"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A CAMPANHA ELEITORAL DE 2014 JÁ COMEÇOU NAS CONTAS DE LUZ

 
A oposição, que ao que tudo indica vai de Aécio Neves (ainda resta saber que tipo de jogada o governador de Pernambuco Eduardo Campos prepara para esse tabuleiro de xadrez), já sai com a fama de ter impedido a redução de 20% nas contas, que foi a promessa que a presidente Dilma fez ao País.
 
O discurso já está pronto e já foi espalhado aos quatro ventos: a redução não chegará a 20% porque os estados governados pelo PSDB, São Paulo, Minas e Paraná, não permitiram que as suas concessionárias, Cesp, Cemig e Copel, reduzissem o preço das tarifas na rodada de renegociação e renovação das concessões.
 
O governo já mostrou que gosta de brincar de capitalismo como se este fosse uma modalidade de banco imobiliário, e de tanto mudar as regras aqui e ali, instalando a volatilidade e semeando dúvidas sobre a validade das regras e dos contratos, o que conseguiu foi produzir o anti-milagre de aumentar a carga tributária de 33,58% para 35,31% do PIB e diminuir o crescimento para algo próximo de 1%.
 
A racionalidade econômica vem sendo cada vez mais substituída pelo voluntarismo, como se as regras fossem apenas um capricho que deve curvar-se à vontade política do governo e produzir o milagre intangível do famoso almoço grátis.
 
Todos devem curvar-se à vontade da rainha. O secretário executivo de Minas e Energia, Marcelo Zimmerman, saiu com a linda frase de que as companhias elétricas dos 3 estados “preferiram privilegiar seus acionistas do que favorecer o povo”, como se a função das empresas fosse encher seus acionistas de prejuízos.
 
É o capitalismo de Branca de Neve e os 7 anões, o que só funciona em fábulas.
É o tipo da demagogia primária que funciona eleitoralmente. A complexidade do tema e a necessidade que as empresas têm de manter a saúde financeira para poder continuar investindo e impedir que o sistema entre em colapso, é um raciocínio complexo demais para chegar ao consumidor.
 
Antes de baratear as tarifas, barateia-se o raciocínio. Raciocínio barato rende votos.
Todo mundo, sem exceção, acha que o governo, sim, deve baratear as tarifas de energia, que estão entre as mais altas do mundo.
 
Mas há maneiras e maneiras de fazer. Dois técnicos altamente insuspeitos de anti-governismo, como Luiz Pinguelli Rosa e Ildo Sauer, acham que o governo errou na maneira como conduziu a renovação das concessões e as elétricas de SP, MG e Paraná, estão certas em resistir à imposição de baixar as tarifas sob risco de afetar a sua saúde econômica e sua capacidade futura de investimento.
Mas o jogo de 2014 começou: política 1, energia 0.
 
11 de dezembro de 2012
(Publicado no blog do Noblat em 07/12/2012)

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