
Oito anos depois, Gilberto Kassab, herdeiro político de Serra na prefeitura de São Paulo, alça voo próprio, racha os udenistas, consegue uma leva de migrantes partidários e agora conquista para seu correligionário um ministério.
O país dos absurdos continua com a criação de uma nova pasta, especificamente para acomodar o aliado de última hora. A Secretaria de Micro e Pequenas Empresas (SMPE) é conformada por uma transferência de atribuições.
Antes estas funções pertenciam ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A julgar pelo baixo orçamento a ele destinado (apenas R$ 7,9 milhões), não tinha relevância estratégica para o governo.

Seguimos o padrão brasileiro. Na segunda-feira 06 de maio, a presidente discursara em São Paulo para a federação do setor reconhecendo as micro e pequenas empresas como responsáveis por mais de 11 milhões de postos de trabalho.
Se esse reconhecimento fosse fruto de uma relação de forças para a política econômica do Planalto, a pasta jamais viria a existir. Bastaria aumentar as atribuições e a capacidade de realização da rubrica dentro do MDIC e estaria tudo resolvido.
Para compreender o argumento, é só fazer um paralelo com os orçamentos respectivos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com seu primo pobre, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
Detalhe é que Afif continua o mesmo operador com passado malufista, apoiador da ditadura e que concorreu para presidente em 1989 pelo antigo Partido Liberal (PL). O líder empresarial paulista não modificara uma linha de seu discurso e postura pela diminuição do tamanho do Estado e nas denúncias de elevada taxa tributária.
Joga de camaleão na política profissional, mas mantêm a posição na defesa dos interesses de seu setor de classe. Também nunca renegou seu passado pró-ditadura.
Como tampouco o Estado brasileiro alivia a tributação para o setor, a nova pasta serve apenas como vitrine - através do SEBRAE - para Afif e o PSD, entrando no balaio pela tal da governabilidade.
O vice-governador de Alckmin não é o primeiro arenista a entrar no governo de Dilma e, infelizmente, o 39º ministro da ex-guerrilheira é apenas mais um aliado de ocasião reforçando o pior da política brasileira.
08 de maio de 2013
Bruno Lima Rocha é cientista político.
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