"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

NEM SEMPRE PARIS É UMA FESTA...

 

Em tempos idos e bem vividos, Paris era uma festa que até hoje rende livros, filmes, canções, poemas, quadros, histórias deliciosas.

Antes ainda, bem antes, Paris valia uma missa e o herdeiro protestante, para ser coroado rei em Paris, não hesitou em se converter ao catolicismo e declarar aos quatro ventos: "Paris vaut bien une messe!"

Hitler não sossegou o facho enquanto não passeou na Champs Elysées; de Gaulle desceu a avenida depois de desinfetar o Arco do Triunfo dos ares nazistas; John Kennedy eu vi subir a avenida depois de um lauto almoço na Prefeitura de Paris onde ele se apresentou assim: “I am the man who accompanied Jacqueline Kennedy to Paris – and I’ve enjoyed it".

Quem gosta de cinema há de lembrar a expressão de alegria do Humphrey Bogart descendo a avenida ao lado de sua adorável Ilse/Ingrid. Paris é a cidade dos amores e namorar ali faz até um durão, como o Bogart, sorrir embasbacado.

Paris também é, como o Rio, terra dos pardais. E vai ver foi por isso que aquele carioca sem graça, e seu bando de amigos, andaram cobrindo a cabeça na Place Vendôme. Nunca se sabe e mais vale prevenir que remediar...

Mas, de um modo geral, os pardais e os parisienses sempre gostaram do Brasil. Foram muito solidários com quem precisou lá se abrigar e gostam de nossa terra, de nossa música, de nossa gente. Gostam até do que não deviam gostar, daquilo que lá não gostariam de jeito algum, mas que aqui acham interessante, por ‘typique’.

Ou será que gostavam? Reparem, de 2005 para cá brasileiro com B maiúsculo (você não quer que eu me compare, por exemplo, com nossas altas autoridades, quer? Eu sou brasileira, essas figuras distintas são Brasileiras), rebobinando a fita, esses Brasileiros quando em Paris estão sempre com a cara amarrada.

O Lula no jardim do Marigny, ainda presidente do Brasil, tinha uma expressão de velório. Cheguei a procurar na imagem onde estava o caixão. Podem olhar aí no You Tube. Agora, ex-presidente em exercício num forum organizado pelo Instituto Lula para ensinar aos franceses como sair da crise, ele discursou tão aborrecido, de dar dó. Também linkei.

Mas o mais impressionante foi dona Dima ao chegar a Paris passando em revista as tropas que a homenageavam. Ninguém diz que ela estava sendo saudada por amigos, e sim por inimigos. Olhem sua expressão:


Peço daqui ao ministro Patriota, que não se perca pelo nome, que por favor diga à dona Dilma que não é preciso essa cara de poucos amigos ao revistar uma tropa. Era só não rir animadíssima como quando revistou as tropas cubanas.


Bastava um ar suave. Afinal, Paris vale o esforço!

21 de dezembro de 2012
Maria Helena RR de Sousa

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