelhamento do Estado pelas lideranças sindicais da esquerda.

Processado e condenado, ficou preso de 59 a 61. Sai e publica em Roma Conversações com Stalin (1962). Volta para a cadeia, até 66. Sai de novo, publica A Sociedade Imperfeita Além da Nova Classe. Não é mais preso. Em 73 o visitei lá, quando preparava meu livro Socialismo com Liberdade.

Se tivesse conhecido o governo do PT, o bravo, valente Djilas teria feito mais um arrasador capítulo sobre como a “nova classe” usa o governo em benefício próprio e da sua curriola.

Sebastião Nery
28 de janeiro de 2012

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