"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 11 de março de 2013

A DESMORALIZAÇÃO EM APENAS UM MINUTO E MEIO

Uma jovem jornalista precisou de um minuto e meio para desmoralizar o bufão bolivariano




Em menos de 10 minutos, o vídeo ergue um monumento ao jornalismo de verdade e, simultaneamente, escancara a grandiosa pequenez de um farsante.

Repórter da Rádio França Internacional, a jovem venezuelana Andreina Flores precisou de 1 minuto e 39 segundos para emparedar o presidente Hugo Chávez com a interrogação que inquieta os democratas do mundo inteiro.

Se o governo ganhou as eleições parlamentares por uma diferença ligeiramente superior a 100 mil votos, como pôde instalar no Congresso uma bancada que tem 37 integrantes a mais que a formada pela oposição?
A distorção não seria fruto das mudanças introduzidas por Chávez no sistema eleitoral às vésperas da votação, concebidas para impedir que as urnas traduzissem efetivamente a vontade popular?

Clara, concisa, corajosa, Andreina disse tudo o que o embrião de ditador não queria ouvir.
A apresentação de Chávez ocupa os 7 minutos e 58 segundos restantes.
Vestido de bandeira venezuelana, o cabo eleitoral de Dilma Rousseff, a quem Lula se refere como “amigo querido”, mistura piadas infames, grosserias, sorrisos amarelos, frases desconexas, falácias, provocações, cafajestagens, patriotadas malandras, insinuações preconceituosas, truques de quinta categoria, ameaças veladas ou ostensivas ─ tudo, menos argumentos consistentes.
Sentada na primeira fileira, sem arrogância e sem medo, Andreina continua à espera de respostas que não virão.

O rei Juan Carlos desmoralizou o bufão bolivariano com a célebre ordem para calar-se. A jornalista venezuelana desmoralizou-o ao exigir que falasse.

11 de março de 2013
Augusto Nunes
(publicado em 29 de setembro de 2010)

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