"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 15 de julho de 2013

JURO MÉDIO DO CRÉDITO PESSOAL É 5 VEZES A TAXA SELIC

No rotativo do cartão de crédito, modalidade mais cara, juro médio é de 194% ao ano, 22,8 vezes a taxa básica
 
Para evitar pagar juros altos por longos períodos, consumidor precisa escolher a linha de crédito adequada

 
O custo médio de um empréstimo pessoal em banco é hoje cinco vezes o juro básico da economia, a taxa Selic, que subiu para 8,5% ao ano na última quarta-feira.
 
O juro desse tipo de crédito está em 42,7% ao ano (ou 3,01% ao mês) em média, segundo estimativa da Anefac (associação nacional dos executivos de finanças).
 
No rotativo do cartão de crédito -- modalidade de empréstimo mais cara entre as mais comumente utilizadas -- os juros anuais estão em 194% em média (9,41% ao mês), ou 22,8 vezes a Selic.
 
Para evitar pagar juros altos durante longos períodos, é fundamental escolher a linha de crédito mais adequada para cada objetivo.
 
As simulações ao lado mostram o impacto dos juros no valor final de um empréstimo de R$ 50 mil por cinco anos. Embora sejam situações hipotéticas --dificilmente alguém deixaria essa quantia no cheque especial ou no rotativo do cartão por tanto tempo--, servem para ilustrar o efeito das taxas cobradas.
 
No cartão, o resultado ao final de cinco anos seria de R$ 11 milhões e, no cheque especial, de R$ 4,3 milhões. Já no crédito pessoal, o total ficaria em R$ 296,3 mil.
 
"A grande lição é aprender a tomar o empréstimo mais adequado para cada necessidade", diz a planejadora financeira Letícia Camargo.
 
Algumas situações emergenciais, como despesas médicas, exigem o uso de um crédito mais fácil e mais caro, como o cheque especial, cujo juro médio está em 144% ao ano (ou 7,72% ao mês). "Mas essa deve ser uma saída para um período curto, como três dias no máximo", afirma a especialista.
 
"Se a pessoa perceber que está há um mês no cheque especial, vale a pena pegar um empréstimo pessoal, que é mais barato, para quitar a dívida", acrescenta.
 
O mesmo vale para o rotativo do cartão de crédito. Se, por um imprevisto, o consumidor percebeu que não conseguirá quitar a fatura, pode pagar a parcela mínima, diz o educador financeiro Mauro Calil. "Mas, no mês seguinte, é preciso pagar tudo, ou então contratar uma linha de crédito mais barata para se livrar dessa dívida", afirma.
 
A opção mais em conta é o crédito consignado, com taxa média de 24,2% ao ano (1,82% ao mês) --ainda assim, quase três vezes a Selic--, segundo dados do Banco Central de maio, os mais recentes disponíveis.
 
Essa modalidade, porém, com desconto direto na folha de pagamento, só é possível para funcionários de empresas com convênios bancários.
 
O juro do consignado é menor porque o risco de calote é considerado baixo, já que as parcelas são descontadas da folha de pagamento.
 
CALOTE
 
As modalidades mais caras, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial, são pré-aprovadas. Ou seja, não avaliam o risco do tomador a cada novo empréstimo. Por isso, estão mais suscetíveis ao calote.
 
Dados do Banco Central mostram que a inadimplência representa quase um terço do chamado "spread" --a diferença entre o custo de captação dos bancos e o juro cobrado dos consumidores.
 
Questionada sobre os juros altos no cartão de crédito, a Abecs, que representa as empresas de cartões, afirmou que não interfere nas estratégias comerciais de seus associados. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) não quis comentar o assunto.
 
15 de julho de 2013
DANIELLE BRANT  - FOLHA S.Paulo

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