"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 13 de abril de 2013

O DIREITO DE SER INCOERENTE COM O EVANGELHO

    
          Artigos - Movimento Revolucionário 
Ariovaldo Ramos nunca apareceu publicamente para protestar e discordar da sistemática doutrinação pró-aborto, pró-homossexualismo e pró-marxismo das crianças nas escolas.

Em artigo recente na revista Ultimato, Ariovaldo Ramos declarou, “Fui advertido de que nesse momento, que estamos vivendo na Igreja evangélica brasileira, discordar do Presidente do CDHM, em exercício, é concordar com o movimento GLBTS, e vice versa. Discordo!”

Em seguida, ele levanta uma longa lista de discordâncias com Marco Feliciano, o pastor da Assembleia de Deus que está sofrendo implacável oposição das esquerdas por assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos (CDH).

Essa é a segunda manifestação pública de Ariovaldo. A primeira foi numa recente carta pública, também publicada na revista Ultimato, onde Ariovaldo assinou seu nome num documento de discordância contra Feliciano na CDH. Entre os outros assinantes estava André Sidnei Musskopf, professor luterano na Escola Superior de Teologia e conhecido defensor da agenda gay.
Estava também Antonio Carlos Costa, pastor presbiteriano fundador da organização desarmamentista esquerdista Rio de Paz, e dezenas de outros pastores, especialmente presbiterianos e luteranos.

Pelo currículo de Ariovaldo, alguns seriam tentados a aceitar a longa lista dele contra Feliciano. Afinal, como afilhado espiritual de Caio Fábio, ele foi presidente da extinta Associação Evangélica Brasileira (AEVB), assumindo logo depois de seu pai espiritual.

Hoje, ele perece ser o representante máximo da Aliança Evangélica (AE), uma entidade que se diz representar todos os evangélicos do Brasil. A AE foi fundada no colo da Ultimato, a revista que elogia Ariovaldo como sendo um “conferencista sobre a missão da igreja.”

Qual é a visão dele sobre a missão da igreja? Em fevereiro passado, em importante reunião num templo presbiteriano da IPB em Brasília, Ariovaldo, como representante da AE, e Gilberto Carvalho, como representante do governo do PT, estiveram juntos para iniciar um parceria.

Os pastores que presenciaram esse sacrilégio não tiveram a mesma ousadia de Ariovaldo que não se cansa de dizer sobre Feliciano: Eu discordo! Ninguém ali manifestou discordância com o sacrilégio.

Há muitos pastores, especialmente reformados (a mesma linha teológica de Ariovaldo), que caminham com ele tranquilamente em conferências e outros importantes eventos evangélicos sem nunca dizerem para ele: “Eu discordo! Discordo do que você tem feito contra a Igreja Brasileira!”

A missão da Igreja não é fazer parceria com o governo do PT. A missão da Igreja é usar sua voz profética contra as mentiras e cultura da morte promovidas pelo governo do PT.

Semanas atrás, depois que foi anunciada formalmente a morte do ditador comunista Hugo Chavez, Ariovaldo chorou e lamentou publicamente, dizendo: “o melhor que se pode dizer de alguém é que, porque ele passou por aqui, o mundo ficou melhor! Isso se pode dizer de Hugo Chávez!”

Isso é coerência com o Evangelho? Ou por acaso a missão da igreja é chorar e elogiar ditadores? A missão dos 12 primeiros apóstolos foi chorar e elogiar Herodes, Pilatos e outros?
Eu discordo da missão que Ariovaldo Ramos quer impor na Igreja Brasileira!

Durante anos, a Comissão de Direitos Humanos foi dominada pelo PT e outros partidos socialistas, aprovando centenas de milhões de reais para a promoção do ativismo gay, especialmente nas escolas. Ariovaldo nunca apareceu publicamente para protestar e discordar desse imenso desperdício de dinheiro.
Ele nunca apareceu publicamente para protestar e discordar da sistemática doutrinação pró-aborto, pró-homossexualismo e pró-marxismo das crianças nas escolas.

Mas com Feliciano na CDH, que nesta semana obteve a vitória de aprovar a construção de um hospital na Bahia para ajudar milhares de famílias afetadas por contaminação de chumbo, Ariovaldo faz contra Feliciano o que nunca fez com nenhum presidente petista da CDH.

Eu discordo de Feliciano, mas sem ser incoerente com o Evangelho. Eu discordo dele por ter apoiado Dilma Rousseff e o governo do PT. Eu discordo dele por ter durante anos apoiado o mesmo socialismo que hoje o está perseguindo e promovendo o aborto e o homossexualismo, o mesmo socialismo que é a alma e o coração da “missão da igreja” proclamada por Ariovaldo.

Eu discordo da coerência que Ariovaldo tem com o socialismo. Em 2010, quando a eleição de Dilma Rousseff esteve ameaçada por uma onda vinda do povo se opondo ao aborto e ao homossexualismo, Ariovaldo esbravejou, juntamente com outros líderes protestantes, num documento público:
“Manifestamos as nossas rejeições diante da onda de conservadorismo que se abateu sobre o país nesse processo eleitoral.”
Com essa visão, ele discordará eternamente de qualquer conservador.

Qualquer um que manifestar tal conservadorismo (rejeição ao aborto e ao homossexualismo) sofrerá a rejeição de Ariovaldo e seus companheiros, inclusive André Sidnei Musskopf e Antonio Carlos Costa.
Se eu fosse nomeado presidente da CDH, a revista Ultimato não hesitaria em dar a Ariovaldo um espaço para “discordar” de mim. Afinal, essa é a “missão” dele: discordar dos que não seguem sua missão socialista.

De forma inversa e perversa, se você for um líder evangélico que avança essa “missão,” ele bajulará você como um “profeta.” Pelo menos, essa foi a bajulação que Robinson Cavalcanti ganhou dele num artigo publicado no tabloide sensacionalista Genizah.

Como todo socialista moderno, Ariovaldo tem sua vida muito bem amparada com ligações com entidades americanas. Ele é presidente da Visão Mundial no Brasil, a filial brasileira da Visão Mundial nos EUA.
Muito bem munido financeiramente, ele não discorda dos que seguem sua “missão da igreja.”
Mas sempre o veremos discordar dos que não seguem essa “missão.”

Tenho um conselho para ele: Mude-se para a Venezuela (não se esqueça, por favor, de levar seus companheiros!), alugue uma casa ao lado do túmulo do seu querido Hugo Chavez e pare de se preocupar com a missão de Feliciano na CDH. Seja o que for que ele fizer, não será pior do que o que os petistas já fizeram ali.
E definitivamente não será pior do que o que Ariovaldo Ramos já fez à Igreja Brasileira.

13 de abril de 2013
Julio Severo

Publicado no site Gospel Prime.

COLO DE MÃE É MELHOR

    
          Artigos - Governo do PT 
O sistema escolar brasileiro está falido. É uma máquina de produção de analfabetos funcionais, onde é mais frequente deseducar-se que aprender.

Uma boa definição de loucura é repetir a mesma ação esperando resultados diferentes. Esta é, todavia, a especialidade de nossos governantes.

O ensino brasileiro estava muito ruim. Aumentaram o ano letivo, passando de 180 para 200 dias. Ficou péssimo. A nova solução, como sempre, é mais do mesmo!

As crianças agora serão arrancadas por lei dos braços da mãe na tenra idade de 4 aninhos, para serem jogadas nos depósitos de crianças que hoje passam por escolas, onde aprenderão a escrever errado, inserir receita de miojo na prova e mesmo assim passar de ano até se ver em uma faculdade, ainda analfabetas funcionais.

Diz-se que o Estado finge que paga, o professor finge que leciona e os alunos fingem que aprendem. Já é péssimo que isso seja, em grande medida, verdade. Há professores heroicos, que fazem do magistério um sacerdócio. Mas não são nem poderiam ser a maioria, e raros são os que mantêm o entusiasmo, ano após ano, perdendo a saúde, sem remuneração condigna, sujeitos a alunos cada vez menos educados, logo menos capazes de aprender... ou de se comportar em sala.

E a solução proposta para os alunos que não passam de ano é que sejam passados – pois outra coisa não é a tal “progressão continuada” senão uma obrigação de aprovar o analfabeto e empurrá-lo para a série seguinte, em que evidentemente aprenderá ainda menos por não ter aprendido o que deveria ter vindo antes, a base para a próxima matéria.

O sistema escolar brasileiro está falido. É uma máquina de produção de analfabetos funcionais, onde é mais frequente deseducar-se que aprender – aliás, o Bonde das Maravilhas, último horror do funk carioca, surgiu numa escola...

E essa triste palhaçada agora há de começar aos 4 anos de idade!
Quando meus filhos eram pequenos, algumas vezes perguntaram à mulher da minha vida em que creche eles estariam. A resposta era sempre a mesma: “Creche?! Eles têm Mãe!” Dava até para ouvir o “M” maiúsculo.
A indignação dela é compreensível: a educação da criança compete primordialmente à mãe e ao pai.

Em alguns casos – como quando a mãe se vê forçada a trabalhar fora ainda na primeira infância dos filhos –, é necessário que uma criança seja posta em uma “escolinha” antes de aprender a ler, mas é sempre um sacrifício. Melhor seria se estivesse com a mãe, e o ideal seria que estivesse com a mãe e o pai.

Mais valeria fechar o MEC e oferecer bolsas para os mais pobres em escolas particulares. Em vez disso, vão é arrancar as criancinhas de 4 anos do colo da mãe. Loucura.

13 de abril de 2013

Publicado no jornal Gazeta do Povo.
Carlos Ramalhete é professor.

A FLAUTA NÃO TOCOU PARA JUAN MANUEL

       
          Notícias Faltantes - Foro de São Paulo 
A marcha do dia 9 confirmou o fato de que os grupelhos que fazem o jogo das FARC, a Marcha Patriótica e o PCC, entre outros, e as próprias FARC, fazem parte da unidade nacional de Santos? Parece-me que as coisas vão nessa direção. Tudo isto teria sido a confirmação pública, e nos fatos, de um protocolo secreto.
A flauta não tocou para Juan Manuel Santos. Há uma defasagem evidente entre a manifestação do dia 9 de abril “pela paz” em Bogotá e as “marchas” nas outras cidades. A de Bogotá foi grande, sem dúvida, embora não muito, nem como o presidente Santos e os outros organizadores esperavam. As das outras cidades foram inexistentes, em algumas cidades, ou esqueléticas em outras [1].
 
A marcha de Bogotá encheu a duras penas a Praça de Bolívar [2]. Pode-se dizer que foi uma vazão rotineira, habitual. Como as manifestações convocadas em anos recentes pela esquerda e os sindicatos controlados, nos 1º de maio, por exemplo, ou no final dos processos eleitorais.
 
Desta vez havia um elemento novo, muito particular, que devia pesar muito sobre a opinião pública: o chamado do chefe do Executivo, e de funcionários como o Promotor Geral [3], para sair e se manifestar. O mesmo fizeram o polêmico prefeito de Bogotá, Gustavo Petro, um cardeal politiqueiro, Rubén Salazar Gómez, e os chefes das FARC. Nunca se tinha visto na Colômbia um ramalhete de convocadores tão heterogêneo.
 
Entretanto, não houve avalanche. E houve outra coisa raríssima: Santos ordenou que uma parte da Força Pública fosse utilizada como massa de manobra da manifestação em Bogotá. Isso não se via na Colômbia há décadas. Nem sequer a ditadura do general Gustavo Rojas Pinilla se atreveu a cometer semelhante abuso.
O uso da Força Pública em uma manifestação política é certamente um traço da tirania de Hugo Chávez.
 
Esse elemento é central, em minha opinião, no momento de fazer a análise do que aconteceu ontem na Colômbia. Esse fato afetará sem dúvida a trajetória política de JM Santos e afetará a credibilidade da presidência da República. Compromete sem dúvida seu afã re-eleicionista. O feito pelo chefe do Executivo nesse sentido é inusitado e abominável.
Essa decisão poderia mudar a definição que até agora os colombianos tinham do atual governo. A manifestação pró-FARC do dia 9 confirma que há mudanças na configuração das forças políticas sobre as quais repousa o governo de Juan Manuel Santos.
 
Ele foi eleito graças a um programa de restauração da autoridade do Estado que as maiorias respaldavam. Uma vez eleito, JM Santos traiu essa agenda e se rodeou das forças minoritárias que haviam perdido as eleições. A passeata do dia 9 foi um passo a mais nessa errática e anti-democrática direção.
 
A pergunta é: o ocorrido no dia 9 confirmou o fato de que os grupelhos que fazem o jogo das FARC, a Marcha Patriótica e o PCC, entre outros, e as próprias FARC, fazem parte da unidade nacional de Santos? Parece-me que as coisas vão nessa direção. Tudo isto teria sido a confirmação pública, e nos fatos, de um protocolo secreto. Isso é novo e muito grave. Que conseqüências tem essa revelação de Santos para essas formações extremistas? O que responderão ante isso o Partido Conservador e as facções liberais e verdes? O que isso pode anunciar a curto e médio prazo sobre o exercício do poder?
 
Outra pergunta: Santos não violou a lei e a Constituição ao fazer uma utilização política da Força Pública? O Artigo 219 da Constituição nacional diz: “A Força Pública não é deliberante”. Essa norma não foi violada ontem? “Qual é a sinceridade de um Governo que chama uma formação militar para participar em um desfile de civis, com o pretexto de que é uma homenagem às vítimas?
Quem foi indulgente, quem deu impunidade aos verdugos, não tem autoridade moral para convocar uma homenagem às vítimas”, declarou o ex-presidente Álvaro Uribe na rádio. “Que tristeza que 5 mil militares do Exército tenham que cumprir uma ordem presidencial de estar na marcha para apoiar as FARC”, sublinhou o pré-candidato presidencial, Oscar Iván Zuluaga.
 
Apesar da massiva propaganda oficial santista e dos aparatos farianos, os organizadores da marcha em Bogotá não mobilizaram tantas pessoas como queriam. Isso é evidente. Nisso eles fracassaram.
 
Eles queriam fazer algo idêntico ou superior às históricas manifestações contra as FARC do 4 de fevereiro de 2008 (entre 12 e 14 milhões de colombianos saíram às ruas em 45 cidades colombianas e em 125 cidades do estrangeiro). Entretanto, ontem o país deu as costas a esse cenário.
Os colombianos não saíram em massa às ruas, não disseram sim a Santos. Não assinaram o cheque em branco que lhes havia pedido.
 
E, sobretudo, rechaçaram o convite hipócrita das FARC. O povo colombiano mostrou assim, com esse magnífico gesto, quão inteligente pode ser em meio a uma crise e quão lúcido se mostra ante os espelhismos que as FARC estão improvisando nas carreiras para enganá-lo uma vez mais.
 
O fracasso das manifestações “de paz” é um triunfo da oposição, sobretudo do campo uribista, que soube explicar o que estava em jogo.
 
A manifestação de Bogotá foi construída com recursos financeiros e materiais das FARC? Segundo o secretário de Governo de Bogotá, chegaram à capital mais de mil ônibus e caminhões de carroceria aberta com manifestantes. Eles vinham sobretudo do sul do país. Quem pagou essa enorme operação? A Marcha Patriótica é muda a respeito. Depois, é legítimo supor que o dinheiro do narcotráfico das FARC foi mobilizado para o traslado dessas pessoas.
 
Apesar das palavras de ordem neutras e abstratas, como “pela paz”, “pelas vítimas”, as manifestações de ontem tiveram outro aspecto obscuro. Houve manifestantes encapuzados em Bogotá. Houve gente que gritava vivas a Chávez e a Maduro. Um estudante que portava uma camiseta com a frase “Não mais FARC” foi agredido por manifestantes.
Ao lado deles havia uma maioria sincera que estava no cortejo por razões diferentes. Uma parte deles assistia a uma manifestação em favor da paz. Outros o fizeram porque queriam respaldar as negociações em Cuba [4]. Outros porque queriam se manifestar em favor das vítimas do conflito.
 
Na realidade, a faixa mais minoritária, a extrema esquerda, inventou essa jornada para “pôr gente” na sua meta: fortalecer o projeto das FARC, as exigências delas em Havana e reforçar o que eles chamam nesses dias o “bloco popular revolucionário”.
 
Isso muda a natureza dessa jornada. Não foi uma marcha pela paz, senão uma para perpetuar o conflito. A Colômbia não aceitará jamais que as FARC cheguem ao governo sem haver desmontado seu aparato de morte e sem ter pago por seus crimes. A manifestação do dia 9 foi só um episódio a mais das gesticulações das FARC para construir sua hegemonia. Por isso o povo o repudiou. O inquietante é que o chefe de Estado colombiano cruzou uma linha vermelha que nunca devia ter cruzado.


Notas do autor:

[1] Manifestações em outras cidades: Medellín: 500 pessoas, Cali: 300, Cúcuta: 200, Bucaramanga: 700, Neiva: 800, Pereira: 50, Pasto: 100, Barranquilla: NENHUMA, Manizales: NENHUMA.
 
[2] Na Praça de Bolívar cabem 30 mil pessoas. Essa praça, onde houve o dia todo concertos de música rock, nunca esteve completamente cheia.
 
[3] O Promotor Geral, Eduardo Montealegre Lynett, chefe do ente investigador, escandalizou o país quando declarou, durante a manifestação do 9 de abril de 2013, que no Ministério Público “não existe nenhuma condenação contra membros do Secretariado das FARC por crimes de lesa-humanidade”, e que as condenações que se produziram no passado foram por “delitos de rebelião, homicídio agravado e algumas violações ao Direito Internacional Humanitário (DIH)”. Portanto, os chefes das FARC “não têm por quê terminar na prisão”. Contudo, o Estatuto de Roma (Corte Penal Internacional), assinado pelo Governo da Colômbia em 1998 e em 2002, estabelece que os crimes de lesa-humanidade, os crimes de guerra e o crime de agressão são imprescritíveis. Eles não podem ser objeto de anistias nem de indultos. Para a Justiça colombiana alguns dos atos e decisões da cúpula das FARC constituem crimes de lesa-humanidade e crimes de guerra.
 
[4] Essas “negociações de paz” entre o governo de Juan Manuel Santos e as FARC começaram em 19 de novembro de 2012. Foram interrompidas várias vezes. Serão reiniciadas em 15 de abril de 2013. O conflito na Colômbia provocou a morte de mais de 600 mil pessoas e o deslocamento de 3,7 milhões de pessoas. Quinze mil pessoas desapareceram.
13 de abril de 2013
Eduardo Mackenzie
 Tradução: Graça Salgueiro

RELACIONES IMPOSIBLES: ECONOMIA REAL - ECONOMIA FINANCIERA

Un cañón en el culo

La primera operación que efectúa el terrorista económico sobre su víctima es la del terrorista convencional, el del tiro en la nuca

Juan José Millás14 AGO 2012
 

Si lo hemos entendido bien, y no era fácil porque somos un poco bobos, la economía financiera es a la economía real lo que el señor feudal al siervo, lo que el amo al esclavo, lo que la metrópoli a la colonia, lo que el capitalista manchesteriano al obrero sobreexplotado.
La economía financiera es el enemigo de clase de la economía real, con la que juega como un cerdo occidental con el cuerpo de un niño en un burdel asiático.
Ese cerdo hijo de puta puede hacer, por ejemplo, que tu producción de trigo se aprecie o se deprecie dos años antes de que la hayas sembrado.
En efecto, puede comprarte, y sin que tú te enteres de la operación, una cosecha inexistente y vendérsela a un tercero que se la venderá a un cuarto y este a un quinto y puede conseguir, según sus intereses, que a lo largo de ese proceso delirante el precio de ese trigo quimérico se dispare o se hunda sin que tú ganes más si sube, aunque te irás a la mierda si baja.

Si baja demasiado, quizá no te compense sembrarlo, pero habrás quedado endeudado sin comerlo ni beberlo para el resto de tu vida, quizá vayas a la cárcel o a la horca por ello, depende de la zona geográfica en la que hayas caído, aunque no hay ninguna segura. De eso trata la economía financiera.

Estamos hablando, para ejemplificar, de la cosecha de un individuo, pero lo que el cerdo hijo de puta compra por lo general es un país entero y a precio de risa, un país con todos sus ciudadanos dentro, digamos que con gente real que se levanta realmente a las seis de mañana y se acuesta de verdad a las doce de la noche.
Un país que desde la perspectiva del terrorista financiero no es más que un tablero de juegos reunidos en el que un conjunto de Clicks de Famóbil se mueve de un lado a otro como se mueven las fichas por el juego de la Oca.

La primera operación que efectúa el terrorista financiero sobre su víctima es la del terrorista convencional, el del tiro en la nuca. Es decir, la desprovee del carácter de persona, la cosifica. Una vez convertida en cosa, importa poco si tiene hijos o padres, si se ha levantado con unas décimas de fiebre, si se encuentra en un proceso de divorcio o si no ha dormido porque está preparando unas oposiciones.
Nada de eso cuenta para la economía financiera ni para el terrorista económico que acaba de colocar su dedo en el mapa, sobre un país, este, da lo mismo, y dice “compro” o dice “vendo” con la impunidad con la que el que juega al Monopoly compra o vende propiedades inmobiliarias de mentira.

Cuando el terrorista financiero compra o vende, convierte en irreal el trabajo genuino de miles o millones de personas que antes de ir al tajo han dejado en una guardería estatal, donde todavía las haya, a sus hijos, productos de consumo también, los hijos, de ese ejército de cabrones protegidos por los gobiernos de medio mundo, pero sobreprotegidos desde luego por esa cosa que venimos llamando Europa o Unión Europea o, en términos más simples, Alemania, a cuyas arcas se desvían hoy, ahora, en el momento mismo en el que usted lee estas líneas, miles de millones de euros que estaban en las nuestras.

Y se desvían no en un movimiento racional ni justo ni legítimo, se desvían en un movimiento especulativo alentado por Merkel con la complicidad de todos los gobiernos de la llamada zona euro.

Usted y yo, con nuestras décimas de fiebre, con nuestros hijos sin guardería o sin trabajo, con nuestro padre enfermo y sin ayudas para la dependencia, con nuestros sufrimientos morales o nuestros gozos sentimentales, usted y yo ya hemos sido cosificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, ya no poseemos las cualidades humanas que nos hacen dignos de la empatía de nuestros congéneres.
Ya somos mera mercancía a la que se puede expulsar de la residencia de ancianos, del hospital, de la escuela pública, hemos devenido en algo despreciable, como ese pobre tipo al que el terrorista por antonomasia está a punto de dar un tiro en la nuca en nombre de Dios o de la patria.

A usted y a mí nos están colocando en los bajos del tren una bomba diaria llamada prima de riesgo, por ejemplo, o intereses a siete años, en el nombre de la economía financiera.
Vamos a reventón diario, a masacre diaria y hay autores materiales de esa colocación y responsables intelectuales de esas acciones terroristas que quedan impunes entre otras cosas porque los terroristas se presentan a las elecciones y hasta las ganan y porque hay detrás de ellos importantes grupos mediáticos que dan legitimidad a los movimientos especulativos de los que somos víctimas.

La economía financiera, si vamos entendiéndolo, significa que el que te compró aquella cosecha inexistente era un cabrón con los papeles en regla. ¿Tenías tú libertad para no vendérsela? De ninguna manera. Se la habría comprado a tu vecino o al vecino de tu vecino.
La actividad principal de la economía financiera consiste en alterar el precio de las cosas, delito prohibido cuando se da a pequeña escala, pero alentado por las autoridades cuando sus magnitudes se salen de los gráficos.

Aquí están alterando el precio de nuestras vidas cada día sin que nadie le ponga remedio, es más, enviando a las fuerzas del orden contra quienes tratan de hacerlo. Y vive Dios que las fuerzas del orden se emplean a fondo en la protección de ese hijo de puta que le vendió a usted, por medio de una estafa autorizada, un producto financiero, es decir, un objeto irreal en el que usted invirtió a lo mejor los ahorros reales de toda su vida. Le vendió humo el muy cerdo amparado por las leyes del Estado que son ya las leyes de la economía financiera, puesto que están a su servicio.

En la economía real, para que una lechuga nazca hay que sembrarla y cuidarla y darle el tiempo preciso para que se desarrolle. Luego hay que recolectarla, claro, y envasarla y distribuirla y facturarla a 30, 60 o 90 días.
Una cantidad enorme de tiempo y de energías para obtener unos céntimos, que dividirás con el Estado, a través de los impuestos, para costear los servicios comunes que ahora nos están reduciendo porque la economía financiera ha dado un traspié y hay que sacarla del bache.

La economía financiera no se conforma con la plusvalía del capitalismo clásico, necesita también de nuestra sangre y en ello está, por eso juega con nuestra sanidad pública y con nuestra enseñanza y con nuestra justicia al modo en que un terrorista enfermo, valga la redundancia, juega metiendo el cañón de su pistola por el culo de su secuestrado.
Llevan ya cuatro años metiéndonos por el culo ese cañón. Y con la complicidad de los nuestros.

13 de abril de 2013
Juan José Millás
14 AGO 2012

VENEZUELA: PARLAMENTARES LATINO-AMERICANOS EXIGEM ELEIÇÕES DECENTES NO PAÍS

    
          Internacional - América Latina 
Caracas, 8 de abril (APDA) - Mais de trezentos senadores e deputados de parlamentos de toda a América Latina enviaram hoje um pronunciamento à Presidente do CNE (Conselho Nacional Eleitoral) Tibisay Lucena, exigindo condições mínimas para que as eleições do próximo dia 14 de abril sejam consideradas justas, livres e transparentes.

O documento, assinado por parlamentares provenientes da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Nicarágua, Peru, Paraguai e Uruguai, pede ao CNE adotar as condições exigidas por quinze deputados no passado 20 de fevereiro

(http://venezuelasoberana.com/wp-content/uploads/2013/03/SolicitudCNE.pdf).

As medidas exigidas são: o escrutínio total das papeletas de votação, o uso de tinta verdadeiramente indelével, a retirada das máquinas “captahuellas”, a eliminação da estação de identificação do eleitor, cessação do uso das milícias no Plano República e a punição implacável ao abuso dos recursos e meios de comunicação do Estado para favorecer o governo.

O pronunciamento foi consignado esta manhã na sede do Conselho Nacional Eleitoral pela deputada María Corina Machado, coordenadora de assuntos internacionais da campanha de Henrique Capriles, e pelo deputado boliviano Adrián Oliva Alcázar, que preside a Alianza Parlamentaria Democrática de América, APDA.

Na saída do CNE, María Corina Machado ofereceu uma entrevista coletiva à imprensa, na qual declarou: “Este pronunciamento é muito importante. Trata-se de uma convocação internacional muito clara ao CNE, para que cumpra com as normativas constitucionais e legais, o qual até agora não fez”.

“Ademais” - disse - “o povo venezuelano só tinha ouvido a opinião do clube de presidentes, amigos do governo, que cobram para dizer que aqui está tudo bem. Pela primeira vez ouvem a voz dos povos da América Latina, representada por seus parlamentares, que dizem a verdade sobre nosso sistema eleitoral e sobre a realidade venezuelana”.

Machado acrescentou: “Faço-lhes entrega de uma carta, que consignei junto com o pronunciamento dos parlamentares, na qual estabeleço à reitora Tibisay Lucena que, frente às eleições de 14 de abril, ela tem duas opções: colocar o bracelete do golpe de 4 de fevereiro ou se comprometer a defender a vontade de todos os venezuelanos, e desta maneira propiciar uma saída pacífica e democrática à crise. Espero, de coração, que opte pela segunda”.

Por sua parte, o deputado Adrián Oliva declarou: “Não venho a título pessoal, senão em representação de muitos parlamentares da América, que me pediram para entregar pessoalmente este documento ao CNE. Como diz o texto, a defesa da democracia e dos direitos humanos constitui um patrimônio de todos, e uma obrigação especial dos países que assinaram a Carta Democrática Interamericana”.

Em seguida o texto enviado ao CNE pelos parlamentares:

Honoráveis
Presidente e demais Reitores
Conselho Nacional Eleitoral (CNE)
República Bolivariana da Venezuela
Caracas

Nós, os abaixo assinantes, deputados e senadores eleitos pela vontade popular, provenientes de diversos países latino-americanos, nos dirigimos respeitosamente aos senhores, com o objetivos de manifestar nossa adesão à comunicação consignada ante o Conselho Nacional Eleitoral por colegas deputados venezuelanos em 20 de fevereiro de 2013.

Em tal comunicação, anexa à presente, nossos colegas exigem reformas às condições eleitorais atuais para que na Venezuela se realizem eleições justas, livres e transparentes.

Estas medidas solicitadas são simples, razoáveis e de fácil implementação. Do mesmo modo, tornam efetivas as condições de uma eleição democrática, universal e secreta, contemplada nas normativas constitucionais e legais da República Bolivariana da Venezuela.
Por sua vez, são consistentes com os princípios contemplados na Carta Democrática Interamericana, da qual a Venezuela e nossos países são signatários, e satisfazem plenamente os parâmetros e padrões eleitorais aceitos pela comunidade democrática mundial, pelo qual consideramos que devem ser atendidas em plenitude e prontamente por esse órgão do Poder Eleitoral.

Implementar medidas como as propostas no próximo processo eleitoral na Venezuela, nos atuais momentos políticos tão importantes para a irmã República, auspiciariam maior participação cidadã, a legitimidade de tal processo e garantiria a tranqüilidade da cidadania.
Por isso, acreditamos que pôr em prática as medidas solicitadas pelos colegas deputados venezuelanos beneficiaria todas as partes, a cidadania em geral, ao administrador eleitoral e a democracia.

Animamo-nos a lhes escrever estas linhas porque a defesa da democracia e dos direitos humanos constituem um patrimônio de todos, e uma obrigação especial dos que fomos eleitos pelo voto dos cidadãos.

Aproveitamos a oportunidade para desejar-lhes o melhor dos êxitos nas eleições presidenciais do próximo 14 de abril de 2013, e para oferecer nossa colaboração e apoio na realização das mesmas.

Despedimo-nos dos Senhores, manifestando-lhes nossos sentimentos de maior respeito e consideração.
Aos dois dias do mês de abril de 2013.

13 de abril de 2013
www.unoamerica.org
Escrito por Unoamerica  

Tradução: Graça Salgueiro

FUCS: "O GOVERNO DÁ COM UMA MÃO, PARA ILUDIR O CIDADÃO, E TIRA COM A OUTRA"

Em vez de realizar um corte linear de impostos, para beneficiar toda a sociedade, o governo promove “desonerações” no varejo e obriga empresários e políticos a “passar o pires” e jurar vassalagem, para receber as benesses oficiais


Num país como o Brasil, em que o governo abocanha 36,2% do PIB (Produto Interno Bruto), a soma de todas as riquezas produzidas pela nação, qualquer “desoneração tributária” é mais que bem-vinda.

Afinal, são raras, raríssimas, as oportunidades em que o governo, com seu apetite insaciável pelo dinheiro do contribuinte, aceita abrir mão de receitas por conta própria. Não me lembro de ter visto algo parecido antes.
Então, quando isso acontece, como agora, com a multiplicação das desonerações promovidas por Brasília, não dá para não comemorar. Nas contas oficiais, serão R$ 70 bilhões em desonerações só em 2013.
Se essa previsão se confirmar, significará, obviamente, mais dinheiro no bolso da população e no caixa das empresas para gastar e investir – e menos dinheiro na mão do governo para financiar a farra fiscal. Isso é sempre muito bom e merece aplausos.

Acontece que, embora o “saco de bondades” tributárias do governo seja melhor do que nada, ele está longe, muito longe, de representar o corte de tributos desejável para aliviar o sufoco sofrido pelos indivíduos e pelas empresas no país.
Está longe também de espelhar a crença da presidente Dilma Rousseff na necessidade de reduzir a carga tributária como um todo.

Se Dilma quisesse realmente dar um sinal claro de sua fé no corte de impostos, patrocinaria uma redução linear para todos os setores da economia. Poderia ser uma redução de 0,5%, 1%, 2% ou seja lá quanto fosse, mas seria um corte válido para todos – algo que, no mínimo, seria bem mais justo, do que a seleção de beneficiários a granel, segundo critérios pouco transparentes para a sociedade, como tem feito o governo.

A concessão de benesses no varejo mantém o balcão de negócios do Ministério da Fazenda em plena atividade. Premia alguns setores e deixa outros de fora, vivendo a pão e água, estimulando a peregrinação de empresários a Brasília, para apresentar seus pleitos e jurar vassalagem à corte. Trata-se de uma prática antiga, que marcou os tempos do milagre econômico, quando o economista Delfim Netto, então ministro da Fazenda, era chamado de “o czar da economia”, ressuscitada desde os tempos de Lula no Palácio do Planalto.

Além disso, as desonerações promovidas pelo governo federal incluem tributos que deveriam ser divididos com estados e municípios e são feitas de forma unilateral, sem qualquer consulta e sem aprovação dos envolvidos. Isso também obriga os prefeitos e os governadores, sobretudo das regiões mais pobres do país, a passar o pires em Brasília, para receber mais recursos para investir, em troca de apoio político.

Para poder reduzir impostos sem gerar inflação, o governo precisaria estar comprometido com uma política de controle fiscal exemplar – e está longe de ser o caso. O governo dá com uma mão, para iludir o cidadão desavisado, e tira com a outra, gastando mais do que arrecada e provocando o aumento da dívida pública e da inflação, que corrói o poder de compra da população. Corte de impostos é sempre bom, mas alguns cortes são melhores que outros. O modelo do beija mão implementado pelo governo só contribui para reforçar a velha cultura clientelista do país, contra a qual o PT sempre se posicionou quando estava na oposição.

13 de abril de 2013
Por José Fucs, Época
 

NÃO HÁ HOJE LÍDERES COMO MARGARET THATCHER

 

Monica
 
Para fazer reformas e tirar seu país da estagnação, a ex-primeira-ministra britânica não hesitou em escolher um caminho de alto custo político

Ligas metálicas podem ser de dois tipos: as ferrosas, em que o ferro é o componente principal, e as não ferrosas, constituídas de outros metais. O ferro, além de resistente e de possuir propriedades magnéticas, é o elemento de núcleo mais estável da tabela periódica.
Não foi à toa, portanto, que a única primeira-ministra na história do Reino Unido, Margaret Thatcher, recebeu a alcunha de Dama de Ferro.

Que o apelido tenha sido dado pelos soviéticos, os responsáveis pela Cortina de Ferro que a Dama posteriormente ajudou a derrubar, é mais do que mera coincidência. É uma deliciosa ironia, digna do humor nativo da ilha.

Uma figura controvertida até na morte — as manifestações depois do anúncio de seu falecimento foram elogiosas e críticas em igual medida —, Margaret Thatcher foi um exemplo de tenacidade e de magnetismo.

Apesar de ter escolhido o caminho mais árduo, aquele cujos custos políticos eram os mais elevados, para pôr em marcha os planos de transformação que tinha para o Reino Unido, conseguiu promover a vitória do Partido Conservador em três eleições consecutivas.

Governou o país de 1979 a 1990, uma época permeada por grandes crises externas e mudanças geopolíticas marcantes. A lista vai desde o longo período estagflacionário proveniente dos choques dopetróleo, os anos de crescimento baixo e inflação elevada que sobrevieram dos eventos no Oriente Médio na década de 70, até a abertura da União Soviética e a derrubada do Muro de Berlim, culminando na extinção da liga metálica que encobria os países do Leste Europeu, a Cortina de Ferro.

Ao longo desses anos, Thatcher manteve inabalada a convicção na eficiência dos mercados, na necessidade de tornar mais flexíveis as leis trabalhistas do país e de promover as indústrias mais competitivas, deixando que as demais caíssem no esquecimento e desaparecessem gradualmente.

Até sua ascensão ao posto máximo do governo, o Reino Unido enfrentava um período de ruidosa decadência econômica, imortalizada nas imagens das greves sucessivas dos carvoeiros e de outros trabalhadores, e dos aguerridos protestos promovidos pelos sindicatos, que ditavam os rumos do país e o desmoralizavam mundialmente.

A degradação econômica e política que caracterizara os anos do pós-guerra chegou ao auge em meados da década de 70. Quando Thatcher assumiu o poder, em 1979, a economia britânica crescia menos de 3% ao ano e enfrentava uma inflação de nada menos do que 13%.

Três anos antes, em 1976, o país recorrera ao FMI devido às crescentes dificuldades para reequilibrar as contas públicas e financiar o rombo no balanço de pagamentos. Passados dez anos depois de ela ter assumido a liderança política, o Reino Unido crescia 5% e alcançara a estabilidade de preços: em 1988, a inflação foi de 4,9%. Quem dera fosse esse o atual desempenho da economia brasileira…

A intolerância de Margaret Thatcher com a ineficiência desmantelou os grupos de interesse que emperravam a modernização e o aumento da competitividade do país. A primeira-ministra foi responsável por um dos mais ambiciosos e abrangentes planos de privatização de que se tem notícia, opôs-se ferrenhamente aos sindicatos e deu prioridade a setores em que o Reino Unido já possuía nítidas vantagens comparativas, como o polo financeiro sediado na City de Londres.

O que mais assombra ao relembrar as conquistas da Dama de Ferro é a profundidade das reformas que ela promoveu em tão pouco tempo. Dez anos. Em uma década, o Reino Unido foi da decadência à revitalização, reconquistando o espaço perdido na economia global e na geopolítica.

Hoje, o Reino Unido só não está emaranhado no torvelinho da crise do euro por causa de Thatcher e de sua inabalável determinação. “No, no, no”, bradou em meio às discussões no Parlamento sobre os planos de maior integração com a Europa. Por ironia do destino, a obstinação em evitar que a ilha se amalgamasse ao continente foi uma das razões para sua renúncia em novembro de 1990.

Não há líderes convictos, líderes com visão e determinação para transformar seus países, para levar a cabo as reformas que precisam fazer para tirar as economias do vórtice recessivo, do desemprego e da atividade moribunda
Pagar para ver

“Não sou uma política de consenso. Sou uma política de convicção” (“I am not a consensus politician, I am a conviction politician”). Não há, no mundo de hoje, políticos como Margaret Thatcher. Trata-se de uma época de políticos não ferrosos, de políticos excessivamente maleáveis. São políticos de consenso. O problema é que épocas de crise, ou de graves sequelas de crises, são incompatíveis com o consenso. O consenso não resiste ao fogo da polarização e do impasse político.

Exemplos abundam. Vejam os Estados Unidos, amarrados a um corte automático de gastos públicos nas áreas sociais devido à incapacidade de seus políticos de chegar a um consenso.

Vejam a Europa, onde muitos países já trocaram de governo por causa da falta de consenso. Alguns, inclusive, estão sem governo por esse motivo, como a Itália. Vejam o euro, à deriva em meio ao dissenso que prevalece entre os líderes dos países-membros do acordo de moeda única. O consenso se esvai na fumaça ardente das tensões.

Em todos esses casos, chamam a atenção não só a falta de consenso mas também a ausência de convicção. Não há líderes convictos, líderes com visão e determinação para transformar seus países, para levar a cabo as reformas que precisam fazer para tirar as economias do vórtice recessivo, do desemprego e da atividade moribunda. Ninguém quer pagar para ver. Margaret Thatcher, por mais polêmica que fosse, pagou para ver.

Aqui no Brasil, parece que queremos pagar para ver. Contudo, queremos pagar para ver o que não deveria ser visto. Enrijecemos as leis trabalhistas do país, indexamos o salário mínimo permitindo que o rendimento médio do trabalhador cresça acima da produtividade da economia, dificultamos os investimentos em infraestrutura por meio de políticas econômicas desconjuntadas e do excesso de intervencionismo do governo, criamos novas estatais.

O Estado brasileiro cresce desordenadamente, seja por meio da carga tributária elevada, seja por meio dos gastos que não param de subir ou do crédito público em demasia. Desmantelamos as agências regulatórias, revertendo os ganhos de eficiência conquistados em áreas como telecomunicações, em setores estratégicos como óleo e gás e de energia elétrica.

Deixamos que o excesso de burocracia prejudique o setor privado e impeça a retomada do investimento, sem o qual não sairemos da armadilha do baixo crescimento. Flertamos abertamente com a inflação.
Nosso receituário é o inverso do implantado pela Dama de Ferro. É o receituário do latão, do material que amassa com facilidade, que oxida.
Nossa presidente é uma política de convicção. Nesse caso, antes fosse uma política de consenso.

13 de abril de 2013
Monica Baumgarten de Bolle
Fonte: Exame.com

QUALIDADE DO ENSINO FREIA ADAPTAÇÃO DO BRASIL AO MUNDO DIGITAL

Fraco desempenho em ciências e matemática é barreira para País, diz Fórum Econômico Mundial

GENEBRA – Com um dos piores ensinos de matemática e ciências do mundo, o Brasil reduz sua capacidade de adaptação ao mundo digital.
Um informe apresentado nesta quarta-feira, 10, pelo Fórum Econômico Mundial aponta que o País subiu apenas da 65.ª para a 60.ª posição entre as nações mais preparadas para aproveitar as novas tecnologias em seu crescimento.

Além do ranking sobre capacidade de adaptação ao mundo digital, o Fórum divulgou outros dois, referentes ao ensino de matemática e de ciências.

Entre os 144 países avaliados, o Brasil aparece no 116.º lugar em educação, atrás, por exemplo, de Chade, Suazilândia e Azerbaijão. Em ciências, Venezuela, Lesoto, Uruguai e Tanzânia estão melhores posicionados no ranking que o Brasil, que ocupa a 132.ª posição.

O resultado é uma estagnação no avanço da tecnologia no Brasil, apesar dos investimentos públicos em infraestrutura e de um certo dinamismo do setor privado nacional. Na América Latina, países como Chile, Panamá, Uruguai e Costa Rica estão melhores preparados para enfrentar o mundo digital que o Brasil.

“Apesar desse progresso, a tradução dessa maior cobertura em impactos econômicos em inovação e competitividade está estagnada”, alerta o documento. Um dos motivos é a “qualidade do sistema educacional, que aparentemente não garante as habilidades necessárias para uma economia em rápida mudança em busca de talentos”, indicou.
Mesmo em países pobres como Senegal, Quênia e Camboja, o acesso de escolas à internet é superior, segundo o informe.

O ranking é liderado pela Finlândia, seguida por Cingapura e Suécia. O Brasil, de fato, vem ganhando posições. Mas os autores do informe estimam que a posição hoje do País no ranking não condiz com uma das sete maiores economias do mundo.

O informe considera que a maioria das economias em desenvolvimento continua sem conseguir criar as condições necessárias para reduzir a falta de competitividade existente na área da tecnologia de informação, em comparação às economias desenvolvidas.
“No Brasil temos grande desenvolvimento por parte de empresas multinacionais para melhorar a competitividade, mas esse empenho não se estende por todo o setor privado”, alertou o editor do informe, Beñat Bilbao-Osorio.
Internet

A subida de posição do Brasil no ranking vem dos avanços em infraestrutura e do fato de o País ter dobrado a capacidade de uso de banda larga, além de ampliar a rede de celulares. Em bandas fixas, o Brasil é o 11.º colocado no ranking.

Outro problema sério, porém, é o ambiente para promover inovação e burocracia, além do custo dos celulares, um dos mais altos do mundo. O Brasil aparece na 130.ª posição entre os 144 países, superado pelo Gabão.

O número de usuários de internet no Brasil, em 2011, também não chegava ainda a 45%, o que deixa o País na 62.ª posição nesse critério, abaixo da Albânia. Apenas um terço dos brasileiros tem internet em casa. A taxa despenca para apenas 8% se o critério for o número de casas com banda larga.

O Brasil não é o único a passar por essa situação. “Os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) enfrentam desafios”, diz o informe. “O rápido crescimento econômico observado em alguns desses países nos últimos anos poderá ser ameaçado, caso não forem feitos os investimentos certos em infraestruturas, competências humanas e inovação na área das tecnologias da informação”, alerta.

“A digitalização criou 6 milhões de empregos e acrescentou US$ 193 bilhões à economia global em 2011. Apesar de positivo, o impacto da digitalização não é uniforme nos setores e economias – cria e destrói empregos”, disse Bahjat El-Darwiche, Sócio, Booz & Company.

RANKING

Segundo a capacidade de adaptação ao mundo digital

1. Finlândia
2. Cingapura
3. Suécia
4. Holanda
5. Noruega
6. Suíça
7. Reino Unido
8. Dinamarca
9. EUA
10. Taiwan


60. Brasil

13 de abril de 2013
Fonte: O Estado de São Paulo

SOCIALISMO CHEGOU À COZINHA


A revolução da empregada
O conto de fadas do oprimido continua. Agora, as empregadas domésticas foram libertadas da escravidão. Mas esse capítulo ainda promete fortes emoções.

Uma legião de advogados espertos já está de prontidão para o primeiro bote trabalhista num desses “senhores feudais” de Ipanema ou Leblon. Aí a burguesia vai ver o que é bom.

Patrões perderão as calças para cozinheiras demitidas sem justa causa. E o Brasil progressista irá ao delírio. Babás levarão uma baba ao provar — com seus advogados — que naquela sexta-feira chuvosa estouraram o período da jornada sem ganhar hora extra.
Com a PEC das domésticas, cada lar brasileiro assistirá à revanche do povo contra as elites.

A apoteose cívica em torno da empregada lembra o clima da Constituinte em 1987.

A Carta promulgada por Ulisses Guimarães com “ódio e nojo à ditadura” removia o entulho autoritário, e trazia o entulho progressista.
Até limite de taxa de juros enfiaram na Constituição — entre outras bondades autoritárias e/ou lunáticas.
A partir dali, deu-se no Brasil o milagre da multiplicação de municípios, com a interminável criação de prefeituras e câmaras de vereadores sangrando os cofres públicos. Tudo em nome da descentralização democrática.

Agora o país comemora a Lei Áurea das domésticas, com ódio e nojo aos patrões. Eles tiveram sorte, porque não apareceu nenhum revolucionário propondo guilhotina em caso de atraso do 13º.

Os escravocratas do século 21 — como os patrões foram chamados pelos libertadores das empregadas — garantiram nos últimos anos à classe das domésticas aumentos salariais bem acima da inflação (e de todas as outras categorias). Mas não interessa. Os progressistas querem direitos civis, querem que os patrões paguem encargos.
A consequência será simples: para pagar os encargos, os patrões não darão mais reajustes acima da inflação. Através do FGTS, por exemplo, o dinheiro se desviará das mãos da empregada para as mãos do governo — onde será corrigido abaixo da inflação, a julgar pelas médias recentes.

O fim da escravidão aboliu o bom senso, e conseguirá trazer perdas para patrões e empregados, democraticamente. Mas os populistas serão felizes para sempre.

Já se pode antever a excitação no Primeiro de Maio, com a “presidenta” mulher e faxineira indo às lágrimas em cadeia obrigatória de rádio e TV.

Mais uma pantomima social que a nação engolirá sorridente e orgulhosa. Na vida real, evidentemente, a nova Lei Áurea vai dar um tranco no mercado, com patrões temerosos de contratar mensalistas — não só pelos custos inflados, como pelos altos riscos de indenizações pesadas (as casuais e as tramadas).

Muitos recorrerão a diaristas e outros improvisos para fazer frente aos serviços da casa. E o enorme contingente das empregadas domésticas que só sabem ser empregadas domésticas, diante da crescente dificuldade de se fixar no emprego “seguro” que a Constituição progressista lhe trouxe, terá que perguntar a Dilma e aos humanistas como ganhar a vida.

O governo popular não está preocupado com isso. Se o contingente das alforriadas sem-teto crescer muito rápido, isso se resolve com uma injeçãozinha a mais no Bolsa Família (o Bolsa Casa de Família).

País rico é país que dá dinheiro de graça. Enquanto a Europa acorda dolorosamente desse sonho dourado, com saudades de Margaret Thatcher, o Brasil fabrica um pleno emprego pendurando parte da população numa mesada estatal.
São os filhos profissionais do Brasil, que não precisam se emancipar nem procurar trabalho. É claro que isso vai explodir um dia, mas a próxima eleição (pelo menos) está garantida.

A festa da propaganda populista não tem hora para acabar. O Ministério da Educação, por exemplo, está bancando uma grande campanha nas principais mídias nacionais sobre o sistema de cotas para negros no ensino público.

A peça traz a encenação de um jovem humilde, que conta ter conseguido vaga na universidade por ser afro-descendente. É o governo popular torrando o dinheiro do contribuinte para apregoar a sua própria bondade. Só um país apoplético pode consumir numa boa essa propaganda política travestida de utilidade pública.

É esse país que baba de orgulho diante da PEC das domésticas, jurando que está assistindo a uma revolução trabalhista.

É típico das sociedades culturalmente débeis acharem que legislar sobre tudo é passaporte civilizatório. É um país que não acredita nos seus acordos, no que é instituído a partir da responsabilidade individual, do bom senso e dos bons costumes. É preciso cutucar Getúlio Vargas no túmulo, para empreender uma formidável marcha à ré progressista — que servirá para entulhar de vez a Justiça, porque as crianças só confiam no que está nos livros guardados por mamãe Dilma. Pobres órfãos.

Se o prezado leitor escravocrata enjoou da comida de sua empregada, melhor consultar seu advogado. O socialismo chegou à cozinha — e o tempero agora é assunto de Estado.

Guilherme Fiúza
O Globo – 13/04/2013

CAMPANHA DO PT CONTRA A CORRUPÇÃO É REPROVADA POR ZÉ DIRCEU E GENOÍNO


Segundo a Folha de São Paulo, na reunião de ontem para bater papo sobre corrupção, a primeira versão das peças publicitárias, elaboradas pelo marqueteiro João Santana, foi apresentada ontem ao Diretório do PT e reprovada pelos dirigentes.
 
Estavam presentes os dois maiores especialistas em corrupção politica do Brasil: José Dirceu e José Genoino. A ausência de Lula e Delúbio Soares foi lamentada por todos.
 
Em preto e branco e com imagem de cédulas de reais, as peças tratavam como "dinheiro sujo" o financiamento privado de campanhas eleitorais.
Foram consideradas excessivamente agressivas e violentas pelos petistas, que as devolveram para a equipe de marketing.
O partido pretende coletar, até fevereiro, cerca de 1,5 milhão de assinaturas para apresentar o projeto
 
Estão previstos, no dia 16, quatro eventos, em Minas Gerais, no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e em São Paulo --este último com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na comemoração do aniversário do Sindicato dos Bancários.

CORRUPÇÃO: PT DEVERIA FAZER CAMPANHA DE ENDOMARKETING

O PT, em vez de querer dar conselhos para os outros e levantar bandeiras de ética, deveria fazer uma grande campanha de corrupção para o seu público interno. Infestado de corruptos, alguns já condenados a regime fechado pela roubalheira do Mensalão, o partido está no poder há 10 anos e nunca houve tanta falcatrua, desvio de verbas, uso de influência, lobby, aparelhamento da máquina pública. Esta campanha do PT sobre corrupção deveria ser de endomarketing, o marketing feito para dentro da organização criminosa do Mensalão.
Com a presença de José Dirceu e de José Genoino, condenados no julgamento do mensalão, a cúpula do PT discutiu ontem o formato de uma campanha publicitária pela reforma política, contra a corrupção eleitoral. A criação da campanha foi objeto de discussão no comando do partidário, que busca uma saída para a crise em que a sigla mergulhou após o mensalão. Para os petistas, levantando a bandeira da reforma, o partido apresenta uma proposta concreta para sair da defesa no caso.
O PT partiu da constatação de que não adianta insistir no argumento de que houve, na verdade, um esquema de caixa dois. No julgamento do escândalo, em 2012, petistas defenderam a tese de que o dinheiro pago a congressistas era doação eleitoral irregular, o que foi rejeitado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O principal mote da campanha petista é a adoção do financiamento público exclusivo de campanhas, com o fim das doações privadas. A medida foi classificada pelo presidente da sigla, deputado Rui Falcão, como " a melhor maneira de combater a corrupção e o abuso do poder econômico" nas eleições.
O partido começa hoje a coletar assinaturas para apresentar ao Congresso o projeto de lei de iniciativa popular sobre o assunto. Além do financiamento público, a proposta defende o voto em lista nas eleições para deputado e vereador e a convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva sobre o tema. (Folha de São Paulo)
 
13 de abril de 2013
in coroneLeaks

UM PAR PERFEITO...

             Lula chama Renan e pede ajuda.
Um dos maiores medos de Lula é ser convocado para depor em alguma comissão do Senado, no momento em que está sob investigação da Polícia Federal.
Por isso, chamou o presidente Renan Calheiros, velho companheiro de tantas lutas, para pedir que ele impeça que isso aconteça.
Renan tranquilizou Lula e disse que fará de tudo junto aos senadores para não expor o ex-presidente. O encontro ocorreu no Instituto Lula, em São Paulo.
 
13 de abril de 2013
in coroneLeaks