"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 21 de julho de 2012

A GRANDE LUTA DEVERIA SER POR GRANDES AUMENTOS SALARIAIS NA CHINA

A meu ver, a crítica de que o ministro Delfim Netto foi o mentor da política de arrocho salarial da revolução de 64 é injusta. Antes dele, o então ministro do Planejamento Roberto Campos, liderando um grupo de economistas ortodoxos (aqueles que faziam política econômica no Brasil que só seriam boas nos USA ou Inglaterra), fez o Plano de Estabilização Econômica da Revolução de 64, e este grupo foi o verdadeiro causador do arrocho salarial.

O grande governador Carlos Lacerda, um dos líderes da Revolução e candidato a presidente do Brasil pela UDN na eleição de 1965, que não houve, combateu duramente o Plano de Estabilização de Roberto Campos. Basicamente, Roberto Campos defendia o combate à inflação via desemprego/arrocho salarial, e Lacerda defendia o combate ao desemprego com aumento salarial, mesmo sob o custo de certa inflação.

O economista Delfim Netto se alinhava com a correta política econômica de Lacerda, que o presidente Castello Branco infelizmente não seguiu. Na época houve grandes debates na TV, e o ministro Roberto Campos, não tendo argumentos, chamava Lacerda de “Corvo”, e até de “assassino de Vargas”, isso tudo no início da Revolução de 64. Não entendo é como o presidente Castello Branco se alinhou com Roberto Campos.

Na fase seguinte, o ministro Delfim Netto, economista keynesiano, enquanto esteve no comando da política econômica sempre conseguiu crescimento que hoje diríamos “chineses”, e com massa salarial da ordem de aproximadamente 48% do PIB (Produto Interno Bruto). Hoje, apesar de pequena melhoria do período do presidente Lula, nossa presidente Dilma Rousseff opera com massa salarial de cerca de 42% do PIB.

O bolo hoje está mais mal dividido do que nos “tempos de chumbo” de Delfim Netto. A famosa frase – “Primeiro crescer para depois dividir o bolo” – deve ser entendida como aumentar grandemente a poupança interna para ter grande investimento, verdadeiro motor do crescimento. Com o bolo grande deveriam ter parte grande tanto o Trabalho como o Capital. Com o bolo pequeno, todos teriam parte pequena.

O grande problema das economias americana e europeia não é o vâmbio, mas os baixos salários chineses e dos países pobres do mundo. Isso resulta em off-shoring (transferência da produção) para os países de baixo custo, principalmente salarial. Os sindicatos e a ONU deveriam instituir um salário mínimo de US$ 2 mil/mês em todo o mundo. Logo acabaria a crise de crescimento nos países ricos.

O grande problema são os salários baixos nos países pobres. Hoje, a grande luta deveria ser por grandes aumentos salariais na China.

Flávio José Bortolotto
21 de julho de 2012

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