"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 21 de maio de 2013

COLÔMBIA: SANTOS ACEITA AS MENTIRAS DO NARCOTERROR COMUNISTA


          Internacional - América Latina 
Na ideologia, esse ‘algo de verdade’ que encerra o poder de sedução, é o lugar mesmo da mentira e do que é mais falso. Esta regra se aplica à toda ideologia e particularmente à ideologia comunista.

As FARC convenceram os negociadores de Santos de que a prioridade dos diálogos em Havana não é alcançar a paz na Colômbia, senão obter “o fim do conflito”. A diferença entre um e outro não é tão tênue nem tão desinteressante como nos querem fazer crer. São dois cenários muito diferentes.
 
As FARC disseram que não estão dispostas e entregar as armas senão que elas, se chega-se a um acordo com Santos, “desaparecerão” como “apareceram” quando as FARC foram fundadas. Essa armas escondidas, estimam as FARC, são a garantia de que o pactuado será cumprido. Quer dizer, eles provavelmente desaparecerão suas armas mas não definitivamente.
 
A mensagem que as FARC enviam dessa maneira é que elas assinarão um papel para Santos se ele lhes garante o que diz o “marco jurídico para a paz”, quer dizer, a impunidade total de seus crimes e a liberdade completa para invadir o terreno político e midiático do país, e mais tudo o que estão pedindo em Havana: a exigência da “redução” das Forças Militares e a desmilitarização permanente de imensos territórios do país, mediante o pretexto das “zonas camponesas” (os 42.000 km² da triste época do Caguán não serão senão uma pálida lembrança do que querem obter agora), e a mudança da doutrina militar. Também irão querer mudar - por que não? - o sistema de alianças internacionais do país. Em troca disso, e a partir dessa assinatura, a cessação das ações armadas das FARC será efetiva, porém essa cessação será unicamente provisória.
 
Os ataques contra a sociedade e contra o Estado recomeçarão, evidentemente, quando as FARC considerarem oportuno. Para elas, tudo depende da situação interna do país e da evolução do campo internacional, especialmente da estabilidade das ditaduras que sustentam o projeto das FARC e do auge ou declínio do tráfico de drogas em nível mundial.
 
Todavia, trabalhar dessa maneira tão hipócrita não será violar o acordo com Santos, pois as FARC não teriam pactuado com ele desmantelar suas estruturas de força e deixar definitivamente a Colômbia em paz, senão unicamente chegar a um “fim do conflito”.
 
As FARC não pactuarão sequer pôr um fim definitivo ao conflito. Elas aceitariam chegar a um fim provisório do conflito. Essa perversão dos objetivos anunciados por Santos desde há seis meses, quando começaram os encontros “confidenciais”em Cuba, já foi aceita pelos negociadores de Santos. Eles engoliram esse conto como se isto não significasse nada. A prova é que um dos negociadores, sem ser desautorizado por Santos, disse dia desses explicitamente em Bogotá: o objetivo é obter “o fim do conflito”.
 
Esse fim do conflito poderia durar alguns meses, enquanto as FARC se reorganizam e reforçam. Ao conservar as armas, conservariam também uma parte substancial dos guerrilheiros (para esconder as armas é necessário ter gente armada que as esconda). Quando tenham melhorado sua posição, e quando as ditaduras que alimentam a ação das FARC decidirem (uma parte dos chefes farianos continuará obviamente na clandestinidade ou fora do país após o acordo), a agressão contra a Colômbia poderá ser retomada com força mediante a reativação daquela parte das frentes mais experimentadas e cocaineiros que não haviam se desmobilizado. E para isso contarão com a participação diplomática e até militar - por que não? - dos poderes vizinhos desesperados.
 
Não haverá, pois, nem entrega de armas, nem desmobilização real das estruturas armadas das FARC, nem paz. Quer dizer, não haverá nada para a Colômbia e haverá sim muitas vantagens para os narcoterroristas. Uma espada de Damocles penderá sobre o país graças a esses falsos acordos. Isso é o que Santos e as FARC pretendem que os colombianos aceitemos, e que a comunidade internacional saúde como um grande progresso e como um grande ato de construção de paz na Colômbia. O que seguirá é o Prêmio Nobel da Paz e a re-eleição do “presidente mais progressista de todos os tempos”.
 
Semelhante traição aos interesses imediatos e estratégicos da Colômbia e do continente americano, é o que Santos quer impor à força ao país.
 
Quem não vai engolir inteiro, sobretudo isso da anistia plena para os experimentados criminosos das FARC, o da lei de perdão e esquecimento que Santos decretou com o “marco jurídico para a paz”, será o Procurador Geral da Nação e com ele as organizações e movimentos uribistas, e as correntes majoritárias autenticamente amantes das liberdade e do país. E no campo internacional haverá o rechaço da Corte Interamericana de Direitos Humanos e da Corte Penal Internacional, e das ONG, como Human Rights Watch que vêm dizendo há meses que nem os crimes de guerra nem os crimes contra a humanidade podem ser anistiados nem indultados, embora haja em curso um processo de transição da guerra à paz.
 
Como se chegou a essa situação em que os negociadores de Santos, que supõe-se estão em Havana para defender os interesses da Colômbia, terminaram aceitando as propostas das FARC e traindo a Colômbia?
“Há uma regra geral”, adverte o historiador francês Alain Besançon. “Quando se está frente a um regime ideológico, a primeira coisa que se deve fazer, e a linha que deve-se manter até o fim, é rechaçar sem discussão a descrição da realidade que o estabelece.
Se metemos um dedo na engrenagem e se aceitamos que nessa descrição há ‘algo de verdade’, se aceitamos, por exemplo, que existem arianos e não arianos, e que, em conseqüência, existe um ‘problema judeu’, estamos perdidos e a vontade claudicará ante uma inteligência falseada.
Não nos resta outra coisa que suplicar aos ‘arianos’ que resolvam ‘humanamente’ o ‘problema’”. Besançon continua: “Na ideologia, esse ‘algo de verdade’ que encerra o poder de sedução, é o lugar mesmo da mentira e do que é mais falso. Esta regra se aplica à toda ideologia e particularmente à ideologia comunista”.
 
Isso é o que ocorreu nos diálogos de Havana. Quando os negociadores de Santos aceitam que há “algo de verdade” na proposição das FARC de que “o conflito” foi engendrado “pela pobreza no campo” e não pela decisão política unilateral de um partido que queria tomar o poder para sovietizar o país, devem acabar admitindo, como admitiram, que precisa-se fazer a mudança “revolucionária de estruturas” com e segundo os gostos dos terroristas.
 
Se os negociadores aceitam que “há algo de verdade” nisso de que “abandonamos o campo colombiano”, e que por isso “os filhos dos camponeses não podem chegar às universidades nem podem receber serviços de saúde”, tal descrição falsa da realidade (pois exagerada), leva-os direto à impostura de que deve-se fazer a “reforma agrária revolucionária”, que deve-se aceitar a expropriação das melhores terras “dos ricos” para dá-las “aos pobres” e que, em última instância, o capitalismo deve ser abolido e substituído por um sistema coletivista. E que a democracia é um fracasso, pois causou tais calamidades.
 
Nisso estamos nesses diálogos em Havana. Para lá vão as famosas “conversações de paz” e sem que consiga nada para o jorro demagógico dos senhores Catatumbo e Márquez. Como Santos, para posar com uma imagem de “presidente progressista”, aceitou discutir as fantasias e mentiras de uma força comunista derrotada, agora seus negociadores estão em um limbo teórico e político: não sabem o que dizer nem o que propor, pois são obrigados a seguir essa lógica e a se ajoelhar ante os discursos inflamados desses derrotados. Por isso toda a Colômbia, segundo eles, pode e deve ser negociada.
 
Isso é o que tem desesperado e ofendido o país: a atitude inepta e insidiosa de um Estado democrático que termina capitulando, pelos desatinos egoístas de um mandatário, ante uma minoria terrorista.
21 de maio de 2013
Eduardo Mackenzie
Tradução: Graça Salgueiro

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