"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A SOLUÇÃO ESTÁ NO CÉU?


Ficamos angustiados pelo fato de sabermos que existem dezenas de soluções para nossos problemas e elas apenas são sugeridas nos fóruns e debates que se proliferam pelas comunidades virtuais e pela mídia. Mas é preciso que alguma entidade de credibilidade (ou uma personalidade muito conceituada) tome a liderança de uma cruzada que force os dirigentes a agirem ao invés de ficarem obstruindo os processos com burocracias estúpidas que empurram o problema (aumentado) para a administração seguinte.
 
Na época em que o Cruzado do Sarney esteve no auge, houve algum entusiasmo por parte do povo, quando um consumidor chegou a fechar as portas de um mercado que praticava preços exorbitantes. Mas para isto é preciso que a bandeira esteja sempre tremulando, que seja vista em todo local, durante 24 horas do dia. Que seja o assunto predominante do dia nas escolas, igrejas, clubes e local de trabalho. Sem o apoio da mídia, isto não ocorre. Jogam uma novela de baixarias no ar e hipnotizam o rebanho.
 
Quem vai despertá-lo?
 
Não será com nossas (minhas, suas e de nossos colegas de listas) reclamações e denúncias que um movimento imediato atingirá algum setor importante da sociedade. O alto escalão caga (perdoem) solenemente para nossos sussurros. Teria de acontecer um "milagre" que despertasse alguém de voz poderosa (por que a Igreja anda calada agora e na época do Collor se fez presente?) e penetrante para criar uma corrente para causar a reviravolta aguardada e que começasse de imediato. Mas não temos mais líderes de confiança.
 
Os poucos que poderiam nos conduzir já foram contaminados pela chama do interesse pessoal. Um Desembargador do Rio, se valeu do cargo para abrir queixa contra uma Guarda Municipal que multou o carro do seu (dele) filho por estar estacionado irregularmente em Copacabana.
 
É a velha prática de se aproveitar do cargo para abusar de vantagens e imaginar que está acima da Lei (que eles mesmos escrevem – para os outros). Líderes sindicais que no passado comandaram greves hoje vestem ternos e sentam em poltronas macias de gabinetes atapetados.
 
Nossa indignação se alastra muito lentamente em pontos longínquos e de pouca luminosidade, o que permite aos abutres apagar qualquer foco mais intenso de revolta com uma cesta de alimentos para uma semana.
 
Por isto minha impressão é que algo útil só deve começar dentro de 50 a 100 anos (otimistamente) quando 95% da classe média (a que forma opiniões) tiverem "despencado" do asfalto para o alto das favelas (a lei da gravidade que me perdoe).
 
O Secretário de Segurança do Rio disse que só Jesus Cristo pode resolver o problema (que é simples mas não desejam equacionar) da violência na cidade. Portanto, para minimizar os problemas da saúde, educação, emprego, moradia, limpeza e outros, somente reunindo todos os santos. Então a solução fugiu das mãos do ser humano.
 
Amém.

14 de agosto de 2013 Haroldo P. Barboza é Professor e Escritor.

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