"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 29 de julho de 2012

MENSALÃO. NOS EUA, O POVO TEM LEVADO A MELHOR NA LUTA CONTRA OS LARÁPIOS. NO BRASIL, TEM SIDO O CONTRÁRIO

O dia em que Delúbio chamou R$ 5 milhões de “mixaria”!

Na série de reportagens relacionadas ao mensalão, a VEJA desta semana traz um texto de André Petry sobre a malandragem política nos EUA e as consequências para os malandros. Naquele país, o povo tem levado sistematicamente a melhor na luta contra os larápios. No Brasil, tem sido o contrário. Reproduzo um trecho. Volto seguida.

Larry Seabrook tem 61 anos e viveu as últimas três décadas como estrela na política de Nova York. Foi deputado, senador estadual e vereador eleito pelo Bronx. Agora, depois de ser apanhado desviando milhares de dólares de dinheiro público através de uma fundação, passará a velhice na cadeia.
No julgamento realizado na semana passada, a defesa de Seabrook não contestou a existência da rede de corrupção.
A tese dos seus advogados é que Seabrook não sabia de nada. Familiar? Era o chefe, contratou todos os envolvidos, mas não sabia de nada. Não colou.
O caso de Seabrook, que demorou dois anos do começo da investigação à sentença da semana passada, não tem nada de especial.
Ele é apenas o mais recente político corrupto a ser mandado para a cadeia — mas é exatamente por isso, por ser apenas mais um caso entre vários, que sua condenação tem valor pedagógico.

A repetida punição de corruptos que atuam nos níveis inferiores da política — nas prefeituras e câmaras de vereadores, nas assembleias e governos estaduais — é o anteparo que preserva Washington, a capital federal, do cotidiano de escândalos de corrupção.
Como as instituições estaduais e municipais funcionam e a vigilância é incessante, é mais difícil que ladrões, mensaleiros e criminosos diversos consigam chegar ao Congresso americano. Quando chegam, o braço da lei revela-se longo.
(…)
Leia a íntegra do texto na edição impressa. Abaixo, segue uma lista de figurões americanos que foram pegos com a boca da botija.
Peço que vocês prestem atenção aos valores envolvidos nas malandragens. Tudo muito modesto se comparado com o que fazem os larápios brasileiros. Vejam (se preciso, clique nas imagens para ampliá-las e facilitar a leitura). Volto para encerrar



Encerro: Delúbio e a mixaria

Prestaram atenção aos valores? No dia 2, começa o julgamento do mensalão. Uma das estrelas que estão no banco dos réus é Delúbio Soares.
Num depoimento à CPI dos Correios, em 2005, indagado por um parlamentar sobre o valor de uma determinada operação irregular, o ex-tesoureiro do PT afirmou: “Era mixaria, deputado, coisa de cinco milhões de reais”.

Nos EUA, um país pobre, quaisquer US$ 65 mil dólares podem levar um político a ficar oito anos na cadeia — e ainda obrigado a devolver aos cofres públicos o mesmo valor da transação considerada ilegal.
No Brasil, um país rico, R$ 5 milhões (mais ou menos US$ 2,5 milhões) são considerados “mixaria”. E é grande a possibilidade, claro!, de que Delúbio fique solto.

29 de julho de 2012
Por Reinaldo Azevedo

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