"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 16 de dezembro de 2012

O BRASIL E OS SEUS ELEITORES... A CALAMIDADE EM NÚMEROS.

2014: Dilma ou Lula vencem no primeiro turno, segundo Datafolha.
Se a eleição presidencial fosse hoje, o PT teria dois nomes com chance de vencer no primeiro turno. Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva têm no momento mais intenções de voto do que todos os possíveis adversários somados, aponta pesquisa Datafolha feita na quinta-feira.




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dilma vai de 53% a 57%, conforme o cenário. Lula teria 56% se disputasse a Presidência. No Brasil, vence no primeiro turno o candidato que tem mais da metade dos votos válidos. O PT ganhou três disputas para o Planalto (2002, 2006 e 2010), mas só no segundo turno. O Datafolha ouviu 2.588 pessoas em 160 cidades no dia 13. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Embora os percentuais de Dilma e de Lula sejam equivalentes na pesquisa estimulada (quando o entrevistado escolhe um nome a partir de uma lista), a situação muda no levantamento espontâneo.Na pesquisa sem estímulo de nomes, Dilma recebe 26% das preferências. Com menos da metade, mas isolado em segundo, vem Lula, com 12%. Há também 1% cuja preferência é "PT" ou "vai votar no PT". O petismo somado recebe 39% de intenções de voto espontâneas segundo o Datafolha.
 
Os candidatos de oposição têm percentuais modestos no levantamento espontâneo. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) registra 3%. Os também tucanos José Serra e Geraldo Alckmin têm 2% e 1%, respectivamente. Marina Silva (sem partido) aparece com 1%. Outros 46% não responderam. Quando o Datafolha pergunta sugerindo cenários, os percentuais de todos os possíveis candidatos aumentam. Foram testadas quatro listas, sendo três com Dilma e uma com Lula. Os petistas vencem em todas.
 
JOAQUIM BARBOSA
Uma novidade na pesquisa foi o nome de Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, relator do julgamento do mensalão. Barbosa pontua 9% quando a candidata do PT é Dilma. Ele empata tecnicamente, na margem de erro, com Aécio Neves, que fica com 11%. Se Barbosa é testado num cenário no qual Lula é o candidato do PT, o presidente do STF registra 10% de intenções de voto. Aécio fica com 9%.

AÉCIO NEVES
Principal nome tucano para 2014, Aécio ainda tem um desempenho tímido. O melhor percentual de Aécio é quando estão na lista só Dilma, Marina e ele. Aí o senador do PSDB registra 14%. Dilma lidera nessa hipótese, com 57%. Marina marca 18%. Quando o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, aparece também como candidato, ele subtrai votos de Aécio. Campos fica com 4%. Aécio desce para 12%. Dilma segue liderando, com 54%. Marina não se move e mantém 18%.

MARINA SILVA
Uma surpresa na pesquisa Datafolha é a resistência de Marina Silva. Ela concorreu a presidente em 2010 pelo PV e teve votação expressiva (19,3%), mas saiu do partido e reduziu sua presença na mídia nos últimos dois anos. Ainda assim, Marina aparece como segunda colocada na disputa para 2014, com percentuais variando de 13% a 18%. Manteve seu patrimônio eleitoral sem ter se dedicado a atividades partidárias.(Folha de São Paulo)
 
16 de dezembro de 2012
 
NOTA AO PÉ DO TEXTO
 
Aí estão os números, espelhando a realidade do universo eleitoral. Se são verdadeiros ou manipulados - como brasileiros aprendemos a duvidar de números, principalmente estatísticos ou econômicos - não sabemos. Mas penso com os meus botões: será que a minha dúvida quanto a autenticidade da pesquisa, apenas demonstra um esforço para fugir da calamidade demonstrada?
É bem possível... Custa-me crer, mesmo admitindo a desinformação de grande parte do eleitorado, do 'bolssismo generalizado', do desinteresse pela 'política' - que se alimenta da desesperança de mudanças efetivas na qualidade de vida - custa-me crer no estapafúrdio resultado.
A última pesquisa feita, demonstrava a incoerência de um eleitor que considerava ruins ou péssimas, as políticas públicas de saúde, transporte, segurança, educação... Mas aprovava o governo com índice espantoso!
Como entender esse eleitor? Que fatores determinam a sua escolha? Como organizar os dados que influenciam  sua escolha? Qual a intensidade da percepção desse eleitor, quanto a veracidade dos sucessivos escândalos, diariamente propagados pela mídia? E da TV justiça transmitindo o julgamento do mensalão?
Será que estamos diante da ratificação do que pregava o velho Nelson Rodrigues, de que "toda unanimidade é burra"? Como a democracia é o exercício da unanimidade, a continuar a conhecida esperteza da falta de investimento em educação, da miserável condição da distribuição justa da renda nacional (distribuição feita em políticas públicas) continuaremos reféns da burra unanimidade.
Um olhar atento aos quadros acima, espantará os mais otimistas!
m.americo

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