"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 30 de maio de 2012

NOVO ATAQUE DE GILMAR, INQUÉRITO FEDERAL E QUEBRA DE SIGILO DA DELTA TRANSFORMAM CHEFÃO LULA EM VIDRAÇA

O casebre do Doutor Chefão $talinácio começa a desabar. Primeiro, porque o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, resolveu declarar guerra total à Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo, porque o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, vai pedir a abertura de um inquérito para investigar como Lula promoveu tráfico de influência e tentativa de extorsão contra Gilmar Mendes, para tentar postergar o julgamento do Mensalão. Terceiro, porque a CPI do Cachoeira acabou quebrando o sigilo financeiro da matriz da Delta – o que pode envolver Lula com negócios da empreiteira que faturava alto com o PAC (Programa de Aceleração da Corrupção).
O primeiro tiro contra Lula é pesado demais. Em entrevista a O Globo, Gilmar Mendes denunciou que Lula promove uma “sórdida ação orquestrada para enfraquecer o Supremo, levar o tribunal para a vala comum, fragilizar a instituição e estabelecer a nulidade da Corte”. Gilmar também criticou e provocou um desgaste que pode ser fatal para Nelson Jobim, o promotor do encontro entre ele e Lula: “O Jobim disse que o relato era falso. Eu disse: “Não, o relato não é falso”. A Veja compôs aquilo como uma colcha de retalhos, a partir de informações de várias pessoas, depois me procuraram. Óbvio que ela tem a interpretação. O fato na essência ocorreu. Não tenho histórico de mentira”.

O segundo tiro contra Lula também pode ter sérias conseqüências, já que ele não tem mais imunidade e nem foro privilegiado. Judicialmente, está frágil como alguém que se pensa um Deus, mas é acometido de um virulento câncer. DEM, PSDB, PPS e PSOL entraram com uma representação na Procuradoria Geral da República para denunciar que Lula cometeu três crimes - tráfico de influência, corrupção ativa e coação no curso do processo judicial -, na reunião em que pediu a Gilmar Mendes o adiamento do mensalão. O procurador-geral Roberto Gurgel já avisou que encaminhará o caso para a procuradora-chefe da Procuradoria da República do Distrito Federal, Ana Paula Mantovani.

O terceiro tiro contra Lula já está programado, se a petralhada não conseguir desarmar, A quebra de sigilo do escritório central da Delta Construções, no Rio de Janeiro, pode revelar alguns documentos que comprometam Lula e seu parceirão, o governador Sérgio Cabral. A oposição aposta que uma rigorosa investigação sobre o presidente licenciado da construtora, Fernando Cavendish, também atingirá Cabral e, por extensão, Lula. Ontem, na votação sobre a quebra do sigilo da Delta, ficou claro um racha na base alugada (ops, aliada). O PMDB foi contra, acompanhado do blindador-mor de Lula e Cabral, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Já os petistas apoiaram a quebra, que seria inevitável, já pensando em usar politicamente, em futuro próximo, as valiosas informações que possam ser obtidas.

No íntimo, é a Presidenta Dilma Rousseff quem deve estar gostando desse tríplice ataque contra Lula. Embora ainda lhe pareça fiel, Dilma corta dobrados com as ações políticas de bastidores do “presidente paralelo” da República Sindicalista do Brazil.

Para sorte dela, além de desgastado pelo tratamento pesado contra o câncer de laringe e as seqüelas da quimio e radioterapias, Lula tem cometido erros táticos primários – como a pressão para criar uma CPI que agora pode se voltar contra ele e as articulações no Judiciário para postergar e tentar sair vencedor no julgamento do Mensalão – onde só não entrou como réu por um milagre inexplicável.
De pedra e cara de pau, Lula agora é uma frágil vidraça, com fortes indicações de que acabará quebrada. Como não conta mais com o foro privilegiado, terá de responder por suas marcadas nos tribunais. Embora tenha maioria no STF, para onde indicou seis dos atuais 11 ministros, Lula terá enfrentar a ira de outro inimigo, além de Gilmar Mendes.

Por ironia, o maior desafeto interno de Gilmar na Corte também espera a hora de dar o troco em Lula. Joaquim Barbosa até hoje não engole a arapuca que identifica ter sido armada pelo Palhaço (ops, Palácio) do Planalto para desestabilizá-lo, naquele episódio da fotografia do chopp em um bar de Brasília, quando estava de licença médica.
Além de se cuidar contra si mesmo, Lula deve se preparar para as pedradas nunca antes levadas na história deste País... Lula hoje dará uma palestra bem remunerada em Brasília e deve aproveitar para botar mais fogo na polêmica...

Motivo da revelação

Gilmar Mendes revelou ontem o motivo de relatar o encontro com Lula.

Recebeu informação "de pessoas confiáveis" de que notícias contra ele estavam "sendo plantadas e divulgadas, inclusive com participação do Presidente".
Gilmar também interpretou por que Lula embarcou na tese de tentar envolvê-lo com o esquema de Carlinhos Cachoeira, por conta de uma amizade com o desgastado senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO):

"O objetivo era melar o julgamento do mensalão. Dizer que o Judiciário está envolvido em uma rede de corrupção. Era isso. Tentaram fazer isso com o Gurgel e estão tentando fazer isso agora".

Lula sendo usado?

Na entrevista a O Globo, Gilmar dá uma interessante interpretação ao comportamento de Lula:

O Globo - Um ex-presidente empenhado em pressionar o STF não mostra alto grau de desespero com a possibilidade de condenação no mensalão?
GILMAR: É difícil classificar. A minha indignação vem de que o próprio presidente poderia estar envolvido na divulgação de boatos. E a partir de desinformação, esse que é o problema.
O Globo - Ele pode ter sido usado?
GILMAR: Sim, a sobrecarga... Ele não está tendo tempo de trabalhar essas questões, está tratando da saúde. Alguém está levando esse tipo de informação. Fui a Berlim em viagem oficial. Por conta do STF. Pra que ficar cultivando esse tipo de mito? São historietas irresponsáveis. Qualquer agente administrativo saberia esclarecer isso.
O Globo - Esses ataques não atingem o STF?
GILMAR: Claro, evidente. O intuito, obviamente, não é só me atingir, é afetar a própria instituição, trazê-la para essa vala comum.
Resumo da Ópera

Do administrador Gil Cordeiro Dias Ferreira, em carta aos jornais, um belo resumo da novela Lula x Gilmar:

O kafkiano episódio Gilmar – Jobim – Lula evoca afamado filme de André Cayatte, lançado em 1963 - “Le glaive et la balance” (“O gládio e a balança”, instrumentos portados por Têmis, deusa da Justiça, cuja estátua adorna a entrada do STF, já presidido por Gilmar e Jobim), lançado no Brasil com o nome de “Dois são culpados” e tendo como principal ator Anthony Perkins, o Norman Bates de “Psicose”.


Trata-se de uma história de julgamento. Três suspeitos são presos pelo sequestro e assassinato de um garoto. Os relatos das testemunhas demonstram que o crime foi cometido por dois deles. O terceiro apenas se encontrava próximo à cena, mas torna-se impossível identificar qual deles é o inocente, pelas argumentações rebuscadas dos advogados de defesa, que buscam convencer o júri a absolver seus clientes por insuficiência de provas.
A estratégia dá certo - os jurados, receando condenar à morte um inocente, absolvem o trio. Todavia, uma turba aglomerada do lado de fora do tribunal, aguardando o veredicto, enfurece-se. Sobrevém um grande tumulto. A polícia tenta proteger os suspeitos, retirando-os dentro de um camburão, mas a multidão descobre e depreda o veículo, que é incendiado, e seus três ocupantes – os dois culpados e o inocente – morrem carbonizados.

Talvez a novel Comissão da Verdade, tão decantada pelos seguidores de Lula como capaz de trazer à luz todos os episódios obscuros transcorridos no Brasil, possa deslindar esse dilema, pelo princípio da Navalha de Okham, ou seja, a explicação mais simples é a verdadeira, antes que vejamos em Brasília o mesmo desfecho do filme.

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

30 de maio de 2012
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

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