"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

OCIDENTE COMEÇA A COLHER AS PRIMEIRAS FLORES DO MAL DA DITA "PRIMAVERA ÁRABE"

 
Um dia, creio, o mundo terá clareza das burradas que Estados Unidos, Reino Unido e França fizeram durante a chamada “Primavera Árabe”. Tudo sob a liderança deste Demiurgo das Esferas chamadas Barack Obama. Leiam o que vai no Estadão Online. Volto em seguida.
 
*
Militantes islamitas do Mali atacaram um campo de gás natural, operado pela British Petroleum (BP), no sul da Argélia nesta quarta-feira, 16. Os agressores mataram um agente de segurança e sequestraram oito pessoas, incluindo um cidadão britânico, um norueguês e um japonês, segundo a mídia local e autoridades.
 
No entanto, as forças argelinas conseguiram cercar os sequestradores e negociações estão ocorrendo para a libertação dos reféns, disse uma fonte, que preferiu não se identificar.
 
A agência estatal de notícias da Argélia disse que um guarda foi morto durante o ataque e sete outros ficaram feridos, incluindo dois estrangeiros.
 
O ministério de Relações Exteriores do Reino Unido confirmou que “um incidente terrorista está ocorrendo” próximo ao campo de gás natural em Ain Amenas, a 100 quilômetros da fronteira com a Líbia e 1,3 mil quilômetros da capital do país, Argel. O órgão britânico não confirmou se algum cidadão do Reino Unido está envolvido no incidente.
 
A BP, junto com a empresa norueguesa Statoil e a estatal argelina Sonatrach, operam o campo. A JGC Corp, do Japão, também realiza serviços no local. A Statoil confirmou o ataque, acrescentando que possui 20 empregados no campo. Em um comunicado, a BP também confirmou que houve “um incidente de segurança nesta manhã” em Ain Amenas.
 
O braço da Al-Qaeda no norte da África tem agido no norte da Argélia e, ocasionalmente, no sul do deserto, mas nunca havia atacado um campo de petróleo ou de gás.
 
Voltei

A França do “pacifista” François Hollande interveio no Mali. Pode ter arrumado uma dor de cabeça e tanto. Não o fizesse, no entanto, boa parte do país cairia nas mãos do terrorismo islâmico. Pois é…
 
E de onde saíram alguns dos terroristas do Mali? Estavam combatendo o finado Muamar Kadafi, na Líbia, ao lado dos supostos “heróis de Benghazi” e, bem…, da Otan. Barack Obama, David Cameron e Nicolas Sarkozy não viram mal nenhum em abrir caminho, com bombardeios aéreos, para o avanço das forças terrestres anti-Kadaki.
O chato é que elas estavam coalhadas de jihadistas islâmicos.
Vejam este mapa do Norte da África. Observem que, entre a Líbia e o Mali, existe a Argélia.
 
 
Notem, agora, onde fica Ain Amenas, alvo do ataque terrorista.
 
 
Isso significa o óbvio: os terroristas se espalham hoje pelo Sul da Líbia e da Argélia e transitam livremente pelo Norte do Chade, Niger e, como é sabido, do Mali, onde encontraram as condições adequadas para uma organização de caráter militar. Convém não esquecer: são forças ligadas à Al Qaeda que lideram o confronto com o carniceiro Bashar Al Assad, na Síria.
 
Chamei Assad de “carniceiro”? Como eram, diga-se, Hosni Mubaraki e, muito especialmente, Muamar kadafi. O ponto não é saber se eles mereciam ser derrubados. A questão relevante é avaliar se os terroristas são aliados objetivos nessa causa. E eu acho que não são.
 
Esse flerte com o terror e com extremismo, tendo como pretexto a “Primavera Árabe” e o fim de ditaduras mal começou a cobrar o seu preço. Um equívoco não deixa de ser um equívoco, ainda que unanimemente aplaudido.
 
Lá vou eu fazer uma ironia que Jeca não entende: eu bem que adverti Obama, Cameron e Sakozy… O óbvio costuma acontecer.
 
16 de janeiro de 2013
Por Reinaldo Azevedo

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