"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 7 de julho de 2013

ENQUANTO ISSO... NO BRASIL DA "MAIS PREPARADA" SEGUNDO O CACHACEIRO PARLAPATÃO

 "o mercado já começa a perceber que foi longe demais vendendo o Brasil". - Análise: Inflação coroa um mês a ser esquecido e reforça pessimismo
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Junho é para esquecer.

Mal tinha terminado maio e um fantasma já havia se instalado no coração dos investidores internacionais: o provável fim do "quantitative easing" (recompra de títulos da dívida pelo Federal Reserve) nos EUA iria sinalizar um processo de liquidação de ativos em patamares de igual magnitude ao de sua valorização.

Investidores com o dedo no gatilho venderam tudo o que podiam para fazer caixa.

Por aqui, junho começou com PIBinho e o Banco Central subindo a Selic acima do esperado, sinalizando que iria limpar na marra excessos fiscais da base monetária.


Pouco depois a agência de avaliação de risco Standard & Poor's rebaixa o outlook para o Brasil, tornando oficioso o desconforto generalizado entre investidores. Isso sem contar que, em junho, o Brasil viu a maior série de protestos populares da sua história, que, apesar de positiva, acabou contribuindo para gerar incertezas. O IPCA divulgado ontem é a cereja desse bolo indigesto. 
Apesar de a variação mensal ter vindo abaixo do projetado, em 0,26% (nossa projeção era 0,3%), o acumulado em 12 meses estourou a meta, ficando em 6,7%. O resultado é ruim e reforça uma série de pessimismos a respeito do país que tende a persistir.
Apesar de ter vindo acima do telhado de vidro do Banco Central, o IPCA não foi de todo mau. Em primeiro lugar, o grupo alimentação praticamente zerou em junho, ficando em apenas 0,04%, ante 0,31% no mês anterior.

Esse grupo disparou em tempos recentes num movimento típico de choque de oferta contra o qual a Selic pode fazer muito pouco.


O tomate, vilão dessa salada de índices que temos no Brasil, caiu em maio 10,31% e, em junho, mais 7,21%. Mesmo assim, sobe no ano 43,8% e, em 12 meses, 63,41%. Como a Selic não é dança da chuva, a autoridade monetária ficou de mãos atadas.

Esse resultado do IPCA tende a confirmar que o Copom vai manter o ritmo de aperto em 0,50 ponto percentual na reunião da próxima semana. Lembremos que a dispersão (percentual de itens que sobem de preço) está sob controle (45,75% em junho, ante 47,12% em maio) e que, já a partir de julho, o acumulado em 12 meses do IPCA vai começar a cair, segundo as projeções medianas do mercado. 

Em agosto, deve voltar para baixo do teto da meta (6,5%).

Os economistas estão refazendo suas contas e revisando para pior todas as variáveis, mas o fazem no pior mês do ano.

Se há um risco agora, é o de o governo ser mais amigável com o mercado, não o contrário, e mesmo o mercado já começa a perceber que foi longe demais vendendo o Brasil.
 
ANDRÉ PERFEITO/ESPECIAL PARA A FOLHA 
ANDRÉ PERFEITO é economista-chefe da Gradual Investimentos
07 de julho de 2013

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