"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

INSTITUTO MILLENIUM, UMA FARSA LIBERAL (PARTES 1 E 2)

INSTITUTO MILLENIUM,
UMA FARSA LIBERAL (II)



Rhyan Fortuna - Janer, creio que o Rodrigo está defendendo que não existe censura privada. Censura seria apenas algo estritamente estatal. O Imil é o mais social-democrata dos institutos liberais brasileiros. Se esquerda fica horrorizada com ele, imagina se ver os outros...

Janer Cristaldo - A pior censura é a privada, Rhyan. Não foi o Estado quem mais e com mais eficácia censurou durante a ditadura. Quanto os militares proibiam um escritor ou cantor, este estava com a fortuna feita. Mas quando as esquerdas, privadamente, censuravam alguém, este alguém estava morto civilmente.

Aluizio Couto - Rafael Guedes, com isso todos concordam. No entanto, uma crítica que se pode fazer é que quando se proibe certas opiniões dentro do instituto, ele perde muito do caráter cognitivo. E um dos elementos que fazem o debate intelectual ser saudável é a pluralidade de ideias.

Cristiano Rosa de Carvalho - Sim, censura é algo imposto pela força, de forma coercitiva - para tanto, pressupõe o monopólio da violência exercido pelo Estado. Censura em associações livre é uma contradição em termos - o que existe é a liberdade de não veicular aquilo com o que não se concorda, da mesma forma, liberdade de não se associar com o que não se comunga. Se assim não for, presumo que a Folha de São Paulo, o Estadão ou a Veja seriam obrigados a publicar os meus artigos, pois do contrário estariam me censurando?

Aluizio Couto - Cristiano Rosa, a censura pode ser feita por meios privados. O que a censura implica é inviabilizar a publicação de uma ideia qualquer. Penso que não há nada na ideia de censura que pressuponha a ação do estado. Claro que é mais comum que o estado seja o censor. Mas o seu argumento tem como consequência bizarra o fato de não haver censura em um ambiente sem estado. Penso que essa conseqüência é suficiente para rejeitar seu argumento, pois me parece claro que pode haver censura em um ambiente desse tipo.

Janer Cristaldo - Não, Cristiano, Folha de São Paulo, o Estadão ou a Veja não são obrigados a publicar os seus artigos. Eles têm um corpo redacional para escrever. Mesmo assim, costumam acolher opiniões divergentes. Não vou negar, de modo algum, que não exista censura nesses jornais. É por isso que não me adaptei nem à Folha nem ao Estadão e estou muito feliz em meu blog, onde ninguém me pauta nem me censura. A liberdade de expressão se refugiou na Internet e o Millenium parece não ter entendido isto.

Aluizio Couto - Acho que para a discussão ficar em termos mais claros, temos de distinguir dois usos do termo ''censura''. O primeiro é a censura que impede a publicação de uma ideia qualquer em quaisquer meios. Isso é ilegítimo e objetável. O segundo é o que fazem revistas e jornais particulares. Penso que é objetável, mas fazer isso é um direito desses veículos.

Cristiano Rosa de Carvalho - Não se for feita por opção e pelo exercício da liberdade - desde quando qualquer associação privada é obrigada a divulgar as ideias com as quais não concorda? Se alguém me impedir de, por exemplo, imprimir um jornal ou fazer um website para divulgar as minhas ideias, aí sim estaremos falando de cerceamento de liberdade. Repito, o Imil tem todo o direito de não divulgar ideias que não estejam alinhadas aquilo que entende ser apropriado divulgar. Não é por ser um think thank liberal que é obrigado a debater todos os temas considerado imprescindíveis por outros. Quem não gostar, que faça o seu think thank, o seu website, ou o que quer que seja.

Rodrigo Constantino - Nossa, Janer Cristaldo, o Imil não tem absolutamente NADA a ver com o MídiaSemMáscara ou com o "filósofo" embusteiro...

Janer Cristaldo - Espero que nada tenha a ver, Constantino. Mas a resposta que a moça me enviou tem um viés inquisitorial. Ainda há pouco, o MSM alertava que estavam proibidas as discussões inter-religiosas. O Millenium me avisa que é proibido discutir aborto, células-tronco, homossexualismo, etc. Não estou vendo muita diferença. Fui convidado para colaborar com o Millenium. Muito honrado. Deixem-me então escrever sobre os temas cruciais da época. A CartaCapital é abjeta, mas pelo menos não censura o tipo de discussão. Censura opinião, é claro. Mas não o tema.

Aluizio Couto - Cristiano, só para clarificar a objeção ao Imil: um Think Thank deve ser um instituto cujo objetivo é busca pela verdade. Ou seja, penso que deve haver, antes de tudo, um caráter cognitivo nesses institutos. Quando opiniões são descartadas somente pela conclusão ou direção argumentativa, há qualquer coisa de errado.

Janer Cristaldo - Nenhuma associação privada é obrigada a divulgar as ideias com as quais não concorda. Não foi isso que me respondeu o Millenium. A resposta foi muito mais grave: proíbe, antecipadamente, qualquer tipo de debate sobre determinados temas, não importa quais sejam as idéias sobre o assunto. Cá entre nós, quando um Instituto promove fóruns sobre democracia e liberdade de expressão e proíbe temas inerentes à democracia e liberdade de expressão, meus companheiros de debate que me desculpem: isto é hipocrisia e certamente esconde propósitos nada confessáveis.

Cristiano Rosa de Carvalho - Penso que meu argumento não foi compreendido, certamente por falha minha ao expô-lo, já que todos aqui são inteligentes. É evidente que censura, sempre, implica uso da força. E, em sociedades com Estado, este uso é monopólio do próprio (ou deveria ser). Portanto, se o uso da força não for monopolizado, poderá haver censura descentralizada (como não há civilização sem algum tipo de autoridade central, esta censura privada, ao menos institucionalizada, é algo não comprovável empiricamente). Mas, em civilizações com autoridade central, ou a censura será inconstitucional (por se tratar de um Estado Democrático de Direito), ou, se for exercida por sujeitos privados, será ilícita, ilegal, portanto, punível juridicamente - em qualquer dos casos, censura será exercida pela força supressora de expressão de ideias, não pela recusa da autonomia privada em divulgar ideias, algo moral e juridicamente permitido. Em suma: se o Imil algum dia utilizar de meios para impedir que outros façam os seus próprios think thanks, websites ou jornais, aí sim estaremos falando de censura. Recusar, a priori ou não, tratar de determinados temas é opção - insisto, livre - de qualquer associação, seja por estratégia, seja por preferência temática. Mesmo assim, como disse, nunca sofri qualquer censura por parte do Instituto, muito pelo contrário. Mesmo em entrevistas que dei como seu especialista, jamais me foi imposta qualquer orientação, pauta ou o que quer que seja, mas sim me foi dada plena e irrestrita liberdade para dizer o que eu bem quisesse.

Janer Cristaldo - Não senhor, meu caro Cristiano. As esquerdas censuraram o tempo todo no Brasil, sem usar força alguma. Quem usava força eram os militares, o que só servia para proibir os "mártires" censurados. As esquerdas censuravam, tanto nos jornais como na universidade, omitindo fatos, proibindo a divulgação de certos dados, proibindo a referência a livros e autores que não fossem de esquerda, sussurrando em um encontro internacional "o fulano é de extrema-direita". Aí estava decretada a morte civil do escritor. Censura-se muito mais sem o uso da força que com o uso da força. Pode-se censurar com uma bibliografia, com uma seleção de ementas na universidade, com a diagramação de um jornal. Você diz: "Recusar, a priori ou não, tratar de determinados temas é opção - insisto, livre - de qualquer associação, seja por estratégia, seja por preferência temática". Não é bem assim. Um instituto que se pretende defensor da democracia e da liberdade de expressão não pode proibir temas inerentes à democracia e à liberdade de expressão.

Você não foi censurado? Eu fui, e antes mesmo de escrever qualquer coisa.

Leandro Mensch Ateu - Caralho, não tem o que discutir, agora qualquer um vai poder escrever qualquer coisa e o Imil tem que publicar? É o caralho! Se eu fizer um artigo escrito : "merda merda merda merda merda merda merda merda merda etc..", e ele não publicar ele me censurou?? Cada instituição tem seus objetivos caramba! Se eu quiser publicar no jornalzinho dominical um artigo defendendo a homossexualidade a igreja pode me banir! Se eu quiser escreve O MEU jornal defendendo a homossexualidade e a igreja tentar me banir, ISSO CENSURA, ainda mais se tiver ajuda do governo. É completamente diferente e essa discussão é a mais ridícula que já vi, emocional e não racional. Melhor é amadurecer um pouquinho. Pra reclamar de censura, espera o Imil tentar fechar seu blog! Poha

Janer Cristaldo - Você pode, Leandro, escrever o que quiser e proibir o que quiser em seu jornalzinho. É mais ou menos o que fazem os proprietários dos grandes jornais. O que não pode é um instituto dedicado à defesa da democracia e da livre expressão proibir debates que estão na primeira página de todos os jornais.


INSTITUTO MILLENIUM,
UMA FARSA LIBERAL (I)


Em sua página no Facebook, Rodrigo Constantino tece uma série de críticas à revista CartaCapital. Não deixei de dar meu pitaco:

- Totalmente de acordo no que diz respeito à CartaCapital. Mas o Instituto Millenium tampouco é flor que se cheire. E linkei o artigo ao final deste debate, que escrevi em 2010. Rodrigo Constantino - Janer Cristaldo, eu sou do conselho gestor do Instituto Millenium, e acho que aqui vc confunde censura com estratégia de ação. Não é censura um instituto selecionar quais temas quer evitar. É apenas para focar no que interessa mais. Entre os especialistas do instituto, não há nada perto de um consenso entre questões como aborto ou drogas. Foi somente uma decisão estratégica de evitar essas polêmicas, que poderiam desviar o foco. Não é uma farsa por conta disso.

Janer Cristaldo - Com todo apreço que tenho por teu trabalho, isso é censura, Constantino. E censura das mais safadas, daquelas que se camuflam com o rótulo de liberalismo. Como debater o mundo contemporâneo sem abordar temas como aborto, pena de morte, células-tronco embrionárias, eutanásia, suicídio, legalização das drogas, homossexualismo, adoção de crianças por casais homossexuais?

Vejo inclusive um viés catolicão nessa proibição. Todos esses temas constituem quase matéria de dogma para a Santa Madre.

Rodrigo Constantino - Janer, se vc cortar do SEU site comentários, isso é censura? Cuidado para não cair na armadilha dos esquerdistas...

Janer Cristaldo - Eu não corto nenhum comentário de meu site. Para começar, o blog não está aberto a comentários. Por uma razão simples: recebo muita baixaria e não tenho tempo para moderar. Os artigos que publico no Baguete podem ser discutidos, eles têm uma equipe para selecionar baixarias. Mas os temas censurados pelo Millenium não constituem baixaria. São temas vitais de nossa época. Millenium parece demonstrar temor ao contraditório, pois proíbe tanto a defesa como a condenação dos itens em questõ. A política do instituto em muito lembra a atitude inquisitorial do Olavo de Carvalho. O Dostoiévski campineiro agiu como um Torquemada tupiniquim. É responsável pela primeira fogueira digital no Brasil. Apagou todos os artigos - meus e teus, inclusive - com os quais não concordava.

Eduardo Ribeiro - Também não vejo mal algum em cortar esses temas, visto que o que é mais debatido no instituto Millenium são temas de extrema importância como economia e também agrega liberais e conservadores sem consenso a respeito desses temas, como disse o Constantino. Bem diferente da esquerda que possui CARTILHA para seguir, no IMIL não há, apenas uma recomendação de evitar temas que possam causar debates internos que possam enfraquecer a imagem que o instituto visa passar.

Janer Cristaldo - Não é recomendação, meu caro Eduardo. É proibição. E quando discutimos economia, estamos discutindo quais economias possibilitam a democracia e a liberdade de expressão. São temas inter-relacionados. É óbvio que temas como aborto, legalização das drogas ou células-tronco têm muito a ver com a agenda do Fórum Liberdade de Expressão: Cenários, Tendências e Práticas na América Latina

11h - Ameaças à Democracia no Brasil
14h - Restrições à Liberdade de Expressão
16h - Liberdade de Expressão e Estado Democrático de Direito
17h30 - Especial de Encerramento: Democracia e Liberdade de Expressão

Aluizio Couto - Janer Cristaldo, não penso que o que você e o Rodrigo estão discutindo seja um exemplo de censura. Penso que censura é a tentativa de impedir a publicação ou expressão de alguma coisa em todo e qualquer meio. O Millenium optou por não publicar artigos sobre os temas que você queria tratar, mas não te impede de modo algum de publicá-los em outros veículos.

Cristiano Rosa de Carvalho - Concordo plenamente. Como qualquer Think Thank, o IMil pode e deve exercer o direito de direcionar o desenvolvimento e abordagem de temas que considere mais relevantes. Censura é algo imposto, coercitivamente, que casse o direito de expressar a opinião.

Eduardo Ribeiro - Com certeza, posso proibir que certas pessoas entrem em minha casa, por exemplo. Um direito meu. Nada tem a ver com censura.

Janer Cristaldo - Não, Aluizio. Nem falei do que queria tratar e talvez nem tratasse desses assuntos. Apenas fiz uma ressalva: “Não aceito censura a nenhum artigo que pretender publicar no site Millenium. Se houver hipótese de censura, considere-me excluído do Instituto” . Quem especificou os temas que seriam proibidos foi a coordenadora de redes do Instituto. De novo, mais um argumento do astrólogo: que o MSM tinha uma linha editorial e que ele se julgava no direito de não publicar nada que ferisse essa linha editorial. (O gozado é que este argumento não vale para os jornais que dispensaram suas colaborações). Claro que posso publicar em outros veículos. E publico, para isto existe a Internet. Mas com sua atitude inquisitorial, o Millenium está negando o que constitui a melhor virtude da Internet, a liberdade de expressão. Em verdade, está agindo como os jornalões.

Aluizio Couto - Só gostaria de dizer uma coisa: não sou simpático ao fato de certos Think Thanks não publicarem certos artigos por causa de suas conclusões ou direção argumentativa. Por exemplo, vejo com receio um institudo que não publica artigos em defesa do aborto só pelo fato de a conclusão ser ''o aborto é moralmente permissível'' ou pelo fato de o artigo pretender defender o aborto. Acho que o único critério sensato que uma publicação que realmente valoriza a busca pela verdade deve ter é a qualidade do material.

Cristiano Rosa de Carvalho - Sem esquecer que o Imil é uma associação civil, privada, associe-se quem quiser, acompanhe quem quiser, leia quem quiser. Trata-se de uma opção, aliás, ínsita à liberdade de associação. Sou um dos especialistas do Instituto Millenium, já há vários anos, e nunca tive o meu direito de expressão ali cerceado, em qualquer grau que seja, quanto às entrevistas que concedi em seu nome, ou nos artigos e opiniões que publiquei também como seu especialista. Evidentemente, se em algum momento as minhas posições contrastarem com a linha do Imil, eles terão todo o direito de recusar externá-las em seus meios de divulgação, o que não é censura de forma alguma, mas apenas - novamente - liberdade de associação. Ninguém é obrigado a se associar com o que não concorda.

Janer Cristaldo - Exatamente, Cristiano. Censura é algo imposto, coercitivamente, que cassa o direito de expressar a opinião. Claro que ninguém é obrigado a se associar com o que não concorda. Não é isto que está em discussão. O que se discute é que um instituto que empunha a bandeira do liberalismo proíba a discussão de temas que são tabu para a Igreja Católica. No fundo, o Millenium parece ser a outra face do Midiasemmascara.

Lmendes Mendes - Ninguém, realmente, é obrigado a se associar a algo que não goste. Por exemplo: Não suporto CartaCapital. Li ,algumas vezes, e detestei.

Janer Cristaldo - Eu gosto de ler a CartaCapital, Mendes. Adoro ver as esquerdas desesperadas, tentando mostrar que preto é branco e branco é preto. Mino Carta é certamente o mais venal dos jornalistas brasileiros. Um de seus últimos artigos é um ataque ao PT. É bom auscultar estes sinais, constituem um prenúncio de naufrágio.

Lmendes Mendes - Janer, prefiro não ler. Fico irritada além da conta,rsrsrs...

Aluizio Couto - Janer, concordo que a atitude do instituto foi lamentável. Eu também me sentiria pouco a vontade se me dissessem que não posso tratar deste ou daquele assunto. E essa atitude do instituto parece não ser coerente com a pluralidade defendida pelos liberais. Deveria ser óbvio que se quisermos discutir qualquer coisa com real interesse cognitivo, não faz sentido excluir pontos de vista particulares.

Janer Cristaldo - Voilà, Aluizio!

Rhyan Fortuna - Janer, creio que o Rodrigo está defendendo que não existe censura privada. Censura seria apenas algo estritamente estatal.

O Imil é o mais social-democrata dos institutos liberais brasileiros. Se esquerda fica horrorizada com ele, imagina se ver os outros...

Rafael Guedes - O IMIL não é um veículo de comunicação. É um instituto e, como tal, tem direito de dirigir seus debates, obedecendo a normas internas de convivência e cooperação.

Janer Cristaldo - Teu argumento coincide com os do astrólogo, Rafael.


A FARSA DO MILLENIUM *

O Instituto Millenium, que pretende ter como missão promover a democracia, a economia de mercado, o estado de direito e a liberdade, promoveu hoje o 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão. Participam do encontro vários medíocres como Fernando Gabeira, Arnaldo Jabor e Reinaldo Azevedo, e alguns intelectuais até que respeitáveis, como Demétrio Magnoli, Denis Rosenfield, William Waack e Otavio Frias Filho. Respeitáveis, mas ingênuos. Eis o cardápio dos debates:

9h30 - Painel de Abertura: Liberdade de Expressão: Cenários, Tendências e Práticas na América Latina

11h - Ameaças à Democracia no Brasil
14h - Restrições à Liberdade de Expressão
16h - Liberdade de Expressão e Estado Democrático de Direito
17h30 - Especial de Encerramento: Democracia e Liberdade de Expressão

A agenda é divina. Até parece que o instituto defende a democracia, o Estado democrático de Direito e a liberdade de expressão. No entanto... Em julho do ano passado, fui convidado a escrever no site do instituto. Por que não? Pediram meu currículo, enviei-o. Com uma ressalva: “Não aceito censura a nenhum artigo que pretender publicar no site Millenium. Se houver hipótese de censura, considere-me excluído do Instituto”. Resposta de Anita Lucchesi, coordenadora de redes do Instituto Millenium:
Caro Sr. Janer,

consultei a nossa editora, Cristina Camargo, para que pudesse lhe informar sobre nossa linha editorial, com mais certeza, pois é ela que cuida da publicação dos artigos. Envio-lhe, portanto, a linha editorial do Millenium:

Não publicamos artigos que contenham defesa ou condenação dos seguintes assuntos:

- Aborto
- Pena de morte
- Células-tronco embrionárias
- Eutanásia
- Suicídio
- Legalização das drogas
- Homossexualismo
- Adoção de crianças por casais homossexuais

Se o senhor não se importar com estas colocações, podemos prosseguir, no entanto, se o senhor se sentir "censurado", faça-me saber, podemos conversar sobre outras formas de participação, se for do seu interesse.


Claro que não prossegui. O instituto que pretende defender a liberdade de expressão começa excluindo qualquer hipótese de debate sobre os temas mais candentes da imprensa contemporânea. No mínimo, deve servir de plataforma a algum partido político, provavelmente o PSDB.

E depois enchem a boca falando em democracia e liberdade de expressão. O mais espantoso é que jornalistas, que sempre pretenderam defender a democracia e liberdade de expressão, participem desta farsa.


(* 01/03/2010)
 
10 de dezembro de 2012
janer cristaldo

TUMOR AMEAÇA MEDULA ESPINHAL DE CHÁVEZ

OPOSIÇÃO REAGE À INDICAÇÃO DE MADURO E DIZ QUE NÃO HÁ SUCESSÃO.
Chávez continua com o rosto e o pescço muito inchados

Após o anúncio inesperado de Hugo Chávez sobre a reincidência de um câncer e de seu eventual sucessor, o principal opositor do presidente venezuelano, Henrique Capriles, reagiu e afirmou à rede de TV Globovisíon que "não existe sucessão no país". Chávez voltaria neste domingo a Cuba para uma nova cirurgia, o que o levou a nomear Nicolás Maduro como sucessor e reconhecer pela primeira vez que a doença poderia pôr fim a seu governo. A Assembleia Nacional aprovou por unanimidade a licença pedida pelo presidente para tratar a doença e, desde o início do dia, seguidores do mandatário marcharam em seu apoio nas principais cidades da Venezuela.

- Diante de qualquer questão ou dúvida, a Constituição tem a resposta. Na Venezuela não existe sucessão. Todas as questões são decididas por nosso povo, a soberania reside no povo e sempre será assim - afirmou Capriles, candidato derrotado nas urnas nas últimas eleições presidenciais. - Faço um chamado a união do país: hoje mais do que nunca devemos estar abraçados à democracia, à Constituição e a institucionalidade.

Em um inesperado discurso à Nação na noite de sábado, Chávez informou que deverá realizar uma nova cirurgia em Cuba, já que "após uma exaustiva revisão médica" realizada nos últimos dias foram encontradas algumas células malignas" em seu corpo. Segundo o líder venezuelano, que deverá viajar ainda neste domingo para a ilha, a nova intervenção deverá ser realizada "nos próximos dias".
CHÁVEZ CONTINUA INCHADO - A foto em close acima mostra que Hugo Chávez continua com o rosto e pescoço inchado. Segundo os médicos isto decorre de tratamento com esteróides. Além disso a cor de sua pelo é avermelhada indicando também sinais da "síndorome de Cusching", pele excesso de esteróides que ajudam a mascarar os efeitos do câncer e mantém o caudilho de pé.
Segundo postagem em sua conta do Twitter nese domingo, o médico venezuelano que vive e trabalha em Naples, Florida, Estados Unidos, informa que Chávez deverá ser operado ainda neste domingo ou amanhã, segunda-feira. A cirurgia será feita para afastar o risco de compressão sobre a medula espinhal originado pelo avanço das metástases de câncer. Sem a cirurgia, Chávez correria o risco de comprometimento neurológico.

"A cirurgia é de urgência" - alerta o Dr. Marquina - explicando que "o tumor pode comprimir a medula espinhal e criar deficiência neurológica."

O médico informou também que a queda de pressão que Chávez vinha apresentando antes de viajar para Cuba foi devido a doses muito altas de Demerol e Fentanilo que lhe estavam aplicando na Venezuela. O Fentanilo é um dos mais potentes opiáceos destinados a mitigar as dores.


Todavia até hoje, portanto há um ano e meio desde que diagnosticaram a moléstia, ninguém sabe exatamente onde começou o câncer. Apenas Chávez fala sobre sua doença. Atualmente, a única fonte médica que comenta sobre o estado de saúde do caudilho é o médico José Rafael Marquina, razão ela qual tem sido seguidamente entrevistado pelos mais importantes véiculos de mídia internacional. Com informações do site de O Globo

SEM CHÁVEZ, O CHAVISMO ENFRAQUECE


Nicolás Maduro, possível sucessor.
 
Apontado pelo ditador da Venezuela, Hugo Chávez, como seu possível sucessor, o ministro das Relações Exteriores e vice-presidente venezuelano Nicolás Maduros Moros, 50 anos, é considerado um moderado. Mas entenda-se: moderado para um chavista. Como chanceler, ele adotou ao pé da letra o discurso anti-imperialista do caudilho e agiu para expandir o raio de ação do bolivarianismo. Em julho, por exemplo, Maduro foi flagrado em conversa com militares paraguaios em meio à crise que resultou na perda de mandato do presidente Fernando Lugo. O encontro serviu para incitar os oficiais a resistir ao impeachment que estava em curso – um processo realizado de pleno acordo com a Constituição paraguaia.
Oposição ao golpe - Ex-motorista de ônibus em Caracas e líder sindical com formação em Cuba, Maduro já contrariou a vontade de seu atual padrinho. No início dos anos 1990, o atual vice venezuelano se opôs à tentativa de golpe liderada por Chávez contra o então presidente Carlos Andrés Pérez.
Mais tarde, após unir-se ao Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), criado por Chávez, Maduro contrariou novamente as pretensões do ditador: fez parte do grupo que defendia a abstenção da organização nas eleições presidenciais de 1998. Foi voto vencido.

Mas, considerado um “homem de partido”, Maduro aceitou a derrota e passou a trabalhar pela eleição de Chávez. E, de acordo com o jornal venezuelano El Universal, ganhou sua total confiança – e a presidência do então partido chavista, o Movimento da V Repúlica (MVR), hoje incorporado ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
Ascensão foi rápida - A partir de então, sua ascensão foi rápida: tornou-se chefe do MVR no Congresso, presidente da Comissão de Cidadania da Assembleia Nacional Constituinte e, em 2005, foi nomeado presidente da Assembleia Nacional.

No ano seguinte, foi nomeado chanceler, com a missão de tornar o serviço exterior mais comprometido com o chavismo. Em outubro passado, logo após a terceira reeleição de Chávez, o caudilho apontou Maduro como vice-presidente, sem tirá-lo do Ministério das Relações Exteriores.

Na Venezuela, é o chefe de estado quem aponta o vice. O artigo 233 da Constituição indica que, em caso de falta absoluta do presidente eleito antes de tomar posse ou nos quatro primeiros anos de seu mandato, deve ser realizada uma nova eleição, direta e secreta, dentro de 30 dias. “Minha opinião firme, plena como a lua cheia, irrevogável e absoluta, é que, nesse cenário que obrigaria a convocar eleições presidenciais, vocês elejam Nicolás Maduro como presidente”, disse Chávez neste sábado, ao anunciar na TV o retorno de seu câncer.
Chavismo em crise - A vontade do ditador, porém, não parece ser algo tão simples de concretizar. A vitória do caudilho foi apertada no último pleito. E o fato de Chávez ter sempre trabalhado mais para se perpetuar no poder do que para construir um sucessor pode cobrar seu preço.

"Todos os potenciais sucessores de Chávez são pessoas que costumam polarizar, que possuem uma personalidade de confronto", disse Michael Shifter, presidente de uma organização de estudos interamericanos com sede em Washington, em entrevista à rede CNN no início deste ano. "Eles são leais a Chávez, mas não têm a mesma capacidade de se conectar com a maioria dos venezuelanos".

As pesquisas indicaram ainda que, embora Chávez tenha forte apoio de seus partidários, outros nomes não gozam do mesmo prestígio. Uma pesquisa feita em fevereiro pela empresa Datanálisis mostrou Maduro com o apoio de apenas 9,8% dos militantes do PSUV, indicou neste domingo a rede CNN.
Do site da revista Veja
 
10 de dezembro de 2012
in aluizio amorim

INTELLIGENTZIA OU "BURRITZIA"?

    
          Artigos - Cultura 
Um argumentum ad hominem, mesmo não tendo fundamentos lógicos, quando bem manipulado pode se transformar em perigosa arma de retórica.

Rendeu-me panos para mangas aquela postagem de Helio Beltrão ontem no Facebook, em que ele mostrou mais uma vez a precisão e acuidade que lhe são peculiares, arrematadas por uma pergunta inteligente e da mais fina ironia:
"Esse Willian Vieira, da Carta Capital, afirma que os "livremercadistas desejam a privatização geral da existência". Por acaso esses estatistas acham que nossa existência deveria ser estatal também"?
E dispara novamente seu bom humor em tom de palavras de ordem: "Pela Privatização Geral da Existência"! Boa, Helio, aperta aqui!

As mangas a que me referi não são verdes, mas vermelhas; não são doces, mas amargas; não são de época, mas serôdias; e não são frescas, mas apodrecidas. Refiro-me à chamada intelligentzia, da qual a revista Carta Capital é um típico excerto, um fragmento bem característico.
 
Isaiah Berlin (1909-1997), grande cientista-político, filósofo e historiador judeu nascido em Riga, na Letônia, cuja família emigrou para a Grã Bretanha quando ele tinha cerca de dez anos, foi um dos principais pensadores liberais do século passado.
Berlin definia intelligentzia como um certo grupo de pensadores que se opõem diretamente a regimes opressivos e que se unem na luta contra esse regime e na promoção do racionalismo crítico, do progresso social, da valorização do intelecto e da defesa dos valores da liberdade individual e da verdade.
 
Sua obra mais conhecida é a fantástica Four Essays on Liberty, em que desenvolve duas concepções de liberdade: liberdade negativa, definida como ausência de coerção às ações individuais e liberdade positiva, caracterizada pela presença de comandos ou coerções, que os engenheiros sociais do Estado e sua sequela de súcubos imaginam servir para que os indivíduos ajam de modo a atingir seus objetivos, mas que na verdade sempre impedem que isso aconteça. A primeira é liberdade de e a segunda liberdade para.
 
A intelligentzia (ou intelligentsia), portanto, nada mais é do que um conjunto de indivíduos que desenvolvem trabalhos intelectuais tendo em vista a evolução do ambiente cultural seguindo a sua visão de mundo. A origem desse termo é latina [intelligentia, inteligentiae] e em sua concepção original nada havia que lembrasse o uso distorcido que os grupos autoritários passaram a fazer dele.
 
Com a forte disseminação da influência nefanda de Gramsci - o grande inspirador do pior tipo de intelligentzia - em todo o mundo, o termo passou a designar grupos de intelectuais de esquerda, desses ditos engajados, que assinam manifestos, participam de passeatas, têm cadeiras cativas em universidades, jornais e revistas e são incensados, endeusados e cultuados pela mídia também comprometida até o último fio de cabelo com a ideologia marxista.
 
A revista Carta Capital é um exemplo bem característico desse conceito distorcido de intelligentzia, que meu querido amigo, o embaixador José Oswaldo de Meira Penna, do alto de sua sabedoria de noventa e cinco anos de vida, de incontáveis horas de estudos e de muitas viagens ao redor do mundo, sempre corajoso, cáustico e exsudando o delicioso perfume da cultura e do bom humor em tudo o que faz, denominou certa vez de burritzia. Claro, podemos também chamar de estultitzia...
 
Recomendo também a todos a leitura do espetacular livro Os intelectuais, de Paul Johnson, em que ele desmistifica e desmascara esses membros da chamada intelligentzia alimentados a pão de ló pela mídia e sempre com amplos espaços nos cadernos ditos "culturais" dos jornais.
 
Uma característica que salta aos olhos quando ouvimos ou lemos esses pseudo-intelectuais é o uso abusivo de ataques pessoais, que a boa lógica denomina de argumentum ad hominem, em que se ataca a pessoa que apresentou o argumento e não o argumento em si. Nesse tipo de falácia os argumentos são postos de lado e ataca-se o caráter, o sexo, a visão de mundo, a nacionalidade, a raça ou a religião da pessoa de quem se está falando ou com quem se está debatendo.

Pode também se dar por uma sugestão de que a outra pessoa, por defender algum argumento, faz isso sempre movida pelo interesse, ou que ela tem seu nome associado a empresas, grupos ou associações. Um argumentum ad hominem, mesmo não tendo fundamentos lógicos, quando bem manipulado pode se transformar em perigosa arma de retórica.
 
Trata-se, evidentemente, de uma falácia, pois conclui sobre o valor da proposição sem examinar seu conteúdo, o que é absurdo. O argumentum ad hominem é um logro que tenta mostrar a irrelevância do que o lado oposto afirma, já que ataca uma proposição utilizando-se apenas da introdução de um elemento não relevante, que não passa de um juízo sobre o autor da proposição ou sobre uma terceira pessoa. Usa a armadilha de desviar o âmago da discussão para um fato ou componente externo, a saber, os ataques pessoais ao outro debatedor.
 
Porém, mesmo sendo falacioso, possui uma estrutura lógica: o oponente Z formula a alternativa A; o falacioso encontra algo de negativo em Z; portanto, a alternativa sugerida por Z é falsa. Argumentos ad hominem funcionam através do efeito halo, um viés cognitivo em que a percepção de um certo traço característico é influenciado pela percepção de uma característica relacionada a esse fato: por exemplo, considerar louras mais inteligentes do que morenas e sugerir com a maior cara de pau que, portanto, Mirella, que é loura, é mais inteligente que Concetta, que é morena.

Isso ocorre porque as pessoas têm a tendência de julgar as demais como sendo ou inteiramente boas ou inteiramente más, muito inteligentes ou um poço de estultice. Vejam a maldade da “coisa”: se João conseguir atribuir uma característica reprovável para seu adversário Luís, os outros tenderão a duvidar dos argumentos de Luís, mesmo que sua característica reprovável seja absolutamente irrelevante para a discussão, por exemplo, se Luís for careca.
 
Meu amigo Olavo de Carvalho, uma das pessoas mais inteligentes que conheço, mostrou que a falácia ad hominem não tem só apelo retórico, mas também certo valor lógico e exemplifica isso com a proposição de Marx de que só o proletariado teria uma visão objetiva da história.
Ora, tomando isso ao pé da letra, então um argumento ad hominem efetivamente torna a visão marxista absolutamente incoerente, pois, se Marx nunca foi um proletário, sua própria visão da história não poderia jamais ser objetiva...
 
Existem vários tipos de falácias ad hominem, ligeiramente diferentes entre si, dos quais podemos destacar quatro:
 
(a) abusiva. É um dos estratagemas falaciosos mais comuns da intelligentzia e consiste em, ao invés de rebater um argumento ou uma afirmativa, atacar-se a pessoa que o apresentou. Exemplo: "você é um admirador do ministro Joaquim Barbosa apenas porque isso agora virou moda".
 
(b) tu quoque (apelo à hipocrisia). Neste caso, ataca-se o contendor afirmando que ele não pratica o que diz. Geralmente o falacioso insinua algo do tipo "faça o que eu digo, mas não o que eu faço". Exemplo: "Os professores Iorio, Mueller e Barbieri vivem a criticar o Estado, mas são docentes de universidades públicas; que hipócritas!" (eles adoram essa palavra).
 
(c) circunstancial. Ao invés de rebater um argumento, atacam-se as circunstâncias em que o opositor o fez, ou as suas circunstâncias pessoais. Exemplo: "Não podemos levar a sério as declarações de Pafúncio, porque ele é patrocinado pelos grandes empresários" ou "É claro que você é contra o salário mínimo, porque é rico".
 
(d) culpado por associação. Agora a crítica não é dirigida diretamente ao adversário, mas a uma terceira pessoa de imagem negativa, que é então relacionada ao adversário. Por exemplo: "Você defende ideias que Maluf também defende; logo, o que você defende está errado".
 
Convido você agora a pensar, à luz do que escrevi sobre as falácias ad hominem, nos argumentos que nossa intelligentzia esquerdista apresenta em seus ataques contra os defensores da economia de mercado. Não parece que você está vendo, neste exato momento, esses estatistas falando na TV, entrevistados geralmente por jornalistas que também cometem os mesmos erros das mentiras ad hominem? Ou que você está lendo a matéria principal do caderno cultural de um grande jornal? Ou na plateia de um debate no auditório de uma universidade?
 
Rebater e desmoralizar qualquer tipo de falácia ad hominem é simples, embora exija rapidez de raciocínio: basta mostrar, sempre com base em argumentos lógicos, que o caráter do outro debatedor não tem qualquer relação com a afirmativa que ele defende.
Por exemplo, chamar alguém de corrupto, tucano, petista, keynesiano, nazista, comunista, gay, machista, ateu, ladrão, pedófilo, homofóbico, “mensaleiro”, direitista, etc. não prova que todas as suas ideias estejam erradas.
E também provar para o contendor falacioso que o caráter, as práticas e as circunstâncias estão para a verdade ou falsidade da sua proposição assim como um acorde de mi bemol com sétima e nona está para a teoria monetária da Escola Austríaca. Ou seja, que o primeiro nada tem a ver com a segunda.
 
Essa matéria da Carta é um verdadeiro amontoado de falácias, como a de que os defensores do livre mercado desejam a privatização de sua existência. Prova incontestável da burritzia da intelligentzia.

10 de dezembro de 2012
Ubiratan Iorio

VÁCLAV KLAUS: FIM DA DEMOCRACIA NA UNIÃO EUROPÉIA PREPARA NOVA URSS

    
          Internacional - Europa 
A tendência em aprofundar a União Europeia (UE), estendendo seus poderes com o pretexto de sair da crise em que ela se afunda, caracteriza a “fase final” da destruição da democracia e dos estados nacionais, alertou o presidente da República Checa, país membro da UE.

Numa entrevista concedida ao diário britânico
“The Sunday Telegraph”, Václav Klaus alertou contra os políticos de “dupla face”, entre os quais apontou muitos “conservadores” que estão abrindo as portas para um super-Estado europeu. Eles estão defraudando a confiança que os eleitores depositaram neles, sublinhou.

“Precisamos pensar como restaurar nossos estados e nossa soberania” – acrescentou. “E isso é impossível numa federação. A UE deveria se mover na direção oposta”, disse.
No sentido reprovado pelo presidente checo, manifestou-se o ministro de relações exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle. Ele propôs que a UE passe a ser dirigida por um presidente que “nomearia pessoalmente os membros de um governo europeu”.

Westerwelle também pediu a abolição do poder de veto ainda reconhecido aos países membros da União, a fim de “evitar que um simples membro seja capaz de obstruir qualquer iniciativa” do super- governo com o qual ele sonha.
O presidente checo reprovou como ameaçadores os propósitos de José Manuel Barroso – presidente da Comissão Europeia, o “Soviete Supremo” da Europa Unida – formulados em 12 de setembro diante do Parlamento Europeu, propondo uma “federação” todo-poderosa operativa em 2014.
“Essa foi a primeira vez em que as verdadeiras ambições dos protagonistas do aprofundamento da integração europeia foram confessadas”, disse. “Até agora, pessoas como Barroso alimentavam essas ambições em segredo, longe da opinião pública europeia. Temo que Barroso pressente que chegou o momento de anunciar um objetivo absolutamente errado. Eles acham que promovem a ideia de Europa, mas na minha opinião eles a estão destruindo”.
O presidente Klaus, 71, foi um dos líderes do movimento que derrubou o comunismo em seu país. Agora denuncia a UE, porque nela os países “vão se tornando uma província inexpressiva”.

Ele reconhece encontrar-se isolado pelos políticos e chefes de Estado.

Entretanto, destaca que sua experiência contra o comunismo lhe ensinou que os políticos não são o mais importante, mas sim os movimentos profundos que se desenvolvem no seio do povo.
“É uma ironia da História. Nunca teria imaginado em 1989, que hoje estaria fazendo isto: pregar os valores da democracia”.
Compreende-se por que muitos cidadãos europeus estejam fazendo deles o slogan “União Europeia = União Soviética”.
 
10 de dezembro de 2012
Luis Dufaur é escritor e edita o blog Flagelo Russo.

MARIA DO ROSÁRIO: "VOU ME EMPENHAR PARA CRIMINALIZAR A HOMOFOBIA"


          Artigos - Governo do PT 
Ministra autora da infame lei anti-palmada pressiona autoridades policiais que não colaram a etiqueta de “motivação homofóbica” em assassinato de ativista gay.


Maria do Rosário, ministra da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, quer, conforme declaração na semana passada, a classificação de “motivação homofóbica” na morte do ativista gay Lucas Cardoso Fortuna, de 28 anos, cujo corpo foi encontrado na Praia de Gaibu, em Recife.


O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa concluiu o caso como latrocínio e roubo seguido de morte. Mas a ministra ficou insatisfeita com o resultado da investigação. Ela acredita que a morte do ativista tenha sido causada por motivação “homofóbica.”

Em entrevista ao jornal O Globo, Maria do Rosário afirmou que o crime só pode indicar a existência de “motivação passional e de ódio homofóbico,” por ter sido cometido com requintes de crueldade.

A ministra, cujo empenho na sua Lei Anti-Palmada é notório, pode estar reivindicando umas palmadas na polícia se os agentes policiais não seguirem a obsessão governamental de tachar todo assassinato de homossexual como “crime homofóbico” até que se prove o contrário.

Paixão gay e canibalismo

Mas se o crime foi de motivação passional, como pode ter sido praticado por alguém que odiava gays? Rosário está sem querer sugerindo que ódio “homofóbico” é um gay ser tão possuído por paixão que mata o parceiro?

Meses atrás, o mundo conheceu o caso nefasto de um jovem ator pornô gay do Canadá cuja paixão envolveu canibalizar seu parceiro. Por paixão e ódio “homofóbico” (que parece apropriadamente significar ódio pela mesma espécie sexual), o ator matou e comeu o parceiro. Gay matando gay. Paixão gay levando a ódio contra gays.

Semana passada, na Alemanha um homossexual de 44 anos foi condenado por ter, num surto sadomasoquista gay, cozinhado a cabeça de seu amante. Ele foi condenado, em Berlim, a apenas 3 anos de prisão pelo assassinato.

Se o crime tivesse acontecido no Brasil, a ministra birrenta exigiria a etiqueta de “motivação homofóbico” no crime e o usaria como desculpa para exigir leis mais draconianas contra a violência da população “homofóbica” contra inocentes criaturas que praticam sadomasoquismo homossexual.

O fascinante é que qualquer ser humano não homossexual que cozinhasse a cabeça de um gay seria sumariamente condenado à pena máxima de prisão por “homofobia” e assassinato com requintes de crueldade.

Como esperar, porém, justiça à vítima homossexual quando o próprio assassino canibal é homossexual? Berlim é a cidade onde reina um prefeito gay. Se o canibal alemão não fosse gay, o próprio prefeito certamente exigiria pena máxima ao monstro. Mas, como sempre, concessões especiais devem ser concedidas aos companheiros de sexo.

O nome do canibal e de sua vítima não apareceram nas manchetes internacionais, por gentileza da mídia ao movimento gay, que não quer manchar a reputação da homossexualidade com a sujeira e crimes de seus praticantes.

Impunidade para o pedófilo gay

Os privilégios não param aí, e ninguém consegue detê-los. José Tavares Neto, professor da Universidade Federal da Bahia, se recusou a dar aulas para Diogo Nogueira Moreira Lima, que exige estudar medicina. Diogo, que é homossexual, foi preso em flagrante em 2009 abusando de três meninos com as idades entre 8 e 11 anos. De acordo com a polícia, 12 meninos já foram vítimas de suas taras homossexuais.

Mas depois de três anos, os advogados dele conseguiram não somente sua libertação, mas também sua reintegração à universidade. A desculpa legal é que “a educação é um direito de todos.” O sonho do tarado gay é ser pediatra.

Para o professor Tavares Neto, por falta de mobilização do governo e da sociedade em favor das vítimas, o pedófilo homossexual se saiu bem nos tribunais. O professor desabafou: “Ele abusou de meninos pobres de Camaçari, mas se fossem 12 bem nascidos de Salvador, a situação seria bem diferente.”

Ele também disse: “Como uma pessoa dessa pode ter acesso ao cuidado com outras, levando-se em conta que a reincidência em pedofilia é alta? Daqui a alguns anos, ele poderá clinicar num lugar onde ninguém sabe ou se lembra do caso.”

A ministra birrenta, que está obcecada pela ideia de castigar os pais e mães do Brasil que disciplinam os filhos, não levantou um dedo para pressionar as autoridades para colocarem o monstro pedófilo gay atrás das grades por pelo menos duzentos anos.
E se tocasse no assunto, poderia talvez exigir que os investigadores colocassem a etiqueta de “motivação homofóbica” nos abusos homossexuais que os meninos da Bahia sofreram, transformando tudo em pedofilia “homofóbica.”

Nesse caso infeliz, envolvendo meninos pobres estuprados, a ministra jamais disse: “Vou me empenhar para criminalizar a homossexualidade pedofílica predatória.”

Pelo contrário, usando o caso do ativista gay assassinado em Pernambuco, ela disse: “Vou me empenhar para criminalizar a homofobia.” Mas como é que a birrenta quer a etiqueta de “motivação homofóbica” em crimes contra homossexuais quando ela reconhece a possibilidade de paixão?

Ela disse: “As autoridades competentes pela investigação se pronunciaram no sentido de desconstituir a existência de ato homofóbico. Não descartamos que possa ter havido o latrocínio, mas a brutalidade do assassinato indica o componente de passionalidade e de ódio homofóbico. Se não assumirmos isso no Brasil, que temos uma grave situação de crimes contra homossexuais, não há como punir atitudes desta natureza.”

Sendo assim, a primeira hipótese em investigação de assassinatos de homossexuais deveria ser os parceiros. Mas a ministra anti-palmada não aceita culpa em gays.

Contudo, querendo ou não, as palavras dela levam à seguinte lógica: gays sentem paixão por gays e os matam.

Se todos os crimes passionais gays forem investigados e tratados sem irracionalidade e sem impunidade — o que é impossível no Brasil —, as cadeias vão ficar lotadas de gays.

Mas, para Rosário, toda investigação policial deve focar em qualquer ser humano não gay que teve algum contato com a vítima, nunca nos apaixonados envolvidos.

Uma criança birrenta, que não recebe limites por meio de castigo físico, acaba sendo irracional em seus pedidos e exigências. Vira um adulto birrento, exigente, desenfreado e sem juízo. Qualquer semelhança entre a criança birrenta e a ministra anti-palmada dificilmente é coincidência.

PLC 122: acordo da ministra birrenta com evangélicos

A atitude mais birrenta da ministra foi sua declaração na semana passada de lutar mais ainda pela aprovação do PLC 122 — projeto de lei que torna crime em todo o Brasil qualquer ato e opinião contra as práticas homossexuais e até mesmo contra o supremacismo gay.

Graças à oposição da população cristã, o PLC 122 tem sido um peixe morto cheirando mal no Congresso Nacional. Mas a ministra birrenta promete mudar o quadro. Ela disse: “Vou fazer um acordo com os evangélicos.”

Evidentemente, ela não se refere a mim nem a outros evangélicos. Provavelmente, ela se refere a homens e mulheres dentro da bancada evangélica que já tiveram a atitude vergonhosa de entrar em acordo com ela sobre a Lei Anti-Palmada em dezembro de 2011.

Agora, em sua birra, ela vai colocar seu brinquedo, a Secretaria de Direitos Humanos, para pressionar as autoridades a cobrar explicações dos investigadores em Pernambuco. Eles serão pressionados até dizerem exatamente o que a birrenta quer ouvir.

Moral federal pró-supremacismo gay: se as autoridades policiais não colarem rapidamente a etiqueta de “motivação homofóbica” nos assassinatos de homossexuais, vão levar puxão de orelha, beliscões, palmadas, vassouradas e o que mais vier à mão da ministra birrenta e de sua poderosa Secretaria de Direitos Humanos que está diretamente ligada à presidenta Dilma Rousseff.

No país da impunidade, gays merecem isenção

Num país como o Brasil em que 90% por cento dos 50 mil assassinatos por ano ficam impunes, e onde até o abuso homossexual de meninos de 8 anos fica impune, será crime pior deixar o número insignificante de homossexuais mortos por motivação passional sem o rótulo de “ódio homofóbico.”
Será crime deixá-los sofrer o mesmo descaso que todo cidadão brasileiro sofre de um governo que pouco faz pela segurança de sua população, mas muito faz pela depravação homossexual.

10 de dezembro de 2012
Julio Severo  

Com informações do site homossexual A Capa, Notícias Terra e Yahoo Notícias.

PROCURA-SE MÉDICO ENGAJADO!

    
          Artigos - Educação 
Será simples assim (muitas vezes o é!): se concordar com os autores da prova e com Fritjof Capra, o candidato receberá uma boa nota. Caso contrário, aprenderá que não basta dominar a escrita em língua portuguesa para entrar na Uncisal.

No último domingo (dia 9/12), mais de três mil pessoas fizeram a primeira prova do vestibular da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal). Deveriam responder questões de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Língua Estrangeira e escrever a Redação (disponível em: http://www.copeve.ufal.br/sistema/anexos/Vestibular%20UNCISAL%20-%202013/Prova%20-%20Primeiro%20dia%20-%20tipo%201.pdf).


No ano passado, o vestibular da Uncisal pediu aos candidatos que tomassem como argumento principal da redação a frase: “Com efeito, a lógica consumista faz da disposição de consumir coisas uma necessidade vital”. Fiquei ressabiado: será que, neste ano, a universidade incorreu em nova tentativa mal disfarçada de avaliar conhecimento segundo critérios político-ideológicos?

O modelo da prova de redação foi divulgado nesta segunda-feira (10/12). Minha suspeita se confirmou. O tema deste ano foi: "O grande desafio do século XXI é a mudança do sistema de valores que está por trás da economia global de modo a torná-lo compatível com as exigências da dignidade humana e da sustentabilidade ecológica". A frase é do profeta ecologista (e físico!) Fritjof Capra, que a escreveu em “As Conexões Ocultas – Ciência para uma vida sustentável”.

Eis que, entre os “elementos expressivos” destinados a subsidiar a elaboração do texto pelo candidato do vestibular, surge um trecho do mesmo livro (que, curiosamente, não é citado dessa vez), em que Capra iguala capitalismo a ganhar dinheiro e a consumo material.
 Descobri que, na mesma obra, o ecologista-físico convoca a humanidade a realizar as “grandes revoluções” para superar o “capitalismo global”, que, entre outras coisas, nos teria legado o abominável “livre fluxo de bens e de capital”.

A prova de redação trazia mais dois “elementos expressivos”:
1) a frase “olham para o lixo como fonte de renda e, ao mesmo tempo, como o local de onde vem seu alimento diário” (em tom denunciador, de revolta, agradável à militância); e o poema O Bicho, de Manuel Bandeira (idem).
A prova sugeria ao candidato, então, que, em uma “análise crítica” (como convém!), atacasse a desumana sociedade capitalista contemporânea e, num assomo de engajamento militante, defende ações de superação e de transformação do sistema de valores em que aquela se assenta.
A conclusão inevitável: apenas o ecologismo sustentável é compatível com a dignidade humana.

Será simples assim (muitas vezes o é!): se concordar com os autores da prova e com Fritjof Capra, o candidato receberá uma boa nota. Caso contrário, aprenderá que não basta dominar a escrita em língua portuguesa para entrar na Uncisal.
A militância anticapitalista é requisito obrigatório para a instituição que apareceu nas últimas posições em rankings oficiais e não oficiais recentes (link para: http://gazetaweb.globo.com/noticia.php?c=159851 e http://tnh1.ne10.uol.com.br/noticia/maceio/2012/09/03/204943/uneal-e-uncisal-entre-as-piores-universidades-do-pais-ufal-ficou-em-36).

Agora, comprovado o viés político-ideológico do tema da redação do vestibular da Uncisal, quem se habilita a pedir a anulação da prova?
 
10 de dezembro de 2012
André de Holanda é sociólogo pela UnB.

BARBOSA SUSPENDE A SESSÃO NO 4 A 4.

Na quarta, Celso de Mello dará o 5º voto em favor da cassação dos mandatos pelo Supremo

Quando o ministro Marco Aurélio acerta, marca golaços. Dá um belíssimo voto, meticulosamente fundamentado, demonstrando por que os respectivos mandatos dos três deputados mensaleiros estão cassados e não dependem de deliberação da Câmara. Depois comento detalhes.
 
Não entendi por quê, Joaquim Barbosa, presidente do STF, encerrou a sessão, deixando para quarta-feira o voto de Celso de Mello, o decano, que já evidenciou que acompanhará o relator – ou seja, o próprio Joaquim.
 
Assim, já se tem a maioria de 5 a 4: os mandatos estão cassados pelo Supremo. Na quarta, Celso de Mello dará o quinto voto.
 
Só para lembrar: acham que a decisão cabe à Câmara os ministros Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Dias Toffoli e Carmen Lúcia.
 
Afirmam que é tarefa do Supremo decidir os ministros Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello.
 
Na quarta-feira, Celso de Mello se junta formalmente a esse segundo grupo.

10 de dezembro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

DILMA E LULA, "O GUERREIRO", ALMOÇAM JUNTOS EM HOTEL EM PARIS


A presidente Dilma Rousseff almoçou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu primeira dia de visita oficial à França.
O encontro foi no hotel em que a presidente está hospedada, em Paris.

Lula entrou e saiu do local por uma entrada lateral, sem falar com a imprensa. Nem a assessoria da Presidência da República nem a de Lula deram detalhes do que os dois conversaram. Presente na comitiva, o ministro Aloizio Mercadante (Educação), disse que tem falado sempre com o ex-presidente.

Lula tem evitado falar com a imprensa desde que a Operação Porto Seguro da Polícia Federal teve como alvo Rosemary Noronha, ex-chefe do escritório da Presidência em São Paulo, que é ligada ao ex-presidente.
Em evento em Berlim, na sexta-feira, Lula disse apenas que não ficou surpreso com a operação. Questionado sobre o estado de espírito do ex-presidente, Mercadante afirmou apenas que Lula “é um guerreiro”.
 
Dilma

Dilma passou o dia no hotel, sem compromissos públicos. Na terça e quarta-feira, ela se encontrará com o presidente da França, François Hollande, além de parlamentares e empresários franceses.
A viagem, que tem status de visita de Estado, inclui ainda desfile da presidente pela avenida des Champs-Élysées. Com Lula e Hollande, Dilma participará de seminário sobre crescimento econômico organizado pelo Instituto Lula e pela Fondation Jean-Jaurès, ligada ao Partido Socialista francês.

(Por Rodrigo Vizeu, na Folha Online)

(…)
10 de dezembro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

MINISTRO DA DEFESA DOS "POVOS INDÍGENAS"

 
 
 
Ministro Celso Amorim, por favor, esclareça? Nada contra os índios, muito pelo contrário, mas aquela ratificação irresponsável de vossa excelência na ONU, favorável à Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, aqui entre nós, comprometeu seriamente a defesa e a soberania nacionais. A Advocacia Geral da União (AGU) está tão desnorteada, pressionada, verdadeiramente constrangida a ponto de publicar ato suspendendo os efeitos da portaria 303/2012, que orienta o trabalho de seus advogados e procuradores em processos envolvendo terras indígenas. A partir desta suspensão, absolutamente refém das pressões das ONGs (a serviço dos grandes predadores militares interessados na “kozovonização” das reservas) e da FUNAI, o governo federal deve realizar audiências públicas com populações indígenas para consultá-las a respeito das novas regras.
 
E a soberania nacional “presidenta”? A Organização Internacional do Trabalho (OIT), a OEA, a ONU, todo mundo agora “dá pitaco“ no seu País, justo nas áreas, se não pertinentes, profundamente afins com a pasta da defesa sem que o mandatário do dito ministério diga nada, simplesmente deixando de assessorar como devia a Comandante em Chefe das Forças Armadas. Seria nosso guardião da defesa nacional um agente infiltrado de índios sem pátria? Será que o preclaro juízo de sua excelência não percebe que a soberania brasileira tem que se sobrepor a qualquer tratado ou organismo internacional, que venha a interferir na administração de terras brasileiras?
 
A portaria prevê que o governo pode intervir nessas áreas sem a necessidade de consultas às comunidades envolvidas ou à Fundação Nacional do Índio (FUNAI). Que se entenda, este monitoramento subentende: instalar unidades ou postos militares, construir estradas ou ferrovias, explorar alternativas energéticas (leia-se hidrelétricas, termelétricas, usinas nucleares, entre outros) ou resguardar “riquezas de cunho estratégico” para o país, minerais ou vegetais por exemplo. Nada mais justo, afinal estes recursos pertencem a todos nós, à nação brasileira que sempre foi constituída por brancos, negros, índios e mestiços, não constando que seus invejáveis e cobiçados tesouros já tenham sido submetidos ao “sistema de cotas”.
 
Em assim sendo, o ato de vacância da lei, suspendendo a vigência da portaria até que sejam ouvidos os “povos indígenas”, só vem a encorajar os atos de violência praticados pelo gentio, já acostumado a ganhar sempre na justiça, mesmo ao arrepio da lei, quando promove a agressão física, a ocupação de instalações, os seqüestros, o incêndio de postos policiais e a matança de gado em propriedades particulares. Que pensemos bem: no dia que o governo tiver que consultar os índios para exercer sua autoridade em reservas, algumas descomunais, de forma a beneficiar a todos os brasileiros, terá se admitido a perda da autonomia da república e, conseqüentemente, terá ido para espaço a soberania da Pátria.
 
Interessante é que estes riscos estão a tomar forma, a acelerar, a ganhar força desenfreada justamente na “era petista”. Dona Dilma, “olho vivo pé ligeiro”! De que adiantarão os “bolsa família”, os ‘minha casa minha vida”, enfim, o “PAC”, em uma nação que está a implodir sua integridade territorial? Nunca se corroborou tanto com os desígnios do “imperialismo”: dividir para enfraquecer, despertar para o separatismo, a secessão, sub-empregar as Forças Armadas em ações policialescas. Chama atenção a permanência no estado-maior da chefe da nação a figura, no mínimo excêntrica, do Senhor Celso Amorim, eminência parda no Ministério das Relações Exteriores do governo de Luís Inácio, corpo estranho na pasta da defesa da atual presidenta, verdadeira antítese do que representou para o País o Barão do Rio Branco, um singular estranho no ninho da defesa nacional.
 
Mas, o que fazer? Hoje estão todos mais preocupados com os puxões de orelha e os desaforos dos cartolas da FIFA do que propriamente com os problemas que podem colocar em cheque o próprio futuro da nacionalidade. Portanto, que se clame por um alerta: cidadão, estudante, civis e militares, trabalhadores do Brasil, ou cobramos, agora, com vontade, das nossas autoridades e políticos, ou vamos amargar para sempre o descompromisso que evidenciamos, já há bastante tempo, com o nosso destino.

10 de dezembro de 2012
 Paulo"Ricardo da Rocha Paiva é Coronel de Infantaria e Estado-Maior.
PUBLICADO NO "A CRÍTICA DE CAMPO GRANDE/MS" (03 de Dezembro de 2012)