"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 3 de janeiro de 2012

DÚVIDA CRUEL: AFINAL, A JUSTIÇA SUIÇA LEVANTOU OU NÃO O SIGILO DO PROCESSO QUE INCRIMINARIA RICARDO TEIXEIRA?

Ricardo Teixeira é uma das figuras mais representativas e emblemáticas do Brasil de hoje. Transformou a Confederação Brasileira de Futebol num feudo e lá ele reina, soberano e irremovível.

Mas agora a jornalista Monica Bergamo, da Folha, revela que voltou a circular com força a informação de que Ricardo Teixeira pode deixar definitivamente a CBF. Faria isso na esteira da decisão da Justiça suíça de suspender o sigilo do dossiê do caso ISL, o maior escândalo de corrupção da história da Fifa.

Segundo Mônica Bergamo, o dossiê revelaria que Teixeira e seu ex-sogro e mentor João Havelange devolveram dinheiro de propinas após fazerem, junto com a entidade, acordo para encerrar sob sigilo uma investigação criminal na Suiça, em 2010.

Na semana passada, o jornal suíço “Handelszeitung” publicou que um tribunal do país rejeitou a ação que bloqueava os documentos. E que, com isso, eles serão abertos em até 30 dias, caso nenhum dos dois cartolas envolvidos recorra da ação.

Os documentos tratam da falência da ISL, ex-parceira de marketing da Fifa, e mostraria que os dois dirigentes receberam US$ 100 milhões (R$ 186 mi) em subornos.
O processo judicial de falência da ISL constatou o pagamento de subornos a dirigentes nos anos 1990. Tais informações são mantidas em sigilo por conta do acordo judicial. Dois cartolas da Fifa admitiram ter recebido suborno, pagaram multas e foram mantidos anônimos.

Segundo a BBC, os dois cartolas seriam Teixeira e Havelange, envolvidos no caso, que permanece sob sigilo judicial na Suíça.
Após lutar por esse sigilo, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, mudou de ideia e prometeu divulgar o processo para limpar sua imagem e a da Federação. Mas recuou sob o argumento de que uma liminar foi obtida para impedir a publicação do dossiê. Extraoficialmente, a Fifa atribui essa medida liminar a Havelange e Teixeira.

Agora, se o tribunal suíço cassou a liminar, a coisa muda inteiramente de figura. A CBF não se pronuncia oficialmente desde que o caso explodiu. Interlocutores de Teixeira afirmam, no entanto, que ele não pretende se afastar da entidade. Como se isso fosse alguma novidade.

O que se estranha é o silêncio da imprensa inglesa. Se a decisão do tribunal fosse verdadeira, isso seria notícia de grande destaque em todos os jornais londrinos. Então, é melhor aguardar novas informações, já que cabe recurso para manter o sigilo. E la nave va, fellinianamente.

03 de janeiro de 2012
Carlos Newton

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