"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

COMENTARIOS: "A VERDADE ESCONDIDA"

Sicário comenta "A verdade escondida"
29 de setembro de 2011

Jaba...

Em nenhuma situação da vida os fatos podem ser analisados de forma isolada, até porque nada acontece por acaso. A confirmação disto está no enunciado físico que diz que à “toda ação corresponde uma reação”.
Partindo deste princípio, afirmo que nunca entendi 31 de março de 1964 como um golpe militar, como é tão propagado pelos ditos historiadores que se julgam detentores do conhecimento histórico; o que de fato ocorreu foi um contra-golpe da sociedade frente aos fatos que antecederam 1964.
O que vou escrever pode ser facilmente pesquisado na internet.
Em 1961, Jânio Quadros, Presidente do Brasil, renuncia ao cargo.
Constitucionalmente, João Goulart, seu vice-presidente, deveria assumir o posto. Por seu posicionamento e idéias politicas, já que foi criado e aprendeu pela cartilha populista/ditatorial de Getúlio Vargas, a sociedade fardada se posicionou contra sua posse pois, em 1954, com o suicídio do ditador, o país entrou em convulsão, sempre insuflado pelos mesmos agentes. No ano de 1961 governava o RS, Leonel Brizola, também aprendiz da cartilha de Vargas e cunhado de João Goulart. Com a crise da renúncia instalada, para fazer pressão e garantir a posse do vice-presidente, Brizola mobilizou a população gaúcha e a Brigada Militar (Polícia Militar gaúcha) como força de intervenção, inclusive movimentando tropas até Santa Catarina, para se precaver e antevendo um ataque de tropas federais ao território gaúcho. Esta movimentação recebeu o nome de “legalidade” (evento que completou 50 anos agora em setembro).
Para empossar seu cunhado, conforme determinava a constituição, Brizola provocou a ruptura na hierarquia militar e insuflou a população civil e militares a resistir ao que chamava de golpe. Estava certo em garantir que se cumprisse a constituição e estava errado em procurar militarizar uma crise política pq. na sanha de empossar o cunhado Brizola quase levou o país à guerra civil e, se não fosse o espírito democrático de alguns militares, o governador gaúcho teria jogado brasileiros contra brasileiros numa guerra ideológica,imbecil e desnecessária.
Passada a turbulência, com as forças militares aceitando a posse do vice, se plantou a semente de 1964.
Quando João Goulart assumiu o cargo, os fatos que ocorreram no espaço de tempo entre a renúncia do presidente e a posse praticamente se repetiram nos 3 anos de governo de João Goulart, pois uma vez na presidência os planos arquitetados em 1961 e que tiveram uma solução pacífica, tomaram proporções catastróficas. Com a quebra de hierarquia nas FFAA, greves, desobediência civil foi neste ponto que a sociedade realizou um contra-golpe ao golpe que Brizola e companhia ilimitada estavam tentando dar desde a década de 50.
Desconheço que algum historiador entenda 1964 como consequência de 1961. Fica aqui a idéia.
Eu vejo assim.
Quem desejar buscar com seriedade os culpados por 1964, deve procurar as razões junto à esquerda porque nela reside o lixo da história brasileira.

Abs

Sicário

*** *** ***

Olá Sicário,
Como sempre,comentários de primeira.
Quando comentei a estúpida decisão da OEA, em dezembro passado, sobre os acontecimentos do Araguaia, "tracei algumas" linhas, no mesmo sentido dos seus comentários, obviamente não tão brilhantes, mas que, em linhas gerais, falava dos acontecimentos:

"A Guerrilha do Araguaia, ocorrida no início da década de 70, não passou de uma criação do Partido Comunista do Brasil - PC do B que, identificado com as experiências vitoriosas das Revoluções Chinesa (Mao Tsé-Tung) e Cubana (Fidel Castro), e mantendo, desde meados de 1960, militantes guerrilheiros na área do Araguaia, buscava, de dentro para fora, ou seja, a partir do campo, da doutrinação rural, campesina, enfrentar o regime militar, derrubá-lo, tomar o Estado e fazer a revolução comunista tupiniquim.
Já o regime militar no País teve início em 31 de março de 1964 (cinco anos após o alinhamento de Cuba com a União Soviética de Khruschev, líder do PC soviético de 1953 a 1964, e quem instalou uma base de mísseis em Cuba, Presidente do Brasil, João Goulart), com o intuito de se evitar que os encantos autoritários do comunismo, que, igualmente, iluminavam os neurônios de alguns burgueses oportunistas, atingissem o seu objetivo, aquele idealizado pelo PC do B. À ocasião, é mais do que sabido, que os regimes cubano e chinês financiavam e treinavam guerrilheiros brasileiros, e guerrilha urbana e rural corria solta.
Com a renúncia de Jânio, em 25 de agosto de 1961 (efêmero governo), assume a presidência o Deputado Ranieri Mazzilli (presidente da Câmara dos Deputados).
Divididos entre a aceitação ou não da posse de João Goulart como Presidente, que se encontrava em viagem diplomática na China comunista, os militares, conciliando os interesses nacionais, acordaram, com aprovação do Congresso, na implantação do regime parlamentarista, sendo Presidente João Goulart (7 de setembro de 1961) e Primeiro-Ministro Tancredo Neves, que já fora Ministro de Getúlio, no segundo governo deste. O que não durou muito: em janeiro de 1963, por plebiscito, retorna-se ao regime presidencialista, aumentando-se o poder de João Goulart.
No período, direita e esquerda se confrontam, as ligas camponesas são reorganizadas (criação do PC do B, em 1930), Miguel Arraes apóia e incentiva os movimentos estudantis pró comunismo, João Goulart apóia e incentiva o sindicalismo dos sargentos, provocando quebra na hierarquia e na disciplina das forças armadas, realizado Congresso de solidariedade a Cuba, em terras de Araribóia (cacique da tribo dos temiminós, que derrotou os tamoios, que apoiavam os franceses no controle da Guanabara), Prestes defende a transformação do País no primeiro país comunista da América do Sul, à imagem de Cuba, Brizola, de quem Goulart era cunhado, organiza o Grupo dos Onze que tinha por objetivo, segundo o seu organizador, tomar o poder pela luta armada (anseio antigo do PC do B) - “vanguarda avançada do Movimento Revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na União Soviética” (palavras do caudilho) -, entre outros atos de puro banditismo golpista de mudança de regime.
Em 64, 13 de março, João Goulart assina no Rio decretos de encampação das refinarias de petróleo privadas e autoriza a expropriação de terras, precipitando a sua deposição da presidência. A sociedade, entre os regimes de direita e de esquerda, optou pelo primeiro.
Em linhas gerais, os fatos que levaram ao início do regime militar.
Não satisfeita com mais uma derrota, a esquerda insistiu no seu desiderato, chegando-se, para terminar com essas mal traçadas históricas, à guerrilha do Araguaia, precedida de atos inqualificáveis, onde os militantes comunistas foram defenestrados pelo regime vigente, os quais, agora, são objeto de pura demagogia desrespeitosa, por parte da Corte mencionada no início destas linhas, que mais parece derivada do ressurgimento retrógado, na América Latina, da esquerda esquecida no tempo.
A sociedade brasileira optou pelo regime que entendeu melhor para o País; fatos e feitos da época, já foram colocados, de comum acordo, no seu devido lugar na história."

É isso aí Sicário. Dê uma passada no blog Contraponto-Respeito e Honra, e deixe a sua opinião. Seus comentários serão também levados para lá.

Abs.,

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