"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 9 de setembro de 2012

BRAZUCAGEM: O ALTO PREÇO DA EDUCAÇÃO BÁSICA DESQUALIFICADA

 

$talinácio é um vidente político! Ele previu que o Mensalão interferiria na campanha eleitoral contra o PT. O previsto desgaste de imagem, refletindo negativamente no desempenho dos candidatos, se tornou realidade.

A repercussão do julgamento da Ação Penal 470 é mais um caso que confirma o inegável poder de influência na opinião pública (e também publicada) de um assunto que ganha destaque midiático.

Povo atento a decisões de Justiça é uma exceção em países com desqualificada formação educacional básica – na maléfica combinação do baixo (ou nenhum) nível de leitura com a falta de raciocínio lógico-matemático. Mas o interesse no caso do mensalão – despertado pela conveniente e bem programada repercussão de propaganda midiática – também é um indicador de que nuita gente já começa a ficar se saco cheio de tanta safadeza – mesmo que não entenda bem ou consiga explicar como, por que e quem promove tanta bandalheira.

Se a baixaria educacional tivesse reflexos perversos apenas na cidadania já seria uma desgraça pelada. Tão ou mais grave é que ela reflete diretamente no comportamento cultural do brasileiro.


Quem não pensa corretamente, com base na Verdade, se torna refém de ilusões e mentiras que afrontam a realidade. Quem embarca em ideologias equivocadas reproduz crendices, ignorâncias, preconceitos erros, inverdades e injustiças.
Os valores verdadeiros são corrompidos e se transformam na raíz da corrupção generalizada.
Por isso, prospera tão facilmente o sistema do Crime Organizado (servidores públicos se associando a bandidos que se servem da coisa pública para roubar e usurpar a máquina do Estado).

Enfim, um povo cuja maioria não consegue refletir sobre a diferença entre o certo e o errado, o verdadeiro e o falso, o justo e o injusto, encontra dificuldade permanente em ser ético. Assim, a ignorância tupiniquim logo se transmuta em barbarie: inércia, omissão, covardia, medo. egoísmo, violência e terror.

O caminho fica escancarado para a prática dos sete pecados capitais básicos: soberba, gula, luxúria, omveja, avareza, preguiça e ira. Na conjuntura de ignorância, os vícios superam a virtude e se espalham por todas as classes sociais.

Os efeitos psicossociais da educação básica desqualificada são ainda mais perversos. Seus reflexos destruidores atingem a vida econômica. Ignorante não produz direito. Pior ainda: em vez de produzir, prefere especular e esperar o resultado (qualquer um que seja obtido). A regra vale para todas as classes sociais.

Uns especulam e ganham muito dinheiro. Outros vivem escatologicamente esperando pelo favorzinho estatal (um bolsa isto ou aquilo, um subsidiozinho ou até o resto de algum produto de roubo, tanto faz).

Veja o caso do modelo econômico. A tal da Zelite o aceita por conveniência ignorante. Os esquemas transnacionais mafiosos que dominam nosso Estado, botando no poder fantoches na Presidência da República, no Ministério da Fazenda e no Banco Central, destroem a soberania do Brasil.


A safadeza mais escancarada é com a manipulação do câmbio. Este dólar em torno de dois reais – que só flutua no ilusionismo da autoridade monetária que o notíciário amestrado compra por burrice – é o doce veneno que mata quem produz no Brasil.
De que adianta produzir e exportar muito, se na hora de receber por tal trabalho o exportador fica com um dólar que lhe permite trocar por poucos reais? Melhor assim, pois o exportador, cansado de ganhar pouco, quebra ou vende o negócio para alguma transnacional - antes que a desgraça programada aconteça.

A armadilha da politicagem econômica é ainda mais perfeita para impedir que a moeda estrangeira flutue livremente. O papo furado é com a perguntinha burra: se o dólar subir muito, como a indústria vai conseguir importar os insumos para produzir?

Por esta lógica que valoriza sempre o que vem de fora – sem se preocupar em produzir aqui dentro – é que não se permite o câmbio livre.
Cabe até indagar cinicamente: por que o governo não permite que tenhamos contas correntes em moeda estrangeira aqui dentro do Brasil?

Seguindo tal modelo, acontecem dois fenômenos paralelos de destruição econômica. O exportador trabalha muito e ganha pouco, até ser assimulado ou destruído por algum concorrente transnacional.


E o brasileiro (produtor ou trabalhador) se torna refém da armadilha “importar (inclusive quinquilharias ou objetos de luxo) é o que importa”.
A políticagem econômica é fruto de nossa ignorância. Só uma besta quadrada não enxerga que um país que funciona assim jamais se desenvolverá no pleno emprego dos seus fatores econômicos.

Outro fruto da ignorância é a conivência (ou conveniência) com a corrupção. O Estado brasileiro gasta (muito) mal. Desperdiça-se dinheiro público. Seja com gastos inúteis (em ações de governo que servem para nada) ou pagando caro demais por produtos e serviços.


Neste segundo caso, a manobra atende ao Governo do Crime Organizado. Os superfaturamentos ajudam a sobrar dinheiro para pagamento dos generosos mensalões aos políticos ou ocupantes dos podres poderes da nossa imperial república de mentirinha.

Outra característica da cultura da ignorância – talvez a mais perversa. Nao temos (ou perdemos ou sequer tivemos?) a noção de Bem Comum, de Coisa Pública.

Assim, ao mesmo tempo em que o ignorante pratica o primeiro teorema de Zeca Pagodinho (“deixa a vida me levar, vida leva eu”), ele também executa o primeiro mandamento do egoísta pragmático (“farinha pouca, meu pirão primeiro”).
É justamente assim que o pirão desanda quando tal princípio cínico é aplicado na vida pública. A política se reduz a um meio para se locupletar ou roubar, conforme os preceitos da famosa Lei de Gérson (“Eu gosto de levar vantegem em tudo! Certo?”).

Sorte nossa que, em 2014, vem a Copa do Mundo! Os jogos serão disputados com a bola batizado com o pejorativo termo “Brazuca” (com Z de zorra e não com S de sorte). Mas o azar nosso não para nesta disputa.

Logo depois do torneio privado da transnacional Fifa, vem a eleição presidencial – cujo processo eleitoral será comandado pelo brilhante e jovem José Dias Toffoli na presidência do Superior Tribunal Eleitoral.

Quem vai disputar a peleja? Pouco importa. Todos os escolhidos serão jumentos criados em nossa subcultura de ignorância para serem comandados pelos padrinhos da Oligarquia Financeira Transnacional, no cassino eleitoral eletrônico do Al Capone. Independemente de quem vencer, o Brasil já está perdido há muito tempo.

Nosso País é um excluído do jogo do Globalitarismo. O negócio é investir em nossa ignorância para que continuemos funcionando como uma rica colônia de exploração mantida artificialmente na miséria para servir aos esquemas da tal de “Nova Ordem Mundial”.

A Brazucagem só pode ser superada por uma profunda revolução cultural. Que só será viabilizada se houver investimento verdadeiro na Educação Básica de um povo (de ricos e pobres) mantido na permanente ignorância sobre seu potencial para liderar o processo de transformação do mundo para algo mais humano, fraterno e produtivo.


O Brasil é o celeiro (de alimentos e matérias-primas) do Planeta Terra. Só falta ser também o celeiro de novas ideias para a humanidade. Mas, para isso, precisa investir o máximo de recursos públicos na qualificação educacional de seu povo.

Ainda é possível e vale a pena lutar por tal utopia, apesar dos globalitarismos e brazucagens. Se deixarem – e nós quisermos de verdade – vamos mostrar para a Oligarquia que não somos descartáveis.


Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
09 de setembro de 2012
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

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