"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 20 de novembro de 2011

O CASO DOS DEZ MOLUSCOS

O melhor livro de Agatha Christie foi “O Caso dos Dez Negrinhos” (Ten little niggers, 1939). Nele, um a um, os personagens vão sendo assassinados até que não sobra ninguém. Os americanos, cheios de dedos, deram ao livro o título “And then there were none” (Então não sobrou ninguém), a velha delicadeza gringa contando o final já na capa.
O nome do anfitrião da ilha de Devon que convidou as dez vítimas chamava-se U. N. Owen (“unknown” em inglês significa desconhecido). Salvo as depravações de algumas versões da obra, o fato é que não se descobre o assassino no final, pois todos viram vítimas de um Owen desconhecido.

No Brasil, vivemos o drama intitulado “O caso dos dez moluscos”. A ilha, Brasília. Todas as vítimas – já estamos na sétima – teriam sido convidadas por alguém, conhecido como Mr. Squid Smith. Um a um vão caindo ministros-vítimas, derrubados.

Mr. Squid permanece por trás da trama, num enredo em que ainda cairão outros. Dizem que há duas futuras vítimas já escolhidas. Um homem e uma mulher. Faltará um apenas para completar o décimo molusco. Quem será? As apostas estão abertas. Haddad não vale, pois sairá para concorrer à prefeitura de São Paulo. O PT tem tanto ódio pela capital dos paulistas que deseja Haddad para prefeito.

Até o momento em que estas linhas são traçadas, o sétimo molusco demonstra-se, ao mesmo tempo, o mais resistente e o mais mentiroso. Para abatê-lo, Mr. Squid precisa da ajuda de Veja, Estadão, Folha e Época, todas juntas, senão o homem não cai. Ainda não está abatido, mas será.
A sanha de Mr. Squid não parará em 2011. Dentre os vários ministros, há vários candidatos a cadáveres políticos. Mr. Squid e sua turma ainda não sabem direito quem adentra e quem não avança no ano eleitoral que se aproxima.

Três perfis das vítimas já foram catalogados. Um caiu por ser boquirroto e presunçoso. Cinco por corrupção ou “malfeitos”, como costumam dizer os autores de neologismos recentes, como “recursos não contabilizados” (o mesmo que caixa dois) ou “aloprados” (grupelho inepto enfiado em missão estabanada de compra de dossiê furado) e agora o mais recente, por ser um mentiroso contumaz.
Corruptos, mentirosos, malfeitores, falastrões. Estes são os ministros do governo Dilma, endossados por Mr. Squid. Vão caindo pelas tabelas um a um.

O mistério prossegue e nas próximas semanas teremos os próximos “presuntos”. Por um lado, já não se aguenta mais esse negócio de ministro ladrão, sem vergonha ou mentiroso.
Se levarmos em conta os últimos nove anos, já perdi a conta de quanta “gente boa” – e que deveria estar presa – já desembarcou da ilha de Mr. Squid.
Por outro, se a gente fosse incluir outros fatores como incompetência, cretinice ou burrice, bom, reforma ministerial total haveria de ser total e com difícil recomposição.
Aguarde os capítulos finais desta história, mais intrincada do que a cabeleira da Luciana Genro, mais despudorada do que a dança da Ângela Guadagnin e mais escabrosa do que a biografia de José Dirceu.
E nós achando que a campanha da Beneton é um escândalo.

glauco fonseca

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