"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quinta-feira, 15 de março de 2012

BIBLIOTECA E BIBLIOTECÁRIOS GARANTEM O TESOURO DA MEMÓRIA DO MUNDO

A data de 12 de março quase não foi comemorada no Brasil. É o dia do bibliotecário, alguém, através dos séculos, responsável pela preservação da memória universal, no sentido máximo, pois garante e opera o tesouro da arte, da ciência, da política. Da cultura, portanto, processo dinâmico, sempre aditivo, pois a cada dia surgem informações novas a respeito de tudo.

O dia do bibliotecário, sem o qual não haveria biblioteca funcionando, deveria ter sido comemorado com muito entusiasmo, gratidão e respeito. Afinal, bibliotecas, incluindo as virtuais da era pós internet, asseguram a eternidade do conhecimento. A eternidade da aventura humana na face da Terra.

Escrevo este artigo inspirado no exemplo de excelência da Biblioteca de Furnas. A memória que abrange não se restringe à história elétrica do país, que surgiu no crepúsculo do século 19 e no alvorecer do século 20. A Light, por exemplo, instalou-se no Rio de janeiro em 1901, governo Floriano Peixoto.

Mas me referi à biblioteca virtual. Pois é. A propósito, o DO de 13 de março, página 3, publica portaria do ministro da Ciência e Tecnologia estabelecendo que os televisores com tela de plasma, a partir de 2014, deverão ser 90% fabricados com conectividade interativa. Será um novo salto da comunicação brasileira.

A biblioteca considerada mais antiga do mundo surgiu no Egito no século VII a.C.. A organizada. Mas, antes dela, alguém preservou o Velho Testamento, judaico, montado por Moisés 1 mil e 40 anos antes do nascimento de Jesus. A mais famosa, com 700 mil volumes, foi a de Alexandria, também no Egito, que segundo Ptolomeu I foi queimada por Júlio Cesar, 48 anos a.C., quando se envolveu com Cleópatra. O incêndio teria sido casual. Difícil acreditar em tal versão. Eram 700 mil volumes. Quantos foram salvos?

Hoje, a Biblioteca mais antiga em atividade é a do Vaticano. Construída pelo Papa Nicolau V, há 600 anos. As demais, testemunhas do tempo, perderam-se na névoa do passado ou então transformaram-se em outras, modernas.A importância histórica da preservação de documentos e imagens é essencial.

Vejam só. A primeira biblioteca, a do rei Assurbanipal, existiu no século VII a.C. Mas a intensa preocupação lógica em guardar manuscritos a antecede. O Velho Testamento, a que me referi há pouco, foi redigido e montado ( são 47 livros) mil anos antes de Cristo. Em 1450 D.C., portanto, já tinha 2 mil e 600 anos.

A imprensa surgiu com Gutemberg, pouco antes da Renascença. Gutemberg editou a Bíblia, isto é o Velho e o Novo Testamento, a dissidência cristã, 27 obras, que na ocasião completava 1 mil e 400 anos, uma vez que foi redigido e publicado por Marcos, João, Mateus e Lucas, mais de 50 anos depois do desfecho da cruz em Jerusalém.

Fantástico o sentido de preservação dos textos para compor, num processo múltiplo, a memória universal.No que se refere à linguagem escrita. Porque todos nós devemos aos pintores a memória visual ao longo período de 2 mil e 800 anos em que não havia fotografia. Esta surgiu apenas há cerca de dois séculos.

A cultura, como estamos vendo, possui uma dívida eterna com os bibliotecários e as bibliotecas. E a cultura, seja qual for, será sempre um patrimônio da humanidade. Porque sem memória não pode haver progresso. Tampouco sem cultura. A cultura é a passagem do ser humano pelo mundo: seu eco, seu rastro sua sombra.

15 de março de 2012
Pedro do Coutto

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