"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 30 de outubro de 2012

SENADOR TUCANO CHAMA COLEGAS E LADRÕES E PROVOCA REVOLTA

Mário Couto defende a análise patrimonial de todos deputados e senadores


Mário Couto no plenário do Senado
Foto: Agência O Globo / Ailton de Freitas
Mário Couto no plenário do SenadoAgência O Globo / Ailton de Freitas

Um discurso do senador Mário Couto (PSDB-PA), na tribuna do Senado, chamando os parlamentares de "ladrões", dizendo que a corrupção é generalizada na política brasileira, e defendendo que o Supremo Tribunal Federal (STF) analise a evolução patrimonial de todos os deputados e senadores, na tarde desta terça-feira, provocou protestos de seus pares. O tucano elogiou o julgamento do mensalão, mas afirmou que ele não é suficiente.
- São dezenas ou centenas de parlamentares que estão aqui cheios de processos nas costas. Está escrito na testa: ladrão. Estão ricos porque roubaram do povo - afirmou Couto, aos berros, como de costume, na tribuna do Senado.

A primeira a se manifestar foi a líder do PSB, senadora Lídice da Mata (BA), que reagiu ao discurso do tucano:

- Não aceito esse tipo de pronunciamento. Meu partido tem senadores dignos, honestos.

Líder do PSDB, o senador Álvaro Dias (PR), tentou colocar panos quentes. Ele não ouviu o discurso do correligionário, mas tentou minimizá-lo:

- Ele não fez referência a nomes. Não acredito que ele tenha generalizado. Talvez não tenha sido bem entendido.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que presidia a sessão, também protestou:

- Eu corroboro (com a senadora Lídice da Mata). Ele generalizou, sim.

Horas depois, Couto voltou ao plenário para reclamar de suposta censura do Senado ao seu discurso. O presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que tomaria providências.

- Eu quero que a palavra ladrão esteja contida no meu pronunciamento. É um direito democrático que eu tenho.

30 de outubro de 2012
Fernanda Krakovics - O Globo

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