"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 18 de junho de 2012

MALUF E LULA, FEITOS UM PARA O OUTRO

“Paranoico, prepotente, sectário, praticou e estimulou entre seus aliados abusos e ilegalidades, como se eles estivessem acima do que se aplicava aos mortais devido à grandiosidade das missões de que estavam imbuídos.”

A descrição acima, feita em texto de Carlos Eduardo Lins da Silva na Folha desta segunda-feira (aqui, só para assinantes), diz respeito a Nixon, mas poderia servir, sem retoques, para se referir a Lula – com a diferença que, nos EUA, Nixon teve de deixar o poder, enquanto no Brasil Lula é carregado pelas massas.

Como se sabe, o lulismo e seus associados, com sua missão de salvar o Brasil, se consideram acima de julgamentos terrenos, ao mesmo tempo em que autorizam alianças políticas corruptas que violentam a base e a história do PT e embaralham a política, ao ponto de tornar irreconhecíveis os partidos, inclusive os da oposição.

Agora, como a coroar essa putrefação do mundo político brasileiro, Lula, na tentativa de sacramentar sua hegemonia nacional, inventou uma chapa à Prefeitura de São Paulo que diz representar o “novo”, mas que tem Paulo Maluf no palanque.

“Tenho conversas com todo mundo, todas muito elegantes. Não há mais esquerda e direita, o que há são segundos de TV”, justificou o neopetista Maluf, com uma honestidade incomum – afinal, não há por que esconder os motivos pelos quais ele se juntou ao PT e a Lula, numa aliança que, de esdrúxula, não tem absolutamente nada.

Marcos Guterman
18 de junho de 2012

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