"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 18 de junho de 2013

BRASILEIROS ENVIAM US$ 8,5 BI PARA FORA DO PAÍS ESTE ANO, UM RECORDE

Remessas até abril foram para compra de imóveis, ações e outros ativos
 
As remessas de dólares por brasileiros para a compra de ativos no exterior (como imóveis, ações e outros bens) alcançaram um volume recorde entre janeiro e abril deste ano. De acordo com a Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), que compilou os dados do Banco Central, os brasileiros enviaram US$ 8,45 bilhões para aquisições fora do país nos quatro primeiros meses do ano. Foi o maior volume remetido no período de toda a série histórica do BC, iniciada em 1995. E quatro vezes maior que as transferências de dólares em igual período de 2012 (US$ 1,88 bilhão).

— É um volume expressivo, que não foi investido em títulos de bancos, mas em ativos reais, como imóveis e ações. E que certamente ajudou no enfraquecimento do real diante da moeda americana — disse Luis Afonso Lima, presidente da Sobeet.
 
Imóveis baratos nos EUA
 
Em momentos de incertezas, como o que passa a economia brasileira, é comum que pessoas com recursos disponíveis procurem proteção em ativos fora do país, mais seguros, explicou o economista João Medeiros, diretor da Pionner Corretora de Câmbio. A isso, continuou ele, soma-se o fato de que os ativos, como imóveis, continuarem muito atraentes em mercados como Estados Unidos e Europa.
 
— É uma proteção do patrimônio. Por que deixar todos os ovos na mesma sacola? — pergunta Medeiros.
 
Na série levantada pela Sobeet, os quatro primeiros meses de 2010 — período em que o país assimilava os efeitos da crise internacional, e também um ano eleitoral, com disputa presidencial — refletem bem esse comportamento defensivo. A procura de brasileiros por ativos lá fora naquele período gerou um movimento de US$ 8,14 bilhões para o exterior, o segundo maior valor da série do BC. E as remessas de empresas brasileiras para investimentos lá fora somaram US$ 5,7 bilhões no primeiro quadrimestre de 2010.
A facilidade com que qualquer brasileiro hoje pode abrir uma conta num banco no exterior, e enviar dólares para fora, observou Medeiros, é outro fator que facilita as movimentações como essas.
 
— Todo mundo pode comprar dólar e mandar para uma conta lá fora, desde que tenha capacidade financeira, comprove a origem do dinheiro e pague impostos — disse. — Bem diferente de anos atrás, quando para mandar dinheiro para fora era preciso pedir autorização ao BC.
 
Movimento de remessas deve continuar
 
A perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) possa suspender novos estímulos para a economia dos EUA, sinalizando juros maiores no futuro, acrescentou Medeiros, tende a fazer com que esse movimento de remessas continue.
 
— Isso é uma tendência global, tirar dinheiro de onde se vê risco para países onde, mesmo que não se tenha a mesma rentabilidade, há mais segurança— disse ele.
 
Embora empresas brasileiras possam usar o mesmo registro do BC que os cidadãos usam para remeter o dinheiro para a compra de ativos lá fora, Lima ressaltou que isso é pouco usual. As companhias, disse ele, quando investem em ativos no exterior registram as operações como investimento direto — foram US$ 2,69 bilhões até abril.
— Portanto, majoritariamente, os US$ 8,45 bilhões em remessas ao exterior dos primeiros meses deste ano foram enviados por pessoas.
 
18 de junho de 2013
RONALDO D’ERCOLE - O Globo

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