"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 28 de maio de 2013

BOLSA FAMÍLIA: DILMA ANUNCIA CONTROLE MAIS RIGOROSO


Em entrevista na Etiópia, a presidente Dilma Rousseff admitiu ter ocorrido uma falha no programa Bolsa Família, quando se verificou num final de semana a veiculação de uma onda de boatos que causou simultâneos em doze estados do país.

Começou pelo Maranhão e se alastrou principalmente nas regiões Norte e Nordeste, chegando a Brasília e ao Rio de Janeiro. A entrevista foi publicada domingo.

Mas os jornais de sábado divulgaram os primeiros resultados da investigação feita pela Polícia Federal, apontando uma agência de telemarketing como a primeira fonte da boataria.
Não foi revelado o nome da agência, tampouco quem a contratou, se foi o caso, a veiculação alarmista e infundada. Vamos  ver o que acontece nos próximos dias.
Entretanto, ao falar aos jornalistas que a acompanharam naquele país africano, a presidente Dilma admitiu ter ocorrido – disse – uma possível falha.
Nós somos humanos, acrescentou. Mas não é uma falha tópica que explica os problemas surgidos em doze estados.
O enigma permanece. Pois se ocorreu a falha, ela foi de quem? Fica a pergunta. Junto com outra indagação: por qual motivo a direção da Caixa Econômica Federal antecipou, no sábado e domingo, a liberação do pagamento mensal?
Seria lógico ou antecipar para sexta-feira, quando as agências estão abertas, ou deixá-lo para segunda feira. Isso de um lado. Mas, de outro, continua faltando uma explicação lógica e plausível para que o boato alcançasse a dimensão que alcançou.
TELEMARKETING
O sistema de telemarketing baseia-se na eficiência do cadastro que montou (ou recebeu) contendo os telefones dos beneficiários do programa. São 13 milhões de família, portanto um universo ainda maior de pessoas.
Calcula-se que a movimentação surpreendente tenha reunido cerca de 900 mil a 1 milhão de pessoas aflitas. Logo, a comunicação perversa atingiu um grau de eficiência em casos assim. Quais, na íntegra, as mensagens utilizadas?
E em quanto tempo? Inclusive as notícias eram conflitantes. Uma dizia que o de maio seria o último pagamento do programa. Outra acentuava que estava sendo liberada parcela extra, uma bonificação pela passagem do Dia das Mães.
A primeira versão era restritiva. A segunda em outro sentido, no caso oposto. Porém é possível que a última parcela fosse acompanhada da bonificação.
Mas como divulgar o conteúdo total das duas comunicações num prazo tão curto? Além disso, O Globo e a Folha de São Paulo publicaram informação da própria CEF, que retificou sua primeira versão para dizer, numa segunda divulgação, ter liberado a parcela antecipadamente – assinala – para melhorar o cadastro de informações sociais do banco.
E que antecipações podem ocorrer em casos de calamidade ou necessidade de melhorias no sistema.
Calamidade, no caso, só a que decorreu em face da onda de boatos. Melhorar o sistema? Nesta hipótese sim, mas a afirmação traz consigo a existência de pelo menos uma dificuldade a ser sanada. Pois só se melhora o que precisa ser melhorado.
 
28 de maio de 2013
Pedro do Coutto

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