"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 23 de maio de 2012

CALADO, CACHOEIRA CONFESSA TUDO!

Calado, Cachoeira confessa tudo!


A CPI do Cachoeira é uma coisa tão fora de foco que terminou antes mesmo de começar. O tempo que ficou no ar foi uma espetáculo deprimente de vesguice proposital dos dois patetas que a conduzem e de lamentável enrosco da oposição.


Reprodução/Internet/iG


O silêncio virou escárnio na cara de Cachoeira, ao lado do aprendiz de Golbery dos Calamares, Márcio Thomaz Bastos, defensor dos fracos e oprimidos.

A CPI do Cachoeira foi um peru. Morreu na véspera. Ela andou cacarejando enquanto todos os caminhos indicavam o galinheiro do palácio do governo de Goiás, ninho do tucano Marconi Perillo. Emperrou quando começou a doer a quem doía nas raposas do dadivoso PT brasiliense de ONGnelo Queiroz e a manchar os guardanapos do PMDB, do festeiro governador carioca, Sérgio Cabral.

O depoimento silencioso de Carlinhos Cachoeira foi a mais gritante confissão de culpa no cartório. O contraventor calou-se, conforme orientação do ex-ministro da Justiça, ex-chefe da Polícia Federal, eterno conselheiro de Lula, cardeal Richelieu dos calamares, aprendiz de Golbery e caríssimo advogado do bicheiro, para "não apresentar provas contra si mesmo".


Reprodução/Internet/iG

O que é isso, companheiros?!? Então, Carlinhos calou-se porque não podia falar sem se incriminar? Taí, confessou! Devolvam-no para a Papuda e pronto! Pelo menos por lá, ele tem direito a visita íntima. E Andressa - que se reserva pra ele e não para a Playboy de junho - por enquanto, ainda sabe o caminho.

Mas isso é o que menos importa. O que a CPI não quer ver e não vai ver é a verdade mais que explícita e clara, a verdade absoluta, esmagadora e retumbante: Carlinhos não roubava dele para ele mesmo, o Cachoeira; Carlinhos não era o corruptor do corrompido Cachoeira; Carlinhos não fraudava licitações abertas por Cachoeira com o fito de obter vantagem do Carlinhos sobre o Cachoeira; Carlinhos não formava uma quadrilha com o Cachoeira sozinho; Carlinhos não jogava no bicho pra quebrar a banca do Cachoeira.

Carlinhos Cachoeira sempre foi feliz por que, mesmo quando andava só, andava mal acompanhado. Hoje, solitário num complexo presidiário, Carlinhos Cachoeira é um malfeitor triste, abandonado pelos que com ele cometiam e cometem malfeitos. É impossível ser feliz sozinho.

O que a CPI deveria fazer, se tivesse um pingo de decoro, mas não vai fazer é chamar no apito e no grito - duela a quien duela - os políticos de todos os partidos, os governadores de Goiás, de Brasília, do Rio e de outros estados precários, os deputados, senadores, dono da Delta e similares, empresários e autoridades civis, militares e de todos o cleros que foram e continuam sendo cúmplices desse verdadeiro presidente da república submersa que tomou conta do Brasil da Silva.

Deveria, mas nem é preciso que o faça. Vai acabar blindando a todos em uma festiva "homenagem à democracia", como gosta de alegar do alto de um helicóptero estatal o mais antigo ícone da banda larga do Congresso, Zé Sarney, o pai de todos, fura-bolo, mata-piolho e gafanhoto de fogo.

O Brasil e o povo brasileiro não precisam de uma CPI do Cachoeira, nem precisa de um Congresso Nacional como esse que aí está, decaído, degradante, deprimente, para botar na cadeia essa pandilha de sevandijas.

Precisam apenas - o povo e o País - que a Polícia Federal faça o seu papel e encaminhe figura por figura, malfeitor por malfeitor, meliante por meliante, para a barra dos tribunais. Essa balbúrdia, essa vergonheira, essa bandalheira que corre frouxa não é política, não é caso de CPI é caso de polícia.

Não pode acabar como acabou a sessão desta republicana e vergonhosa tarde para a maior casa de tolerância nacional. Tem que acabar na cadeia.
23 de maio de 2012
sanatório da notícia

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