"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A CRISE ATUAL E UMA COMPARAÇÃO INEVITÁVEL COM O GOVERNO COLLOR, O PIOR QUE O PAÍS JÁ TEVE


Se a questão é conceituar governos que mais crimes cometeram, corrupção desenfreada ou prejuízos ao País e à população, Collor é incomparável. Nenhum imperador, presidente ou ditador que tivemos, desde nosso descobrimento, teve a audácia de confiscar o dinheiro do povo. Nenhum.

No entanto, propositadamente ou não, Collor não é mencionado pelos petistas. Por quê?
Questão de afinamento político? Certamente que não. Collor mudou? Claro que não. E não estou defendendo FHC, que foi outro péssimo presidente no seu segundo mandato.


Mas, quantos brasileiros morreram no transcurso daquele um ano e meio depois que tiveram seu dinheiro criminosamente confiscado, até Collor e sua equipe econômica começarem a devolver os recursos dos poupadores, e levaria mais 18 meses até sua integralização, 36 meses depois.

Quantos milhões de cidadãos e cidadãs foram prejudicados em suas vidas por esta atitude ignominiosa e cruel de um deslumbrado pelo Poder?

Menos de seis meses depois do lançamento do Plano Collor I, o aumento da inflação levou o governo a elaborar novo "pacote" ou "medida de impacto": o Plano Collor II. Desde o início, a medida enfrentou forte oposição popular e empresarial. E assim como o primeiro plano, este também fracassou.
O PT, onde está que não fala disso?

Os planos econômicos do governo Collor pecaram pelo autoritarismo e pelo intervencionismo exagerado, numa violência contra o sistema econômico.
Foi maciça a transferência de renda do setor privado para o setor público. As radicais mudanças econômicas impostas à nação – congelamentos, confiscos, bloqueios, interferência nos sistemas de contratos econômicos – não conseguiram eliminar a inflação nem dar estabilidade à economia.

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US$ 80 BILHÕES!!!


Somente o primeiro plano bloqueou o equivalente a 80 bilhões de dólares. Como reflexo do impacto causado à nação, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 6% nos três primeiros meses do governo.

Em maio de 1991, a ministra Zélia Cardoso de Mello demitiu-se. Marcílio Marques Moreira, embaixador brasileiro em Washington, assumiu o Ministério da Economia. Não adotou choques ou congelamentos, mas também não conseguiu acabar com a inflação, porque tentou jogá-la para debaixo do tapete, lembram?

Não houve governo pior do que o de Collor de Mello. Queiram ou não, isto é História, não se trata de versões ou meramente opiniões que possam alterar a realidade dos fatos. Neste particular, FHC e Lula não chegaram aos pés de Collor em seus escândalos pessoais e no governo.

E não há um registro sequer de algum petista reclamar do bombardeio que Collor sofreu da imprensa. Ao contrário, via-se êxtase em desforra da derrota que ele havia aplicado em Lula nas eleições. As manchetes em letras garrafais eram a vingança, um prato que se come frio.

Que fim levou este antagonismo? Bem ou mal, FHC liquidou com a inflação. Deixou o Plano Real para seu sucessor (Lula) que era radicalmente contra este programa econômico, a ponto de Lula confessar que, na oposição, ele e o PT cometeram muitas "bravatas"!

Se é para mensurar os crimes cometidos antes da era Lula, então que se faça corretamente tal medição, sob pena de se informar mal o frequentador deste espaço democrático ou, pior, demonstrar uma tendência política que prejudica a verdade, que tenta escondê-la, mascará-la, e tal procedimento é simplesmente desonestidade.

17 de dezembro de 2012
Francisco Bendl

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