"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quinta-feira, 22 de março de 2012

DILMA ROUSSEFF DEVERIA COLOCAR IDELI DE VOLTA AO MINISTÉRIO DA PESCA. LÁ, ELO MENOS NÃO ATRAPALHARIA O GOVERNO

Um dos principais defeitos da presidente Dilma Rouseff é o exacerbado feminismo. O cargo de presidente da República é de supremo magistrado, não deveria estar sujeito a esse tipo de desvirtuamento, que mais parece revanchismo. Mas o fato é que a presidente Dilma está montando uma espécie de Clube da Luluzinha, no qual menino quase não entra.

Recentemente, o que temos visto é uma sucessão de nomeações femininas. As duas últimas foram para a Petrobras e para a Agência Nacional do Petróleo. Tudo bem, nada contra as mulheres, mas essa preferência sexual pode acabar saindo caro, como está acontecendo no caso da ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, um dos cargos mais estratégicos do governo.

Qualquer pessoa interessada em política sabe que Ideli Salvatti não tem a menor vocação para o cargo, que exige invulgar habilidade política. Todos percebem que ela é grosseira e autoritária, seu comportamento nada tem de diplomático, num posto que exige muito jogo de cintura.

Portanto, não foi por mera coincidência que Ideli Salvatti passou a ser o alvo de setores da base aliada descontentes com o Palácio do Planalto. Reportagem de Simone Iglesias, Maria Clara Cabral e Gabriela Guerreira, publicada na Folha, mostra que senadores e deputados, principalmente do PT e do PMDB, criticam o estilo “truculento” e “intransigente” da ministra, por querer, segundo eles, impor vontades do governo sem permitir o diálogo.

A verdade é que o governo vive uma crise com a base aliada desde a semana retrasada, quando o plenário do Senado rejeito a recondução de Bernardo Figueiredo para a diretoria-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que era defendida pelo Planalto.

Na quarta-feira, em mais um episódio da crise com a base, a bancada do PR rompeu com o governo e passou a integrar a oposição no Senado. O partido ficou irritado com a decisão da presidente Dilma Rousseff de manter Paulo Sérgio Passos como ministro dos Transportes – cargo que antes era ocupado pelo senador Alfredo Nascimento (PR-AM). Depois, o PTB e o PSC ameaçando sair.

No caso do PR, Passos é mantido pelo Planalto sob justificativa de que é um técnico, por ser funcionário de carreira do DNIT (antigo DNER), um dos maiores pólos de corrupção do governo atual e de todos os anteriores. Com tempo mais do que suficiente para aposentadoria, estranhamente Passos continuou na ativa, numa atitude que pode exibir um extraordinário espírito público, mas também levanta suspeitas, por óbvio.

Substituir Passos por algum político do PR pode significar trocar seis por meia dúzia, é claro. Seria o mesmo que trocar Marcelo Crivella por Ideli Salvatti no Ministério da Pesca. Ou por Luiz Sérgio. Não muda nada, é a mesma inutilidade.

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BASE ALIADA VAI DIMINUINDO

O PTB desfez quarta-feira o bloco com o PSB e PCdoB na Câmara. O partido tomou essa decisão porque PSB e PC do B votam, normalmente, alinhados com o governo Dilma Rousseff e o partido passou a votar contra o Planalto até que haja melhora na relação com os aliados.

Depois de romper com o PSB e PCdoB, o PTB passou a formar bloco com o PSC, que aderiu à tese da obstrução dos projetos em votação na Câmara dos Deputados. Obstrução é um mecanismo usado pelos deputados para suspender votações de interesse do governo.

Um exemplo disso imediatamente ocorreu no plenário da Câmara. A maioria dos partidos, inclusive PMDB, PTB e PSC, obstruiu requerimento de votação da Lei Geral da Copa para adiar as discussões para a semana que vem.

Segundo o deputado Hugo Leal (PSC-RJ), os dois partidos não estão migrando para a oposição. Continuam na base aliada, mas votando sem compromisso com o governo Dilma. “O PSC e PTB estão em obstrução até que as matérias em pauta sejam discutidas pelo conjunto dos parlamentares e, nas eleições municipais deste ano, sempre que possível, o bloco PSC/PTB será reproduzido com candidaturas próprias”, diz nota do bloco.

PTB e PSC somam 38 deputados: 21 petebistas e 17 socialistas-cristãos. Parece pouco, mas acaba fazendo muita diferença.

22 de março de 2012
Carlos Newton

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