Mal saiu do Sírio-Libanês, o SUS das Elites e, sem sequer agradecer a visita milagrosa de FHC, Luiz Erário da Silva, já começou a dar sentido a sua lavanderia predileta, o inócuo Instituto Cidadania, que também atende pelo codinome de Lula.
Deixando de lado a convalescência, botou nas costas o comediante Hahahaddad que ele quer fazer prefeito de São Paulo e partiu para o ataque ao ninho tucano: "Serra é político de ontem, com ideias de anteontem".
O grande perigo de um cara como Lula é que, no mais das vezes, ele diz com enorme hipocrisia o que todo mundo sinceramente pensa e que, com a mesma verborragia, gostaria de dizer.
Lula não deveria, no entanto, agora que a visita FHC acabou com os sinais de tumor na sua garganta, desperdiçar saúde e força com um ministro fracassado e inepto que ele, sabe-se lá se não é por efeito colateral, quer enfiar goela abaixo dos paulistanos.
Fernando Hahahaddad é um nome que sempre nos faz rir, mas é uma piada de mau gosto. Daquelas que o Delúbio chama "de salão". Politicamente incorreta.
30 de março de 2012
sanatório da notícia
Um painel político do momento histórico em que vivem o país e o mundo. Pretende ser um observatório dos principais acontecimentos que dominam o cenário político nacional e internacional, e um canal de denúncias da corrupção e da violência, que afrontam a cidadania. Este não é um blog partidário, visto que partidos não representam idéias, mas interesses de grupos, e servem apenas para encobrir o oportunismo político de bandidos. Não obstante, seguimos o caminho da direita. Semitam rectam.
"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)
"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)
sexta-feira, 30 de março de 2012
PETRALHADA QUER LULA DE VOLTA. ALGUÉM TINHA DÚVIDAS?
(Do Claudio Humberto)
Petistas ligados à facção Construindo um Novo Brasil (CNB), que é majoritária no Partido dos Trabalhadores, planejam lançar logo após as eleições municipais de outubro o movimento ‘Volta, Lula’, cujo objetivo é construir a candidatura do ex-presidente a um terceiro mandato. O movimento será lançado somente no final do ano para não atrapalhar as eleições municipais, nem o tratamento de Lula contra o câncer.
Entusiasta do movimento “Volta, Lula”, ex-líder do governo na Câmara Cândido Vaccarezza (PT-SP) contou a novidade à cúpula do PMDB.
Articuladores acham que o movimento “Volta, Lula” deverá crescer muito, no rastro da insatisfação dos aliados com o governo Dilma.
A facção CNB, desgostosa com o jeito Dilma de governar, é liderada pelo ex-presidente Lula e seu ex-chefe da Casa Civil José Dirceu.
Alguém tinha dúvidas que Dilma teria apenas a tarefa de exercer um mandato-tampão até a volta de Lula?
30 de março de 2012
Ricardo Froes
Petistas ligados à facção Construindo um Novo Brasil (CNB), que é majoritária no Partido dos Trabalhadores, planejam lançar logo após as eleições municipais de outubro o movimento ‘Volta, Lula’, cujo objetivo é construir a candidatura do ex-presidente a um terceiro mandato. O movimento será lançado somente no final do ano para não atrapalhar as eleições municipais, nem o tratamento de Lula contra o câncer.
Entusiasta do movimento “Volta, Lula”, ex-líder do governo na Câmara Cândido Vaccarezza (PT-SP) contou a novidade à cúpula do PMDB.
Articuladores acham que o movimento “Volta, Lula” deverá crescer muito, no rastro da insatisfação dos aliados com o governo Dilma.
A facção CNB, desgostosa com o jeito Dilma de governar, é liderada pelo ex-presidente Lula e seu ex-chefe da Casa Civil José Dirceu.
Alguém tinha dúvidas que Dilma teria apenas a tarefa de exercer um mandato-tampão até a volta de Lula?
30 de março de 2012
Ricardo Froes
A VIDA DE DEMÓSTENES
Aos sete anos de idade, Demóstenes perdeu o pai e teve sua herança roubada por seus tutores. Posteriormente, abriu processo para recuperar os bens roubados. Ganhou o processo mas não recuperou todos os bens que lhe pertenciam. Com vinte e sete anos iniciou sua carreira de orador e logo conseguiu destaque.
Garoto ainda, Demóstenes assistiu a um julgamento no qual um orador teve um desempenho brilhante e, com sua verve, mudou um veredicto que parecia selado. Demóstenes invejou a glória do orador ao ver a multidão escoltá-lo e felicitá-lo, mas ficou ainda mais impressionado com o poder da palavra, que parecia capaz de levar tudo de vencida. Assim, alimentou a esperança de se tornar um grande orador - sonho que parecia impossível devido à sua gagueira. Conta-se que Demóstenes, à força de perseverança, ultrapassou o problema e, após treinamento que demandou enorme esforço, Demóstenes venceu a gagueira e se tornou um grande orador.
Sua vida como orador e político foi dedicada à defesa de seu país.
Após certo tempo, Demóstenes vê decair tanto sua reputação quanto influência. Chegou mesmo a ser condenado por ter se deixado comprar por um ministro e facilitar sua fuga. Foi preso mas conseguiu fugir, exilando-se por longo período.
Após esse tempo, Demóstenes é chamado de volta e retoma suas atividades. Alia-se, então, a revolta contra a situação. Tendo falhado tal revolta, Demóstenes foge para a ilha grega de Calauria. Quando percebe que seu esconderiijo foi descoberto, suicida-se com veneno.
P.S.: Demóstenes (em grego, Δημοσθένης, Dēmosthénēs; 384 a.C. - 322 a.C.) foi um proeminente orador e político grego, de Atenas. Sua oratória constitui uma importante expressão da capacidade intelectual da Atenas antiga e providenciam um olhar sobre a política e a cultura da Grécia antiga durante o quarto século AC. Demóstenes aprendeu retórica estudando os discursos dos grandes oradores antigos.
30 de março de 2012
Por Ricardo Froes
Garoto ainda, Demóstenes assistiu a um julgamento no qual um orador teve um desempenho brilhante e, com sua verve, mudou um veredicto que parecia selado. Demóstenes invejou a glória do orador ao ver a multidão escoltá-lo e felicitá-lo, mas ficou ainda mais impressionado com o poder da palavra, que parecia capaz de levar tudo de vencida. Assim, alimentou a esperança de se tornar um grande orador - sonho que parecia impossível devido à sua gagueira. Conta-se que Demóstenes, à força de perseverança, ultrapassou o problema e, após treinamento que demandou enorme esforço, Demóstenes venceu a gagueira e se tornou um grande orador.
Sua vida como orador e político foi dedicada à defesa de seu país.
Após certo tempo, Demóstenes vê decair tanto sua reputação quanto influência. Chegou mesmo a ser condenado por ter se deixado comprar por um ministro e facilitar sua fuga. Foi preso mas conseguiu fugir, exilando-se por longo período.
Após esse tempo, Demóstenes é chamado de volta e retoma suas atividades. Alia-se, então, a revolta contra a situação. Tendo falhado tal revolta, Demóstenes foge para a ilha grega de Calauria. Quando percebe que seu esconderiijo foi descoberto, suicida-se com veneno.
P.S.: Demóstenes (em grego, Δημοσθένης, Dēmosthénēs; 384 a.C. - 322 a.C.) foi um proeminente orador e político grego, de Atenas. Sua oratória constitui uma importante expressão da capacidade intelectual da Atenas antiga e providenciam um olhar sobre a política e a cultura da Grécia antiga durante o quarto século AC. Demóstenes aprendeu retórica estudando os discursos dos grandes oradores antigos.
30 de março de 2012
Por Ricardo Froes
UMA PESQUISA FAJUTA
Cerca de 75% dos brasileiros jamais pisaram em uma biblioteca, diz pesquisa do Instituto Pró-Livro, realizada ano passado, que se pretende o mais completo estudo sobre comportamento do leitor. Que cerca de 75% dos brasileiros jamais tenham pisado em uma biblioteca, vá lá. Mas isto nada tem a ver com o comportamento do leitor.
A pesquisa fala de bibliotecas públicas. Sem ir mais longe, eu, que sou leitor inveterado, não freqüento bibliotecas públicas há uns bons trinta anos. Mas freqüento a minha todos os dias. Além do mais, o IPL parece ignorar os tempos em que vivemos. Biblioteca, hoje, pode estar em um computador, tablet ou pendrive.
Não gosto de bibliotecas por razão da mais simples. Meu modo de apoderar-me de um livro é sublinhar. Como não posso sublinhar livros de biblioteca alheias, prefiro freqüentar a minha. Neste sentido, não gosto nem de livro emprestado. Se o livro me interessa, trato de comprá-lo e fico com ele. Da mesma forma, não gosto muito de emprestar livros. Se o livro é extraviado, perdi não um livro, mas uma leitura.
Uma biblioteca foi fundamental em minha juventude, a Municipal, de Dom Pedrito, instalada na época no prédio da Prefeitura. Havia só uma livrariazinha na cidade, a do Naziazeno, e nela não chegavam os clássicos. Foi lá que me iniciei, em meus 14 ou 15 anos, em Platão, Cervantes, Descartes, Montesquieu. Para desagrado dos padres oblatos que administravam o Colégio Nossa Senhora do Patrocínio. Eles preferiam que lêssemos menos. Autores que nos faltavam, mandávamos buscar em Rivera ou Montevidéu. Foi como tomei contato com José Ingenieros, para desespero do clero local.
Como gosto de ler ao lado de um bom vinho, minhas salas de leitura preferidas são os bares. Foi hábito que adquiri em Paris. Desde os primórdios da Sorbonne, os cafés do Quartier Latin eram a sala de leitura ideal dos estudantes, pois tinham calefação. O hábito perdura até hoje e às vezes entramos em bares onde acabamos falando baixinho, para não atrapalhar a leitura dos clientes. Este hábito está disseminado por toda Europa. Em Viena, estive em um café que já teve trezentos jornais à disposição de seus habitués. Quando estive lá, teria uns cinqüenta. O ambiente é até um pouco escuro. Mas as mesas dispõem de lâmpadas baixas, adequadas à leitura. Foi lá também - acho - onde encontrei um bar que oferecia a seus clientes uma razoável biblioteca.
Para a presidente do IPL, Karine Pansa, os dados mostram que o desafio, em geral, não é mais possibilitar o acesso ao equipamento, mas fazer com que as pessoas o utilizem. "O maior desafio é transformar as bibliotecas em locais agradáveis, onde as pessoas gostam de estar, com prazer. Não só para estudar." Boa idéia. Para começar, poderiam contratar garçons e oferecer uma boa carta de vinhos.
A biblioteca é um lugar até o qual devo deslocar-me para ler. Ora, prefiro ler sem sair de onde estou. Há livros, é claro, que só lá existem. Mas estes livros são buscados por pesquisadores, não pelo leitor comum.
A última biblioteca que freqüentei foi a Bibliothèque Nationale de Paris, BeNa para os íntimos. Foi no final dos 70. Ocorre que os livros de minha pesquisa não mais existiam em livrarias. Depois disso, diria que jamais entrei em tais instituições. A não ser como turista. Há muita biblioteca na Europa que não é biblioteca, mas museu. Há dois anos, visitei a Old Library, em Dublim. Linda, solene, vetusta, repleta de incunábulos. Nela, pude contemplar as páginas com iluminuras do Book of Kells, uma das mais antigas versões da Bíblia. Mas não vi nenhum leitor em suas salas. Só turistas passeando por seus corredores. Como quem vai a uma catedral. Não para rezar, mas para admirar sua arquitetura e obras de arte.
Nos anos 80, fui convidado pelo governo sueco para passar duas semanas no país. Lá, visitei a Carolina Rediviva, a biblioteca de Uppsala, onde li inclusive manuscritos em sueco de José Bonifácio de Andrada e Silva. Ah! Tive também a honra de visitar a casa onde nasceu Karin Boye, de quem eu havia traduzido Kalocain.
Guiado pela mulher do diretor da biblioteca, fui introduzido no Santo dos Santos, isto é, a sala onde está a Bíblia de Prata - o Codex Argenteus – assim chamado por ter sido escrito com tinta prateada. É o texto mais conhecido em gótico, língua germânica já extinta. Não chega a ser uma bíblia, mas um evangelário, ou seja, um livro contendo partes dos quatro evangelhos. O nome dos evangelistas e as três primeiras linhas de cada evangelho são ornadas com letras de ouro. É certamente o livro mais raro que já vi em minha vida – e já vi muitos, inclusive a Gramática Castellana, de Nebrija. Devo ter passado por quatro ou cinco grades trancadas a sete chaves para chegar até a Bíblia de Prata. Mas não era disto que queria falar.
Uppsala é uma cidade universitária e teria na época 185 mil habitantes. Minha guia tinha uma queixa. Que o governo liberava verbas para aumentar as dependências da biblioteca, mas era avaro no que dizia respeito ao acervo. Quantos livros tem aqui? – perguntei. Nosso acervo é pequeno – me respondeu a moça, desolada -. Temos apenas quatro milhões de exemplares.
Em meus dias de Madri, a rigor teria de apelar à Biblioteca Nacional, no Paseo de Recoletos. Acontece que para chegar lá há alguns acidentes de percurso. Do lado de cá do Paseo, estão dois dos mais antigos e lindos cafés de Madri, o Gijón e o El Espejo. Nunca consegui atravessar a avenida. Mas tenho muitas horas de leitura naqueles dois cafés. Sem falar que a espera entre a comunicação e o recebimento da obra exigia pelo menos uma hora. Sem que eu pudesse entrar com algum livro ou jornal para ler enquanto esperava. Ora, não consigo ficar uma hora olhando o vazio.
Segundo a pesquisa do IPL, vão à biblioteca freqüentemente apenas 8% dos brasileiros, enquanto 17% o fazem de vez em quando. Isso não quer dizer que brasileiro não leia. Vão à biblioteca pesquisadores... e pessoas que não têm o hábito da leitura. Quem gosta de ler monta sua própria biblioteca. Por outro lado, se há livros que você encontra só nas bibliotecas, há outros que só existem em livrarias.
Ainda segundo o mesmo estudo, o brasileiro lê em média quatro livros por ano e apenas metade da população pode ser considerada leitora. A Bíblia aparece em primeiro lugar entre os gêneros preferidos – como se a Bíblia fosse um gênero – seguida de livros didáticos, romances, livros religiosos, contos, literatura infantil, entre outros.
Se a escassa freqüência às bibliotecas não significa que brasileiro leia pouco, isto tampouco quer dizer que brasileiro leia. Nem mesmo quatro livros por ano. Bíblia não conta, é imposição de igrejas e seitas. Pelo que conheço desta gente, geralmente só usam a Bíblia para portá-la sob o sovaco. Ou para papaguear versículos como um mantra. Isto não é ler.
Livro didático muito menos. É instrumento de ensino e imposição das escolas. Ler, a meu ver, é buscar leitura sem que a leitura seja imposta. Assim sendo, é bastante provável que um brasileiro não leia nem mesmo quatro livros por ano. Entre estes leitores, devemos incluir os de Paulo Coelho, padre Marcelo, Gabriel Chalita. Melhor não tivessem aprendido a ler.
A pesquisa levou em conta apenas os livros em papel. Por mais que editores, distribuidores e livreiros não gostem desta idéia, ebook também é livro. E as bibliotecas digitais, portáteis e o mais das vezes gratuitas, só têm aumentado nos dias que correm. O IPL ignorou o século em que vivemos.
Fora da leitura não há salvação, costumo afirmar. Não é preciso fazer pesquisa para concluir que brasileiros lêem pouco ou quase nada. Basta ver os governantes que elegem ou os ídolos que cultuam.
30 de março de 2012
janer cristaldo
A pesquisa fala de bibliotecas públicas. Sem ir mais longe, eu, que sou leitor inveterado, não freqüento bibliotecas públicas há uns bons trinta anos. Mas freqüento a minha todos os dias. Além do mais, o IPL parece ignorar os tempos em que vivemos. Biblioteca, hoje, pode estar em um computador, tablet ou pendrive.
Não gosto de bibliotecas por razão da mais simples. Meu modo de apoderar-me de um livro é sublinhar. Como não posso sublinhar livros de biblioteca alheias, prefiro freqüentar a minha. Neste sentido, não gosto nem de livro emprestado. Se o livro me interessa, trato de comprá-lo e fico com ele. Da mesma forma, não gosto muito de emprestar livros. Se o livro é extraviado, perdi não um livro, mas uma leitura.
Uma biblioteca foi fundamental em minha juventude, a Municipal, de Dom Pedrito, instalada na época no prédio da Prefeitura. Havia só uma livrariazinha na cidade, a do Naziazeno, e nela não chegavam os clássicos. Foi lá que me iniciei, em meus 14 ou 15 anos, em Platão, Cervantes, Descartes, Montesquieu. Para desagrado dos padres oblatos que administravam o Colégio Nossa Senhora do Patrocínio. Eles preferiam que lêssemos menos. Autores que nos faltavam, mandávamos buscar em Rivera ou Montevidéu. Foi como tomei contato com José Ingenieros, para desespero do clero local.
Como gosto de ler ao lado de um bom vinho, minhas salas de leitura preferidas são os bares. Foi hábito que adquiri em Paris. Desde os primórdios da Sorbonne, os cafés do Quartier Latin eram a sala de leitura ideal dos estudantes, pois tinham calefação. O hábito perdura até hoje e às vezes entramos em bares onde acabamos falando baixinho, para não atrapalhar a leitura dos clientes. Este hábito está disseminado por toda Europa. Em Viena, estive em um café que já teve trezentos jornais à disposição de seus habitués. Quando estive lá, teria uns cinqüenta. O ambiente é até um pouco escuro. Mas as mesas dispõem de lâmpadas baixas, adequadas à leitura. Foi lá também - acho - onde encontrei um bar que oferecia a seus clientes uma razoável biblioteca.
Para a presidente do IPL, Karine Pansa, os dados mostram que o desafio, em geral, não é mais possibilitar o acesso ao equipamento, mas fazer com que as pessoas o utilizem. "O maior desafio é transformar as bibliotecas em locais agradáveis, onde as pessoas gostam de estar, com prazer. Não só para estudar." Boa idéia. Para começar, poderiam contratar garçons e oferecer uma boa carta de vinhos.
A biblioteca é um lugar até o qual devo deslocar-me para ler. Ora, prefiro ler sem sair de onde estou. Há livros, é claro, que só lá existem. Mas estes livros são buscados por pesquisadores, não pelo leitor comum.
A última biblioteca que freqüentei foi a Bibliothèque Nationale de Paris, BeNa para os íntimos. Foi no final dos 70. Ocorre que os livros de minha pesquisa não mais existiam em livrarias. Depois disso, diria que jamais entrei em tais instituições. A não ser como turista. Há muita biblioteca na Europa que não é biblioteca, mas museu. Há dois anos, visitei a Old Library, em Dublim. Linda, solene, vetusta, repleta de incunábulos. Nela, pude contemplar as páginas com iluminuras do Book of Kells, uma das mais antigas versões da Bíblia. Mas não vi nenhum leitor em suas salas. Só turistas passeando por seus corredores. Como quem vai a uma catedral. Não para rezar, mas para admirar sua arquitetura e obras de arte.
Nos anos 80, fui convidado pelo governo sueco para passar duas semanas no país. Lá, visitei a Carolina Rediviva, a biblioteca de Uppsala, onde li inclusive manuscritos em sueco de José Bonifácio de Andrada e Silva. Ah! Tive também a honra de visitar a casa onde nasceu Karin Boye, de quem eu havia traduzido Kalocain.
Guiado pela mulher do diretor da biblioteca, fui introduzido no Santo dos Santos, isto é, a sala onde está a Bíblia de Prata - o Codex Argenteus – assim chamado por ter sido escrito com tinta prateada. É o texto mais conhecido em gótico, língua germânica já extinta. Não chega a ser uma bíblia, mas um evangelário, ou seja, um livro contendo partes dos quatro evangelhos. O nome dos evangelistas e as três primeiras linhas de cada evangelho são ornadas com letras de ouro. É certamente o livro mais raro que já vi em minha vida – e já vi muitos, inclusive a Gramática Castellana, de Nebrija. Devo ter passado por quatro ou cinco grades trancadas a sete chaves para chegar até a Bíblia de Prata. Mas não era disto que queria falar.
Uppsala é uma cidade universitária e teria na época 185 mil habitantes. Minha guia tinha uma queixa. Que o governo liberava verbas para aumentar as dependências da biblioteca, mas era avaro no que dizia respeito ao acervo. Quantos livros tem aqui? – perguntei. Nosso acervo é pequeno – me respondeu a moça, desolada -. Temos apenas quatro milhões de exemplares.
Em meus dias de Madri, a rigor teria de apelar à Biblioteca Nacional, no Paseo de Recoletos. Acontece que para chegar lá há alguns acidentes de percurso. Do lado de cá do Paseo, estão dois dos mais antigos e lindos cafés de Madri, o Gijón e o El Espejo. Nunca consegui atravessar a avenida. Mas tenho muitas horas de leitura naqueles dois cafés. Sem falar que a espera entre a comunicação e o recebimento da obra exigia pelo menos uma hora. Sem que eu pudesse entrar com algum livro ou jornal para ler enquanto esperava. Ora, não consigo ficar uma hora olhando o vazio.
Segundo a pesquisa do IPL, vão à biblioteca freqüentemente apenas 8% dos brasileiros, enquanto 17% o fazem de vez em quando. Isso não quer dizer que brasileiro não leia. Vão à biblioteca pesquisadores... e pessoas que não têm o hábito da leitura. Quem gosta de ler monta sua própria biblioteca. Por outro lado, se há livros que você encontra só nas bibliotecas, há outros que só existem em livrarias.
Ainda segundo o mesmo estudo, o brasileiro lê em média quatro livros por ano e apenas metade da população pode ser considerada leitora. A Bíblia aparece em primeiro lugar entre os gêneros preferidos – como se a Bíblia fosse um gênero – seguida de livros didáticos, romances, livros religiosos, contos, literatura infantil, entre outros.
Se a escassa freqüência às bibliotecas não significa que brasileiro leia pouco, isto tampouco quer dizer que brasileiro leia. Nem mesmo quatro livros por ano. Bíblia não conta, é imposição de igrejas e seitas. Pelo que conheço desta gente, geralmente só usam a Bíblia para portá-la sob o sovaco. Ou para papaguear versículos como um mantra. Isto não é ler.
Livro didático muito menos. É instrumento de ensino e imposição das escolas. Ler, a meu ver, é buscar leitura sem que a leitura seja imposta. Assim sendo, é bastante provável que um brasileiro não leia nem mesmo quatro livros por ano. Entre estes leitores, devemos incluir os de Paulo Coelho, padre Marcelo, Gabriel Chalita. Melhor não tivessem aprendido a ler.
A pesquisa levou em conta apenas os livros em papel. Por mais que editores, distribuidores e livreiros não gostem desta idéia, ebook também é livro. E as bibliotecas digitais, portáteis e o mais das vezes gratuitas, só têm aumentado nos dias que correm. O IPL ignorou o século em que vivemos.
Fora da leitura não há salvação, costumo afirmar. Não é preciso fazer pesquisa para concluir que brasileiros lêem pouco ou quase nada. Basta ver os governantes que elegem ou os ídolos que cultuam.
30 de março de 2012
janer cristaldo
A VELHA E BOA POLÍTICA DO "TOMA LÁ, DÁ CÁ"...
MINISTÉRIO DA PESCA CONTRATA EMPRESA DE PETISTA EM SC E DEPOIS PEDE VERBA PARA CAMPANHA DE IDELI AO GOVERNO
Ideli participou do ato de assinatura da compra das lanchas-patrulha
Após ser contratada para construir lanchas-patrulha de mais de R$ 1 milhão cada para o Ministério da Pesca - que não tinha competência para usar tais embarcações -, a empresa Intech Boating foi procurada para doar ao comitê financeiro do PT de Santa Catarina R$ 150 mil.
O comitê financeiro do PT catarinense bancou 81% dos custos da campanha a governador, cuja candidata foi a atual coordenadora política do governo, ministra Ideli Salvatti, em 2010.
Ex-militante do PT, o dono da empresa, José Antônio Galízio Neto, afirmou em entrevista ao Estado nesta quinta-feira, 29, que a doação não foi feita por afinidade política, embora se defina como filiado da época de fundação do partido em São Bernardo do Campo (SP).
“O partido era o partido do governo. A solicitação de doação veio pelo Ministério da Pesca, é óbvio. E eu não achei nada demais. Eu estava faturando R$ 23 milhões, 24 milhões, não havia nenhum tipo de irregularidade. E acho até hoje que, se precisasse fazer novamente, eu faria”, disse o ex-publicitário paulista. Logo em seguida, na entrevista, ele passou a atribuir o pedido de doação a um político local.
Derrotada na eleição, Ideli preencheu a cota do PT de Santa Catarina no ministério de Dilma Rousseff, justamente na pasta da Pesca. Em cinco meses no cargo, antes de mudar de gabinete para o Planalto, a ministra pagou o restante R$ 5,2 milhões que a empresa doadora à campanha petista ainda tinha a receber dos cofres públicos.
Nesta quinta-feira, a assessoria da ministra negou “qualquer ligação” entre Ideli e a Intech Boating, alegando que a doação não foi feita diretamente à campanha, mas ao comitê financeiro do PT. Em nota, a assessoria da ministra destaca que as contas da campanha foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ideli teve reiterados recentemente os poderes de articulação política do governo, em meio a sinais de rebelião da base de apoio de Dilma no Congresso.
Na quarta-feira, 28, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidades na compra das lanchas-patrulha, em contratos com a Intech Boating, que somaram R$ 31 milhões.
O prejuízo ao contribuinte, que autoridades e a empresa serão cobrados a devolver, ainda não foi calculado. O TCU critica sobretudo o fato de o ministério ter comprado lanchas sem ter o que fazer com elas. O relatório diz que 22 das 28 lanchas ficaram guardadas na própria fabricante, pois não tinham onde ser entregues.
José Antônio Galízio Neto afirmou que ainda restavam na empresa quatro das embarcações encomendadas. Uma delas seguiria ainda nesta quinta-feira para a Marinha, destino definido no início deste ano, quando a auditoria do TCU processava as conclusões.
As encomendas do ministério foram feitas entre 2009 e 2010, em licitações supostamente dirigidas, diz o TCU. No último dia de mandato, o então ministro Altemir Gregolin contratou mais cinco lanchas, quando 14 delas já estavam prontas e sem uso no estaleiro em Santa Catarina.
30 de março de 2012
Do site do jornal O Estado de S. Paulo
Ideli participou do ato de assinatura da compra das lanchas-patrulha
Após ser contratada para construir lanchas-patrulha de mais de R$ 1 milhão cada para o Ministério da Pesca - que não tinha competência para usar tais embarcações -, a empresa Intech Boating foi procurada para doar ao comitê financeiro do PT de Santa Catarina R$ 150 mil.
O comitê financeiro do PT catarinense bancou 81% dos custos da campanha a governador, cuja candidata foi a atual coordenadora política do governo, ministra Ideli Salvatti, em 2010.
Ex-militante do PT, o dono da empresa, José Antônio Galízio Neto, afirmou em entrevista ao Estado nesta quinta-feira, 29, que a doação não foi feita por afinidade política, embora se defina como filiado da época de fundação do partido em São Bernardo do Campo (SP).
“O partido era o partido do governo. A solicitação de doação veio pelo Ministério da Pesca, é óbvio. E eu não achei nada demais. Eu estava faturando R$ 23 milhões, 24 milhões, não havia nenhum tipo de irregularidade. E acho até hoje que, se precisasse fazer novamente, eu faria”, disse o ex-publicitário paulista. Logo em seguida, na entrevista, ele passou a atribuir o pedido de doação a um político local.
Derrotada na eleição, Ideli preencheu a cota do PT de Santa Catarina no ministério de Dilma Rousseff, justamente na pasta da Pesca. Em cinco meses no cargo, antes de mudar de gabinete para o Planalto, a ministra pagou o restante R$ 5,2 milhões que a empresa doadora à campanha petista ainda tinha a receber dos cofres públicos.
Nesta quinta-feira, a assessoria da ministra negou “qualquer ligação” entre Ideli e a Intech Boating, alegando que a doação não foi feita diretamente à campanha, mas ao comitê financeiro do PT. Em nota, a assessoria da ministra destaca que as contas da campanha foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ideli teve reiterados recentemente os poderes de articulação política do governo, em meio a sinais de rebelião da base de apoio de Dilma no Congresso.
Na quarta-feira, 28, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidades na compra das lanchas-patrulha, em contratos com a Intech Boating, que somaram R$ 31 milhões.
O prejuízo ao contribuinte, que autoridades e a empresa serão cobrados a devolver, ainda não foi calculado. O TCU critica sobretudo o fato de o ministério ter comprado lanchas sem ter o que fazer com elas. O relatório diz que 22 das 28 lanchas ficaram guardadas na própria fabricante, pois não tinham onde ser entregues.
José Antônio Galízio Neto afirmou que ainda restavam na empresa quatro das embarcações encomendadas. Uma delas seguiria ainda nesta quinta-feira para a Marinha, destino definido no início deste ano, quando a auditoria do TCU processava as conclusões.
As encomendas do ministério foram feitas entre 2009 e 2010, em licitações supostamente dirigidas, diz o TCU. No último dia de mandato, o então ministro Altemir Gregolin contratou mais cinco lanchas, quando 14 delas já estavam prontas e sem uso no estaleiro em Santa Catarina.
30 de março de 2012
Do site do jornal O Estado de S. Paulo
OS CACHORROS DA CANALHA ESTÃO À SOLTA
Manifestantes impedem militares de deixar evento no RJ.
QUEM PROCURA ACHA.
Dezenas de militares da reserva que assistiram ao debate "1964 - A Verdade" estão sitiados no prédio do Clube Militar, na Cinelândia, no Centro do Rio. Ao fim do evento eles tentaram sair, mas o prédio foi cercado por manifestantes que impediram o trânsito pelas duas entradas do imóvel.
São militantes do PCdoB, do PT, do PDT e de outros movimentos organizados que protestam contra o evento, que marca o aniversário do golpe militar de 1964 e reúne militares contrários à Comissão da Verdade.
Um dos manifestantes que protestavam na frente do Clube Militar, no centro do Rio, foi detido e algemado por policiais militares. Em seguida, a Avenida Rio Branco foi fechada pelos manifestantes. Policiais lançaram spray de pimenta e bombas de efeito moral contra o grupo, que revidou com ovos.
Os militares foram orientados a sair em pequenos grupos por uma porta lateral, na rua Santa Luzia, mas tiveram que recuar por conta do forte cheiro de gás de pimenta que tomou o térreo do clube.
A Polícia Militar tenta conter os manifestantes e chegou a liberar a saída de algumas pessoas pela porta principal, mas por medida de segurança voltou a impedir a saída.
Um grupo que saiu sob proteção do Batalhão de Choque da Polícia Militar foi alvo de xingamentos. Os manifestantes também chamaram os militares de "assassinos" e "porcos".
30 de março de 2012
WILSON TOSTA E HELOÍSA ARUTH STURM
Estadão
INSURGÊNCIA CONTRA REGIME SÍRIO É SUSTENTADA PELO OCIDENTE
Parece loucura que a oposição levantada na Síria desde 26 de janeiro de 2011 ainda continue e se desdobre, mais de um ano, sob a forma de luta armada, apesar da dura e sangrenta repressão do governo de Bashar al-Assad. Mas conforme comentou Polônio a respeito do comportamento de Hamlet, “embora seja loucura, há um método nela”.
Não obstante existissem condições objetivas e subjetivas para as sublevações que ocorreram e ocorrem nos países árabes, o cartel das potências industriais do Ocidente, liderado pelos Estados Unidos e seus sócios da União Europeia, armou uma equação, com ampla dimensão econômica, geopolítica e geoestratégica, sobretudo por trás das sublevações na Líbia e na Síria, iniciadas em 2011.
Os Estados Unidos e demais potências ocidentais pretendem assumir o controle do Mediterrâneo e isolar politicamente o Irã, aliado da Síria, bem como restringir a influência da Rússia e da China no Oriente Médio. A Rússia, desde 1971, opera o porto de Tartus, na Síria, e projeta reformá-lo e ampliá-lo, como base naval, em 2012, de modo que possa receber grandes navios de guerra e garantir sua presença no Mediterrâneo. Consta que a Rússia também planeja instalar bases navais na Líbia e no Iêmen.
O financiamento da oposição na Síria desde 2005 visou a desestabilizar e derrubar o regime de al-Assad, que representa um obstáculo, a fim de impedir o aprofundamento de suas relações com a Rússia. A queda do regime sírio após a derrubada de Muammar Kaddafi na Líbia permitiria suprimir a presença da Rússia, onde ela mantém duas bases navais (Tartus e Latakia), cortar as vias de suprimento de armas para as organizações pró-xiitas Hisbollah, no Líbano, e Hamas, na Palestina, conter o avanço da China sobre as fontes de petróleo, isolar completamente e estrangular o Irã, com a conseqüente eliminação do governo de Mahmoud Ahmadinejad.
O resultado da equação, ao mudar completamente o equilíbrio de forças no Oriente Médio, seria o estabelecimento pelos Estados Unidos e seus sócios da União Européia da full-spectrum dominance, ou seja, o pleno domínio territorial, marítimo, aéreo e espacial, bem como apossar-se de todos ativos do Mediterrâneo.
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CONTROLE DO MEDITERRÂNEO
O objetivo de controlar o Mediterrâneo, Washington e Madri manifestaram abertamente com o acordo, anunciado em 5 de outubro de 2011, pelo qual a base naval de Rota (Cádiz), na Espanha, devia albergar quatro destróieres, equipados com antimísseis (BMD) da Marinha dos EUA e operados por 1,1 mil militares e cem civis, como um sistema de defesa da OTAN, a pretexto de prevenir ataques de mísseis balísticos do Irã e da Coréia do Norte, e será acompanhado por outros sistemas, na Romênia, Polônia e Turquia.
E a derrubada do regime de Assad é fundamental para o êxito da equação.Os aliados ocidentais sabem que não podem aplicar à Síria a mesma estratégia da Líbia, através da OTAN, extrapolando criminosamente a resolução do Conselho de Segurança da ONU. O apoio à sublevação na Síria e o sistema antimísseis, implantado a partir da Espanha, indicam que o alvo é realmente a Rússia, ainda percebida pelos Estados Unidos como seu grande rival, razão pela qual Moscou e Beijing vetaram a resolução do Conselho de Segurança contra o regime de al-Assad. Sua derrubada, após a de Kaddafi, completaria o controle do Mediterrâneo…
Isso se os fundamentalistas islâmicos não capturarem os governos na Síria como virtualmente já fizeram na Líbia e provavelmente farão no Egito. A insurgência na Síria envolve interesses de diferentes matizes, tanto políticos quanto religiosos, de países da região (Turquia, Arábia Saudita e Qatar). Tudo indica, porém, que a conquista das fontes de energia no Mediterrâneo seja um dos principais motivos pelos quais os Estados Unidos e seus aliados estejam a encorajar abertamente a mudança do regime.
Embora a produção de petróleo, na Síria, seja modesta, da ordem de 530 mil barris por dia, não se pode descartar, inter alia, esse fator como rationale da sangrenta resistência, concentrada na cidade de Homs. É preciso considerar todos os fatores a determinar o apoio à insurgência, que o Ocidente, por meio de diversos mecanismos, inclusive com a guerra psicológica presente na mídia internacional, e em aliança com as monarquias absolutistas do Oriente Médio.
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RESERVAS DE PETRÓLEO
As reservas de petróleo na Síria são estimadas em 2,5 bilhões de barris, situadas principalmente na parte oriental do país, próxima à fronteira com o Iraque, ao longo do Eufrates, havendo apenas um pequeno número de campos, na região central. Sua localização é estratégica em termos de segurança e de rota de transporte de energia, cuja integração se esperava aumentar com a inauguração, em 2008, do Arab Gas Pipeline, e a inclusão no gasoduto da Turquia, Iraque e Irã.
E a Síria construiu um sistema de oleodutos e gasodutos controlados pela empresa estatal Syrian Company for Oil Transportation (SCOT) a fim de transportar óleo cru e refinado para os portos Baniyas, situados 55 quilômetros ao sul de Latakia e 34 ao norte de Tartus, onde se encontram as duas bases navais da Rússia. Em fevereiro de 2012, os terroristas da al-Qaeda atacaram e explodiram a maior refinaria de Síria, localizada em Bab Amro, distrito 7 quilômetros a oeste do centro de Homs (também chamada Hims), cidade em que se concentra a oposição ao regime de Assad. A refinaria se liga, através de um oleoduto inaugurado em 2010, aos campos de petróleo no leste da Síria, à estação de Tel Adas e ao porto de Tartus.
O interesse das potências ocidentais aponta, sobretudo, para os ativos petrolíferos no mar da região. Segundo o ministro do Petróleo e Recursos Naturais da Síria, Sufian Allaw, os estudos científicos modernos indicaram a existência de enorme reserva de gás natural, calculada em 122 trilhões de pés cúbicos, e petróleo, da ordem de 107 bilhões de barris, ao longo da plataforma marítima da Síria.
Diversas companhias anunciaram recentemente terem descoberto importantes reservas de gás e petróleo, mas a exploração é complicada devido às tensões entre os países da região. As reservas, em águas profundas, nas camadas sub-sal, a leste do Mediterrâneo, próxima à Bacia Levantina, estendem-se ao longo dos 193 quilômetros da costa da Síria até o Líbano e Israel. Desde 2010 esses dados são conhecidos.
A Síria é uma arena onde as rivalidades não são apenas políticas, geopolíticas, mas também religiosas. Essa particularidade está no transfondo da luta armada contra o regime de Bashar al-Assad, sustentado pela Rússia e pelo Irã. Aí estão no Great Game os interesses hegemônicos da Turquia, na região, bem como dos Estados Unidos, França, Reino Unido e seus aliados da Liga Árabe.
E não existe mais a menor dúvida de que a insurgência contra o regime de Bashar al-Assad é sustentada com armas e dinheiro pelas potências ocidentais e pelos seus aliados do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), as seis monarquias mais retrógradas e absolutistas do Oriente Médio, entre quais a tirania teocrática wahhabista do rei Abdallah bin Abdul Aziz Al-Saud, da Arábia Saudita, e do seu aliado, o emir de Qatar, o xeque Hamad bin Khalifa Al Thani.
30 de março de 2012
Luiz Alberto Moniz Bandeira
Transcrito do blog Pátria Latina
Não obstante existissem condições objetivas e subjetivas para as sublevações que ocorreram e ocorrem nos países árabes, o cartel das potências industriais do Ocidente, liderado pelos Estados Unidos e seus sócios da União Europeia, armou uma equação, com ampla dimensão econômica, geopolítica e geoestratégica, sobretudo por trás das sublevações na Líbia e na Síria, iniciadas em 2011.
Os Estados Unidos e demais potências ocidentais pretendem assumir o controle do Mediterrâneo e isolar politicamente o Irã, aliado da Síria, bem como restringir a influência da Rússia e da China no Oriente Médio. A Rússia, desde 1971, opera o porto de Tartus, na Síria, e projeta reformá-lo e ampliá-lo, como base naval, em 2012, de modo que possa receber grandes navios de guerra e garantir sua presença no Mediterrâneo. Consta que a Rússia também planeja instalar bases navais na Líbia e no Iêmen.
O financiamento da oposição na Síria desde 2005 visou a desestabilizar e derrubar o regime de al-Assad, que representa um obstáculo, a fim de impedir o aprofundamento de suas relações com a Rússia. A queda do regime sírio após a derrubada de Muammar Kaddafi na Líbia permitiria suprimir a presença da Rússia, onde ela mantém duas bases navais (Tartus e Latakia), cortar as vias de suprimento de armas para as organizações pró-xiitas Hisbollah, no Líbano, e Hamas, na Palestina, conter o avanço da China sobre as fontes de petróleo, isolar completamente e estrangular o Irã, com a conseqüente eliminação do governo de Mahmoud Ahmadinejad.
O resultado da equação, ao mudar completamente o equilíbrio de forças no Oriente Médio, seria o estabelecimento pelos Estados Unidos e seus sócios da União Européia da full-spectrum dominance, ou seja, o pleno domínio territorial, marítimo, aéreo e espacial, bem como apossar-se de todos ativos do Mediterrâneo.
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CONTROLE DO MEDITERRÂNEO
O objetivo de controlar o Mediterrâneo, Washington e Madri manifestaram abertamente com o acordo, anunciado em 5 de outubro de 2011, pelo qual a base naval de Rota (Cádiz), na Espanha, devia albergar quatro destróieres, equipados com antimísseis (BMD) da Marinha dos EUA e operados por 1,1 mil militares e cem civis, como um sistema de defesa da OTAN, a pretexto de prevenir ataques de mísseis balísticos do Irã e da Coréia do Norte, e será acompanhado por outros sistemas, na Romênia, Polônia e Turquia.
E a derrubada do regime de Assad é fundamental para o êxito da equação.Os aliados ocidentais sabem que não podem aplicar à Síria a mesma estratégia da Líbia, através da OTAN, extrapolando criminosamente a resolução do Conselho de Segurança da ONU. O apoio à sublevação na Síria e o sistema antimísseis, implantado a partir da Espanha, indicam que o alvo é realmente a Rússia, ainda percebida pelos Estados Unidos como seu grande rival, razão pela qual Moscou e Beijing vetaram a resolução do Conselho de Segurança contra o regime de al-Assad. Sua derrubada, após a de Kaddafi, completaria o controle do Mediterrâneo…
Isso se os fundamentalistas islâmicos não capturarem os governos na Síria como virtualmente já fizeram na Líbia e provavelmente farão no Egito. A insurgência na Síria envolve interesses de diferentes matizes, tanto políticos quanto religiosos, de países da região (Turquia, Arábia Saudita e Qatar). Tudo indica, porém, que a conquista das fontes de energia no Mediterrâneo seja um dos principais motivos pelos quais os Estados Unidos e seus aliados estejam a encorajar abertamente a mudança do regime.
Embora a produção de petróleo, na Síria, seja modesta, da ordem de 530 mil barris por dia, não se pode descartar, inter alia, esse fator como rationale da sangrenta resistência, concentrada na cidade de Homs. É preciso considerar todos os fatores a determinar o apoio à insurgência, que o Ocidente, por meio de diversos mecanismos, inclusive com a guerra psicológica presente na mídia internacional, e em aliança com as monarquias absolutistas do Oriente Médio.
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RESERVAS DE PETRÓLEO
As reservas de petróleo na Síria são estimadas em 2,5 bilhões de barris, situadas principalmente na parte oriental do país, próxima à fronteira com o Iraque, ao longo do Eufrates, havendo apenas um pequeno número de campos, na região central. Sua localização é estratégica em termos de segurança e de rota de transporte de energia, cuja integração se esperava aumentar com a inauguração, em 2008, do Arab Gas Pipeline, e a inclusão no gasoduto da Turquia, Iraque e Irã.
E a Síria construiu um sistema de oleodutos e gasodutos controlados pela empresa estatal Syrian Company for Oil Transportation (SCOT) a fim de transportar óleo cru e refinado para os portos Baniyas, situados 55 quilômetros ao sul de Latakia e 34 ao norte de Tartus, onde se encontram as duas bases navais da Rússia. Em fevereiro de 2012, os terroristas da al-Qaeda atacaram e explodiram a maior refinaria de Síria, localizada em Bab Amro, distrito 7 quilômetros a oeste do centro de Homs (também chamada Hims), cidade em que se concentra a oposição ao regime de Assad. A refinaria se liga, através de um oleoduto inaugurado em 2010, aos campos de petróleo no leste da Síria, à estação de Tel Adas e ao porto de Tartus.
O interesse das potências ocidentais aponta, sobretudo, para os ativos petrolíferos no mar da região. Segundo o ministro do Petróleo e Recursos Naturais da Síria, Sufian Allaw, os estudos científicos modernos indicaram a existência de enorme reserva de gás natural, calculada em 122 trilhões de pés cúbicos, e petróleo, da ordem de 107 bilhões de barris, ao longo da plataforma marítima da Síria.
Diversas companhias anunciaram recentemente terem descoberto importantes reservas de gás e petróleo, mas a exploração é complicada devido às tensões entre os países da região. As reservas, em águas profundas, nas camadas sub-sal, a leste do Mediterrâneo, próxima à Bacia Levantina, estendem-se ao longo dos 193 quilômetros da costa da Síria até o Líbano e Israel. Desde 2010 esses dados são conhecidos.
A Síria é uma arena onde as rivalidades não são apenas políticas, geopolíticas, mas também religiosas. Essa particularidade está no transfondo da luta armada contra o regime de Bashar al-Assad, sustentado pela Rússia e pelo Irã. Aí estão no Great Game os interesses hegemônicos da Turquia, na região, bem como dos Estados Unidos, França, Reino Unido e seus aliados da Liga Árabe.
E não existe mais a menor dúvida de que a insurgência contra o regime de Bashar al-Assad é sustentada com armas e dinheiro pelas potências ocidentais e pelos seus aliados do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), as seis monarquias mais retrógradas e absolutistas do Oriente Médio, entre quais a tirania teocrática wahhabista do rei Abdallah bin Abdul Aziz Al-Saud, da Arábia Saudita, e do seu aliado, o emir de Qatar, o xeque Hamad bin Khalifa Al Thani.
30 de março de 2012
Luiz Alberto Moniz Bandeira
Transcrito do blog Pátria Latina
CARLINHOS CACHOEIRA AVISOU DEMÓSTENES SOBRE AS INVESTIGAÇÕES DA POLÍCIA FEDERAL
Investigações da Polícia Federal apontam que o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, repassou informações sobre apurações contra o seu grupo ao senador Demóstenes Torres (DEM-GO), informa reportagem de Fernando Mello, Leandro Colon e Filipe Coutinho, publicada na Folha.
A Folha obteve 12 mil páginas do inquérito da PF que culminou na Operação Monte Carlo, na investigação sobre Cachoeira e mais 80 pessoas, todos denunciados neste mês pelo Ministério de Público Federal sob acusação de explorar máquinas caça-níquel e corromper agentes públicos para manter o negócio.
No inquérito a que a Folha teve acesso, o nome de Demóstenes aparece, por exemplo, num relatório da PF sobre um diálogo gravado com autorização judicial no dia 13 de março do ano passado, às 15h37. Nele, conversam Carlinhos Cachoeira e o sargento aposentado da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá – apontado pela Procuradoria como o principal araponga da quadrilha. Ambos estão presos. De acordo com a PF, eles falavam sobre investigações sigilosas que o grupo sofria à época, quando a Monte Carlo já estava em andamento.
Outro diálogo revela que Demóstenes atuava para ajudar Cachoeira na escolha de integrantes para o governo de Goiás, comandado pelo tucano Marconi Perillo. Em uma conversa no dia 5 de janeiro do ano passado, o empresário menciona duas vezes o nome do senador a um integrante de seu grupo, de acordo com a PF.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Demóstenes Torres caiu em profunda depressão e diz que está “morto politicamente”. O Senado, portanto, deve se apressar, providenciando logo o enterro político dele, através da cassação do mandato. A grande dúvida é saber se ele continuará tendo direito à aposentadoria como senador e se será também excluído do serviço público, onde detém a nobre função de procurador estadual.
30 de março de 2012
A Folha obteve 12 mil páginas do inquérito da PF que culminou na Operação Monte Carlo, na investigação sobre Cachoeira e mais 80 pessoas, todos denunciados neste mês pelo Ministério de Público Federal sob acusação de explorar máquinas caça-níquel e corromper agentes públicos para manter o negócio.
No inquérito a que a Folha teve acesso, o nome de Demóstenes aparece, por exemplo, num relatório da PF sobre um diálogo gravado com autorização judicial no dia 13 de março do ano passado, às 15h37. Nele, conversam Carlinhos Cachoeira e o sargento aposentado da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá – apontado pela Procuradoria como o principal araponga da quadrilha. Ambos estão presos. De acordo com a PF, eles falavam sobre investigações sigilosas que o grupo sofria à época, quando a Monte Carlo já estava em andamento.
Outro diálogo revela que Demóstenes atuava para ajudar Cachoeira na escolha de integrantes para o governo de Goiás, comandado pelo tucano Marconi Perillo. Em uma conversa no dia 5 de janeiro do ano passado, o empresário menciona duas vezes o nome do senador a um integrante de seu grupo, de acordo com a PF.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Demóstenes Torres caiu em profunda depressão e diz que está “morto politicamente”. O Senado, portanto, deve se apressar, providenciando logo o enterro político dele, através da cassação do mandato. A grande dúvida é saber se ele continuará tendo direito à aposentadoria como senador e se será também excluído do serviço público, onde detém a nobre função de procurador estadual.
30 de março de 2012
COLOCAR TODA A CULPA NA TAXA DE CÂMBIO É CORTEJAR A DESINDUSTRIALIZAÇÃO
“Para a ortodoxia neoliberal, o culpado é o velho custo Brasil, é a infraestrutura insuficiente, são os impostos altos demais, é a oneração excessiva da folha de salários com direitos trabalhistas. E qual é a solução neoliberal? Resolver esses problemas. Ou seja, nada fazer além do que já está sendo feito, porque esses são problemas antigos e permanentes que todos os governos procuram resolver. Não são fatos novos que são necessários para explicar um fato novo: a desindustrialização”, disse aqui no Blog da Tribuna o articulista Francisco Bendl.
Não concordo com a frase “que todos os governos procuram resolver”. Porque, quando se fala do nível de “equilíbrio industrial” da taxa de câmbio presume-se um nível de equilíbrio calculado entre a competitividade existente da indústria brasileira e a competitividade dos demais países.
Nossa competitividade que é baixa em função exatamente do “velho custo Brasil”, o qual os nossos governos, ao contrário do que foi dito, não têm procurado resolver, porque não colocam como prioritário investir na infraestrutura terrívelmente inadequada, nem em reduzir o alto custo monetário e a perda de tempo da burocracia, nem em investir eficientemente na melhoria da educação do povo, nem em investir em pesquisa e tecnologia (ao contrário, reduz os investimentos), nem em diminuir os custos (custos, não investimentos) e desperdícios da máquina governamental e legislativa para que sobre dinheiro para estes investimentos e para reduzir a carga tributária.
Colocar toda a culpa na taxa de câmbio e querer que ela compense a falta de competitividade, num regime de câmbio flutuante, ao invés de trabalhar eficientemente para aumentar de modo real esta competitividade, é o que se chama de “wishful thinking”.
Adotar medidas protecionistas para que nossos produtos vendam mais no mercado interno protegido, sem dar a eles condições de ir competir nos mercados lá de fora, enquanto se tenta forçar o aumento do consumo ampliando a disponibilidade de crédito ao consumidor, num país que tem ao mesmo tempo as mais altas taxas reais de juros para os consumidores e a mais alta rentabilidade dos bancos de que se tem notícia, isso é cortejar o desastre da desindustrialização. Pensem nisso.
30 de março de 2012
Wilson Baptista Junior
Não concordo com a frase “que todos os governos procuram resolver”. Porque, quando se fala do nível de “equilíbrio industrial” da taxa de câmbio presume-se um nível de equilíbrio calculado entre a competitividade existente da indústria brasileira e a competitividade dos demais países.
Nossa competitividade que é baixa em função exatamente do “velho custo Brasil”, o qual os nossos governos, ao contrário do que foi dito, não têm procurado resolver, porque não colocam como prioritário investir na infraestrutura terrívelmente inadequada, nem em reduzir o alto custo monetário e a perda de tempo da burocracia, nem em investir eficientemente na melhoria da educação do povo, nem em investir em pesquisa e tecnologia (ao contrário, reduz os investimentos), nem em diminuir os custos (custos, não investimentos) e desperdícios da máquina governamental e legislativa para que sobre dinheiro para estes investimentos e para reduzir a carga tributária.
Colocar toda a culpa na taxa de câmbio e querer que ela compense a falta de competitividade, num regime de câmbio flutuante, ao invés de trabalhar eficientemente para aumentar de modo real esta competitividade, é o que se chama de “wishful thinking”.
Adotar medidas protecionistas para que nossos produtos vendam mais no mercado interno protegido, sem dar a eles condições de ir competir nos mercados lá de fora, enquanto se tenta forçar o aumento do consumo ampliando a disponibilidade de crédito ao consumidor, num país que tem ao mesmo tempo as mais altas taxas reais de juros para os consumidores e a mais alta rentabilidade dos bancos de que se tem notícia, isso é cortejar o desastre da desindustrialização. Pensem nisso.
30 de março de 2012
Wilson Baptista Junior
É O COMEÇO DO FIM.
Supremo autoriza quebra de sigilo bancário de Demóstenes
Reportagem de Felipe Seligman, da Folha de S. Paulo, anuncia que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski determinou na tarde desta quinta-feira, a pedido da Procuradoria Geral da República, a quebra de sigilo bancário do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
O pedido é referente a um período de aproximadamente dois anos, época em que ele foi flagrado em diversas ligações telefônicas com o empresário Carlos Augusto Soares, o Carlinhos Cachoeira, investigado por suspeita de contravenção.
O ministro, que é relator do inquérito sobre o senador, também enviou pedido ao presidente do Senado, José Sarney, para que ele informe a relação de emendas ao Orçamento da União apresentadas por Demóstenes.
As informações sobre o inquérito foram passadas pelo próprio Lewandowski, após uma série de pedidos da imprensa para ter acesso aos autos do inquérito do STF. Ele disse que não poderia prestar informações detalhadas sobre o caso, pois trata-se de uma investigação sob segredo de Justiça baseada em conversas telefônicas protegidas pelo sigilo.
Ao requisitar a lista das emendas apresentadas por Demóstenes, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, indica que uma de suas linhas de investigação será analisar se o senador utilizou prerrogativas de seu cargo para favorecer Cachoeira.
Em relação à quebra de sigilo bancário, a mesma decisão foi proferida em relação a outros investigados, mas seus nomes não foram informados por Lewandowski.
O ministro ainda disse ter determinado o envio de ofícios a órgãos públicos, federais e estaduais, que deverão enviar cópia de contratos celebrados com empresas que aparecem nos diálogos interceptados pela Polícia Federal, com autorização judicial. Ele não informou, no entanto, quais são os órgãos e as empresas citadas.
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PEDIDOS NEGADOS
Nem tudo o que foi pedido por Gurgel, no entanto, foi autorizado. O procurador-geral queria o acesso automático a dados financeiros do Banco Central, para agilizar as investigações. Lewandowski, no entanto, afirmou que todas as informações requisitadas pela PGR deverão passar pela aprovação do Supremo.
O ministro também negou pedido para a realização de um depoimento de Demóstenes Torres, por entender que o momento ainda é prematuro.
Além disso, Gurgel havia pedido a abertura de outro inquérito, no Supremo, para investigar deputados que foram citados nas conversas. Lewandowski, porém, requisitou que o procurador-geral explique melhor qual é o seu objetivo.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Pena que o procurador-geral Roberto Gurgel não tenha demonstrado mesma disposição no que diz respeito ao então ministro Antonio Palocci. Como se sabe, Gurgel não somente “inocentou” Palocci na época, como recentemente teve a ousadia de querer punir os procuradores que cumpriram seu dever e decidiram processar o ex-ministro que Gurgel tanto protege, sabe-se lá por quê.
Reportagem de Felipe Seligman, da Folha de S. Paulo, anuncia que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski determinou na tarde desta quinta-feira, a pedido da Procuradoria Geral da República, a quebra de sigilo bancário do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
O pedido é referente a um período de aproximadamente dois anos, época em que ele foi flagrado em diversas ligações telefônicas com o empresário Carlos Augusto Soares, o Carlinhos Cachoeira, investigado por suspeita de contravenção.
O ministro, que é relator do inquérito sobre o senador, também enviou pedido ao presidente do Senado, José Sarney, para que ele informe a relação de emendas ao Orçamento da União apresentadas por Demóstenes.
As informações sobre o inquérito foram passadas pelo próprio Lewandowski, após uma série de pedidos da imprensa para ter acesso aos autos do inquérito do STF. Ele disse que não poderia prestar informações detalhadas sobre o caso, pois trata-se de uma investigação sob segredo de Justiça baseada em conversas telefônicas protegidas pelo sigilo.
Ao requisitar a lista das emendas apresentadas por Demóstenes, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, indica que uma de suas linhas de investigação será analisar se o senador utilizou prerrogativas de seu cargo para favorecer Cachoeira.
Em relação à quebra de sigilo bancário, a mesma decisão foi proferida em relação a outros investigados, mas seus nomes não foram informados por Lewandowski.
O ministro ainda disse ter determinado o envio de ofícios a órgãos públicos, federais e estaduais, que deverão enviar cópia de contratos celebrados com empresas que aparecem nos diálogos interceptados pela Polícia Federal, com autorização judicial. Ele não informou, no entanto, quais são os órgãos e as empresas citadas.
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PEDIDOS NEGADOS
Nem tudo o que foi pedido por Gurgel, no entanto, foi autorizado. O procurador-geral queria o acesso automático a dados financeiros do Banco Central, para agilizar as investigações. Lewandowski, no entanto, afirmou que todas as informações requisitadas pela PGR deverão passar pela aprovação do Supremo.
O ministro também negou pedido para a realização de um depoimento de Demóstenes Torres, por entender que o momento ainda é prematuro.
Além disso, Gurgel havia pedido a abertura de outro inquérito, no Supremo, para investigar deputados que foram citados nas conversas. Lewandowski, porém, requisitou que o procurador-geral explique melhor qual é o seu objetivo.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Pena que o procurador-geral Roberto Gurgel não tenha demonstrado mesma disposição no que diz respeito ao então ministro Antonio Palocci. Como se sabe, Gurgel não somente “inocentou” Palocci na época, como recentemente teve a ousadia de querer punir os procuradores que cumpriram seu dever e decidiram processar o ex-ministro que Gurgel tanto protege, sabe-se lá por quê.
LULA: O RETORNO
Não terá havido um só brasileiro deixando de comemorar as boas notícias dadas pelo Lula a respeito de sua recuperação. Festejamos todos, petistas e tucanos, flamenguistas e corintianos. Feliz, mas cauteloso, o ex-presidente se disse pronto para voltar a fazer política, mesmo com a ressalva de que de agora em diante cuidará mais da saúde.
Aqui surgem as primeiras indagações. Claro que ele se dedicará de corpo e alma à campanha de Fernando Haddad. Ainda que sem ter lido Proust, sairá em busca do tempo perdido, oxigenando a candidatura até agora estagnada.
Dificilmente, porém, o Lula sairá por todos os estados onde o PT apresenta candidatos à prefeitura das capitais. Um ou outro, como exceção, verá o primeiro companheiro em seus palanques. Mensagens gravadas substituirão sua presença nos demais.
Por diversas vezes, antes de adoecer, o ex-presidente sustentou que em 2014 a vez seria de Dilma buscar a reeleição, um direito dela apoiado por ele. A pergunta que não quer calar, porém, refere-se à possibilidade de alteração nesse quadro.
Pode ser que a presidente não queira, hipótese factível apenas na teoria. Como pode ser que diante do inusitado dos últimos meses, precisamente por estar recuperado, o Lula venha ceder aos apelos que já se ouvem em consideráveis grupos do PT, no sentido do “volte logo”. Em 2014, portanto.
A iniciativa poderia partir da própria presidente, numa reverência a mais sobre quem efetivamente lidera o partido. No reverso da medalha existem argumentos para que o ex-presidente seja poupado.
Quatro anos, no mínimo, de atividades intensas, deixariam nele marcas profundas. Além do que, demonstra a experiência, o retorno muitas vezes prejudica. Como fator a ser analisado no devido tempo está a performance dos adversários. Caso o PSDB se afirme nas próximas eleições municipais, ao tempo em que candidatura Aécio Neves venha a tornar-se consenso absoluto no ninho dos tucanos, o que fariam os companheiros para tentar manter o poder? Estimulariam Dilma à reeleição ou, na razão direta do crescimento do nome do ex-governador de Minas, buscariam derrotá-lo com munição pesada, ou seja,o Lula?
Essas dúvidas não precisam ser solucionadas de pronto. Pelo contrário, devem ser cultivadas ao sabor dos acontecimentos e das circunstâncias. Inclusive à luz das alianças partidárias.
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TE CUIDA, SUPLICY
Apenas para elocubrar: estimulando a reeleição de Dilma, o mais provável é que o Lula dispute as eleições para o Senado, por São Paulo. Como haverá uma vaga, apenas, tomando-se como indiscutível a vitória do ex-presidente, voltam-se as atenções para quem termina o mandato. No caso, o também companheiro Eduardo Suplicy. Nem haveria possibilidade de prévias junto às bases do PT para saber qual o candidato. Talvez por isso o atual senador forme na primeira linha do coro que começou a entoar o “Lula, volta logo”. (Para o palácio do Planalto…)
30 de março de 2012
Carlos Chagas
Aqui surgem as primeiras indagações. Claro que ele se dedicará de corpo e alma à campanha de Fernando Haddad. Ainda que sem ter lido Proust, sairá em busca do tempo perdido, oxigenando a candidatura até agora estagnada.
Dificilmente, porém, o Lula sairá por todos os estados onde o PT apresenta candidatos à prefeitura das capitais. Um ou outro, como exceção, verá o primeiro companheiro em seus palanques. Mensagens gravadas substituirão sua presença nos demais.
Por diversas vezes, antes de adoecer, o ex-presidente sustentou que em 2014 a vez seria de Dilma buscar a reeleição, um direito dela apoiado por ele. A pergunta que não quer calar, porém, refere-se à possibilidade de alteração nesse quadro.
Pode ser que a presidente não queira, hipótese factível apenas na teoria. Como pode ser que diante do inusitado dos últimos meses, precisamente por estar recuperado, o Lula venha ceder aos apelos que já se ouvem em consideráveis grupos do PT, no sentido do “volte logo”. Em 2014, portanto.
A iniciativa poderia partir da própria presidente, numa reverência a mais sobre quem efetivamente lidera o partido. No reverso da medalha existem argumentos para que o ex-presidente seja poupado.
Quatro anos, no mínimo, de atividades intensas, deixariam nele marcas profundas. Além do que, demonstra a experiência, o retorno muitas vezes prejudica. Como fator a ser analisado no devido tempo está a performance dos adversários. Caso o PSDB se afirme nas próximas eleições municipais, ao tempo em que candidatura Aécio Neves venha a tornar-se consenso absoluto no ninho dos tucanos, o que fariam os companheiros para tentar manter o poder? Estimulariam Dilma à reeleição ou, na razão direta do crescimento do nome do ex-governador de Minas, buscariam derrotá-lo com munição pesada, ou seja,o Lula?
Essas dúvidas não precisam ser solucionadas de pronto. Pelo contrário, devem ser cultivadas ao sabor dos acontecimentos e das circunstâncias. Inclusive à luz das alianças partidárias.
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TE CUIDA, SUPLICY
Apenas para elocubrar: estimulando a reeleição de Dilma, o mais provável é que o Lula dispute as eleições para o Senado, por São Paulo. Como haverá uma vaga, apenas, tomando-se como indiscutível a vitória do ex-presidente, voltam-se as atenções para quem termina o mandato. No caso, o também companheiro Eduardo Suplicy. Nem haveria possibilidade de prévias junto às bases do PT para saber qual o candidato. Talvez por isso o atual senador forme na primeira linha do coro que começou a entoar o “Lula, volta logo”. (Para o palácio do Planalto…)
30 de março de 2012
Carlos Chagas
ADEUS AO GRANDE MILLÔR, UM GÊNIO ABSOLUTO DA ARTE E DO TEMPO
Adeus ao grande Millôr, um gênio absoluto da arte e do tempo
Millôr Fernandes viajou esta semana para a eternidade, onde os esperam as obras que produziu, as peças que escreveu, as que brilhantemente traduziu, as frases que criou e cristalizou na memória de milhões e milhões de leitores desde a época da revista O Cruzeiro, projetando-se, como ele próprio se definiu, um escritor sem estilo.
Uma de suas frases foi manchete de primeira página da edição de ontem, quinta-feira, da Folha de São Paulo:”A gente só morreu uma vez. Mas é para sempre.” Um rebelde também contra tudo de injusto e de farsa que aparecesse à sua frente. Mensagem assinada por ele na página que assinava na Veja: “Peço que deixem de falar comigo os artistas que fazem propaganda de empréstimo consignado aos aposentados.”
Tenho certeza que surtiu efeito concreto. Pelo menos na consciência dos que a compreenderam e, sobretudo, a interpretaram como mensagem de sua personalidade.
Um gênio, disse eu no título. Não só do humor escrito, mas do traço, incluindo a piada certeira como um provérbio. Lembro da seção PIF-PAF que tornou famosa em O Cruzeiro, que liderava a cadeia de publicações, rádios e emissoras de televisão de Assis Chateaubriand. Falo das décadas de 40 e 50. Já vão longe. Como ele ao passar e iluminar esta vida.
Eis mais uma frase, esta no PIF-PAF que recordo: “Enquanto os sábios discutem sem certeza, os idiotas atacam de surpresa”.
O grande Millor, irmão de Helio Fernandes, foi alguém que, através do riso, na face ou nos olhos, além de tudo também confrontou o poder. Aliás nunca levou o poder a sério. Atuação múltipla, desenvolta, criativa, brilhante, vibrante, veloz, amigo agradável, companhia saborosa nas caminhadas, manhãs de domingo, pela Vieira Souto, onde morava.
O percurso, ao lado dele e Gravatá, seu grande amigo, terminava num café, na Livraria Travessa ou no Garcia e Rodrigues. Neste, num domingo, a oferta de mais uma tradução. Não sei se chegou a aceitá-la ou concluí-la. Era para traduzir história semelhante a Romeu e Julieta, original espanhol.
Nesse dia, ele me disse que havia se deparado com alguns Romeus e Julietas, histórias iguais à de Shakespeare em outras línguas que não o inglês.
Ele morreu. Fiquei sem saber quais são elas. Shakespeare ele traduziu também, assim como Goldoni, Pirandelo e Ionesco. Imortal sua peça “Liberdade, Liberdade”, em parceria com Oduvaldo Viana Filho, com Paulo Autran e Teresa Raquel no teatro de Arena. Um hino à liberdade contra a ditadura militar. Ele, os atores, inclusive Vianinha que estava no elenco, por um triz não sofreram um atentado à bomba em noite de espetáculo. Com esta peça, Millôr cumpriu para consigo mesmo seu eterno compromisso de artista e cidadão.
Com “Liberdade, Liberdade” promoveu o encontro da arte com a condição humana. Com a cultura que é, em síntese, a passagem de todos pelo tempo, nosso eco, nosso rastro, nossa sombra. Firme personagem e co-proprietário do Pasquim, sufocado pelo arbítrio do ciclo dos generais do poder. Nunca buscou indenizaçãodo governo. Ao contrário de alguns colaboradores que nada – absolutamente nada – sofreram.
Sua viagem começou pelo O Cruzeiro, com escalas repetidas no Jornal do Brasil, na Veja, uma breve presença no Correio da Manhã. Breve como a de Nelson Rodrigues, a demissão de Cony e Carpeaux. O diretor do jornal era Osvaldo Peralva.
De escala em escala através da imprensa, Millôr chegou ao final da linha e da viagem. Agora, para ele, o tempo não conta mais neste adeus amigo. Porque é marcado apenas por um relógio sem ponteiros.
30 de março de 2012
Pedro do Coutto
Millôr Fernandes viajou esta semana para a eternidade, onde os esperam as obras que produziu, as peças que escreveu, as que brilhantemente traduziu, as frases que criou e cristalizou na memória de milhões e milhões de leitores desde a época da revista O Cruzeiro, projetando-se, como ele próprio se definiu, um escritor sem estilo.
Uma de suas frases foi manchete de primeira página da edição de ontem, quinta-feira, da Folha de São Paulo:”A gente só morreu uma vez. Mas é para sempre.” Um rebelde também contra tudo de injusto e de farsa que aparecesse à sua frente. Mensagem assinada por ele na página que assinava na Veja: “Peço que deixem de falar comigo os artistas que fazem propaganda de empréstimo consignado aos aposentados.”
Tenho certeza que surtiu efeito concreto. Pelo menos na consciência dos que a compreenderam e, sobretudo, a interpretaram como mensagem de sua personalidade.
Um gênio, disse eu no título. Não só do humor escrito, mas do traço, incluindo a piada certeira como um provérbio. Lembro da seção PIF-PAF que tornou famosa em O Cruzeiro, que liderava a cadeia de publicações, rádios e emissoras de televisão de Assis Chateaubriand. Falo das décadas de 40 e 50. Já vão longe. Como ele ao passar e iluminar esta vida.
Eis mais uma frase, esta no PIF-PAF que recordo: “Enquanto os sábios discutem sem certeza, os idiotas atacam de surpresa”.
O grande Millor, irmão de Helio Fernandes, foi alguém que, através do riso, na face ou nos olhos, além de tudo também confrontou o poder. Aliás nunca levou o poder a sério. Atuação múltipla, desenvolta, criativa, brilhante, vibrante, veloz, amigo agradável, companhia saborosa nas caminhadas, manhãs de domingo, pela Vieira Souto, onde morava.
O percurso, ao lado dele e Gravatá, seu grande amigo, terminava num café, na Livraria Travessa ou no Garcia e Rodrigues. Neste, num domingo, a oferta de mais uma tradução. Não sei se chegou a aceitá-la ou concluí-la. Era para traduzir história semelhante a Romeu e Julieta, original espanhol.
Nesse dia, ele me disse que havia se deparado com alguns Romeus e Julietas, histórias iguais à de Shakespeare em outras línguas que não o inglês.
Ele morreu. Fiquei sem saber quais são elas. Shakespeare ele traduziu também, assim como Goldoni, Pirandelo e Ionesco. Imortal sua peça “Liberdade, Liberdade”, em parceria com Oduvaldo Viana Filho, com Paulo Autran e Teresa Raquel no teatro de Arena. Um hino à liberdade contra a ditadura militar. Ele, os atores, inclusive Vianinha que estava no elenco, por um triz não sofreram um atentado à bomba em noite de espetáculo. Com esta peça, Millôr cumpriu para consigo mesmo seu eterno compromisso de artista e cidadão.
Com “Liberdade, Liberdade” promoveu o encontro da arte com a condição humana. Com a cultura que é, em síntese, a passagem de todos pelo tempo, nosso eco, nosso rastro, nossa sombra. Firme personagem e co-proprietário do Pasquim, sufocado pelo arbítrio do ciclo dos generais do poder. Nunca buscou indenizaçãodo governo. Ao contrário de alguns colaboradores que nada – absolutamente nada – sofreram.
Sua viagem começou pelo O Cruzeiro, com escalas repetidas no Jornal do Brasil, na Veja, uma breve presença no Correio da Manhã. Breve como a de Nelson Rodrigues, a demissão de Cony e Carpeaux. O diretor do jornal era Osvaldo Peralva.
De escala em escala através da imprensa, Millôr chegou ao final da linha e da viagem. Agora, para ele, o tempo não conta mais neste adeus amigo. Porque é marcado apenas por um relógio sem ponteiros.
30 de março de 2012
Pedro do Coutto
HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY
Brasília em Minas
Nos debates da Constituinte de 1946, Israel Pinheiro, do PSD de Minas, apresentou emenda constitucional determinando que Brasília, a futura capital, fosse construída entre Minas e Goiás, no Triângulo Mineiro, perto de Cachoeira Dourada.
Israel justificava dizendo que o local reunia as duas condições preliminares básicas: acesso e energia elétrica fáceis, porque era perto de Uberlândia. Os paulistas logo começaram a apoiar a emenda de Israel Pinheiro, porque o Triângulo Mineiro é meio mineiro, meio paulista.
Mas os que não queriam a capital fora do Rio ou a queriam em outros lugares, manobraram. Puseram a votação para uma segunda-feira à tarde, quando os paulistas e mineiros estavam em sua maioria ausentes, pois costumavam chegar ao Rio segunda à noite ou terça cedo.
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ISRAEL
Mesmo assim, a emenda quase foi aprovada. Perdeu por cinco votos. Quando Israel desceu da tribuna, depois de longa exposição sobre a necessidade de levar a capital para o interior e a conveniência de fixá-la no Triângulo Mineiro, centro geográfico do País, o deputado Sousa Costa, antigo ministro da Fazenda de Getúlio Vargas, chamou Israel a um canto:
– Seus argumentos são perfeitos, mas vou votar contra. Se sua emenda passar, a mudança vem logo.
– Mas é para fazer a nova capital mesmo, e logo.
– Pois é, Israel. Eu prefiro ser diretor de alfândega no Rio a ser ministro da Fazenda em Brasília.
O que Israel não disse a Sousa Costa é que escolheu o Triângulo Mineiro porque Dutra, eleito presidente, lhe disse que se o local escolhido fosse o Triângulo, ele começaria imediatamente a construção de Brasília.
Perdeu o monumento para JK.
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DUTRA
O presidente Dutra, em 1948, chamou o marechal José Pessoa, irmão de Epitácio Pessoa, tio de João Pessoa, já com 87 anos e enviou para o Planalto com o auxiliar coronel Ernesto Silva, primeiro pioneiro, historiador de Brasília. Os dois merecem estátuas.
Dutra, marechal e presidente, cumpridor do que mandava “o Livrinho”, a Constituição, mandou o marechal José Pessoa começar os estudos para escolher o local onde instalar a nova capital.
Sai Dutra, entra Getúlio e mantém o marechal Pessoa e o coronel Ernesto Silva, que veem que o lugar mais alto de toda a região era o sítio Castanho, localizado na Fazenda Bananal, uma sesmaria de um espanhol chamado Pelez, mais tarde sogro do governador Joaquim Roriz.
No centro do sítio, perto do Memorial JK e do Palácio Buriti, José Pessoa e Ernesto Silva fincaram a primeira cruz e a pedra fundamental. O marechal queria o nome de Vera Cruz.
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JOSÉ PESSOA
Morreu Getúlio, entrou Café Filho, o marechal foi ao presidente com um mapa na mão:
“O senhor vai decretar como de utilidade pública essa região aqui para evitar exploração e invasão, pois já se sabe que aqui será a nova capital”.
Mas a UDN, que era dona do governo de Café Filho, não deixou Café assinar. A UDN sempre foi um partido à beira-mar, aristocrata e cosmopolita.
Mas o velho paraibano tinhoso passou a perna neles.
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LUDOVICO
O marechal pegou um avião, já com 94 anos, desceu em Goiânia, foi ao governador José Ludovico de Almeida, sobrinho do senador Pedro Ludovico, fundador de Goiânia, e lhe disse:
– “O presidente não quer assinar o decreto da desapropriação”.
O governador José Ludovico fez a desapropriação.
E para tomar posse da terra construiu, perto do cruzeiro e da pedra fundamental, antes da eleição de Juscelino, um aeroporto de 2.700 m, onde hoje é a rodoferroviária. Só depois Juscelino construiu o aeroporto pequeno, de 800 m, ao lado do Catetinho, onde várias vezes desci.
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JORNALISTAS
Um mês antes de, no histórico comício de Jataí, em Goiás (4 de abril de 55), Juscelino ser interpelado pelo vereador Toninho se ia cumprir a Constituição e construir a nova capital, e haver respondido que ia fazer de Brasília “a meta síntese” de seu governo, nós, jornalistas de todo o País, realizamos um congresso nacional em Goiânia.
O líder da delegação de Minas era José Aparecido de Oliveira, presidente da Associação Mineira de Imprensa, editor de política do jornal Correio do Dia, da UDN. Eu fui pelo sindicato. Apareceu no congresso o ex-governador e senador de Goiás Coimbra Bueno, também da UDN, que fez uma surpreendente palestra sobre a necessidade da nova capital. E propôs que, a partir daquela data, todos os papéis da Federação Nacional de Jornalistas e dos nossos sindicatos trouxessem escrito em cima: “Capital do Brasil no Planalto Central”. Aprovado por unanimidade. Brasília já era uma reivindicação nacional, acima dos partidos. E no mês seguinte, depois de Jataí, Juscelino confirmou Brasília como meta de campanha.
30 de março de 2012
Sebastião Nery
Nos debates da Constituinte de 1946, Israel Pinheiro, do PSD de Minas, apresentou emenda constitucional determinando que Brasília, a futura capital, fosse construída entre Minas e Goiás, no Triângulo Mineiro, perto de Cachoeira Dourada.
Israel justificava dizendo que o local reunia as duas condições preliminares básicas: acesso e energia elétrica fáceis, porque era perto de Uberlândia. Os paulistas logo começaram a apoiar a emenda de Israel Pinheiro, porque o Triângulo Mineiro é meio mineiro, meio paulista.
Mas os que não queriam a capital fora do Rio ou a queriam em outros lugares, manobraram. Puseram a votação para uma segunda-feira à tarde, quando os paulistas e mineiros estavam em sua maioria ausentes, pois costumavam chegar ao Rio segunda à noite ou terça cedo.
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ISRAEL
Mesmo assim, a emenda quase foi aprovada. Perdeu por cinco votos. Quando Israel desceu da tribuna, depois de longa exposição sobre a necessidade de levar a capital para o interior e a conveniência de fixá-la no Triângulo Mineiro, centro geográfico do País, o deputado Sousa Costa, antigo ministro da Fazenda de Getúlio Vargas, chamou Israel a um canto:
– Seus argumentos são perfeitos, mas vou votar contra. Se sua emenda passar, a mudança vem logo.
– Mas é para fazer a nova capital mesmo, e logo.
– Pois é, Israel. Eu prefiro ser diretor de alfândega no Rio a ser ministro da Fazenda em Brasília.
O que Israel não disse a Sousa Costa é que escolheu o Triângulo Mineiro porque Dutra, eleito presidente, lhe disse que se o local escolhido fosse o Triângulo, ele começaria imediatamente a construção de Brasília.
Perdeu o monumento para JK.
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DUTRA
O presidente Dutra, em 1948, chamou o marechal José Pessoa, irmão de Epitácio Pessoa, tio de João Pessoa, já com 87 anos e enviou para o Planalto com o auxiliar coronel Ernesto Silva, primeiro pioneiro, historiador de Brasília. Os dois merecem estátuas.
Dutra, marechal e presidente, cumpridor do que mandava “o Livrinho”, a Constituição, mandou o marechal José Pessoa começar os estudos para escolher o local onde instalar a nova capital.
Sai Dutra, entra Getúlio e mantém o marechal Pessoa e o coronel Ernesto Silva, que veem que o lugar mais alto de toda a região era o sítio Castanho, localizado na Fazenda Bananal, uma sesmaria de um espanhol chamado Pelez, mais tarde sogro do governador Joaquim Roriz.
No centro do sítio, perto do Memorial JK e do Palácio Buriti, José Pessoa e Ernesto Silva fincaram a primeira cruz e a pedra fundamental. O marechal queria o nome de Vera Cruz.
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JOSÉ PESSOA
Morreu Getúlio, entrou Café Filho, o marechal foi ao presidente com um mapa na mão:
“O senhor vai decretar como de utilidade pública essa região aqui para evitar exploração e invasão, pois já se sabe que aqui será a nova capital”.
Mas a UDN, que era dona do governo de Café Filho, não deixou Café assinar. A UDN sempre foi um partido à beira-mar, aristocrata e cosmopolita.
Mas o velho paraibano tinhoso passou a perna neles.
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LUDOVICO
O marechal pegou um avião, já com 94 anos, desceu em Goiânia, foi ao governador José Ludovico de Almeida, sobrinho do senador Pedro Ludovico, fundador de Goiânia, e lhe disse:
– “O presidente não quer assinar o decreto da desapropriação”.
O governador José Ludovico fez a desapropriação.
E para tomar posse da terra construiu, perto do cruzeiro e da pedra fundamental, antes da eleição de Juscelino, um aeroporto de 2.700 m, onde hoje é a rodoferroviária. Só depois Juscelino construiu o aeroporto pequeno, de 800 m, ao lado do Catetinho, onde várias vezes desci.
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JORNALISTAS
Um mês antes de, no histórico comício de Jataí, em Goiás (4 de abril de 55), Juscelino ser interpelado pelo vereador Toninho se ia cumprir a Constituição e construir a nova capital, e haver respondido que ia fazer de Brasília “a meta síntese” de seu governo, nós, jornalistas de todo o País, realizamos um congresso nacional em Goiânia.
O líder da delegação de Minas era José Aparecido de Oliveira, presidente da Associação Mineira de Imprensa, editor de política do jornal Correio do Dia, da UDN. Eu fui pelo sindicato. Apareceu no congresso o ex-governador e senador de Goiás Coimbra Bueno, também da UDN, que fez uma surpreendente palestra sobre a necessidade da nova capital. E propôs que, a partir daquela data, todos os papéis da Federação Nacional de Jornalistas e dos nossos sindicatos trouxessem escrito em cima: “Capital do Brasil no Planalto Central”. Aprovado por unanimidade. Brasília já era uma reivindicação nacional, acima dos partidos. E no mês seguinte, depois de Jataí, Juscelino confirmou Brasília como meta de campanha.
30 de março de 2012
Sebastião Nery
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