"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

PETRALHAS TEMEM CONDENAÇÃO DE POLÍTICOS DO MENSALÃO E VINGANÇA DE MARCOS VALÉRIO E DUDA MENDONÇA


O destino pós-mensalão é um tema desagradavelmente discutido pelo chefão Luiz Inácio Lula da Silva e sua eterna sombra de poder José Dirceu de Oliveira e Silva.
Quando não se encontram, reservadamente, como agora, Lula e Dirceu sempre se falam por celulares criptografados de última geração ou por telefones via satélite.
 
Como os dois nunca deixaram de se falar quase que diariamente, desde que Dirceu foi forçado a deixar a Casa Civil no primeiro mandato de Lula, caso o famoso "consultor de empresas" acabe condenado no julgamento do Mensalão, a petralhada já teme que alguma “armadilha golpista” prejudique Lula – até agora blindado e preservado.
O termo "golpe" sempre é usado pelos caciques do PT, a boca pequena, quando seus esquemas ou negócios secretos vêm à tona...
 
A petralhada já se apavora com a “reviravolta” entre a otimista previsão inicial de votos de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (que seriam favoráveis aos petistas). O novo cenário agora é de quase certa condenação aos principais políticos do esquema mensaleiro.
 
Logo mais, com o voto-saideira do ministro Cezar Peluso – que se aposenta na questionável expulsória dos 70 anos de idade -, tem tudo para ser condenado o deputado federal João Paulo Cunha, candidato a Prefeito de Osasco (cidade estratégica para os esquemas petralhas).
 
Já se especula em uma pena mínima para ele de nove anos de reclusão – pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Ou pena máxima de 46 de prisão.
 
Se João Paulo for para a cadeia – o que parecia impensável semanas atrás -, torna-se enorme também o risco de condenação para José Dirceu - denunciado, injustamente, pelo ministério público como o chefe da organização criminosa do mensalão.
 
Todo mundo sabe que o poderoso chefão era outro, mas este até agora continua poupado).
Diante deste risco concreto, a cúpula petralha (Lula á frente) já joga para Dirceu desistir da ideia de se candidatar à Presidência do PT. Dirceu será obrigado a apoiar, muito a contragosto, a reeleição do companheiro Rui Falcão.
O negócio anda tão tenso que até mexe com o psicológico de Lula.
Milagrosamente curado de um câncer na laringe – na versão dos médicos -, o ex-Presidente agora corta um dobrado com um edema na garganta que causa dor e lhe atrapalha falar.
 
Lula só deseja que o dele continue fora da reta do mensalão. Mas o desejo pode ser atrapalhado por algumas condenações.
 
Temor máximo é que, condenado e preso, Marcos Valério resolva romper o silêncio mantido até agora e se vingue dos parceiros petralhas.
Temor gigante também com uma condenação a Duda Mendonça – que é o maior arquivo vivo e testemunhal de como a máfia petralha promoveu um jogo sujo com políticos, na super lavanderia de dinheiro do mensalão.
 
A coisa está muito feia porque o STF já abriu uma brecha para condenar os réus com base em testemunhos e no contexto da acusação.
O tal “julgamento técnico” – que facilitaria uma eventual impunidade – já não funciona como o previsto pela petralhada.
E o cagaço aumenta com o risco real de mensaleiros condenados se vingarem com a eventual condenação e prisão. Se isto acontecer, o barraco vai cair.
 
(acrescentei imagens-fotoformatação PVeiga)
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Jorge Serrão

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