"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

MAS COMO ACONTECEU?

    
          Artigos - Governo do PT 
Valmir Azevedo Pereira apresenta sua perspectiva do processo de crescente subserviência dos militares brasileiros ao petismo. Heitor De Paola comenta e acrescenta informações ao artigo.

Seguidamente, recebemos mensagens indagando sobre a pretensa (?) subalternidade que grassa nas instituições militares.


Algumas indignadas alegam que mais do que o sepulcral silêncio, assombra a subserviência e mesmo a passiva convivência, mesmo diante de atitudes e medidas do desgoverno que ferem profundamente o que seria a dignidade militar.


Outras mais veementes fazem alusões à passividade pelo expurgo de datas significativas para o Estamento Militar que foram sumariamente execradas do seu calendário, como a Intentona Comunista de 1935 e a histórica Contrarrevolução de 31 de Março de 1964.

Cala fundo a falta de amparo aos militares que cumpriam missão à época nos órgãos de repressão, seja como simples agentes seja como chefes ou responsáveis pelas medidas contra a subversão. O Cel. Ustra e outros (x) são os exemplos vergonhosos do descaso e do abandono.
Diante de tanta leniência, muitos perguntam, mas como aconteceu?
Especulando, podemos responder que a submissão não foi repentina, ela foi se construindo imediatamente após o término dos governos militares. E os governos não eram do PT, eram de outros partidos de triste memória.

À época, sob a batuta dos radicais da esquerda, os então ministros militares, e logo alguns comandantes militares, numa demonstração de extremada benevolência, talvez envergonhados pela vigência dos governos militares, diante das mais estapafúrdias solicitações ou determinações daqueles governichos, acediam sem qualquer muxoxo.


Assim, na medida em que o tempo passava, novas imposições e escabrosas restrições foram sendo acumuladas e assimiladas, de forma a colocar as instituições militares como a quinta roda da carroça, como dizia a nossa saudosa avozinha, e o pior, com o traseiro à mostra.


A desmoralização foi num crescendo e atingiu o seu auge sob os auspícios e ferrenho empenho da esquerda petista.


Acompanhamos o “tsunami” do revanchismo. Foram prédios “batizados” em nome da luta subversiva, foram homenageados “heróis” terroristas de nomeada, foram construídos monumentos ao “embuste”, foram patrocinados livros que atacavam os defensores da democracia e enalteciam os ignóbeis subversivos.


E foi “parido” o Ministério da Defesa sob a batuta de alguns abomináveis ministros civis, cidadãos de questionáveis qualidades para o honroso cargo.

Viva Marighela, viva Dirceu e tantos outros e outras bem conhecidas.
Mas não era o suficiente, era preciso que a sociedade brasileira sofresse na carne o seu apoio à contrarrevolução. E no bolso, também.

E ser subversivo, sequestrador, assaltante mostrou-se lucrativo, pois mais de 4 bilhões de reais foram pagos aos patifes. E não apenas na âmbito federal, pois alguns estados, como o desgoverno federal, também aquinhoaram os heróicos terroristas com benesses financeiras.


Hoje, quando alguém pergunta, mas como aconteceu? A resposta é uma só, o descalabro foi construído paulatinamente na boa vontade, na esperança de preservar a democracia, no receio de antigos chefes militares que temeram que a sua justa reação pudesse soar como uma tentativa ou esboço de uma nova contrarrevolução.


A sua benevolência ou fraqueza foi a motivação para que o solerte inimigo se agigantasse, e hoje chegássemos ao cúmulo de aguentar uma execrável “Comissão da Verdade”.

Que os futuros chefes aprendam a lição de que a dignidade, os decantados valores militares repousam na excelência de suas virtudes, e que não “dar as costas” para o inimigo reconhecidamente traiçoeiro, se não é uma virtude, pelo menos não é uma retumbante idiotice.

Escrito por Valmir Fonseca Azevedo Pereira    

Brasília, DF, 25 de setembro de 2012

Notas de Heitor De Paola:

1 - (x) Acrescento o nome do bravo Coronel Lício Maciel, herói da Guerrilha do Araguaia, onde deteve José Genuíno com todas as garantias de integridade física.

2 - Corre o seguinte boato, cuja fonte parece ser o Alerta Total: “Consta que o Exército destacou os melhores e mais preparados oficiais da inteligência para dar proteção diuturna ao Ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do Mensalão do PT”. Não havendo confirmação pode ser parte de um plano para identificar o Ministro Relator com as Forças Armadas. (N. do E.: esta notícia foi publicada primeiramente pelo site do jornalista Ucho Haddad.)

3 - "Intelectuais" (sic) assinam manifesto a favor de José Dirceu. Coordenado por Luiz Carlos Barretão, já aderiram Niemeyer, Alceu Valença, Emir “Çader”, Bresser Pereira, Jorge Mautner, Flora Gil, Eric Nepomuceno, para que não haja prejulgamento dos réus do mensalão - termo classificado como pejorativo no texto - e que seja resguardado o processo legal. "Não queremos que haja prejulgamento, pois já tem gente por aí dizendo quantos anos cada réu vai pegar de prisão. Não pode ser assim. Depois a gente reclama quando chega a ditadura", afirmou Barreto. As informações são do jornal O Globo. Veja também em http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=71126 e http://noticias.terra.com.br/brasil/politica/julgamento-do-mensalao/noticias/0,,OI6175564-EI20760,00-Cineasta+colhe+assinaturas+de+artistas+a+favor+de+Jose+Dirceu.html.

4. Hildegard Angel interpreta, em adaptação livre, feita por ela, o célebre discurso de Marco Antonio, na peça "Julio Cesar", de Shakespeare, inspirada em personagens e fatos da atualidade brasileira, louvando José Dirceu. Assista ao vídeo: http://youtu.be/7cq9x2i2yj8. Recuso-me a incorporar este lixo no meu site.
5. Barretão mais Hildegard: a dupla que comandou a violência em frente ao Clube Militar no dia 29 de março deste ano.
 
 
Valmir Fonseca Azevedo Pereira é general de brigada reformado.

TECNOLOGIAS DIGITAIS vs. OCULTAÇÃO DA VERDADE

      
          Artigos -
Cultura 
A velha tática da rotulação de “teoria da conspiração” ainda é usada. Mas ela dificilmente pega hoje em dia, pois existem tantos documentos online que derrubam as perspectivas dos grupos de poder. Muitos não estão mais acreditando nessas versões.

Eu vou contar algumas histórias. Para deixar as coisas mais interessantes, começarei com uma que pode ser o negócio da vida de pelo menos um dos meus leitores. O prazo termina dia 30 de setembro. Aquele que hesitar perderá o negócio.


Começo com o óbvio: a queda dos custos em telecomunicações, especialmente os custos de Internet, está revolucionando a disseminação do conhecimento. Ao disseminar conhecimento, ela passa a minar todo o establishment, pois boa parte do poder de um establishment reside nas versões oficiais do passado. Assim é visto no livro de George Orwell,1984.
No livro, o tirano que impõe o totalitarismo diz: “Quem controla o passado controla o futuro. Quem controla o presente controla o passado”.
Os custos para controlar o passado aumentaram desde 1995: o ano em que os navegadores gráficos foram introduzidos. Então veio o Google.

Eu sei que Orwell disse isso porque eu acabei de verificar em alguns sites. Isso tomou menos de um minuto. Há alguns debates sobre a pontuação: ponto, dois pontos ou ponto e vírgula. Acho que não me darei ao trabalho de procurar isso na minha biblioteca, que está em uma sala especial a quilômetros daqui.
O custo de pesquisa é uma minúscula fração se comparado ao que era em 1995. A web mudou tudo.

Isso leva à minha oferta especial. No final do século XIX, apenas as pessoas que viveram próximas a Boston puderam pesquisar a história do puritanismo americano. Apenas lá era possível encontrar as fontes primárias: a biblioteca da Universidade de Harvard e as coleções da Massachusetts Historical Society. Você precisava ir para Yale após ter terminado em Boston, pois havia outras coleções que estavam espalhadas por toda a região. A principal estava na American Antiquarian Society em Worcester, Massachusetts. De acordo com a AAS,

Clifford K. Shipton, que se tornou bibliotecário em 1940, aperfeiçoou o acesso às fontes primárias por meio de parcerias com companhias tecnológicas. As Primeiras Impressões Americanas [Early American Imprints] em edições de microimpressão proveram aos estudiosos imagens das páginas de livros e panfletos impressos nos EUA antes de 1801. Pesquisadores ao redor do mundo logo ficaram ávidos para ler conteúdos de impressões armazenadas em bibliotecas a quilômetros de distância do local de leitura.

Entenda o que isso significa: tudo que foi impresso na América colonial de 1639 até o início de 1801 seguido de uma coletânea revisória que abrangia de 1801 a 1811. Eu escrevi minha dissertação do PhD em Riverside, Califórnia, sobretudo acerca dessa coleção de micro cartões. Isso foi há 40 anos. Não sei quanto à biblioteca da Universidade da Califórnia pagou por essa coleção. Acredito que tenha sido muito.

Então vieram as microfichas. Era possível fazer fotocópias brutas dessas microfichas – algo que não dava para fazer com os micro cartões. Eu tive de tomar notas escrevendo à mão. Ainda tenho as minhas guardadas em uma caixa. Historiadores nunca jogam fora suas notas.

O preço dos microcartões caiu para zero. Um homem que conheci 20 anos atrás descobriu que a firma que os fabricava iria jogar essas coleções no aterro, pois eles não queriam competição com as edições em microficha. Então ele fez um acordo com a empresa: compraria as microfichas com a condição de vendê-las apenas para empresas de pesquisa e escolas privadas de ensino médio que não estivessem dispostas a comprar as coleções de microfichas. A companhia aceitou.

Meu Instituto de Economia Cristã trouxe a coleção por US$ 10.000. Só de uma coleção completa de jornais que circularam entre 1780 e 1800 foram US$ 8.000. Eu tinha cinco leitores. Em quantias atuais isso daria US$ 30.000, ou seja, gastei muito.

Então veio a digitalização e a busca online. As microfichas perderam totalmente o valor.
O Instituto de Economia Cristã deu a coleção de micro cartões para uma escola particular cristã. Mas ela ficou sem espaço na biblioteca, então ela precisava se livrar daquilo. Pelo preço de uma viagem para o noroeste do Arkansas e o aluguel de um caminhão médio, qualquer pessoa podia ter a coleção para si. Se ninguém quisesse, tudo aquilo iria para o aterro. Do pó e do plástico vieram, para o pó e para o plástico voltarão.

Com essa coleção, você pode treinar os estudantes para pesquisarem em fontes primárias, ou você mesmo pode fazer a pesquisa. Lá se tem todos os jornais da época da Revolução Americana. É possível verificar as notas de rodapé de qualquer um deles. Você pode adquirir um índice completo. É uma ferramenta ideal para todos os dias em uma escola cujo foco é a história cristã da América.

Para uma escola privada de ensino médio que diz ser uma instituição acadêmica para estudantes interessados em entrar para a faculdade, essa coleção na parede da biblioteca diz “esta instituição é séria”.
As inscrições vão até 30 de setembro de 2012. Se você estiver interessado, entre em contato com Art Cunningham, art-sharon@cox.net Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Críticas com dígitos

Está se tornando quase impossível para qualquer grupo de indivíduos com poder e influência em determinada organização ou campo de atividade estabelecer uma versão aceita do passado. Há sites rivais que fornecem links com evidências que minam as versões desses grupos.

Nos bons e velhos dias antes de 1995, uma norma imposta pelo establishment não enfrentava grandes desafios, pois custava muito pesquisar os fatos. Era muito caro passar os escritos para os tipos gráficos que virariam um livro. Além disso, ainda tinham os custos de impressão, armazenamento, publicidade e distribuição. Os poucos que fizeram isso conseguiram um pequeno mercado.

E mesmo assim ele poderia ser facilmente descartado sob o rótulo de “teoria da conspiração”. A velha tática da rotulação de “teoria da conspiração” ainda é usada. Mas ela dificilmente pega hoje em dia, pois existem tantos documentos online que derrubam as perspectivas dos grupos de poder. Muitos não estão mais acreditando nessas versões.

O homem comum pode não ter uma opinião sobre o que aconteceu, mas ele tem dúvidas da versão oficial. Dúvidas a respeito de histórias oficiais levam à dúvidas a respeito de todas as histórias oficiais. A dúvida mina a legitimidade. Sem legitimidade, um grupo de poder estabelecido deverá substituir o poder pela autoridade e o governo externo pela autocracia. Os custos para forçar as pessoas a se comportarem são gigantescos para qualquer governo. Sem uma autocracia disseminada para reforçar as demandas, o establishment de uma elite torna-se apenas mais um grupo de interesse competindo.

Esse é o motivo pelo qual a World Wide Web é a maior ameaçada da história para qualquer grupo de interesse especial apoiado por qualquer governo. Todos eles sabem disso. Dificilmente há algo que eles possam fazer a respeito disso. Eles escamoteavam as teorias da conspiração, mas esse mantra não está mais funcionando. Funcionou quando o cidadão médio não tinha acesso aos livros. Ele não tinha acesso às provas com um único clique. Agora ele tem e não há nada que esses vários grupos de poder possam fazer a respeito disso além de invocar o mantra: “Teoria da conspiração”.
É um caso de uma panela subsidiada pelo governo que leva a uma panela de pressão financiada pelo setor privado.

O Instituto Mises

O site do Instituto Ludwig von Mises foi o primeiro site de longo alcance a disponibilizar uma alternativa abrangente para o establishment keynesiano e monetarista que impera nas agremiações econômicas. Ele oferece livros, artigos e vídeos produzidos por estudiosos que rejeitam essa perspectiva de causa e efeito do establishment econômico.

O departamento intitulado “Literatura” oferece centenas de rejeições clássicas do panorama keynesiano e monetarista: na teoria, na política e na história econômica. Mesmo as maiores bibliotecas de pesquisa não chegam a ter metade desses livros. Esses livros estão no formato PDF e em outros formatos de e-book. Um estudante pode baixar todos eles de graça.

Ele pode também comprar a impressão sob demanda pelo custo de US$ 20,00 cada. Esse modelo tecnológico de impressão quebrou o cartel dos publicadores de livros. Eles nunca tiveram de queimar livros. Bastava apenas retornar os manuscritos aos autores. Isso era muito mais urbano que queimar livros. Queimar livros é uma coisa muito “Nacional-Socialismo de 1936”. Hoje em dia, qualquer autor pode colocar seu livro no formato digital com o software Microsoft Word (por US$ 100,00) ou com o Open Office Write (grátis).
Ou, se ele quiser algo maior, ele pode comprar uma cópia do InDesign e escalar a curva de aprendizado. O que se deve entender é que essa barreira é facilmente traspassada por um software e o tempo de aprender a usá-lo. A barreira não é mais monetária.

“A liberdade de imprensa é garantida apenas àqueles que têm uma”. Isso é o que disse nos anos 1950 o ativista radical A. J. Liebling. Agora qualquer um com uma conexão à Internet pode arrendar uma sem custo adicional. Você pode publicar qualquer coisa no Scribd. Ela fica lá publicada sem custo adicional.

O Instituto Mises descobriu que dar de graça os PDFs dos livros vende um monte de livros impressos. Os leitores de livros sofrem daquilo que chamo “a síndrome de Picard”. Eles têm de segurar uma cópia impressa do livro para aproveitar o que tem lá dentro. Um PDF ou um Kindle não são bons o bastante.

Pior ainda para o establishment keynesiano e monetarista é o poder do YouTube. O Instituto Mises posta lá todas as palestras proferidas em seus encontros. Deste modo, quem cuida dessa parte de vídeo usa a opção de incorporar vídeos do YouTube e coloca-os no site do Instituto. Seja como for, eu nunca vi qualquer propaganda. Os vídeos começam já no início das palestras.

Os vídeos são uma boa maneira das pessoas adquirirem uma rápida perspectiva sobre qualquer assunto. Para quem está estudando fica mais fácil decidir se vale a pena ir atrás daquele assunto. Se for o caso de a pessoa querer, ela pode usar a seção de literatura do site para introduzir-se no assunto.

As pessoas gostam de vídeos. Elas os assistem aos montes. Por meio deles, pode-se mais facilmente e mais rapidamente colher novas informações em uma palestra bem proferida do que em um livro. As palestras ficam no site permanentemente.

O tráfego no site Mises.org é maior do que o tráfego no site da American Economic Association, a mais importante organização acadêmica do campo econômico. Para se ter ideia, o site do Instituto Mises está na posição 17.000 no ranking da Alexa, enquanto o site da American Economic Association está em 140.000.
A estratégia do Instituto Mises é dar tudo. Essa estratégia está funcionando.

Conclusão

A Internet ultrapassou os sistemas de distribuição dos grupos de poder. Sistemas de distribuição de informação agora apresentam numerosas saídas para qualquer pessoa com uma conexão à Internet. Comunicadores habilidosos podem agora superar o que então eram barreiras quase impenetráveis no começo de 1995.

A qualidade da larga massa de dígitos é baixa, mas a qualidade no topo é altíssima. Entradas abertas produziram saídas para pessoas com grandes habilidades em pesquisa e expressão.
Esse processo acelerará. Todo establishment pegará fogo intelectualmente e retoricamente. Eles eventualmente sofrerão grandes reveses.

Está acontecendo hoje. A capacidade de qualquer establishment em manipular a relevância das opiniões entre os jovens usuários de web está limitada e diminutiva. E enquanto esses usuários ficam mais velhos, eles prestarão menos atenção às opiniões desses grupos de poder.


Escrito por Gary North
Gary North, economista e historiador, é ex-membro adjunto do Mises Institute. É autor da série An Economic Commentary on the Bible..

Tradução: Leonildo Trombela Júnior

AGORA SOMOS TODOS SOCIALISTAS


          Artigos - Cultura 
       
A idéia de um Estado babá que dá tudo ao cidadão é algo que está tão impregnado na consciência democrática moderna que será muito difícil convencer o cidadão comum a andar pelas próprias pernas. Ou pelo próprio cérebro.

Nas eleições municipais, um estranho cacoete se repete em praticamente sobre todo discurso político-partidário, de norte a sul, de leste a oeste, enfim, contaminando todas as nomenclaturas políticas. Por mais que haja uma aparente oposição entre direita e esquerda, liberais, conservadores ou socialistas, contudo, essa divergência não reflete necessariamente diferenças ideológicas, mas tão somente distinções de interesses ou de grupos políticos personalizados.
Assim, as nomenclaturas partidárias tornam-se apenas ficções vazias de algum grupelho ou cacique político. No Brasil, os partidos políticos nunca foram ideologicamente fortes. São expressões inócuas de meros jogos oligárquicos de interesses.

Entretanto, não se pode negar que na fraqueza de identidade partidária das disputas eleitorais, há uma estrutura de pensamento predominante, seja nos projetos, seja nos discursos políticos. É curioso, senão surpreendente, perceber que os esquemas mentais socialistas são hegemônicos em quase todas as propostas de governo expostas na programação eleitoral.
Todavia, esse socialismo não se expressa numa estrutura ideológica coerente, e sim numa cultura: discursos e prática políticas que se manifestam inconscientemente, e transforma-se num vício retórico e em uma mania burocrática, que se casaram perfeitamente com o tradicional patrimonialismo da nossa sociedade.

De uma coisa não se pode negar: as ideologias revolucionárias e estatólatras reproduzidas em universidades e escolas do país criaram um consenso assustador, um imperativo categórico inquestionável e dogmático. O Estado adquire auras sacrais e culto idolátrico,é visto como onipotente. Se antes a crença era restrita a uma diminuta elite universitária ou a um círculo de fanáticos positivistas ou marxistas, agora a doutrina do governo total expande sua influência sobre todo o corpo social.
Quem negará que os políticos brasileiros, criaturas demagógicas e boçais, formadas muitas vezes, embora indiretamente, por estes mesmos cânones academicistas, não gostaram da ideia?

Nas agendas dos candidatos a prefeito ou a vereadores, observamos discursos messiânicos: idéia de que são seres superiores, milagreiros, grandes pais estatais, prometendo os serviços mais detalhados e minuciosos para atender aos anseios ou carências materiais e emocionais do cidadão comum. Um deles promete mais creches para cuidar das crianças; outros, melhores colégios ou hospitais; ou então empréstimos subsidiados de bancos “populares”, cestas básicas e geração de emprego e renda. Ou mais, centros de lazer ou ocupação para os jovens. Em suma, um processo de burocratização da sociedade muito similar ao sistema sueco de “bem estar social” ou ao regime soviético.

O problema deste discurso é o seu irrealismo, sua inoperância, sua megalomania. Ou mais, sua sedutora ameaça à liberdade civil e política em nome de samaritanos propósitos. Se os políticos repetem essas fórmulas à exaustão é porque os eleitores, bestificados por um universo de doutrinação ideológica e confiança cega no Estado, são capazes de abandonar seus papeis sociais e direitos individuais mais elementares diante dos caprichos de uma burocracia administrativa e política salvadora.

Quando os políticos se propõem a criar mais creches ou expandir o sistema educacional, o cidadão médio nutre-se de um conforto espiritual apavorante, uma vez que abdica do papel de pai ou mãe de família, para dar ao Estado um poder que até então era individual. Na verdade, a idéia de um Estado babá que dá tudo ao cidadão é algo que está tão impregnado na consciência democrática moderna que será muito difícil convencer o cidadão comum a andar pelas próprias pernas. Ou pelo próprio cérebro.

O mesmo se aplica em relação à saúde pública. Alguém pensará numa assistência médica onde o Estado não detenha o controle? Por mais que haja pessoas morrendo em filas dos hospitais municipais e por mais que o atendimento seja precário, vergonhoso, ridículo até, o cidadão médio tem a ilusão de que deve ser paparicado como uma criança birrenta e egoísta.
Ele não sabe cuidar de sua saúde. O Estado cuida.

Ainda me lembro da cena grotesca do Pronto Socorro Municipal de Belém, quando os médicos e enfermeiros grevistas colocaram um caixão simbólico na frente do hospital. Confesso que aquela cena tinha um ar macabro. Alguém poderia dar credibilidade a um hospital onde o símbolo maior é uma urna funerária? Melhor seria morrer em casa do que ver aquela imagem surrealista.
É provável que muitos brasileiros realmente morram em casa e ainda paguem por este serviço falido. Mas isto não consta nas estatísticas do governo.
Alguém poderia objetar afirmando que os pobres precisam de atendimento médico e as crianças sem posses precisam de educação. O problema é que ninguém pergunta como e o que o Estado pode oferecer neste sentido. Não se pode negar que muitos pobres não têm condições de pagar um serviço caro de saúde.

Ou que muitos pais tampouco possuem recursos para oferecer uma instrução necessária a seus filhos. Contudo, será que alguém já se perguntou qual o preço da tamanha concentração de poder que o Estado exige para oferecer estes serviços?
Quando os tolos falam da redenção da educação universal como uma panacéia pronta para os problemas da sociedade, será que perguntam que tipo de educação se oferecerá às crianças? Ou que tipo de tratamento médico será dado aos doentes?

Não seria mais lógico que a sociedade, de forma voluntária, fizesse sua parte realizando tudo o que espera do governo, ao invés de esperar dessa classe política corrupta e ávida por dinheiro? Alguém acredita que o Estado criará tantas creches ou tantas escolas ou tantos hospitais para atender todo mundo? Mas a que custo? A custo de pilhar e estatizar toda a sociedade?

Há aí uma viciosa falta de iniciativa da própria população em resolver seus problemas. Acostumada a esperar tudo do governo, só resta se sujeitar bovinamente a uma autoridade superior, que realiza, de cima para baixo, o que poderia ser feito de baixo para cima, ou seja, pelos próprios cidadãos.

Os pobres poderiam ser auxiliados sem a interferência direta do governo? A resposta é sim. Durante séculos foi assim. As famílias, através de associações, de Igrejas, se atendiam mutuamente sem a interferência governamental. A anomalia do Estado atual é que gerou a falsa idéia de que é titular absoluto uma educação formal, retirando de outros elementos ou instituições da sociedade, o poder de educar.

Ainda me lembro de uma situação particular. Comentava a uma senhora a seguinte questão: os cidadãos, ao invés de esperarem do governo para asfaltar sua rua, poderiam tomar a iniciativa por conta própria e, no máximo, descontar tais ações dos impostos. E eis que ouvi a seguinte resposta: “deixe o governo fazer”. Isso demonstra que a expansão governamental na democracia estimula uma sociedade de cidadãos atomizados, desarticulados, cuja inércia é retrato de uma carência completa de vínculos institucionais solidários.

Na verdade, o vínculo institucional, personificado tão somente no Estado, acaba por alienar os cidadãos de seus próprios interesses e de seus direitos. Porque no final das contas, é o Estado, a classe política, a burocracia que decidem, à revelia da sociedade, o que acham que é melhor para a sociedade.

Não pretendo aqui cair num ingênuo anarquismo. Seria difícil tirar o Estado de cena, sabendo-se que ele gerou um círculo de dependência material e psíquica na comunidade e esvaziou de espaço as demais instituições políticas tradicionais, como a Igreja, a associação civil leiga e a própria família. Contudo, é necessário repensar no poder abominável deste grande monstro filantrópico.

O governo deve ser subsidiário, auxiliar da sociedade nos seus papéis tradicionais, não usurpar-los em causa própria. Ou melhor, a solução primaz é fortalecer o que elemento necessário da sociedade, como a Igreja, a família e a associação voluntária, e diminuir a esfera do Estado dentro da lógica limitadora de sua ação política. Quanto menor a influência do Estado, maior a facilidade de controlá-lo e fiscalizá-lo.

Lamentavelmente, a diminuição do poder estatal parece ser uma ilusão, uma luz apagada no discurso político atual. Qual político ou burocrata da atualidade, em sã consciência, quer perder esse poder? Qual político quer perder votos ou mesmo uma eleição, ao falar a verdade para o povo, a de que não há lanche gratuito? E como defender valores tão caros à sociedade, como a liberdade, quando esta sociedade, em sua maioria, está mais apegada a bens e confortos materiais do que tomar conta de si mesma?

A própria classe intelectual e universitária, tal como uma casta sacerdotal deste viés político, com algumas exceções, deseja a consagração deste Estado divinizado. A democracia está vivendo uma curiosa situação de escravidão voluntária, onde os cidadãos consentem na servidão de um déspota opressivo, embora pretensamente generoso. São as ovelhinhas obedientes de um mau pastor.

Nos anos 30 do século XX, em meio ao totalitarismo fascista e comunista, alguém afirmava, descrevendo o espírito de uma época, que “todos agora somos socialistas”. Alguém poderá hoje dizer algo diferente, no âmago de nossas pretensas democracias liberais?

O FUNDO DO POÇO DE LULA E DE DELFIM NETTO


Petistas recorrem até a signatário do AI-5 e último dignitário da ditadura para ameaçar a imprensa

Que coisa! Eles pertencem a gerações distintas. Um já foi o antípoda do outro. Um já achou, com sua compulsão para a simplificação tosca, que o outro era o representante de tudo o que existia de ruim no país. O outro já considerou que um era uma espécie de representante das hordas bárbaras.
 
Hoje — e já há bastante tempo — estão juntos, do mesmo lado. Refiro-me a Luiz Inácio Lula da Silva e a Delfim Netto. Quando Tancredo Neves estava prestes a vencer a disputa no Colégio Eleitoral, chegou a afirmar que o líder da oposição a seu governo seria Delfim. Afinal, ele era o último, vá lá, intelectual do antigo regime.
 
Quis o destino — e isto fala muito tanto de Delfim como de Lula — que os dois estejam irmanados, agora, numa campanha contra um dos fundamentos do regime democrático. Faz sentido: cada um a seu modo, ambos são admiradores de regimes de força.
 
O signatário alegre e saltitante do AI-5 escreveu ontem um artigo na Folha em que, sem meias palavras, faz ameaças à imprensa. E expõe o motivo: a suposta tentativa de destruir a imagem de Lula.
Resta-me o quê? Responder ao artigo de Delfim parágrafo a parágrafo, evocando alguns fatos. Ele segue em vermelho; eu em azul.
Lula

O título é esse mesmo, leitor, composto dessas quatro letras, como se qualquer outra palavra diminuísse a importância da personagem. Devemos tomá-las por quatro outras: DEUS!
 
Desde a Constituição de 1988, as instituições vêm se fortalecendo e o poder incumbente tem, com maior ou menor disposição, obedecido aos objetivos nela implícitos: primeiro, a construção de uma República onde todos, inclusive ele, são sujeitos à mesma lei sob o controle do Supremo Tribunal Federal; segundo, a construção de uma sociedade democrática com eleições livres e à prova de fraudes; terceiro, a construção de uma sociedade em que a igualdade de oportunidades deve ser crescente, por meio de um acesso universal e não oneroso de todo cidadão à educação e à saúde, independentemente de sua origem, cor, credo ou renda.


Muito bem! Já que Delfim começa pelas questões, digamos, de fundo, cumpre-me fazer o mesmo. Em primeiro lugar, lembro que aquele que já foi o czar da economia o foi num tempo em que se podia agir assim sem muita dificuldade. Com o AI-5 na mão e algumas ideias na cabeça, exerceu seu ofício sem ter de enfrentar a democracia que agora ele exalta.
Uma exaltação certamente tardia, já que esteve entre aqueles que lutaram bravamente contra as eleições diretas para a Presidência da República e que depois se juntaram a Paulo Maluf no Colégio Eleitoral. Tivesse vencido o seu candidato, talvez não tivéssemos a Constituinte, não é?
 
Mas isso ainda não diz tudo. Lembro que o Plano Real, que refundou as bases da economia brasileira, foi implementado sob as mais severas críticas de… Delfim Netto! Todas as suas antevisões, então, sobre o futuro do plano e seus desdobramentos falharam de forma cabal.
Em São Paulo, juntou-se a Paulo Maluf e com ele seguiu até quando vislumbrou naquele que já foi chamado pelo petismo de “pessoa nefasta” algum futuro. Aí se bandeou para o PMDB. Ressentido porque a geração do Real não lhe deu a menor bola — não o quis nem mesmo como oráculo —, aproximou-se de Lula e passou a ser um de seus conselheiros tão logo o Apedeuta chegou ao poder.
É até possível que tenha colaborado para evitar que o petismo dos dois primeiros anos fizesse alguma bobagem — e, por isso, por que não?, podemos lhe dar algum crédito. Mas vir, agora, ameaçar a imprensa? Ora, feche a sua boca, meu senhor, que demonstra estar ainda torta pelo uso do cachimbo em outra era.
 
Vivemos um momento em que se acirram as legítimas disputas para estabelecer a distribuição do poder entre as várias organizações partidárias e que é propício aos excessos verbais, às promessas irresponsáveis e à agressão selvagem.
Afrouxam-se e liquefazem-se os compromissos com a moralidade pública, revelados no universo da “mídia”. Esta também, legitimamente, assume o partido que melhor reflete sua “visão do mundo”.

Huuummm… Baixou um Conselheiro Acácio no velho Delfim! Política é assim mesmo, né? Acirram-se as disputas etc e tal. Em seguida, é visível, ele trata com um certo nojinho a política — daí que tenha vivido de modo muito confortável sob o AI-5. Quando ao “afrouxamento e liquefação dos compromissos com a moralidade”, dizer o quê? Quem segurou a vela para Maluf até outro dia sabe muito bem do que fala.
 
Quanto ao mais, meu senhor, as lambanças noticiadas estão no UNIVERSO DOS FATOS, NÃO NO UNIVERSO DA MÍDIA. Mas eu entendo: os autoritários de hoje e de ontem, os admiradores da ditadura de hoje e de ontem, os que odeiam o regime de liberdades hoje e ontem, essa gente tende a achar que o mal está na imprensa que noticia, não nos fatos noticiados.
Daí que a ditadura militar, de que Delfim foi o último dignitário, tenha recorrido à censura. Daí que os petistas, no poder, tenham tentando implementar métodos de censura — e vão tentar de novo, já anunciou aquele deputado cujo assessor usava a cueca como casa de câmbio: José Guimarães.
 
A situação é, agora, mais crítica porque a campanha eleitoral se processa ao mesmo tempo em que o Supremo Tribunal Federal julga um intrincado processo que envolve o PT e, em breve, vai fazê-lo em outro, da mesma natureza, que envolve o PSDB.

É próprio de alguém que ainda não entendeu como a democracia funciona sugerir que a Justiça tem de se deixar levar pelo calendário eleitoral. Não tem! Pouco importa o partido que esteja em questão.
 
O que alguma mídia parece ignorar é que o uso abusivo do seu poder é corrosivo e ameaçador à necessária e fundamental liberdade de opinião assegurada no artigo 220 da Constituição, onde se afirma que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”.
 
De que “alguma mídia” fala este senhor? Por que não dá nome aos bois? Mais: por que não aponta em que caso a imprensa fez “uso abusivo do seu poder”? Eis aí Delfim Netto, um sobrevivente da ditadura, recorrendo ao que ele chama “mídia” para ameaçar a… própria mídia!
Como não lembrar que este senhor é colunista da “Carta Capital”, aquela revista que só existe porque existem o estado e as estatais? O que macula — não chega a ameaçar — a democracia é a existência de veículos que são, direta ou indiretamente, financiados pelo dinheiro público para satanizar os adversários do governo e a própria imprensa livre.
 
Primeiro, porque o parágrafo 5º do mesmo dispositivo previne que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”. E, segundo, porque no art. 224 a Constituição fecha o ciclo: “Para os efeitos do disposto nesse capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei”. Dois dispositivos suficientemente vagos que podem acabar criando problemas muito delicados no futuro.


Huuummm… Delfim é um tolo ao supor que tolos são os outros. Aí onde parece haver uma advertência de boa-fé à imprensa, alertando-a para os “dispositivos suficientemente vagos que podem acabar criando problemas muito delicados no futuro”, há, na verdade, uma ameaça nada velada.
O signatário do AI-5 deve andar meio encantado com a Beiçuda de Buenos Aires, esperando, como esperam alguns de seus amigos na Carta Capital e coisas ainda piores, que Dilma imponha no Brasil algo como a “ley de medios” chavista.
 
No que me diz respeito, agradeço o conselho de Delfim, mas repudio. Ele que continue lá a puxar o saco de Lula. Já cheguei a achá-lo até divertido, mas jamais o tomaria como um guia em questões que dizem respeito à liberdade de expressão. Isso é coisa séria demais para ser deixada sob os cuidados de sua pena. Eu sempre o tive como um doutor em ditadura — um doutor inteligente —, mas jamais como um doutor em democracia.
 
Um exemplo daquele abuso é a procura maliciosa de alguns deles de, no calor da disputa eleitoral, tentar destruir, com aleivosias genéricas, a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ignorando o grande avanço social e econômico por ele produzido com a inserção social, o fortalecimento das instituições, a redução das desigualdades e a superação dos constrangimentos externos que sempre prejudicaram o nosso desenvolvimento.


Maliciosa é a ameaça desse leão desdentado. “Aleivosias genéricas” são aqueles que Delfim vivia e vive fazendo de seus adversários intelectuais, em conversinhas ao pé do ouvido.
Ainda que todas as questões que ele evoca fossem mesmo conquistas do governo Lula — como se não tivesse havido antes um Plano Real, AO QUAL DELFIM NETTO SE OPÔS, REITERO!!! —, o ex-presidente deveria, por isso, ser poupado dos fatos e de sua biografia. Não é um dos réus do mensalão petista, mas e se fosse? A democracia correria riscos por isso?
 
Segundo Delfim, como os dispositivos da Constituição são vagos, qualquer coisa pode acontecer. Tudo dependeria, a gente fica sabendo, de como Lula será tratado pela imprensa. Se ela for boazinha e comportada e tratá-la como DEUS, então tudo bem!
Se não for, aí a coisa pode ficar feia. Vale dizer: para o signatário do AI-5 e hoje dignitário desta particular ditadura petista, quem garante a imprensa livre não é a Constituição, mas os humores de Lula — que, como se nota, resiste em admitir a decadência mais do que o próprio Delfim Netto.
 
Despeço-me de Delfim com uma citação a que volta e meia recorro porque o Brasil me obriga. O jovem poeta português Antero de Quental (1842-1891), expressão do movimento realista, passou uma descompostura no velho poeta Antônio Feliciano de Castilho (1800-1875), um vulto do romantismo. Escreveu assim — e é o que digo a Delfim, o amante de ditaduras:

“Levanto-me quando os cabelos brancos de V. Exa. passam diante de mim. Mas o travesso cérebro que está debaixo e as garridas e pequeninas coisas que saem dele, confesso, não me merecem nem admiração nem respeito, nem ainda estima. A futilidade num velho desgosta-me tanto como a gravidade numa criança. V.Exa. precisa menos cinquenta anos de idade, ou então mais cinquenta de reflexão. É por estes motivos todos que lamento do fundo da alma não me poder confessar, como desejava, de V.Exa. nem admirador nem respeitador”.
 
A única coisa que não bate aí são os cabelos brancos. Delfim os mantém mais negros do que os de Iracema, que já eram mais negros do que as asas da graúna… Mas as ideias que vão debaixo dele continuam a não merecer nem estima nem consideração…
 
27 de setembro de 2012

Por Reinaldo Azevedo


OBAMA É RECORDISTA ABSOLUTO NA DISTRIBUIÇÃO DE DINHEIRO PÚBLICO

 

Nos últimos anos, a economia americana caiu do primeiro lugar para o sétimo na escala de competitividade do Fórum Econômico Mundial. O desemprego, que em 2008 não passava muito de quatro por cento, já está acima de oito, e a criação de novos empregos é cada vez mais lenta.


Não está com essa bola toda…

Comparando números, o colunista Donald Lambro, do Washington Times, conclui que o desempenho do presente governo americano na área trabalhista é o pior desde a II Guerra Mundial .

Em compensação, Obama foi o recordista absoluto na distribuição de dinheiro do governo não só aos pobres como também aos ricos – incluindo um vistoso leque de empresas falidas por má administração e fraudes, em geral pertencentes a seus contribuintes de campanha.

Para isso, sobrecarregou o Estado de mais dívidas do que todos os seus antecessores somados, desde George Washington. É um fracasso colossal, dizem os analistas econômicos.
Este é o Obama, perfeito.

27 de setembro de 2012
Horácio Melo

FILME TED GANHA ATENÇÃO APÓS CRÍTICA DE DEPUTADO

 


NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA CARLOS CHAGAS

Previsões pessimistas

Virtualmente afastada a hipótese de o novo ministro do Supremo, Teori Zavascki, vir a pedir vistas do processo do mensalão, como deixou claro no meio-depoimento prestado à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a pergunta que se faz refere-se às consequências da possível condenação à prisão de figuras exponenciais do PT.

Como reagirá o partido, por exemplo, no caso de José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e outros se verem sentenciados a reclusão em regime fechado?


Zavascki de fora

Demonstram a experiência e o modo de ser do partido sua obstinação em não voltar atrás nem reconhecer erros passados. Assim, os companheiros insistirão em que o mensalão não existiu e que seus antigos líderes terão sido injustiçados.

Que a mais alta corte nacional de justiça deixou-se enganar pela conspiração de setores conservadores e da imprensa empenhada em desfazer a obra do ex-presidente Lula. Mesmo irreais, essas acusações vão inaugurar o próximo biênio, onde se desenvolverão as preliminares e os finalmente da próxima sucessão presidencial.

O acirramento dos ânimos será uma constante a partir de 2013, por certo que também alimentado pelas oposições.
A temperatura vai subir, cada vez que fotografados de perto ou de longe os singulares presidiários de um suposto futuro.
Aliás, os petistas e os outros, com Valdemar Costa Neto, Roberto Jefferson e bem mais gente.

Admitirá o Supremo Tribunal Federal recolher a luva que lhe será lançada no rosto? Provavelmente, não, mas mesmo assim ocupará um dos pólos do confronto. Em especial se o Procurador Geral da República der seguimento ao processo, formulando novas denúncias contra novos mensaleiros. Imagine-se a inclusão do Lula no rol dos denunciados, como tendo tido conhecimento e até estimulado a lambança.

No meio do tiroteio estará a presidente Dilma, fidelíssima ao antecessor mas em momento algum vinculada ao julgamento da ação penal 470 e seguintes. Haverá prejuízo para sua administração e seus planos de governo. Jamais, no entanto, para sua tentativa de reeleição.

PSDB e penduricalhos não poderão ficar de braços cruzados. Buscando retornar ao poder, os tucanos deverão bater firme no PT, no Lula e em sua candidata. Pode não ser da natureza de Aécio Neves deitar gasolina no fogo, mas sabe que o papel de bombeiro será fatal às suas pretensões. É provável que reme com a maré.

Nessa hora quem sabe se repetirá o fenômeno Russomanno, em pleno desenvolvimento, ou seja, aparecerá uma terceira via de dimensões nacionais, na qual a maioria da opinião publica apostará seus cacifes.

Afinal, a contenda centralizada entre companheiros, de um lado, e tucanos, de outro, poderá não ter nada a ver com as forças em choque. Pelo contrário, a população costuma dar mostras de não seguir a ortodoxia partidária.

Será sempre bom lembrar que o país rejeitou tanto Ulysses Guimarães quanto Paulo Maluf, decidindo-se por Fernando Collor, nas eleições de 1989, deixando aberta a janela por onde mais tarde o Lula passaria.

Quanto a especular quem poderia ocupar essa faixa entre Dilma e Aécio, nem com bola de cristal. Até porque as variáveis ainda favorecem a presidente e o senador. Mas é bom tomarem cuidado…

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DELFIM EM SOCORRO DE LULA

Em seu artigo das quartas-feiras, Delfim Netto chegou de espada desembainhada. Denunciou aleivosias genéricas para destruir a imagem do Lula, ignorando os avanços sociais e econômicos registrados em seu governo.

É bom prospectar as causas, quando o ex-ministro envereda pela política, momentaneamente arquivando a economia. Fala, ou escreve, por ele e por razoável segmento das forças produtivas.

Não dá ponto sem nó, como diziam nossos avós. Exprime o sentimento das elites que em maior ou menor grau satisfizeram-se com a administração do ex-presidente.

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CONTRA A OPERAÇÃO CONDOR

Decidiu a Comissão da Verdade investigar a fundo a participação do Brasil na Operação Condor, que durante os anos de chumbo uniu os serviços de informação, segurança e repressão das então ditaduras sul-americanas. Cooperaram o extinto Serviço Nacional de Informações e seus sucedâneos na Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.

O importante a saber é se limitavam seu entendimento à troca de denúncias sobre os naturais de um país atuando nos outros ou se realizavam operações conjuntas de perseguição aos grupos que se opunham aos regimes de força.

Mais grave ainda será perscrutar a participação dos Estados Unidos na deletéria orquestração, através da CIA e congêneres. Muita coisa poderá vir à tona em matéria de tortura, sequestros, assassinatos e similares, se houver cooperação por parte dos governos dos países referidos, hoje todos aferrados à democracia.

HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY

O SÁBIO REBELDE

O senador Mem de Sá, do PL e Arena do Rio Grande do Sul, foi à recepção do Itamaraty quando o presidente de Portugal, Americo Tomás, já bem velhinho e com arteriosclerose, veio ao Brasil, em 72, acompanhando os restos mortais de Dom Pedro I, nos 150 anos da Independência.

Mem de Sá foi apresentado ao presidente português, a quem já conhecia dos tempos em que foi ministro da Justiça de Castelo Branco. Américo Tomás não o reconheceu. Cumprimentou e foi em frente.
Minutos depois, voltou:
– O senhor é filho do grande Mem de Sá, governador geral do Brasil?
– Sobrinho, presidente. Ele era irmão de minha mãe.
– Ah, eu estava lhe reconhecendo. Seu nome não me era estranho.
Esse era um português que já não sabia mais nada de nada.

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ACADEMIA

Em 2006, Portugal e Brasil estão comemorando o centenário de nascimento (13.2.1906) de um português que sabia tudo do Brasil, de Portugal e do mundo. E teve participação fundamental na abertura da cultura e da universidade brasileira.

George Agostinho Baptista da Silva, o sábio Agostinho da Silva, que se livrou de duas ditaduras, viveu, trabalhou, ensinou e iluminou seis Estados brasileiros, durante 22 anos, de 1947 a 1969: Rio, Paraíba, Pernambuco, Santa Catarina, Bahia e Brasília. Uma vida generosa, criadora e fulgurante.

A Academia Brasileira de Letras, cumprindo o oportuno programa do então presidente Marcos Vilaça, de abrir cada vez mais suas portas e seu prestígio à juventude, à universidade, à população, para o debate nacional da cultura, instalou uma bela exposição fotobiográfica, passou um filme primoroso de João Rodrigo Mattos e realizou uma mesa-redonda, presidida por Vilaça e coordenada pelo jornalista e acadêmico Cícero Sandroni, com seis depoimentos de pessoas que trabalharam ou conviveram com Agostinho da Silva.
O embaixador e acadêmico Alberto da Costa e Silva, o ex-conselheiro cultural da embaixada de Portugal Amandio Silva, o presidente da Casa de Rui Barbosa José Almino de Alencar, o escritor Salim Miguel e eu.

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AGOSTINHO DA SILVA

Ele foi um furacão cultural. Mario Soares, seu aluno, o retratou bem:

– Foi uma das figuras máximas da vida cultural portuguesa da século 20. Escritor, intelectual, universitário, pedagogo, visionário, deixou uma obra imensa dispersa por inúmeras publicações, livros, revistas, cartas. Produziu, ao longo de sua longa vida, imenso labor intelectual que o País oficial quase sempre ignorou. Iconoclasta, na acepção mais nobre da palavra um marginal.
Desde Sócrates e Jesus Cristo, esses marginais é que constroem a história.

Estudou Filologia Clássica na Universidade do Porto, fez bolsa de pós-graduação na Sorbonne e no College de France, entrou para o ensino público em 1931. Em 32, a ditadura de Salazar exigiu de cada servidor público que assinasse a Lei Cabral: dizer se pertencia a alguma organização secreta ou subversiva. Três se negaram a assinar: Fernando Pessoa, Norton de Matos e ele.

– Não pertenço, mas não sei se um dia vou querer pertencer. A força que me anima e mais desejaria transmitir é a de não se conformarem.

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PRESO E EXCOMUNGADO

Demitido, passou a escrever na histórica revista de resistência Seara Nova, de Antônio Sérgio e Jayme Cortesão, dar aulas particulares de Filosofia, Cultura, Direito, Línguas (chegou a falar 15 idiomas e dois dialetos africanos) e fazer conferências pelo País todo. Salazar não agüentou. Prendeu.
A Igreja também não. Era um cristão, mas rebelde, como Teilhard de Chardin, Frei Beto, Leonardo Boff.

Seus livros e Cadernos Culturais, hoje clássicos (Sentido Histórico das Civilizações, A Religião Grega, Moisés e Outras Páginas Bíblicas, Sete Cartas a um Jovem Filósofo, Biografia de Miguel Ângelo, São Francisco de Assis, O Cristianismo, Doutrina Cristã), perturbaram a conservadora Igreja de Portugal. Foi excomungado.

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NO BRASIL

E se livrou da ditadura de Salazar. Veio para o Rio, em 47. Criou um centro cultural e de ensino em Itaipava, trabalhou no Instituto Oswaldo Cruz, Manguinhos (com entolomogia, insetos), ensinou na Faculdade de Filosofia.

Em 52, José Américo, governador, levou-o para ajudar a fundar a Universidade da Paraíba. Ficou lá dois anos, deixou um trabalho modelo.
Em 54, ensinou na Universidade de Pernambuco.
Em 55, fundador da Universidade de Santa Catarina e primeiro secretário de Cultura do Estado.
Em 57, chega à Bahia e revoluciona a Filosofia, o Teatro, as Artes da Universidade comandada por Edgar Santos.

Por aqui, Agostinho da Silva só deixou saudades.

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE

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