"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 17 de abril de 2013

"BRASIL É A PROJEÇÃO NO ESPELHO DE UMA IMAGEM FEIA DO MÉXICO" - DIZ FINANCIAL TIMES


O México está bonito na foto e o Brasil aparece feio. Esse é o resumo de uma reportagem publicada nesta quarta-feira em especial do site do jornal Financial Times sobre moedas e investimentos estrangeiros em 2013.
Com o título "Brasil é a projeção no espelho de uma imagem feia do México", o texto repete a tese de que o baixo crescimento da economia ameaça a atratividade do País na disputa por capitais estrangeiros.
Para a reportagem, o governo e o Banco Central "estão mais ou menos" comprometidos com a meta de inflação e o câmbio flutuante.

"Brasil, o original guerreiro cambial acostumado a desencorajar os fluxos de capital durante os anos de boom entre 2009 e 2011, encontra-se agora em um mundo diferente no mercado cambial e no comércio global", diz o texto assinado por Joe Leahy, chefe da sucursal do FT em São Paulo. "O Brasil foi um crítico da política monetária frouxa dos Estados Unidos e outros países desenvolvidos. Isso desencadeou uma enxurrada de dinheiro para o País, fortalecendo a moeda e tornando a indústria nacional menos competitiva. Mas o desafio de longo prazo parece cada vez mais ser como atrair o fluxo de capital estrangeiro ao invés de repeli-lo", diz o jornalista.

Leahy argumenta que os fluxos de capitais para países emergentes devem continuar após o histórico pacote de incentivo anunciado pelo Japão e a manutenção por mais alguns meses das medidas nos Estados Unidos. Nesse ambiente, diz, "aumenta a concorrência entre os países em desenvolvimento para atrair a atenção dos investidores".

"É nesse desfile de beleza que o Brasil, com o crescimento de menos de 1% no ano passado e uma deterioração da conta corrente, está parecendo menos atraente para atrair recursos para portfólio e investimento estrangeiro direto quando comparado a países, como o México, que estão envolvidos em reformas políticas e econômicas", diz a reportagem, que ouviu analistas de instituições financeiras e agências de classificação de risco.

A reportagem reconhece que o Brasil "não enfrenta nenhum tipo de crise", mas acusa as autoridades brasileiras de serem apenas "mais ou menos comprometidas" com dois pilares do tripé macroeconômico: a meta de inflação e o câmbio flutuante. "O País ainda tem uma das maiores reservas mundiais, com cerca de US$ 377 bilhões, um sistema financeiro sólido e um governo e um Banco Central ainda mais ou menos comprometido com a meta de inflação e em manter uma taxa de câmbio flutuante", diz.

Nesse desfile de beleza com o Brasil menos atrativo e o México com cada vez mais fãs, o FT reconhece, porém, que o governo brasileiro tem "uma série de cartas na manga" para tentar reavivar o interesse no mercado nacional. Entre eles, a reportagem cita a possibilidade de alteração de alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

17 de abril de 2013
Yolanda Fordelone
Fernando Nakagawa, correspondente da Agência Estado
Leia matéria em inglês aqui

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