"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 28 de novembro de 2011

HISTÓRIAS DA POLÍTICA

Não atrase, por favor

Fialho Pacheco era repórter de polícia do “Estado de Minas”, em Belo Horizonte, anos atrás. Escrevia bem e gostava de transformar os fatos mais duros do noticiário policial em textos literários, densos e tensos.

Uma tarde, um homem saltou para a morte do 22º andar do edifício Acaiaca, em plena Avenida Afonso Pena, no Centro da cidade, acima de nossa saudosa Faculdade de Filosofia da UFMG, que funcionava no 20º e no 21º andar.

Fialho escreveu um texto longo, dolorido, espremendo ao máximo a tragédia. O homem havia perdido tudo, emprego, mulher, filhos e amigos. Desesperou-se e pulou. O jornal deu a matéria com grande destaque, manchete e fotos.

***
FIALHO

No dia seguinte, de manhã, tocou o telefone na redação, chamando Fialho:

- Que beleza de coisas o senhor escreveu, seu Fialho. E não deve ter exagerado nada. Estou vivendo a mesma situação. Também perdi meu emprego, minha mulher me abandonou, meus filhos foram com ela, meus amigos não querem saber mais de mim, não tenho dinheiro para nada. Como ele, também vou me matar.

- Que maravilha! Também vai pular? De onde? E que hora vai ser?

O homem explicou tudo. Fialho ficou na maior empolgação:

- Então, está tudo combinado. Vou levar um fotógrafo para não perder nada. Na hora certa, estarei lá com ele. Mas, por favor, não atrase, ouviu? Não atrase!

O homem não atrasou. Pulou para a morte na hora marcada. Sem atraso nenhum. Fialho viu, fotografou tudo. E escreveu mais um texto sangrado, desesperado.

***
PARTIDOS CAMALEÕES

Os partidos que viraram camaleões para se salvarem na enxurrada do Mensalão (o PTB de Roberto Jefferson, o PP de Maluf, o PR de Valdemar Costa Neto, o PRB do “bispo” Macedo e os partidecos) ou são apenas paulistas ou existem nos estados como escritórios de representação de uma matriz paulista. Enquanto Lula e Dilma forem os editores do “Diario Oficial”, fazem o que eles mandarem.

O chamado “bloquinho” de pequenos partidos “de esquerda” (PSB, PDT, PC do B, PV etc.), que apóiam Lula e Dilma, é um punhado de banquinhas de camelô vendendo DVDs e CDs piratas. Não têm nenhum compromisso com o que existe lá dentro, gravado em seus programas políticos.

Cada “amostra de partido” desses (os camaleões, os do bloquinho etc.) vai ficar em 2014 com os candidatos melhor cotados na Bolsa de Futuro das eleições. Ou então vão se suicidar na frente do Fialho.

Sebastião Nery

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