"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O QUE 2012 DEIXOU PARA 2013 RESOLVER

 

O ano de 2013 tem vários pontos de dúvida. Um bem aqui próximo: o que vai acontecer na Venezuela? Nos Estados Unidos, a intransigência diante do abismo fiscal mostra que o segundo mandato de Barack Obama será de seguidas batalhas.
No Brasil, como deve ficar o confronto entre o Supremo e a Câmara sobre o mandato dos condenados no processo do mensalão?

Esses pontos de dúvida vão marcar o desenrolar do ano.

Na América Latina, o PRI voltou em dezembro ao poder no México. O país começa a colher algumas boas notícias na área econômica. Depois de hibernar por algum tempo, no ano passado o México cresceu mais que o Brasil.

A violência, contudo, continua sendo um obstáculo ao desenvolvimento, mas será importante acompanhar o desempenho de Enrique Peña Nieto no mandato que lá é de seis anos. Ele prometeu lutar o mais rapidamente possível pela aprovação de reformas nas áreas tributária e petrolífera.

Na Venezuela, a dúvida é mais aguda e imediata. Não se sabe quem governará o país, na hipótese do agravamento do estado de saúde do presidente Hugo Chávez.

A incerteza é tão absoluta que não se sabe a data da posse ou se haverá novas eleições em 2013. O ano pode ser o primeiro do pós-Chávez para o conturbado vizinho. Mas o que já se sabe é que o país está longe de superar as fraturas aprofundadas nos últimos anos.

O primeiro ano do último mandato de Barack Obama começou com a sombra da corda esticada até o último momento sobre o abismo fiscal. Foi possível ver que continuará o bloqueio parlamentar para tentar impedir avanços no governo dele.

Se no primeiro mandato Obama aprovou a reforma da saúde, a dúvida agora é que briga ele escolherá brigar no segundo mandato. Não conseguirá ganhar nada se estiver em várias frentes.

No Brasil, qual será a dimensão da reforma ministerial do governo Dilma? A ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, não teve o desempenho esperado e já encontrou a explicação ideal para sair em algum momento: quer disputar o governo do Paraná e precisa de tempo para a campanha.

O ministro Edson Lobão está com problemas de saúde e o ministério deve sair da órbita do senador José Sarney.

Pelo ministro Antonio Patriota a presidente já deu demonstrações de não ter o mesmo apreço que unia o ministro Celso Amorim ao presidente Lula. Qual será a dimensão dessa reestruturação do governo é um dos pontos de dúvida do governo Dilma nesse começo das atividades do ano.

A grande dúvida no Brasil, no entanto, será sobre os desdobramentos das condenações do mensalão. Quando acabar o período de recursos, o que vai acontecer?
 
O PT escolherá o caminho de atacar o Supremo Tribunal Federal, quando os condenados estiverem indo para a prisão ou vai preferir seguir a rota apontada pelo governador Tarso Genro de mudar a agenda?
 
Muito provavelmente ficará dividido, mas a maioria vai preferir mudar a agenda já de olho nas próximas eleições.

Na Câmara, a dúvida é se a proposta de confrontar o STF ensaiada pelo deputado Marco Maia será levada adiante ou se o bom senso vai prevalecer.
 
Tudo fica mais dramático com o fato de que José Genoino assumirá uma cadeira na Câmara no início do ano legislativo. Mais sensato será evitar o radicalismo Maia.
 
Logo na volta do Congresso, o assunto dos royalties retornará e o resultado mais provável nas duas casas é a derrota do Rio e Espírito Santo. É uma questão aritmética. Além disso, prefeitos e governadores já estão contando com o dinheiro a mais.
 
A dúvida é se a presidente Dilma trabalhará de alguma forma para contornar o conflito federativo ou se vai continuar dizendo que já fez o que podia. O tema deve ter um desdobramento no Supremo.
Na Europa, a agenda de 2013 tem, como virou rotina, vários pontos de dúvida, mas a mais imediata delas é se até 15 de março o continente conseguirá fazer o primeiro esboço da união bancária como se propôs.
 
A maior dúvida, no entanto, é como se comportará a Europa em outro ano de recessão.
Na China, vai começar um governo novo, de Xi Jinping. Com a previsibilidade enfadonha das ditaduras, pode-se dizer que nada mudará de imediato, nem de forma dramática, seja na economia ou na política.
 
Mas haverá mudanças. De que extensão e em que direção? A China será outro ponto de dúvida de 2013. A coluna continuará aqui nesse ponto a ponto de 2013.

02 de janeiro de 2013
Miriam Leitão, O Globo

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