"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 25 de fevereiro de 2012

REFLEXÕES SOBRE POLÍTICAS ERRADAS QUE PREJUDICARAM A AGRICULTURA E A AGROINDÚSTRIA NO BRASIL

A produtividade das terras no sul da Argentina é impressionante. Digo isso, porque em fevereiro/março de 1969 passei 30 dias na região compreendida entre Bahia Blanca e Azul, fazendo demonstração dos implementos agrícolas que fabricávamos no Rio Grande do Sul.

Em 1970, já fabricávamos implementos agrícolas até na filial de Ponta Grossa. Não eram para a lavoura de café e sim para trigo, milho e soja. Londrina, Maringá, Campo Mourão, Cascavel, Toledo, já tinham lavouras muito bem mecanizadas em 1975, com boa produtividade.

Estive em Brasília e participei de reuniões com o então ministro Allyson Paulinelli. Quando há comentaristas que falam de “agronegocistas”, deve se tratar de cafeicultores, pois o pessoal das outras culturas era trabalhador e não pedia favores para governantes.

Mario Henrique Simonsen, quando assumiu o Ministério da Fazenda, numa de suas primeiras medidas, cortou substancialmente o crédito agrícola, fazendo com que despencassem os negócios, tanto na indústria como no campo. Muitas empresas que acreditaram no “Plante que o Brasil garante” (governo Médici) ou “Plante que o João garante” (governo Figueiredo), quebraram.

Ainda na agricultura, veja-se a imbecilidade do governo FHC. Quando o produtor brasileiro estava se preparando para a colheita de milho, creio que em 1995, e o saco estava cotado para ser vendido à 7,50, importou excedente de milho de outros países e colocou no mercado brasileiro à menos do custo.

Resultado, os agricultores brasileiros tiveram que entregar a mercadoria abaixo do custo para poder pagar suas contas. Essa política praticada por um sociólogo metido à político e por trapalhões metidos a ministros, custou aos cofres brasileiros uns 10 anos de renegociação de dívidas.

Já disse aqui muitas vezes, mas não custa repetir: – Não foi a concorrência entre si que quebrou a indústria nacional, mas sim as políticas de governo. Aliás, quase não mais existe indústria nacional. Pagaremos caro por isso.

Martim Berto Fuchs
25 de fevereiro de 2012

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