"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

SEM "MARQUETINGUE"! NO BRASIL MARAVILHA DOS FARSANTES (AQUELE DO ESTICA/ENCOLHE) E NÃO SAI DO LUGAR.

Produção industrial cai 1% em setembro, mostra o IBGE. Foi o pior desempenho desde janeiro. No ano, indústria encolheu 3,5%
 
A produção industrial brasileira interrompeu uma sequência de três meses de crescimento ao diminuir 1% em setembro, na comparação com agosto, informou pesquisa do IBGE divulgada nesta quinta-feira.
É o pior resultado desde janeiro, quando o setor encolheu 1,8%. Na comparação com setembro do ano passado, a queda na produção foi ainda maior, de 3,8% o pior desempenho desde junho, cuja contração foi de 5,6% na comparação com o mesmo mês de 2011. No ano, a indústria já diminuiu 3,5%; nos últimos 12 meses, a queda acumulada é de 3,1%.
A diminuição ocorrida na indústria foi duas vezes maior do que se previa. De acordo com pesquisa da agência de notícias Reuters junto a 35 analistas do mercado financeiro, esperava-se que o recuo fosse 0,5% na passagem de agosto para setembro
André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, afirma que o resultado negativo contrasta com os três meses consecutivos de alta que havia antes. Ele afirmou, contudo, que parte da magnitude da queda de 1% na produção industrial do mês pode ser causada por um efeito calendário, pois em setembro foram apenas 19 dias úteis, contra 23 em agosto e 21 em setembro do ano passado:
A comparação da produção industrial de setembro sobre agosto (queda de 1%) leva em conta um ajuste sazonal, mas é possível que, com uma diferença tão grande, de quatro dias úteis a menos, pode não ter sido tão bem captada no ajuste.
E na comparação com setembro do ano passado também, a queda contra o mesmo mês do ano anterior, 3,8%, seria de apenas 1,4% se fizéssemos um ajuste sazonal nesta comparação, algo que nunca fazemos. Mas o fato é que tivemos um setembro com menor ritmo da produção industrial.
Segmento de máquinas e equipamentos recua 4,8%
Quase todas as categorias de uso registraram queda na produção em setembro: bens duráveis com queda de 1,4%, bens intermediários com redução de 1,1%, bens de capital com queda de 0,6% e bens de consumo com queda de 0,1%. A única exceção ficou com os bens semiduráveis e não-duráveis, que registraram estabilidade.
Entre os ramos industriais, 16 dos 27 analisados encolheram.
Chamou atenção a queda na produção do setor de máquinas e equipamentos, que foi de 4,8%. Foi a segunda contração seguida do segmento, que acumula recuo de 8,5% desde agosto. Esse ramo é acompanhado de perto pelos analistas porque costuma indicar o comportamento da economia no futuro:
se os empresários estão comprando mais máquinas hoje, significa que estão investindo para produzir mais amanhã.
Outras contribuições negativas vieram da categoria da produção de outros produtos químicos (-3,2%),
alimentos (-1,9%),
perfumaria, sabões e produtos de limpeza (-10,0%),
fumo (-11,7%) que devolveu parte do forte crescimento, de 35,6%, verificado em agosto indústrias extrativas (-1,6%),
veículos (-0,7%)
e mobiliário (-5,3%).
A diminuição na produção de veículos em setembro contrasta com a alta de 9,2% acumulada entre junho e agosto. Mas o segmento foi prejudicado pela fabricação de carros, que teve queda. Os caminhões, por outro lado, tiveram alta. Apesar de não indicar os números internos deste segmento, André Macedo afirma que esta relação entre carros e caminhões era inversa nos outros meses ou seja, carros aumentando a produção e caminhões puxando o setor para baixo.
Entre os ramos que ampliaram a produção e ajudaram a evitar queda maior na indústria, estão o farmacêutico (aumento de 6,0%) e de outros equipamentos de transporte (4,4%).
Endividamento e antecipação de compra
O gerente da pesquisa afirmou que há outros fatores que explicam a queda, como o aumento do endividamento das famílias e uma eventual antecipação de compras, em parte porque, em tese, a redução do IPI para automóveis acabaria na virada de agosto para setembro, depois prorrogado para o final de outubro e agora, para dezembro.
Ele acredita também que parte da redução pode ser justificada pela alta base de comparação, já que em agosto, por exemplo, a produção industrial havia registrado alta de 1,7%.
Macedo acredita, contudo, que parte desta queda da produção industrial pode ter aproveitado a alta das vendas para ajustar os seus estoques, o que poderia significar um bom momento no setor industrial no último trimestre. macedo disse que, historicamente, os meses de agosto, setembro e outubro são de picos da produção industrial por causa das encomendas de natal, mas disse que isso não é absoluto e que não se pode dizer que este mês está atípico, pois no ano passado também houve queda da produção industrial em setembro e porque, neste ano, a alteração do IPI para alguns segmentos pode ter alterado a dinâmica tradicional do setor industrial.
O Globo
01 de novembro de 2012

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