"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

"FRACASSO ARTICULADO"




Vai se desfazendo rapidamente a imagem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva construiu de si mesmo no poder, e que parecia indestrutível. As dificuldades eleitorais que os candidatos por ele impostos ao seu partido enfrentam em várias capitais são uma demonstração de que, menos de dois anos depois de deixar o poder com índice inédito de popularidade, pouca valia tem seu apoio.
A isso se soma a substituição gradual, por sua sucessora Dilma Rousseff ─ também produto de sua escolha pessoal ─, de práticas e políticas que marcaram seu governo.
Concretamente, o fracasso da gestão Lula está explícito no abandono, paralisia, atraso e dificuldades de execução de seus principais planos, anunciados como a marca de seu governo. Eles vão, de fato, moldando a marca de seu governo ─- a do fracasso.

Trata-se ─ como mostrou reportagem do jornal Valor (24/9) ─ de um fracasso exemplar, articulado, minucioso, que quase nada deixa de positivo dos grandes projetos de Lula na região em que nasceu e onde ele e sua sucessora obtiveram suas mais estrondosas vitórias eleitorais ─ o Nordeste. As deficiências desses projetos eram conhecidas.
O que a reportagem acrescenta é que, frutos do apetite político-eleitoral do ex-presidente e da sistemática incompetência gerencial de seu governo, essas deficiências são comuns aos vários projetos.

Ferrovias, rodovias, obras de infraestrutura em geral, transposição do Rio São Francisco, refinarias, tudo foi anunciado com grande estardalhaço, com resultados eleitorais espetaculares para o governo, mas com pouco, quase nenhum proveito para o País até agora. Como se fossem partes de uma ação cuidadosamente planejada, essas obras têm atraso médio semelhante, enfrentam problemas parecidos e, todas, geram custos adicionais astronômicos para os contribuintes.

Os grandes empreendimentos do governo Lula para o Nordeste somam investimentos de mais de R$ 110 bilhões.
Excluídos os projetos cuja complexidade impede a fixação de novo prazo de conclusão, eles têm atraso médio de três anos e meio. Isso equivale a sete oitavos de um mandato presidencial.
Obras que Lula prometeu inaugurar talvez não sejam concluídas nem na gestão Dilma. Veja-se o caso das refinarias anunciadas para a região, a Premium I (no Maranhão) e a Premium II (no Ceará), que devem custar quase R$ 60 bilhões.
A do Maranhão, cujas obras foram “oficialmente” iniciadas em janeiro de 2010, deveria estar pronta em 2013, mas agora está classificada como “em avaliação” pela Petrobrás, ou seja, já não é nem mesmo certo que ela será construída.
A do Ceará, lançada em dezembro de 2010, deveria estar pronta em 2014, mas foi adiada.

A refinaria que está em obras, a de Abreu e Lima, em Pernambuco, transformou-se num poço de problemas e atrasos. Resultado de um acordo que Lula fez com o venezuelano Hugo Chávez, a refinaria deveria ser construída em parceria pela Petrobrás e a estatal venezuelana PDVSA, mas esta, até o momento, não aplicou nenhum centavo. O custo previsto atualmente para a obra equivale a cinco vezes o orçamento original.

Na área de infraestrutura, estão atrasadas as duas ferrovias em construção no Nordeste, a Nova Transnordestina, com 1.728 quilômetros, e a Oeste-Leste, que se estende de Ilhéus, no litoral da Bahia, até Figueirópolis, no Tocantins.
A primeira, que teve substituída a empreiteira, tem um trecho paralisado no Ceará e enfrentou problemas com o atraso na liberação de recursos, mas seu andamento, assim mesmo, é considerado “adequado” nos balanços periódicos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do qual faz parte. Pode-se imaginar a situação da segunda, considerada “preocupante” pelos gestores do PAC.

A transposição do São Francisco, cujos problemas têm sido apontados com frequência pelo Estado, faz parte desse conjunto. O que ele exibe é uma sucessão de projetos incompletos, contratos mal elaborados, descuido da questão ambiental, fiscalização inadequada.
O resultado não poderia ser diferente: atrasos, paralisação de obras por órgãos ambientais, aumento de custos. É parte da herança deixada pelo governo Lula.

27 de setembro de 2012
Augusto Nunes, Estadão

DISCURSO ESQUIZOFRÊNICO

“Dilma passou uma mensagem esquizofrênica, ao defender o fim do protecionismo”, afirma Rodrigo Constantino – Jornal “O Globo”

COnsta Dilma passou uma mensagem esquizofrênica, ao defender o fim do protecionismo, afirma Rodrigo Constantino   Jornal O Globo

27 de setembro de 2012
IMIL

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE

 




EXCESSIVA TOLERÂNCIA DA IMPRENSA ESPORTIVA

 

Uma correção. A memória me deu um drible. Escrevi que, anos atrás, vi, por meio de DVDs, todos os jogos do Brasil na Copa de 1958. Assisti, na íntegra, apenas aos jogos da semifinal e da final. Nas outras partidas, vi somente os gols.

Na semana passada, mesmo em férias, em uma belíssima praia da Bahia, não resisti e assisti a alguns jogos da Copa dos Campeões da Europa e ao amistoso entre Brasil e Argentina, apenas com jogadores que atuam nos dois países. A Argentina leva desvantagem, por não ter um único titular na seleção principal.



Foi ótimo ver Oscar fazer dois belos gols pelo Chelsea contra a Juventus. Mas ainda é cedo para os apressados dizerem que ele já é uma estrela mundial.

No clássico entre Manchester City e Real Madrid, ficou claro que os técnicos europeus acertam e erram até mais que os do Brasil. Marcelo avançou umas quinhentas vezes pela esquerda, sem marcação. Fez um belo gol e poderia ter feito mais uns três. Enquanto isso, Aberloa, lateral-direito do Real, que não precisa ser marcado, tinha sempre um jogador rival à sua frente.

No domingo, assisti, na íntegra, aos jogos entre Atlético e Grêmio e São Paulo e Cruzeiro. Foram duas partidas ruins. Foi a pior do Atlético, no Independência, neste campeonato. O Cruzeiro sempre joga mal, mesmo quando vence. O time é um retrato do estilo atual de se jogar no Brasil.
Não há troca de passes entre a defesa e o ataque nem futebol coletivo. Apenas jogadas individuais, isoladas, pois há bons jogadores, principalmente os veteranos.

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POUCOS CRAQUES

A presença de poucos craques é causa ou consequência do jeito feio e truncado de se atuar no Brasil? Uma coisa alimenta a outra. É um ciclo mais ativo que se perpetua.

A maioria das partidas do Brasileirão é truncada, como a entre Atlético e Grêmio, dois candidatos ao título, porque os árbitros marcam muitas faltas e também porque os jogadores se preocupam mais em dar trombadas, reclamar, discutir e simular do que jogar futebol.

É a união de hábitos ruins com a má educação dos jogadores e a conivência dos técnicos, que não têm nenhum compromisso com a qualidade do espetáculo. Soma-se a tudo isso a excessiva tolerância de parte da imprensa com a mediocridade e a violência nos gramados.

Em um dos programas do SporTV, três comentaristas elogiavam bastante o Grêmio e diziam que Luxemburgo é, disparado, o melhor treinador brasileiro.
Parecia até que o Grêmio era líder e que possui apenas jogadores modestos. Os méritos seriam muito mais para o treinador. Se Celso Roth, tão criticado, tivesse os jogadores que tem o Grêmio, o Cruzeiro, provavelmente, estaria entre os primeiros.

LULA JÁ ESTÁ PAGANDO A CONTA A MALUF

 

Depois do rega-bofe na casa do doutor Paulo, chegou a conta.
A composição Lula-Haddad-Maluf, com o prêmio de consolação oferecido a Marta Lula é Deus Suplicy, gerou um quiproquó na Paraíba.

O PT de Campina Grande tem candidato próprio à prefeitura. No entanto, o companheiro ex-metalúrgico gravou mensagem para o horário eleitoral da TV, apoiando … a candidata do PP ! Surpresa ?
Nada disso. Daniella Ribeiro é irmã do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. Este apoio faz parte do acordo que levou o PP de Maluf a integrar a coalizão que banca a candidatura de Fernando Haddad, em São Paulo.
 

 
Toma lá, dá cá. Faz lembrar o que disse, em 2003, o filósofo marxista Carlos Nelson Coutinho, falecido há poucos dias: “A social-democracia europeia demorou 150 anos para ir de uma posição revolucionária a uma posição de conciliação com o sistema. O PT fez esse movimento em menos de um ano”.

27 de setembro de 2012
Jacques Gruman

MINISTRO LUIZ FUX NEGA QUE REPASSE DE VALORES DO PT TENHA SIDO CAIXA DOIS

 Ministro diz que indicado para o Supremo poderá votar em capítulos ainda não analisados
 
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux deixou escapar nesta terça-feira que não acredita na tese de que o mensalão foi apenas caixa dois. Em conversa com jornalistas, no intervalo da sessão em que está sendo julgado o mensalão, Fux foi questionado se concordava com a tese da defesa de que os repasses do PT para os partidos da base - usando as empresas de Marcos Valério e o Banco Rural - eram recursos não contabilizados para campanha. O ministro respondeu:

- Não.

Mas logo em seguida, ele pensou rapidamente no que tinha acabado de dizer e, rindo, emendou:

- Mas aí você (repórter) já me roubou o script. Caí na sua.


O relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, destacou na semana passada que os repasses não foram caixa dois, mas compra de apoio político no Congresso. Já o ministro revisor, Ricardo Lewandowski, não terminou seu voto e ainda não deixou claro em qual das duas teses acredita.

Lewandowski deve terminar seu voto nesta quarta. Se houver tempo, votam, na sequência, os ministros Rosa Weber e Luiz Fux.

Zavascki poderá votar em capítulos novos, diz Fux

Fux disse ainda que o ministro Teori Zavascki, indicado pela presidente Dilma Rousseff para integrar a corte, poderá votar nos capítulos ainda não analisados da denúncia do mensalão. Para isso, basta que ele se sinta habilitado. Segundo Fux, se Zavascki quiser votar, o plenário não vai contrariá-lo.

Fux disse que ele só não poderá participar do que tiver começado a ser julgado antes de sua entrada no STF. A sabatina de Zavascki na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado começou na terça, mas foi suspensa e será retomada apenas depois da eleição. Para integrar o Supremo, o ministro precisa ter sua indicação confirmada pelo Senado.

- O que eu entendo é o seguinte: o ministro Zavascki assumindo a corte, em princípio ele pode votar nos capítulos vindouros depois da posse dele e se se sentir habilitado. Eu acho que é uma possibilidade. Mas evidentemente nada impede que ele chegue aqui e diga que nem isso ele quer fazer - afirmou Fux.

- Teoricamente, se ele disser "estou habilitado", tenho a impressão de que o plenário não vai contrariá-lo - acrescentou.

27 de setembro de 2012
André de Souza - Globo

DECISÃO SOBRE LAVAGEM SELARÁ DESTINO DOS QUADRILHEIROS DE LULA

Decisão sobre lavagem selará destino dos mensaleiros. Questão tem provocado os mais acalorados debates no plenário. Denúncia alcança quase todos os réus e prevê penas duras: mínimo de três anos

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandovisk durante julgamento do mensalão, em 26/09/2012
Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandovisk durante julgamento do mensalão, em 26/09/2012 - Sérgio Lima/Folhapress

Lavagem de dinheiro é um dos pontos centrais do processo do mensalão. É o expediente de que o núcleo político se valeu para tentar manter distância da "cena do crime". É a denúncia que alcança o maior número de réus (34 de um total de 38). É um dos dois únicos crimes que não prescreverão nem em caso de pena mínima (o outro é gestão fraudulenta). É a punição que, na conta final, pode levar ou não um condenado à cadeia. É a única acusação contra três ex-deputados do PT. E é, finalmente, o assunto que suscitou mais divergência entre os ministros do Supremo Tribunal Federal. Daí a importância do capítulo que a corte enfrenta nesta semana: além de selar o destino dos mensaleiros, o plenário deve firmar balizas para futuros julgamentos de um tipo penal relativamente novo e bastante complexo.

 
A controvérsia surgiu já na primeira fatia do julgamento: o caso do deputado petista João Paulo Cunha, acusado de favorecer a quadrilha de Marcos Valério em contratos com a Câmara, que presidia, em troca de propina. Ao analisar as denúncias de corrupção passiva e peculato, formou-se folgada maioria a favor da condenação: 9 a 2. Já no julgamento do crime de lavagem, a sentença saiu apertada - a mais apertada de todo o julgamento até agora: 6 a 5 pela condenação. Os votos vencedores foram do relator Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ayres Britto, presidente da corte. Foram vencidos o revisor Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Dias Toffoli, Cezar Peluso e Marco Aurélio.

Simplificadamente: a maioria dos ministros entendeu que Cunha cometeu um crime ao receber propina (corrupção passiva) e outro ao dissimular o saque do valerioduto, ocultando a movimentação financeira dos órgãos de controle (o crime de lavagem). Já para a corrente minoritária, o recebimento de propina é sempre dissimulado, e assim o crime de corrupção encerrou o de lavagem, não cabendo dupla condenação.

Os debates são, evidentemente, saudáveis – é a razão dos tribunais colegiados – e servirão de marco para outros processos, tanto nas instâncias inferiores como no próprio STF. Só se lamenta que descambem tão frequentemente do campo jurídico para a provocação, a ironia, o esnobismo e o bate-boca.

Doutrina e barraco – Na quinta-feira passada (20), Marco Aurélio revelou ter ficado "assustado" e "pasmo" com a condenação de Cunha, quase um mês atrás, que creditou unicamente ao fato de ter sido a mulher do deputado a intermediária dos 50 mil reais retirados de uma agência do Banco Rural. Barbosa reagiu: "Não foi só isso, nem isso é o mais relevante". O relator retomou então sua explicação sobre o teatro montado para disfarçar a operação (Cunha chegou a dizer que sua mulher foi à agência resolver uma pendência da TV paga). Marco Aurélio então lembrou que acolheu a denúncia de lavagem em 2007, mas que agora decidiu absolver, enquanto Ayres Britto e Gilmar Mendes, que antes rejeitaram a denúncia, agoram resolveram condenar. Britto então lembrou que isso não quer dizer absolutamente nada.

Uma das mais ríspidas discussões sobre lavagem se deu, para não variar, entre Barbosa e Lewandowski, na sessão seguinte, segunda-feira (24). Ao analisar o caso de Valdemar Costa Neto, do antigo PL (atual PR), o revisor sugeriu haver condenações "automáticas", o que disse não admitir. Barbosa interrompeu a crítica velada. "Vossa excelência não reconhece a constitucionalidade do artigo 70 do Código Penal?", perguntou, em referência à definição elementar de "concurso formal de crimes", que descreve situações em que uma mesma ação - ou omissão - resulta em mais de um delito. Lewandowski disse que iria meditar sobre o assunto.

Nesta quarta-feira (26), o tema voltou ao plenário com o voto de Lewandowski pela absolvição de José Borba, ex-líder da bancada do PMDB, do crime de lavagem. Borba é aquele que se recusou a assinar um recibo para sacar 200 mil reais do valerioduto, o que exigiu o socorro de Simone Vasconcelos, braço-direito de Marcos Valério, que voou de Belo Horizonte a Brasília apenas para assinar a papelada e liberar a transação. "Isso é a lavagem mais lavada que eu já vi", resumiu Luiz Fux. Professoral, Lewandowski disse que não pode basear seu voto em suposições. "O juiz deve partir da dúvida", ensinou. De provocação em provocação, a doutrina deu lugar ao barraco, o voto de Lewandowski acabou tomando toda a sessão e o julgamento atrasou mais um pouco.


Idas e vindas – No campo jurídico, os ministros que se opuseram à caracterização de lavagem de dinheiro e corrupção passiva invocaram o princípio conhecido por "ne bis in idem", que estabelece que não se imponha uma dupla ('bis') punição ou acusação em razão de uma mesma ('idem') conduta. Como outros brocardos e latinismos, "ne bis in idem" vale mais pelo poder de síntese. Na prática, a Justiça frequentemente toma decisões variadas sobre o que vêm a ser o "bis" e o "idem" em diferentes processos penais. No caso do mensalão, o presidente da corte Ayres Britto contestou o argumento, apontando que foram violados dois bens jurídicos claramente distintos: a administração pública (no caso do crime de corrupção) e o sistema financeiro (no caso da lavagem de dinheiro).

Uma tese cara aos que rejeitam a acusação de lavagem é a de que cabe ao Ministério Público comprovar que os réus tinham plena consciência da origem ilícita do dinheiro. Este é um assunto com óbvia repercussão para além do crime de corrupção. Celso de Mello rebateu esse argumento, no caso de João Paulo Cunha, invocando a teoria da "cegueira deliberada": o réu supõe muito bem a origem criminosa das quantias, mas finge desconhecê-la para não se complicar.

Dos deputados acusados de lavagem, Lewandowski só condenou Valdemar Costa Neto, o maior beneficiário do valerioduto entre todos os parlamentares (quase 9 milhões de reais). Quando o fez, foi interrompido por Barbosa, que disse que o réu teria razões para contestar o voto do revisor, que ora aplica o "ne bis in idem", ora não. Lewandowski respondeu a Barbosa que neste caso, e só neste caso, ficou demonstrado um segundo conjunto de fatos explícitos da lavagem: a triangulação forjada por meio de uma corretora. Sobre o assunto, mais de um ministro já citou jurisprudência da própria corte: o voto de 2001 do ministro Sepúlveda Pertence, que, ao analisar o caso de um réu que recebeu certa vantagem indevida na conta de um parente, decidiu que a caracterização de lavagem de dinheiro não exige "requintada engenharia financeira" nem envolver vultosas quantias.

Para o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr., os votos dos ministros sobre o tema ainda não foram muito precisos. "A matéria já dividiu o plenário, mas houve idas e vindas. A doutrina ainda vai precisar se debruçar sobre essa questão", diz. "O assunto não foi suficientemente discutido no Brasil."


Desafio global – Lavagem de dinheiro é um tipo penal complicado desde a sua definição: "ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores" provenientes de um certo rol de delitos. Disso decorre que a condenação passa pela comprovação do chamado "crime antecedente": é preciso demonstrar que o dinheiro lavado era "sujo". Essa investigação é especialmente complexa, segundo a procuradora regional da República Carla de Carli, autora de Lavagem de Dinheiro, Ideologia da Criminalização e Análise do Discurso. Isso porque o "branqueamento de capitais" se dá em etapas, por meio de instrumentos que, em si, são legais, como abrir e fechar contas, remeter dinheiro ao exterior, comprar imóveis etc. "E a cada etapa da lavagem, fica mais difícil rastrear o dinheiro e ligá-lo ao crime."

Para complicar, a definição de lavagem é recente. Dada a notória lentidão da Justiça, são poucos os casos transitados em julgado, e portanto ainda é relativamente magra a jurisprudência sobre o assunto. O crime foi descrito pela primeira vez em 1998, num esforço para conter o crime organizado, em lei que também criou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf.

A imbricação entre corrupção e lavagem é tal que existe até uma Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro, onde De Carli representa o Ministério Público Federal. Essa é a instância que articula ações de diversos órgãos no combate ao crime. Foi criada em 2003, mesmo ano em que foram instaladas as primeiras varas especializadas em lavagem, o que tem permitido a policiais, promotores e juízes um domínio cada vez maior do tema, segundo De Carli. Alguns dos escândalos mais notórios da política passam pela suspeita de lavagem de dinheiro, entre eles o do superfaturamento de obras da prefeitura de São Paulo na gestão de Paulo Maluf, que resultou em ação penal que corre desde 2011 no próprio STF.

Este esforço contra a lavagem de dinheiro é global, dado a atuação internacional de certas máfias e a facilidade com que hoje se movimentam fortunas de um lugar a outro. De Carli explica que, para tornar efetiva a colaboração entre os países – envio de documentos, recuperação de valores etc. – , é necessário que os países tenham uma definição aproximada do crime. Por isso o delito foi reformulado em julho deste ano - o que não tem efeito nenhum sobre o julgamento do mensalão, cujos crimes estão sendo julgados com base na lei de 1998. Com a mudança, o lei agora está mais severa, explica o criminalista Jair Jaloreto. O novo texto elimina o rol de crimes antecedentes - basta provar que o dinheiro provém de qualquer infração penal, mesmo prescrita, o que inclui, por exemplo, contravenções como o jogo do bicho. O grande alcance da nova lei ainda dará trabalho a juízes e doutrinadores para que sejam evitadas distorções. Para Jaloreto, o julgamento do mensalão deve servir de baliza. "Vai ser um grande ponto de partida", diz.

Em um voto especialmente duro, o ministro Luiz Fux escreve que: "Não se deve perder de vista que a atividade de lavagem de recursos criminosos é o grande pulmão das mais variadas mazelas sociais, desde o tráfico de drogas, passando pelo terrorismo, até a corrupção". Fux cita estimativas de que a lavagem envolva de 5% a 10% do PIB mundial. É por isso, explica De Carli, que não basta perseguir a condenação do criminoso. É preciso buscar a devolução do produto do crime. O Ministério Público sustenta que o caixa de Valério foi abastecido com 55 milhões de reais tomados junto aos bancos Rural e BMG mais 74 milhões desviados da Visanet.

No vídeo a seguir, os colunistas do site de VEJA Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e Ricardo Setti debatem ao lado do historiador Marco Antonio Villa a sessão desta quarta-feira do julgamento do mensalão no STF:



27 de setembro de 2012
Daniel Jelin, Carolina Farina e Laryssa Borges - Veja Online

SENADOR DO PT: "MINISTROS NOMEADOS POR NOSSO GOVERNO VOTAM CONTRA"

 
Senador petista ataca STF e reclama de “ministros nomeados por nosso governo que votam contra”. Ele ainda não entendeu o que é uma República

Os irmãos Viana, do Acre, o Tião e o Jorge, foram hábeis em cultivar a fama de petistas modernos, moderados, diferenciados, essas coisas. Não por acaso, faz parte de seu grupo no estado a ex-senadora Marina Silva, que hoje se dedica à “nova política”, seja lá o que isso significa — novo ingrediente da floresta para creme antirrugas? Talvez. Mas, evidentemente, os irmãos Viana têm a sua natureza, não é.
Quando VEJA trouxe à luz as conversas que Marcos Valério anda tendo por aí, segundo as quais Lula era o verdadeiro chefe do mensalão, Jorge decidiu protestar. Ontem, voltou à tribuna para afirmar que “setores da mídia” — sempre ela!!! — usam o julgamento no STF para “sabotar o PT”.
Huuummm… Jorge decidiu ensinar a imprensa a fazer o seu ofício. Leiam:

“Cobrar, exigir dos que ocupam cargos públicos, eu acho que é uma das funções mais nobres da imprensa. E isso é feito diariamente. Mas daí a querer conduzir a opinião pública, a explicitar, na véspera de uma eleição, uma intolerância com uma figura como a do presidente Lula, aí isso é sabotagem”.
A que ele está se referindo? Certamente à reportagem da VEJA da semana passada. Os petistas acham que tanto o STF como a imprensa não podem exercer seu ofício em ano eleitoral caso eles achem que isso prejudica o seu partido. Assim, a melhor maneira que o STF teria de servir à democracia seria servindo ao PT, não julgando. E a melhor maneira que a imprensa teria de servir à democracia seria servindo ao PT, não noticiando.
No momento mais revelador da sua fala, afirmou:
 
“Só não vale nossos governos indicarem ministros do Supremo, e eles chegarem lá e votarem contra por pressão da imprensa”.
Não é fabuloso?
Não foi a Presidência da República que indicou ministros, aprovados pelo Senado. Nada disso! Foi “o nosso (deles) governo”. E, como ele deixa claro, os petistas os nomearam para que votassem “a favor”. Como qualquer totalitário vulgar, Jorge não acredita que um ministro possa estar sinceramente convencido de seu voto.

Ele reclamou ainda do “endeusamento dos ministros do Supremo” e os acusou de querer virar políticos. Jorge Viana, como a gente vê, segue sendo monoteísta. Afinal, pode haver um único Deus: Lula!
Fico tão feliz de jamais ter caído na conversa de gente como esse senador… Sempre me pareceu do tipo que finge largueza de espírito para que possa ser tacanho sem temer por sua reputação. Eis aí!
 
27 de setembro de 2012
Reinaldo Azevedo, Veja online

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE

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27 de setembro de 2012

JUNTO COM A CORRUPÇÃO, FRACASSO DA ECONOMIA LEVARÁ O PT AO LADO OBSCURO DA HISTÓRIA

Dura realidade – “Torcer contra o Brasil”. Eis a acusação imposta ao ucho.info por palacianos, no final de 2008, por ocasião do apelo feito pelo então presidente Luiz Inácio da Silva para que os brasileiros mantivessem em níveis elevados o consumo interno, como saída para a crise que eclodiu a partir do “subprime” norte-americano.

Aos jornalistas deste site não cabe torcer contra o País e muito menos se ajoelhar diante das autoridades, mas apenas fazer jornalismo opinativo, analisando os fatos e esculpindo as críticas necessárias. Se a Lula e ao Palácio do Planalto nossas opiniões incomodam, que esses parentes de Aladim nos provem o contrário.

À época dos inúmeros incentivos oficiais ao consumismo, o que só foi possível com o chamado crédito fácil, o ucho.info alertou para o perigo do endividamento recorde das famílias brasileiras e o repentino crescimento da inadimplência. Fora isso, afirmamos que o excesso de consumo provocaria duas situações preocupantes e distintas. A inflação tornar-se-ia resistente e a indústria nacional sofreria com a invasão dos importados. Mas Lula, como gênio que é, entendeu que não passamos de um apêndice da elite golpista.

Longe de vestir a fantasia do profeta do apocalipse, o que fizemos foi analisar os fatos com parcimônia e no largo espectro, o que qualquer pessoa com doses rasas de conhecimento pode fazer. E as promessas milagrosas de Lula desapareceram como éter no ar.

Há muito com o desejo do consumo reprimido, os menos privilegiados partiram às compras de maneira irresponsável e hoje colecionam dívidas e carnês vencidos. Passados quatro anos dos apelos presidenciais, o Brasil tem hoje 40% da população inscritos nos cadastros negativos dos órgãos de proteção ao crédito e, portanto, sem condições de comprar. O que faz com que a redução das taxas de juro pelos bancos em nada resolva o problema da economia.

Recentemente, o ministro da Fazenda, o peremptório Guido Mantega, classificou como absurdos as taxas de juro cobradas pelas operadoras de cartão de crédito, que prontamente reduziram os índices que vinham sendo praticados. Essa queda no juro dos cartões ainda é recente, mas a inadimplência do setor é de 28%. O que justifica as taxas cobradas pelas operadoras, porque no mercado financeiro nada acontece de graça.

Para provar que o sistema financeiro não é um grupo de benemerência, os bancos compensaram a redução do juro com a disparada dos valores das taxas cobradas dos incautos clientes, que somente neste ano subiram 191%.

No vácuo da redução do IPI para o setor automobilístico, o governo pressionou os bancos para que reduzissem as taxas de juro dos financiamentos. Isso de fato aconteceu, mas os banqueiros, na outra ponta, revigoraram a proibida Taxa de Abertura de Crédito, que em alguns casos chega a R$ 1.500,00.

Em outras palavras, o que o governo conseguiu foi trocar seis por meia dúzia. E o povo continua sendo diuturnamente assaltado em todos os segmentos da vida, que, diga-se de passagem, não está fácil. Como afirmou certa vez o filósofo (sic) Lula, “nunca antes neste país”.

27 de setembro de 2012
ucho.info

IRMÃO DE GENOÍNO DIZ QUE PT REGULARÁ "MÍDIA" A FORÇA

 

 
Em entrevista gravada para o site do PT, o deputado federal José Guimarães (PT-CE), irmão do réu do mensalão José Genoino, disse que após as eleições o partido iniciará o processo de “regulamentação das comunicações”, “quer queiram, quer não queiram”. A declaração pode ser vista no vídeo que publicamos acima.
 
De acordo com o parlamentar, o partido foi vítima de uma “ação orquestrada pela mídia”. A crítica referia-se à reportagem publicada pela revista Veja que associou Lula ao crime do mensalão. Guimarães disse ainda que a situação “foi além do limite”, e que, por causa disso, o PT teria que enfrentar a questão.
 
Pra quem não se lembra, Guimarães ficou conhecido nacionalmente em 2005, quando seu então assessor foi detido no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, carregando R$ 200 mil em uma mala e US$ 100 mil na cueca.
 
O deputado também é alvo de uma ação deflagrada pela Polícia federal que investiga desvios de mais de R$ 100 milhões do Banco do Nordeste.
 
Como vocês podem perceber, “regulamentar a mídia” é, acima de tudo, uma questão de sobrevivência para os ilustres petistas.
 
27 de setembro de 2012
implicante

CRISTINA KIRCHNER - A BRUXA ARGENTINA - DÁ AULA DE TIRANIA EM NEW YORK


 

“Nós, os governantes, não estamos aí para dar coletivas de imprensa”, disse Cristina a estudantes americanos (Paul j. Richards / AFP)

Em uma contínua investida contra a imprensa argentina, a presidente Cristina Kirchner disse em uma conversa com estudantes em Nova York que ‘não há jornalismo independente no mundo’ e que seu trabalho não é falar com repórteres. Cristina justificou a ausência de coletivas de imprensa em seu país com a seguinte desculpa: ‘Quando a resposta não os agrada, começam a gritar e chutar portas’.
“Não há jornalismo independente no mundo. No meu país, não há imprensa independente ou objetiva”, disse Cristina aos estudantes. “Nós, os governantes, não estamos aí para dar coletivas de imprensa”, continuou.
Mas a aula de tirania aos jovens estudantes não acabou por aí. Cristina emendou uma crítica ácida aos jornalistas argentinos, a quem chamou de histéricos. “Quando a resposta não os agrada, começam a gritar, já chegaram a chutar as portas da casa do governo”, disse a presidente.
No último sábado, o governo kirchnerista lançou um vídeo ameaçando retirar as licenças do grupo Clarín em 7 de dezembro, data em que vence uma medida cautelar - que pode ser prorrogada - emitida pela Justiça para que o grupo continue operando enquanto o sistema judiciário decide se a Lei de Mídia é constitucional ou não - sancionada por Cristina, a Lei de Mídia proíbe, entre outros pontos, que as empresas privadas de comunicação mantenham mais de uma emissora de TV aberta em uma mesma localidade.
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PS - A perua viúva de luxo, além de ser a representante maior das bruxas velhas, devia tratar de sua esquizofrenia cada vez mais alterada.
 
27 de setembro de 2012
V E J A

MINISTRO JOAQUIM BARBOSA PARA PRESIDENTE!




Enquanto o Ministro Ricardo Lewandowsky assume uma posição conservadora, de querer manter a impunidade para os políticos que praticam atos de corrupção, lavagem de dinheiro e outros mal feitos, o Ministro Joaquim Barbosa mostra, através de seus votos, que já não podemos mais ser coniventes com a prática comum de falta de ética e de honestidade por parte de nossos governantes.

O Ministro Lewandowsky tem se mostrado fraco no sentido de se conivente com a falta de ética e honestidade, principalmente daqueles ligados ao governo.

É hora de uma revolução de ética, e até agora o Ministro Joaquim Barbosa tem se mostrado o homem que tem a força e a determinação para levar a frente uma revolução ética que venha a possibilitar que nossos filhos e netos vivam em um país mais justo e com mais justiça social.
 
27 de setembro de 2012

"A TEORIA POLÍTICA DA CORRUPÇÃO"

 

Wanderley Guilherme dos Santo

Nos idos de 2005 o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos formulou o discurso adotado pelo PT em face do escândalo do mensalão. O noticiário, ensinou, constituiria uma tentativa de “golpe das elites” contra o “governo popular” de Lula.

No ano passado o autor da tese assumiu a presidência da Casa de Rui Barbosa, cargo de confiança subordinado ao Ministério da Cultura.
É nessa condição que, em entrevista ao jornal Valor (21/9), ele reativa sua linha de montagem de discursos “científicos” adaptados às conveniências do lulismo. Desta vez, para crismar o julgamento do mensalão como “julgamento de exceção” conduzido por uma Corte “pré-democrática”.

A entrevista diz algo sobre o jornalismo do Valor. As perguntas não são indagações, no sentido preciso do termo, mas introduções propícias à exposição da tese do entrevistado – como se (oh, não, impossível!) jornalista e intelectual engajado preparassem o texto a quatro mãos. Mas a peça diz uma coisa mais importante sobre o tema do compromisso entre os intelectuais e o poder: o discurso científico sucumbe no pântano da fraude quando é rebaixado ao estatuto de ferramenta política de ocasião.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) narraram uma história de apropriação criminosa de recursos públicos e de fabricação de empréstimos fraudulentos pela direção do PT, que se utilizou para tanto das prerrogativas de quem detém o poder de Estado. Wanderley Guilherme, contudo, transita em universo paralelo, circundando o tema da origem do dinheiro e repetindo a versão desmoralizada da defesa:
“O que os ministros expuseram até agora é a intimidade do caixa 2 de campanhas eleitorais (…). Isso eles se recusam a discutir, como se o que eles estão julgando não fosse algo comum (…), como se fosse algum projeto maligno”.

Wanderley Guilherme não parece incomodado com a condenação dos operadores financeiros do esquema, mas interpreta os veredictos dos ministros contra os operadores políticos (ou seja, os dirigentes do PT) como frutos de um “desprezo aristocrático” pela “política profissional”.
O dinheiro desviado serviu para construir uma coalizão governista destituída de um mínimo de consenso político, explicou a maioria do STF.
O cientista político, porém, atribui o diagnóstico a uma natureza “pré-democrática” de juízes incapazes de compreender tanto os defeitos da legislação eleitoral brasileira quanto o funcionamento dos “sistemas de representação proporcional”, que “são governados por coalizões das mais variadas”.

O núcleo do argumento serviria para a defesa de todo e qualquer “mensalão”. Os acusados tucanos do “mensalão mineiro” e os acusados do DEM do “mensalão de Brasília” estão tão amparados quanto os petistas por uma concepção da “política profissional” que invoca a democracia para justificar a fraude do sistema de representação popular e qualifica como aristocráticos os esforços para separar a esfera pública da esfera privada.
A teoria política da corrupção formulada pelo intelectual deve ser lida como um manifesto em defesa de privilégios de impunidade judicial do conjunto da elite política brasileira.

Mas, obviamente, o argumento perde a força persuasiva se for lido como o que, de fato, é. Para ocultar seu sentido, conferindo à obra uma coloração “progressista”, Wanderley Guilherme acrescenta-lhe uma camada de tinta fresca.
A insurreição “aristocrática” do STF contra a “política democrática” derivaria da rejeição a uma novidade histórica: a irrupção da “política popular de mobilização”, representada pelo PT. A Corte Suprema estaria “reagindo à democracia em ação” por meio de um “julgamento de exceção”, um evento singular que “jamais vai acontecer de novo”.

É nesse ponto do raciocínio que a teoria política da corrupção se transforma na corrupção da teoria política. Uma regra inviolável do discurso científico, explicou Karl Popper, é a exigência de consistência interna. Um discurso só tem estatuto científico se estiver aberto a argumentos racionais contrários.
Quando apela à profecia de que os tribunais não julgarão outros casos com base na jurisprudência estabelecida nos veredictos do mensalão, Wanderley Guilherme embrenha-se pela vereda da fraude científica. A sua hipótese sobre o futuro ─ que, logicamente, não pode ser confirmada ou falseada ─ impede a aplicação do teste de Popper.

Há duas leituras contrastantes, ambas coerentes, sobre o “mensalão do PT”. A primeira acusa o partido de agir “como os outros”, entregando-se às práticas convencionais da tradição patrimonial brasileira e levando-as a consequências extremas.
O diagnóstico, uma “crítica pela esquerda”, interpreta o extenso arco de alianças organizado pelo lulismo como fonte de corrupção e atestado da falência da natureza transformadora do PT.
A segunda acusa o partido de operar, sob o impulso de um projeto de poder autoritário, com a finalidade de quebrar os contrapesos parlamentares ao Executivo e se perpetuar no governo. A “crítica pela direita” distingue o “mensalão do PT” de outros casos de corrupção política, enfatizando o caráter centralizado e as metas de longo prazo do conjunto da operação.

A leitura corrompida de Wanderley Guilherme forma uma curiosa alternativa às duas interpretações. Seu núcleo é uma celebração da corrupção inerente à política patrimonial tradicional, que seria a “política profissional” nos “sistemas de representação proporcional”.

Seu verniz aparente, por outro lado, é um elogio exclusivo da corrupção petista, que expressaria a “irrupção da política de mobilização popular” e a “democracia em ação”. Na fronteira em que o pensamento acadêmico se conecta com a empulhação militante, o paradoxo pode até ser batizado como dialética.
Contudo mais apropriado é reconhecê-lo como um reflexo especular da fotografia na qual Paulo Maluf e Lula da Silva reelaboram os significados dos termos “direita” e “esquerda”.

27 de setembro de 2012
Demétrio Magnoli - Estadão

EM QUE PAÍS VIVE A ESQUERDA NO BRASIL, ESPECIALMENTE OS PETISTAS?

 

Certamente não é no meu ou no de nenhum cidadão de bem que esteja em pleno gozo das suas faculdades mentais. Sim, porque é preciso um bom bocado de más intenções misturadas com outro tanto de demência para criar, acreditar, passar adiante e defender tanta mentira junta. Senão vejamos:
-O mensalão nunca existiu, principalmente porque os pagamentos não obedeceram a uma periodicidade, certo? Mas e se essa distribuição de renda fosse chamada de incertalão, seria crime? Também não, porque em Petralhândia a prática de caixa dois – que é como eles definem o incertalão – não é crime;
 
-Lula não era o chefe do incertalão e nem sequer sabia da sua existência;
 
-Dólares na cueca? Nem pensar! Foi tudo armação da PF;
 
-E o filho “Ronaldinho” de Lula que foi vítima da arbitrária violação da vida pessoal por parte da imprensa, que até hoje insiste em afirmar que Lulinha ganhou da Telemar, de presente, a Gamecorp, proprietária da Play TV, antigo Canal 21, arrendado pela Rede Bandeirantes por dez anos? É ilegal e imoral, mas é tudo mentira;
 
-Aliás, toda a família do Lula é muito decente. Aquele negócio de dizer que eles não devolveram os passaportes especiais é tudo intriga da oposição;
 
-Celso Daniel não foi assassinado como queima de arquivo e sim vítima de um latrocínio;
 
-Problemas de pobreza não há, mas quando aparecem é só mandar o IBGE passar a considerar parâmetros bem rés-do-chão que os miseráveis aparecerão como classe média no mês seguinte;
 
-O mesmo com o PIB: tá baixo? Muda-se o cálculo e passa-se a considerar até os peidos dos ruminantes como produção de gás natural;
 
-Em Petralhândia não há crimes, só uma certa imprensa chata que não para de inventar mentiras;
 
-É claro que também há tribunais de Justiça, Polícia Federal, ministérios públicos, controladorias que insistem em colecionar provas contra o PT, mas aos poucos a essa gente mentirosa desses órgãos vai sendo doutrinada($) ou trocada.

Eu poderia ficar dias a fio aqui contando como é boa a vida em Petralhândia, mas infelizmente tenho que acordar desse sonho maravilhoso para viver a merda de realidade que o PT faz o Brasil passar.