"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 29 de julho de 2013

NINGUÉM SOUBE, NINGUÉM VIU, NINGUÉM NOTICIOU

 


No início da tarde de terça-feira passada (23), após ter descansado da maratona de sua viagem do dia anterior, o Papa Francisco acordou na Residência Assunção no Sumaré determinado a visitar um centro educacional para menores infratores.

“Eu vim para a jornada da juventude e os jovens que cumprem pena não devem ser excluídos da jornada. Se eles não podem vir a mim, eu é que vou até eles. Onde fica? “, disse e perguntou o Papa. “Não é muito longe, Santidade, fica na Ilha do Governador, próximo ao aeroporto onde seu avião pousou ontem. É o Centro Socioeducacional Dom Bosco, recentemente inaugurado. “Vou lá. E agora”, decidiu o Papa.

Ordem dada, ordem cumprida. Francisco concordou que sua visita não fosse divulgada, nem presenciada pelos jornalistas. E despistando a imprensa, o Papa embarcou em um automóvel preto, indevassável, e com ele dois outros prelados.
O carro do Papa foi seguido à frente por veículos com policiais federais. Atrás, por viaturas com integrantes da guarda suíça.

E assim o comboio desceu do Sumaré e chegou até a Estrada dos Maracajás, no Galeão, Ilha do Governador, onde fica o Centro Socioeducacional Dom Bosco, no terreno ao lado do inferno que era o Instituto Padre Severino.
Ao longo do percurso, sem batedores, a comitiva parou em todos os sinais de trânsito que estavam fechados e enfrentou alguns congestionamentos, não muito demorados.

Ao chegar, de surpresa, ao referido centro socioeducacional, os automóveis não tiveram problema para entrar no pátio do estacionamento. Lá dentro, o Papa desceu do carro e logo foi reconhecido pelos menores, entre 12 e 18 anos, que naquele momento estavam no campo de futebol.

Foi uma festa. Presente, o diretor do centro e demais funcionários não acreditavam no que estavam vendo e ocorrendo. E no próprio gramado, Francisco se reuniu com 30 menores que lá se encontravam e logo apareceram os 28 restantes, que estavam nas salas de aula.

TODOS SOMOS PECADORES 

O Papa começou dizendo a eles: “Meus jovens, Cristo e a Igreja precisam muito mais de vocês e vocês de Cristo e da Igreja, do que os outros jovens que estão lá fora. Todos nós somos pecadores. Todos nós erramos. Mas nem os nossos erros, nem os nossos pecados nos afastam de Jesus, que continua a nos amar. Em cada um de vocês Jesus Cristo está vivo e presente. Mas é preciso que alguém nos diga isso…que cada um de vocês saiba disso…saiba e tenha a certeza disso. Se vocês não sabem, Jesus não pode se revelar a vocês…porque vocês não sabem…não conhecem Jesus…e como uma pessoa, que não conhece a outra e nem sabe que a outra existe e está perto, bem dentro de nós, pode fazer pedidos?…pode saber que não está só?….que  tem em sua defesa um pai forte, fiel, bondoso e eterno?”

E continuou o Papa pregando: “O Papa viajou até aqui, a Cidade do Rio de Janeiro ,para se reunir com a juventude do mundo todo e milhares e milhares de jovens como vocês, brasileiros e estrangeiros, já chegaram nesta maravilhosa cidade, abençoada pela imagem do Cristo Redentor, lá no alto do morro do Corcovado.   

Vocês, meus queridos filhos, que não podem estar lá do lado de fora para se reunir com essa multidão de jovens, tão cheios de esperança, tão cheios de fé em Cristo Jesus e na Igreja, fé e esperança que também estão no coração de cada um de vocês , vocês não podem ficar esquecidos pelo Papa… o Papa veio até vocês… veio ver vocês… veio dizer que acredita em vocês… que vocês não mais vão errar, mas seguir o caminho do bem, da honestidade, da solidariedade, dos estudos, do trabalho, da formação da família… porque todos nós somos filhos de Deus, somos irmãos de Cristo Jesus, que também é nosso irmão e nosso pai, que nunca nos abandona… Se cada um de vocês falar, perguntar e pedir a Jesus… Jesus ouve… Jesus responde… Jesus atende… para isso é preciso que nossos sentidos… nossos ouvidos… nossos olhos… nossos corações … estejam abertos para Jesus”.

Francisco ainda falou mais àqueles jovens infratores. Pediu que todos eles “botassem fé em Jesus”. Depois, todos foram para o refeitório onde o Papa e os internos tomaram suco de uva e comeram biscoitos. Na despedida, o menor JMB, depois de abraçar e beijar o Papa, disse que a visita dele era a visita do próprio Jesus. Que ele e outros internos não apenas sentiam Jesus, mas estavam também vendo Jesus, na pessoa de Francisco.


O Papa se emocionou com o depoimento de JMB, a quem abençoou e falou: “Meu nome de batismo é Jorge Mario Bergoglio, as mesmas letras iniciais do seu nome…Seremos amigos, pois não? Agora, todos nós aqui somos amigos, hein?

Essa é uma história que ninguém soube, ninguém viu, ninguém noticiou, porque, infelizmente não aconteceu, quando deveria ter acontecido.

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