"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 25 de dezembro de 2011

QUAL SERÁ O FUTURO DA CORÉIA DO NORTE?

Reunificação com o Sul? Abertura democrática? Anexação chinesa? Ou apenas mais algumas décadas de isolamento político?
Choros públicos obrigatórios. Essas três palavras são um bom resumo do que a vida se tornou na Coreia do Norte sob a dinastia dos Kim desde 1949. Assim que a agência estatal de notícias divulgou a informação de que o “Querido Líder” Kim Jong-Il havia morrido, as praças públicas de Pyongyang começaram a se encher de cidadãos que choravam seguindo ordens dos diretores da TV estatal que gravavam o espetáculo, e rapidamente levaram as imagens ao YouTube.

Em todos os vídeos, desde o começo os choros parecem falsos, mas depois de alguns minutos, certas cenas de agonia por parte da população pareciam autênticas. Foi assim que a loucura dos Kim dominou a Coreia do Norte: transformando mentiras em realidade.

Na Coreia do Norte, no entanto, a verdade nunca foi algo baseado em fatos, e sim nas inspirações dos Kim. A maior parte da “verdade” norte-coreana é uma confecção de mentiras deslavadas, uma falsa realidade imposta com tanta brutalidade sobre pessoas absolutamente isoladas de qualquer fonte alternativa de informações, que acaba se tornando a única realidade que elas têm.

Um norte-coreano que não acredita em todas as afirmações do Estado fica perdido no vazio do descrédito, já que é impossível, na nação de Kim Il Sung – como a Coreia do Norte é chamada nos discursos locais -, acreditar em qualquer outra coisa.
“As pessoas são o meu Deus”, afirmou Kim Il-Sung, mas é na frente das enormes estátuas em sua homenagem que as pessoas se curvam e choram, seu nome é aquele que não deve ser usado em vão, e é sob seus ensinamentos que a população norte-coreana deve viver.
Quem, num cenário como esse, ousaria falar o que vem à mente, ou, mais ainda, conseguiria ter uma visão ampla o suficiente para se rebelar contra o regime?

Mas o que sempre fez da Coreia do Norte um lugar realmente assustador é que, dentro de sua visão de mundo distorcida, Pyongyang se comporta de maneira racional. Nunca um estado tão pequeno e economicamente fraco conseguiu fazer de si mesmo algo tão importante para a política mundial.

Uma das grandes razões para a manutenção da Coreia do Norte é o pavor que seus vizinhos sul-coreanos têm de um colapso na república comunista.
Embora a Guerra da Coreia nunca tenha acabado – e mais de onze milhões de famílias coreanas permaneçam separadas pela divisão da península -, a Coreia do Sul vem, há várias décadas, tentando evitar a implosão da Coreia do Norte ao invés de tentar promovê-la, para evitar os elevados custos da integração que tiveram um enorme peso sobre a Alemanha Ocidental quando esta absorveu a porção oriental e ex-comunista do país.
Logo, o maior aliado dos Estados Unidos no Sudeste Asiático ajuda, com frequência, o maior inimigo do país na mesma região.

Quando a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA) se fundiram, a população da república oriental era apenas 25% da população da república ocidental. A renda per capita dos habitantes da RDA era um terço da renda dos habitantes da RFA. Ainda assim, estima-se que quase 2 trilhões de dólares tenham sido gastos na reunificação.

E o abismo que separa as duas Coreias é bem maior. O número de habitantes da Coreia do Norte corresponde a 50% da população sul-coreana. A renda per capita dos norte-coreanos é apenas 5% da renda dos sul-coreanos.
Ha 40 anos, os dois países se encontravam no mesmo patamar. Hoje, os dois países se encontram estarrecedoramente distantes.

20/12/2011
Opinião e Notícia

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