"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 25 de março de 2012

MURCHA A ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO

Na década de 2000, Chico Anysio, esse mestre do humorismo, disse uma vez que a melhor coisa, ou a única coisa boa que a juventude teria criado nas últimas décadas foi a palavra “oi!” que em consonância com outras substituiu nosso vocabulário. Dizer por exemplo que você está otimamente vestido, deu lugar a “demorou!” ; arrasou!” e outras onomatopéias esdruxulas. Oi, por exemplo substitui uma variante de palavras como: tudo bem!; como você está?; olá!, etc.
Entender, passou a ser “sacou”, “copiou”, “cai na real”, etc. Perguntar se alguma coisa deu certo, virou “rolou”. Namorar virou “ficar”. E, a língua vai se deteriorando na literatura novelistica que utiliza tal linguajar para atingir seu público. Afora as abitrariedades cometidas no dia a dia em placas publicitárias e anúncios como “concerto” no lugar de conserto; “lavajato” no lugar de lavagem a jato. Se somos educados, somos “gente fina”. Não dar certo é “sujou”. E por aí vai. Na verdade o excelente artigo de Opinião e Notícias nos remete a situações que vislumbramos apenas em algumas situações em família. Desejar boa sorte soa muito mal quando trocamos por “pode crê”. As escolas tem uma missão quase impossível de recuperar nossa maneira de tratamento nossa tão maltratada língua. Não basta a agressão violenta em vídeos e filmes brasileiros nos quais a verborreia virulenta agride e ameaça nossa cultura. São tantos nomes amorais que o Ministério da Justiça já deveria ter tomado uma medida mais séria. Fica o dito. Salvemos nossa cultura.

25 de mar;o de 2012
Luciano Pinheiro

NOTA AO PÉ DO TEXTO

Língua portuguesa
Olavo Bilac


Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!


(in Poesias, O.Bilac)

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