"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sexta-feira, 25 de maio de 2012

CÓDIGO FLORESTAL TERÁ VETO PARCIAL DA DILMA.

ECOCHATOS DECIDEM VIVER NO MATO EM CAVERNAS...
A presidente Dilma Rousseff excluirá a anistia a desmatadores do Código Florestal. A lista dos vetos da presidente ao texto da Câmara será apresentada hoje, juntamente com uma proposta que o Planalto enviará ao Congresso restaurando o texto do código do Senado.
A ideia é que nenhum proprietário rural seja desobrigado de recompor as chamadas áreas de preservação permanente (APPs) em margem de rio, principal polêmica gerada pelo texto da Câmara.
 
Haverá regras mais flexíveis para pequenos proprietários, na linha do previsto no artigo 62 do texto do Senado, rejeitado em parte pelos deputados na Câmara.
Outros pontos polêmicos excluídos pela Câmara do texto do Senado serão restituídos. O principal deles é a previsão de corte de crédito para os proprietários rurais que não aderirem aos programas de regularização ambiental em cinco anos.
 
A proteção às margens de rios urbanos e o artigo 1º da lei, que estabelecia princípios ambientais para o Código Florestal (como a conservação das florestas e o combate às emissões de gases-estufa) também voltarão ao texto.
 
Embora longe do que queriam os ambientalistas -o veto total ao texto da Câmara-, a proposta do governo deve tranquilizar a opinião pública no Brasil e no exterior, num momento em que a Europa vê no futuro da lei florestal um indicador de sucesso ou fracasso da conferência ambiental Rio +20, em junho.
 
"A reação da opinião pública confirmou a tese que defendíamos de que seria melhor ter apostado no acordo do Senado", afirmou a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) a jornalistas ontem, após uma reunião com os líderes do governo Arlindo Chinaglia (Câmara), Eduardo Braga (Senado) e José Pimentel (Congresso).
 
Às 9h de hoje, Dilma recebe Ideli e os líderes. O objetivo é fazer uma exposição prévia dos vetos e acertar a estratégia na tramitação de uma nova proposta no Congresso para cobrir as lacunas que eles deixarão na lei.
 
No encontro de hoje, Ideli vai sugerir a Dilma fazer uma reunião com todos os líderes da base e os ministros envolvidos nas negociações.
A estratégia de veto foi decidida ontem à noite, após uma exaustiva série de encontros que a presidente vinha fazendo desde sábado com os ministros Gleisi Hoffman (Casa Civil), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Mendes Ribeiro (Agricultura), Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário) e Luis Inácio Adams (Advocacia-Geral da União).
 
Nos encontros, chamados por membros do governo de "sessões de espancamento", cada artigo do código foi discutido, com direito a aulas particulares de especialistas, como o agrônomo Gerd Sparovek, da Esalq-USP, e o ex-ministro Roberto Rodrigues.
 
Prevaleceu no governo a posição de Izabella, que defendia o texto do Senado como o melhor acordo possível para conciliar produção agrícola e conservação.
Ontem à noite, ambientalistas iniciaram uma vigília em frente ao Planalto. A Polícia teve de intervir, mas não houve confronto.
O governo recebeu uma petição com 1,9 milhão de assinaturas pedindo o veto ao novo código.
Da Folha de S. Paulo desta sexta-feira
 
25 de março de 2012
in aluizio amorim

O GOVERNO GLOBAL


"A ONU achou um jeito de implementar seu governo global, e o mundo será gerido por painéis pseudocientíficos". A avaliação é do Dr. Ricardo Augusto Felício, pesquisador em Climatologia Antártica e Variabilidade Climática, que denuncia os novos planos dos eco-imperialistas e a insistência em mentiras como o "aquecimento global".

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qjHIYgeLKas

25 de março de 2012

LULA, ORA VEJAM, DEIXA CLARO SER ELE O ÚNICO LÍDER DO MUNDO MUNDIAL. E ISSO É POUCO!!!

As palavras fazem sentido, certo? Mesmo quando, na boca de Lula, não fazem o mínimo sentido — em outro sentido, se é que me entendem. Não? Leiam o que informa o Estadão Online. Explico em seguida:
Por Elizabeth Lopes

Em meio ao acirramento da crise econômica europeia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva revela preocupação com a ausência de liderança hoje no mundo. “(Barack) Obama (presidente dos EUA) pensa nos americanos, (Angela) Merkel (chanceler alemã) nos alemães, cada um no seu mandato. O mundo não está pensando de forma globalizada”, advertiu o petista, em entrevista exclusiva, concedida nesta semana, à documentarista portuguesa Graça Castanheira e reproduzida nesta quinta-feira, 24, no site do jornal português O Público.

Na entrevista, Lula diz que “o pobre do povo grego” está pagando para bancos franceses e alemães e que a Europa não pode destruir a União Europeia. E destacou o fato de os países europeus terem ficado muito na dependência da Alemanha, que teve importância nessa unificação, “mas também foi a grande ganhadora desse mercado porque 70% de suas exportações são para a Europa”. Na sua avaliação, a crise da Grécia poderia ter sido resolvida há um ano “com poucos bilhões”. E frisou: “Eu gosto de fazer política. Temos de trabalhar para interferir na política mundial.”

Lula falou da China, que tem um papel importante, mas não pode viver uma crise, e dos Estados Unidos, que têm um papel igualmente importante, “só não podem é achar que fazem com o dólar o que querem”. E alfinetou: “O mundo fica à disposição do tesouro americano. Não é justo que a gente dependa do dólar.” Não faltou crítica também ao FMI: “O FMI é muito bom quando a crise é na Bolívia, mas quando a crise é nos EUA, o FMI não vale nada.”

Apesar de estar se recuperando do tratamento de combate a um câncer na laringe, Lula diz que não consegue descansar mais do que três dias seguidos: “Faz parte da minha genética, sempre fui habituado a trabalhar.” E falou do seu compromisso moral com o continente africano. “Não é possível que o século XXI não seja o século do continente africano e da América Latina.”
(…)

Voltei

Se tiverem paciência, leiam o resto. Eu disse que as palavras fazem sentido, certo? Lula estabelece um silogismo muito cultivado num país chamado Lulolândia, de que Lula é monarca, que tem como religião o culto ao deus Lula e como herói nacional um vulto histórico chamado Lula. E que silogismo é esse?
Um líder mundial precisa pensar em todo o mundo.
Obama só pensa nos Estados Unidos.
Logo, Obama não é líder mundial.
Dá para variar.
Um líder mundial precisa pensar em todo o mundo.
Merkel só pensa na Alemanha.
Logo, Merkel não é líder mundial.
Há a variação que está na raiz de todas as outras possibilidades:
Um líder mundial precisa pensar em todo o mundo.
Lula pensa em todo o mundo.
Logo, Lula é um líder mundial.
Mas ainda não é perfeito porque outros também poderiam se dedicar a esse exercício modesto. Então falta complementar a constatação aí com uma sentença: Lula é o único líder que pensa no mundo inteiro, o que faz dele o único líder verdadeiramente mundial.
Começou como diretor de sindicato. Era pouco.
Atropelou companheiros para presidir o sindicato. Era pouco.
Criou um partido. Era pouco.
Foi eleito presidente da República. Era pouco.
Quer-se agora o único líder mundial. E isso é pouco.
Lula ainda vai depor o Altíssimo.
Na entrevista, ele diz que trabalhar faz parte da sua genética.
Lula não tem culpa se nem todo mundo tem o seu senso de humor.

25 de março de 2012
Reinaldo Azevedo

A COMISSÃO DA VERDADE E O DIREITO AO PRANTO

O golpe político e militar contra o governo legítimo do presidente João Goulart, por mais se tente identificar como revolução, foi ato contra a República e de submissão à potencia estrangeira que o planejou, organizou e financiou. Assim ocorreu aqui e em outros paises do continente.

Tratou-se de ofensa imperdoável à nação de brasileiros. Hoje, com os documentos existentes e divulgados, não há dúvida de que a interrupção do processo democrático de desenvolvimento econômico e social do país se fez na defesa dos interesses do governo norte-americano no mundo.
Essa origem externa não exculpa, e, sim, agrava a responsabilidade histórica dos brasileiros que aderiram ao movimento, mesmo que se escudem na defesa da ordem, da fé, das famílias e da virgindade de suas donzelas, como tantos religiosos pregaram do púlpito.

O golpe só foi possível porque frágeis eram (e frágeis continuam a ser) as instituições nacionais. A história republicana, maculada pela nostalgia oligárquica do Império, se fez no confronto entre a necessidade democrática e a reação conservadora. E, a partir da Revolução de 30, que se fez para modernizar e democratizar o Brasil, os golpes e tentativas de golpe passaram a ser freqüentes sob a influência da expansão imperialista americana e o então projeto nazista de estabelecer em nossas terras uma Germânia Austral.

Mas, não é este o espaço para discutir o que ocorreu em 1937, e o que teria ocorrido se as eleições de 1938 se realizassem, com a prevista vitória eleitoral do filo-fascista Plínio Salgado. O fato é que Vargas se tornou a personalidade mais querida e mais poderosa do país, ao eleger-se presidente em 1950 e retomar o seu projeto nacional de desenvolvimento, frustrado pelo governo Dutra.

Ainda assim, com toda a sua popularidade, o presidente foi sitiado por uma terrível campanha parlamentar e jornalística, a pretexto do atentado da Rua Toneleros, até hoje não bem explicado, e que também merece ser investigado a fundo.
Por detrás de tudo – sabemos hoje também com a divulgação de documentos norte-americanos – atuava o interesse de Washington contra os projetos de desenvolvimento do país. A criação de empresas estatais como a Petrobrás e a Eletrobrás era o sinal de que o Brasil buscava, com firmeza, sua segunda independência.

A nação reagiu contra o cerco a Getúlio, rompido pelo grande presidente com a coragem do suicídio, e elegeu Juscelino, meses depois. Nova tentativa de ruptura do processo, em novembro de 1955, foi contida com o apoio de boa parcela das Forças Armadas, e o político mineiro pôde assumir a Presidência e dar o grande salto que completou a Revolução de 30, na efetiva modernização do país.

A Comissão da Verdade, como parece claro, não pretende buscar culpados, mas tem como prioridade saber o que ocorreu a centenas de brasileiros, entre eles Herzog e Manuel Fiel Filho, dos últimos trucidados por funcionários do Estado, que agiam em nome do governo militar. Na mesma ocasião, e de forma clandestina, dezenas de comunistas – que não participavam da luta armada – foram também executados pelo regime.

Quase todos nós nos sentimos torturados no sumo da alma, com as declarações de cabo Anselmo à televisão, ao fazer a apologia da entrega de pessoas indefesas à sanha de psicopatas treinados cientificamente para torturar jovens e velhos, homens e mulheres. E da entrega de mulheres grávidas aos torturadores como, sem arrependimento e com orgulho, declarou ter feito com a sua.

Todos os que perderam seus pais e filhos, irmãos e irmãs, maridos e mulheres, amigos e companheiros, têm direito ao pranto, se não diante de seus mortos, pelo menos diante da reconstituição de seus derradeiros momentos. Devem conhecer o lugar e o dia em que pereceram, para ali chorar. O direito ao pranto é tão necessário quanto o direito a viver. É assim que nos comovemos com a emoção da Presidente Dilma Roussef, na cerimônia de quarta-feira.

É certo que, no próprio processo investigatório, será difícil não se inteirar de atos praticados pelos que resistiam à Ditadura. Conhecê-los não macula os que os praticaram, nas duras condições dos combates nas trevas, para lembrar a imagem do historiador Jacob Gorender.
A culpa real não cabe a quem age em defesa da legitimidade republicana, e, sim, aos que, ao praticar o crime de lesa populi, provocaram a reação desesperada de suas vítimas.

25 de março de 2012
Mauro Santayana
(Original em: http://www.maurosantayana.com)

O ATRASO DO PAÍS TEM NOME: MARINA SILVA

Marina Silva é a grande derrotada do Código Florestal. Derrotada porque sabe que, mesmo com vetos, o Código Florestal será um avanço e uma construção democrática. Feita a partir do envolvimento do Congresso Nacional, durante anos. Mesmo naqueles anos em que ela, comandando um exército de fiscais, muiitos deles corruptos e que, hoje, estão sendo presos por crimes ambientais, perseguia de forma inclemente os agricultores do país.
Marina Silva recebendo prêmio do Príncipe Philip, pelos relevantes serviços prestados à Inglaterra, uma país que tem menos de 1% de vegetação nativa e que usa mais de 60% do território para plantar batatas.
 
Esta figura dantesca, esta ecoterrorista esperta, esta ex-brasileira que tantos danos tem causado à imagem do Brasil no exterior, fez decretos, medidas provisórias, portarias, sempre na ânsia doentia de multar, de sangrar, de matar, de destruir quem trabalha. Construiu uma imagem, um estereótipo, um certo charme para conquistar boyzinhos e patricinhas do McDonalds e artistas vagabundos, podres de rico, safados, em busca de uma causa elegante. Mesmo que, como Luciano Huck, sejam criminosos ambientais. Mesmo que, como Gisele Bunchen, já tenham desfilado peles de animais. Mesmo que, como Camila Pitanga, tenham ligações partidárias e morem em cima do que seria uma APP, se o Rio de Janeiro fosse uma fazenda.

Patrocinada por grandes empresas como a Klabin, uma histórica destruidora da Mata Atlantica e pela Natura, uma moderna empresa que usa a natureza como marketing para faturar bilhões, lançou-se como candidata a presidente. Com votação surpreendente, devido à falta de opções, foi derrotada e nunca mais trabalhou. Passou a andar por aí patrocinada por ONGS internacionais, de quem até prêmio recebeu na Inglaterra. Gentalha de franquias globais do mercado de carbono como Greenpeace e WWF, que têm os seus países destruídos em termos ambientais. E que, como fundo para as suas lutas, têm um slogan: " forests there, farms here". Florestas lá no Brasil para que possamos continuar tendo aqui as nossas fazendas, para vender comida para os nossos e, se sobrar, para os 900 milhões que ainda passam fome no mundo.

Muito daria para escrever sobre esta patética e triste figura da política brasileira. Mas ela mesmo escreve, hoje, na Folha, qual o seu interesse nessa discussão do Código Florestal. Ela quer um terceiro turno com Dilma. Ela quer confrontar a presidente. Ela quer enfrentá-la de novo em 2014 e já está em campanha. O Código Eleitoral será a sua arma, pois nada do que vier lhe contentará. Leiam:

E que tenha reaberto o debate para que, repetindo o que já disse, tenhamos a chance de, numa espécie de segundo turno, aprofundar o debate e votar novamente, como a senhora tão bem o pode experimentar. Que seu veto tenha sido uma espécie de segundo turno em uma eleição cujo candidato é o futuro do Brasil e de nossas florestas.

Não há como o Brasil não avançar no Código Florestal, independente dos vetos. Ele está bem construído. Tão bem construído que deixou nas mãos da Presidente da República a caneta verde-amarela para que, na sua visão, retire excessos e proteja quem ama o Brasil e quem trabalha por ele. Nenhum país do mundo tem 61% de florestas nativas. Nenhum país do mundo usa apenas 27,7% das suas terras para produzir alimento barato e de qualidade. Nenhum país do mundo reune tecnologia, produtividade e recursos naturais para ser o grande celeiro do planeta. Nós queremos manter as nossas fazendas aqui e eles, lá, que recuperem as margens do Reno, do Tâmisa, no Sena, do Mississipi e do Danúbio, que estão completamente destruídas. Quem façam o mesmo que somos obrigados, pela mais dura lei ambiental do mundo, a fazermos. O alimento é a grande riqueza do nosso país. Nossa educação é falha. Nossa infra-estrutura é lamentável. Nossas cidades são violentas. Nossas cidades são poluídas e engarrafadas. O Campo brilha, no meio de tantas mazelas.

Que venham os vetos da Dilma. Se a presidente pesar a mão, não tem problema: a democracia derruba no Congresso. Mas acreditamos que, se houver, eles serão a favor do Brasil e não da Marina Silva. Esta ex-brasileira é o símbolo do atraso. Tem sempre uma espada na mão para esfolar quem trabalha e produz. Sua mente é punitiva, quando deveria ser educativa. Sua missão é destruir a imagem do Brasil lá fora. É patrocinada para isso. Não vai conseguir. Vamos continuar te entupindo de comida boa e barata, Marina Silva. Você vai ter que nos engolir!
 
25 de março de 2012
coroneLeaks
 
 

NA TRILHA DO DELTADUTO

Congresso
VEJA - 24/05/2012

CPI no rastro das contas
 
Vasculhando as movimentações financeiras da Delta nacional, integrantes da CPI mista do Cachoeira acreditam ter encontrado o início do “Deltaduto” alimentado pelas relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Em duas contas da empreiteira de Fernando Cavendish em agências bancárias no Rio de Janeiro, a CPI identificou repasses da ordem de cerca de 38 milhões de reais para empresas de fachada do esquema do bicheiro.

Em 31 operações no HSBC e no Bradesco, por exemplo, foram 25 milhões de reais repassados à Alberto & Pantoja Construções. Em outras 21 operações bancárias, a Brava Construções recebeu 13 milhões de reais. Seguindo o dinheiro que saiu da Delta para as contas dessas duas empresas de fachada, a CPI chegou a outras 29 empresas que se alimentaram do duto. Descobrir o rumo do dinheiro a partir das contas bancárias dessa rede de empresas é a tarefa prioritária da CPI para chegar os beneficiários do esquema.

Os parlamentares querem encontrar evidências que confirmem a tese segundo a qual Cachoeira, com sua teia de relações, alimentava os cofres da Delta como seu sócio oculto, a empreiteira irrigava as contas das empresas de fachada de Cachoeira, que por sua vez tornavam a repassar o dinheiro para uma infinidade de outras empresas e personagens do esquema.

As movimentações financeiras da Delta obtidas pela CPI dizem respeito a apenas dez meses (no período entre 8 de junho de 2010 e 29 de abril de 2011) de operações bancárias. Os 38 milhões de reais são, portanto, uma pequena parte de toda a bilionária movimentação financeira que pode ter sido transferida para contas de empresas de fachada do bicheiro.

Os integrantes da CPI acreditam que as contas da Alberto & Pantoja Construções, da Brava Construções e de outras duas empresas de fachada de Cachoeira tenham recebido recursos. E é essa suspeita que provoca tanto medo nos políticos em Brasília. O dinheiro repassado pela Delta às empresas fantasmas de Cachoeira foi parar aonde? Empresas que receberam pagamentos do esquema doaram dinheiro a campanha de políticos?

A investigação da Polícia Federal já mostrou que Demóstenes Torres recebeu cerca de 32 000 reais de doação de campanha, em 2010, do Auto Posto T 10. O posto de gasolina, por sua vez, recebeu cerca de 98 000 reais das empresas de Cachoeira.

Marconi Perillo ganhou doação de 450 000 reais da Rio Vermelho Distribuidora na última campanha. A empresa recebeu 60 000 reais da Alberto & Pantoja, que também repassou 150 000 reais a empresa Midway Internacional Labs, doadora de campanha de Sandes Júnior: 300 000 reais.
Carlinhos Cachoeira, durante a comissão parlamentar de inquérito no Senado Federal
Quebrar os sigilos dessa rede de empresas virou tarefa principal de um grupo de parlamentares que tenta chegar à ponta da rede do bicheiro. O requerimento com a lista de sigilos a serem quebrados será apresentado por Randolfe Rodrigues nesta tarde.

25 de maio de 2012
Lauro Jardim
 

COMISSÃO DA VERDADE - OS ARQUIVOS DEMONSTRAM O QUE MINO CARTA FEZ EM VERÕES PASSADOS

Ou: O entusiasta da ditadura e da Oban

Paulo Henrique Amorim, o notório, de braços dados com Mino Carta, da mesma estatura, escreveu ao menos uma verdade na vida para exaltar o seu amigo, a saber:
“Como é de conhecimento do mundo mineral, quem fez a VEJA, quando podia ser lida, foi o Mino Carta. O Robert(o) lia a Veja na segunda feira, depois de impressa, porque o Mino não deixava ele dar palpite ANTES de a revista rodar.”
De fato, nunca houve dúvidas de que era Mino quem mandava. Era Mino quem decidia. A função de patrão, para ele, era pagar as contas de seu brilho incomparável.

Hoje Mino é um “progressista”, um verdadeiro guia a orientar o jornalismo de esquerda. E odeia VEJA, como é sabido. Cumpre, então, deixar claras quais eram as escolhas do chefe inconteste enquanto esteve no comando da revista — aquela na qual ele não deixava Roberto Civita dar palpite. Enquanto escrevo, assobio mentalmente: “Esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei…”
Na edição de 4 de fevereiro de 1970, a revista publicava uma reportagem, exaltada pelo diretor de Redação na Carta ao Leitor, devidamente assinada, sobre o famoso “roubo do cofre do Adhemar”. Na mesma edição, sob o pulso firme de Mino Carta, um outro texto detalhava os bastidores do desmantelamento dos grupos de esquerda.

Com o seu conhecido porte imperial e a notória intolerância com os que pensam de modo diferente — tanto é assim que não deixava nem mesmo o patrão dar pitaco na revista —, Mino cantou as glórias da Operação Bandeirantes, conhecida por torturar prisioneiros. Seguem alguns trechos verdadeiramente encantadores da obra deste que é hoje um oráculo do jornalismo que se quer “progressista” e de esquerda — desde que devidamente recompensado pelo estado, é claro.
Peço que vocês leiam atentamente estes dois trechos, um sequência do outro, em que Mino Carta exalta a eficiência da Oban. Volto em seguida:

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Voltei

Como este mundo pode ser pateticamente engraçado! Duas das organizações que estão no radar deste Colosso de Rhodes do jornalismo no texto acima são o Colina e a VAR-Palmares, justamente os grupos a que pertenceu Dilma Rousseff, que havia sido presa 20 dias antes da publicação da reportagem — 16 de janeiro. Em 1970, com Dilma na cadeia, Mino vestia uniforme e batia continência para “tranquilizar a nação”. Quarenta e dois anos depois, com Dilma na cadeira presidencial, Mino põe no peito a estrela do PT e…, bem, continua a bater continência para o poder. Que talento inigualável para servir!
Grave

Não deve lhes escapar um detalhe: Mino elogia a decisão da Oban, conhecida por torturar prisioneiros, de esperar algum tempo para anunciar as detenções. Será que ele não se perguntava por quê? Enquanto as prisões eram mantidas na surdina, o que será que ofereciam aos detidos? Sorvete Chicabon? Vocês merecem ler mais algumas coisas, tudo absolutamente disponível no arquivo digital de VEJA. Era o tempo em aque Mino mandava!

Mino ironiza os presos

Leiam estes dois fragmentos na sequência. Na Legenda da segunda imagem, explico as circunstâncias.
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Como vocês leram, trata-se do relato de prisão por engano de um tenor. Teve de cantar para provar que falava a verdade. Mino achou a situação espirituosa e a usou como metáfora: afirmou que os presos pela Oban tiveram de “cantar música completamente diferente”. Como ele se acha dono de um humor sutilíssimo, deve ter achado um chiste engraçado. Está na edição de 17 de abril de 1969
Como vocês leram, trata-se do relato de prisão por engano de um tenor. Teve de cantar para provar que falava a verdade. Mino achou a situação espirituosa e a usou como metáfora: afirmou que os presos pela Oban tiveram de “cantar música completamente diferente”. Como ele se acha dono de um humor sutilíssimo, deve ter achado um chiste engraçado. Está na edição de 17 de abril de 1969

Mino faz o elogio da Junta Militar
Sempre sem consultar ninguém, na mesma edição de abril de 1969, o hoje principal representante do “progressismo” elogia a Junta Militar e suas graves responsabilidades, inclusive a adoção da pena de morte.
Sempre sem consultar ninguém, na mesma edição de abril de 1969, o hoje principal representante do “progressismo” elogia a Junta Militar e suas graves responsabilidades, inclusive a adoção da pena de morte.
Mino faz a apologia da democradura
Leiam os três textos em sequência. Na legenda do terceiro, explico as circunstâncias. Volto em seguida para encerrar.
mino-6-a-democradura-1mino-7-democradura-2
Notem que todo o encadeamento dado pelo maior gigante do jornalismo de todos os tempos flerta abertamente com a ideia de que a democracia, nos moldes tradicionais, não é muito adequada à realidade brasileira. Até porque o país tinha outra urgência: combater a subversão. Mino nunca foi partidário da ditamole. Ele gostava mesmo era de uma democradura.
Notem que todo o encadeamento dado pelo maior gigante do jornalismo de todos os tempos flerta abertamente com a ideia de que a democracia, nos moldes tradicionais, não é muito adequada à realidade brasileira. Até porque o país tinha outra urgência: combater a subversão. Mino nunca foi partidário da ditamole. Ele gostava mesmo era de uma democradura.
Voltei

A alguns desses trechos, o jornalista Fábio Pannunzio já deu destaque em seu blogue. A ditadura de Mino Carta em VEJA, felizmente, chegou ao fim nos primórdios de 1976, quando a revista, apesar da censura ainda vigente, inicia seu esforço para exercer a sua vocação original, penosamente distorcida pelo cesarismo cartiano. Refiro-me à defesa dos valores que a transformaram na maior revista do país e numa das maiores do mundo: a defesa da democracia e do estado democrático e de direito.

Algumas pantomimas só prosperam hoje em dia porque o passado de certos gigantes morais fica debaixo do tapete. O arquivo digital de VEJA já está há tempos no ar. O Estadão acaba de lançar o seu. É chegada a hora de revermos o passado de certos “progressistas” que andam por aí. Vocês nem imaginam quantas são as supostas “referências morais do jornalismo” que serviram de escribas entusiasmados do golpe militar de 1964.
Alguns deles, ora, ora, pediriam mais tarde indenização ao estado porque supostamente “perseguidos”. E hoje, curiosamente, tentam esconder esse passado defendedo a revisão da Lei da Anistia. Eu, por exemplo, sou diferente: levei borrachada, fui fichado e sou contra a revisão. Mundo engraçado, né?
E para que não reste a menor dúvida: a censura impedia, sim, a publicação de muita coisa, mas não obrigava a publicar elogios. Os feitos por Mino Carta eram coisa de coração, de vocação, de gosto, de adesão a uma causa. E, como ele sempre fez questão de deixar claro, nunca deixou ninguém “dar palpite”. Foi obra de autor, como não cansa de se autoelogiar.
Acho que vou tomar gosto por esse negócio de “Comissão da Verdade”….
PS: Como sou um homem justo, noto que Mino tinha uma qualidade naquele tempo: chamava terroristas de “terroristas” e terrorismo de “terrorismo”.

Por Reinaldo Azevedo

"NEGAR A EXISTÊNCIA DO MENSALÃO É UMA AFRONTA À DEMOCRACIA".


Em 2006, o então procurador- geral da República Antonio Fernando de Souza transformou em réus 40 petistas e aliados. Eles operavam o que foi caracterizado na denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal de “sofisticada organização criminosa”, encabeçada pelo ex-ministro José Dirceu. Agora, com a proximidade do julgamento, o ex-chefe do Ministério Público afirma que a tentativa de negar a existência do mensalão é uma afronta à democracia.
 
O senhor sofreu pressão para não apresentar a denúncia do mensalão?
 
Não. Minha postura reservada sempre inibiu qualquer atitude desse tipo. Nunca assumi nenhum compromisso com as autoridades que me procuraram. Fiz meu trabalho da forma mais precisa e célere possível. Tinha 100% de convicção formada. Conseguimos fazer a relação entre os fatos e montamos o quebra-cabeça do esquema, tudo em cima de documentos, de provas consistentes.
 
O PT tem se dedicado a difundir a versão de que o mensalão não passa de uma farsa…
 
Chamar esse episódio de farsa é acusar o procurador-geral e os ministros do Supremo de farsantes. Dizer que aqueles fatos não existiram é brigar com a realidade, é querer apagar a história. Esse discurso não produzirá nenhum efeito no STF. Os ministros vão julgar o processo com base nos autos. E há inúmeras provas de tudo o que foi afirmado na denúncia. Depoimentos, extratos bancários, pessoas que foram retirar dinheiro e deixaram sua assinatura.
 
O senhor se sente incomodado com isso?
 
Na democracia, todas as pessoas estão sujeitas à fiscalização, ao controle, à responsabilização, e há órgãos dispostos a isso. Não serão os partidos políticos nem seus dirigentes que vão dizer o que é crime e o que não é crime. Quando eles querem transmitir um ar de que não aconteceu nada, estão indo para o reino da fantasia. Negar a existência do mensalão é uma afronta à democracia.
 
Como o senhor vê as afirmações do atual procurador-geral, Roberto Gurgel, de que está sofrendo ataques de mensaleiros com medo do julgamento?
 
Se ele fez essa acusação, preciso admitir que tem elementos para justificá-la. A CPI está se preocupando com um assunto que não tem relevância para o seu trabalho. O procurador-geral avaliou que a Operação Vegas não produziu evidências suficientes para pedir indiciamentos, mas não arquivou o inquérito — inclusive a pedido da Polícia Federal — para não prejudicar o andamento das investigações da Operação Monte Carlo. E a estratégia se mostrou bem-sucedida.
 
Está comprovado que o PT utilizou dinheiro público no mensalão?
 
Quem vai fazer esse juízo é o Supremo. Da perspectiva de quem fez a denúncia e acompanhou o processo até 2009, digo que existe prova pericial mostrando que dinheiro público foi utilizado. Repito: há prova pericial disso. E o Supremo, quando recebeu a denúncia, considerou que esses fatos têm consistência.
 
O ex-ministro José Dirceu afirma que o senhor o apontou como chefe de uma organização criminosa para se vingar do fato de ele nunca tê-lo recebido na Casa Civil.
 
Nunca tive nenhum interesse em falar com ele. A minha escolha como procurador-geral foi feita pelo presidente da República. Uma denúncia é formalizada somente se há elementos probatórios sobre uma conduta criminosa. Sentimentos pessoais não entram em jogo. Tudo o que se fala em relação à conduta dessa pessoa tem se revelado verdadeiro na prática. Reduzir uma denúncia dessa gravidade a uma rusga do procurador-geral é quase risível.
 
Como o senhor vê essa tentativa de usar a CPI para desviar o foco do julgamento do mensalão?
 
É normal que quem está denunciado fique tenso às vésperas do julgamento. O julgamento no Supremo Tribunal Federal é uma decisão definitiva. Vivemos num país democrático, num estado de direito. O Supremo jamais faria um justiçamento, vai fazer um julgamento. Tem prova, tem condenação; não tem prova, não tem condenação.
 
O que o senhor achou da iniciativa de alguns parlamentares de tentar usar uma CPI para investigar a imprensa?
 
A imprensa não faz processo penal, a imprensa dá a notícia, dá a informação. Parece mais um meio de desviar a atenção do inquérito fundamental.
 
Os acusados tentam reduzir o caso a um crime eleitoral. É uma boa estratégia?
 
A referência que fazem é que a movimentação de dinheiro tinha origem em caixa dois de campanha. Do ponto de vista ético e jurídico, isso não altera nada. Quando há apropriação do dinheiro público, não é a sua finalidade que vai descaracterizar o crime. No processo do mensalão, temos imputação de crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva, ativa, peculato, evasão de divisas, quadrilha, falsidade ideológica. Crimes assumidamente confessados. Eles não podem deixar de admitir.
 
O governo passado indicou a maioria dos ministros que, agora, vão julgar muitos de seus aliados. Isso pode influir de alguma maneira no resultado?
 
Uma pessoa, quando aceita ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, sabe das responsabilidades que tem e vai cumpri-las. Toda a sociedade espera um julgamento justo e correto. Que esse processo sirva para o amadurecimento da democracia.
 
25 de maio de 2012
Hugo Marques
Fonte: Prosa & Política

A IMPRESSIONANTE SOLIDÃO DE DEMÓSTENES, O SENADOR QUE DESMORALIZOU A HONRADEZ

 


É impressionante o que está acontecendo com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Os parlamentares evitam serem fotografado a seu lado, na semana passada ele forçou uma barra e conseguiu apertar as mãos de alguns deles, foi uma feta. Na verdade, não tem mais amigos no Congresso, a solidão é constrangedora. E seu caso se complica cada vez mais..

Na terça-feira, ele perdeu as duas únicas testemunhas de defesa no processo de cassação no Conselho de Ética do Senado. Primeiro, foi o advogado Ruy Cruvinel, que recusou o convite para ajudar a defender o senador.

Logo depois da prisão de Carlinhos Cachoeira, um jornal de Goiânia teria publicado que Cruvinel, ao ser preso, teria dito que Demóstenes era sócio do contraventor. A notícia foi usada contra o senador, é claro, mas depois o próprio Cruvinel teria afirmado que nunca fora preso e nem teria dito nada sobre Demóstenes.

“Isso foi usado pelo Ministério Público. Mas em uma nota o advogado dele disse que ele nunca foi preso e nem conhece o senador. Isso mostra que em um processo midiático como esse as coisas crescem mesmo não sendo verdade”, justificou Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, defensor de Demóstenes.

Convidado a depor em favor de Demóstenes, Ruy Cruvinel, um advogado de Goiás que não tem envolvimento claro no caso, informou por ofício ao Conselho de Ética que, como não era obrigado a comparecer, preferia preservar sua privacidade e a da sua família.
Depois, os advogados do contraventor Carlinhos Cachoeira informaram que ele também não irá defender Demóstenes, que está mais sozinho do que nunca.

A avaliação do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos é de que, se Cachoeira desse declarações ao Conselho, poderia produzir provas contra si. Ou seja, Cachoeira vai atirar o velho amigo às feras, em pleno circo, com a platéia lotada.

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DEMOSTENES VAI SE DEFENDER

O depoimento do senador foi remarcado para a próxima terça-feira, às 9h30 da manhã. Inicialmente seria na segunda-feira à noite, às 18h. Kakay confirmou que Demóstenes vai fazer sua defesa. “Ao Conselho de Ética acho que ele tem que vir. Acho que ele tem que prestar satisfação a seus pares”, afirmou.

O advogado ainda espera que o relator Humberto Costa (PT-PE) decida sobre um pedido que fez, de perícia nas gravações feitas pela Polícia Federal de conversas entre membros do grupo de Cachoeira e o Demóstenes. Ele alega que há deturpações nas transcrições que prejudicam o senador.

“Seria importante que isso fosse feito antes do depoimento dele. Eu tenho motivações jurídicas para ir ao Supremo. Mas tomo as minhas decisões consultando o senador Demóstenes. Vou ouvi-lo para decidir o que fazer. Sem o acesso à perícia, seria o caso de bater às portas do Supremo”, disse o advogado, afirmando que houve manipulação nos áudios pela Polícia Federal, com trechos de gravações que fogem ao contexto – o que prejudica Demóstenes.

“Nós ouvimos um perito que aponta irregularidades sérias nas gravações. Queremos que o conselho ouça um perito assistente”, disse.

O ATOR JIM PARSONS QUE ASSUMIU SER GAY

 

POR TRÁS DA GREVE NOS TRANSPORTES COLETIVOS

 

Os comunistas não são, porque o comunismo saiu pelo ralo. Imaginar a CUT por trás da movimentação será ignorar a ligação umbelical da entidade com o governo, que não admite prejudicar. O Paulinho da Força Sindical teria tanta força assim? Nem pensar. Muito menos as oposições, que pouco ou nada tem a ver com os trabalhadores. A Igreja, os militares? De jeito nenhum. Sequer o Flamengo e o Corintians.

Sendo assim, que diabo anda acontecendo para determinar a greve nos transportes coletivos do país inteiro? Não acontece de graça essa perfeita orquestração que paralisa metrôs, trens suburbanos e ônibus em todos os estados.

Não há geração espontânea. Sempre se poderia admitir serem as respectivas categorias que se organizaram em cada estado, isoladas, sem participação das centrais sindicais, demonstrando eficiência ímpar e inusitada.
Também fica difícil aceitar o raciocínio, já que uma estrutura tão rica e com tamanho poder como a que agora se vê atuando em uníssono não teria passado despercebida das autoridades de informação e segurança.
Então, como diz Sherlock Holmes, depois de afastadas todas as hipóteses impossíveis, sobra apenas uma, mesmo a mais estranha.

São as empresas que administram os transportes coletivos que vem estimulando e instigando a greve atual, claro que em conluio com os trabalhadores hoje de braços cruzados.
Estes, até com muita justiça, reivindicando melhores salários e condições de trabalho. Aquelas, atrás do aumento de tarifas, que como sempre só conseguem mobilizando seus empregados para infernizar a vida da população e, assim, pressionar os governos.

Não é sem razões óbvias que os sindicados dos grevistas rejeitaram por unanimidade a proposta de seus grupos mais sinceros, de trafegarem com as catracas abertas. A maioria sustentou que o movimento só teria sucesso caso conseguisse fazer o povo sofrer. Então que sofra, invertendo-se o princípio de que greve se faz contra patrão. Aqui, é feita contra o povo, capaz da indignação necessária para levar a autoridade pública a conceder aumento nas passagens. De tabela, mas parcialmente, também nos salários.
Convenhamos, os grevistas são inocentes úteis, o povo é sofredor. Mas são os empresários que se beneficiam.

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UM DIREITO EM DISCUSSÃO

Sustentam os juristas, em maioria, a intangibilidade do direito de ficar calado para qualquer réu submetido a interrogatório ou convocado para depor. Isso nas democracias, com base na evidência de que ninguém deve produzir provas contra si mesmo.
Seria discutível o princípio? O recente episódio do depoi
mento do Cachoeira na CPI levanta pelo menos a discussão. Raras vezes se tem visto deboche igual, quando um bandido comprovadamente culpado tripudiou sobre um colegiado de alta representatividade.
Será que ao negar-se a falar, o bicheiro não incorreu em obstrução à Justiça e à investigação da verdade? Abrindo mão do direito de se defender, não estaria confessando a culpa?

Nas ditaduras, o indigitado depoente sempre acaba falando, dados os métodos peculiares de persuasão utilizados pelos inquisidores. Nos regimes de liberdade, como o nosso, é inequívoco o direito de o indivíduo não produzir provas contra ele mesmo, mas no caso do Cachoeira, não se registrou ofensa à lei e à democracia, digna pelo menos de uma punição a posteriori?

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MÁRCIO PERDEU E AINDA NÃO GANHOU

O competente Márcio Thomaz Bastos já terá recebido pelo menos parte dos 15 milhões de seus honorários por defender Carlinhos Cachoeira? Há quem diga que não, como não recebeu o primeiro advogado contratado pelo bicheiro para livrá-lo da penitenciária de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Haveria cláusula de sucesso para o pagamento?

De qualquer forma, e sem questionar a regra milenar de que o advogado não deve rejeitar ajuda aos aflitos batendo à sua porta, chocou o país a imagem do celebrado jurista ao lado de um bandido tripudiando sobre deputados e senadores. A arrogância do Cachoeira, sua insolência ao sorrir diante das indagações não respondidas, contrastou com a fisionomia fechada de seu patrono, mas não haverá como separá-los. Quem perdeu foi Márcio.

Ele representou um esteio para o então presidente Lula, quando ministro e depois de ser ministro da Justiça. Apagou incêndios sem conta, a começar pela crise com o mensalão e com José Dirceu. A pergunta que se faz é se conseguirá recuperar a situação anterior, mesmo constituindo injustiça condená-lo por defender um bandido.

MARCO ANTONIO VILA NO GLOBO: UM HISTORIADOR ANTES DA HISTÓRIA

 

No artigo publicado na edição de terça-feira 22, em O Globo, o professor Marco Antonio Vila afirmou que a Comissão da Verdade, instituída pela presidente Dilma Rousseff será um rotundo fracasso.

Ao mesmo tempo, duvida que seja capaz de promover a reconciliação nacional.
Colocou assim a questão precipitadamente: o historiador antes da História. 
Pois para uma análise objetiva, é indispensável aguardar pelo menos o desenrolar dos trabalhos. O jogo acontece no campo, não no tapete da véspera. Isso de um lado. De outro, não é tarefa da Comissão promover a reconciliação nacional.

Sua missão se esgota na busca de fatos ainda nebulosos. A reconciliação pertence à política de governo. Agora a iniciativa de iluminar o caminho para encontrar a verdade já é por si muito importante. E isso a presidente da República fez. Mais que isso impossível.

Marco Antonio Vila igualmente questiona a capacidade da equipe nomeada para prestar assistência às vítimas das violações de direitos humanos. Não. A reparação de tais violações é matéria da Comissão de Anistia que funciona subordinada ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
Como agirá a Comissão da Verdade – indaga Vila – para assegurar a não repetição do que passou? Esta pergunta não pode ser respondida por ninguém.

Não existe no plano político bola de cristal com tal potência de previsão. Nem métodos antecipados para bloquear o percurso para o futuro. E mesmo que existisse tal instrumento mágico, sua utilização caberia aos três Poderes da República, não a um órgão isolado do Palácio do Planalto.

O historiador Vila defende a tese de que a comissão deveria ter sido criada em 1984. Por isso, debita a Dilma Roussef 42 anos de atraso. Neste ponto, então, sequer vale a pena argumentar. A atual presidente assumiu há dezessete meses. Acrescenta que entre os integrantes escolhidos figura um psiquiatra e nenhum historiador. Este é outro caso. Não é matéria do contexto político.

Num outro trecho do artigo, Antonio sustenta que Lula, no passado, década de 70, possuia bom relacionamento com o general Golbery do Couto e Silva, então chefe da Casa Civil de Ernesto Geisel. Não consigo entender como tal possível relacionamento possa influir, agora, nas pesquisas da Comissão da verdade.
O general Golbery já morreu. E se os integrantes desejarem saber do papel desempenhado por ele, basta ler a coleção monumental escrita por Élio Gáspari sobre as diversas fases da ditadura militar que emergiu em 64 e se manteve até 79, para ser exato. Acabou antes de 85.

Isso porque, a partir de 79, o presidente João Figueiredo não tinha mais o poder de cassar direitos políticos e tal realidade reduziu de muito a força do arbítrio do ciclo dos generais no poder. Aliás, a respeito do general Golbery do Couto e Silva, o jornalista e também historiador Élio Gáspari o deixa muito mal. Golbery gravava as conversas telefônicas de Geisel, inclusive as mantidas em sua residência.

Até diálogos por extenso encontram-se na obra magnífica. Golbery era, assim, uma espécie de Cássio, na peça Júlio Cesar, de Shakespeare. E que se transformou num filme da Metro de grande sucesso, década de 50. Cássio traia Júlio César. Golbery traia e abusava da confiança de Geisel. Era o chefe de sua Casa Civil.

Mas voltando ao artigo de Marco Antonio Vila, a mim pareceu um libelo com base num rancor pessoal, que pode ser compreensível, mas bloqueia a percepção, a capacidade de análise e a tradução dos fatos por um historiador, cujo compromisso consigo mesmo é tão grande quanto o que possui para a sociedade contemporânea. Mais do que isso: o compromisso, como disse Bertoldt Brecht, em relação àqueles que vierem depois de nós.

HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY

O MENSALINHO DA DELTA


Francisco Lacerda, o Chiquinho Lacerda, era governador do Espirito Santo na noite de 31 de março do golpe militar de 1964. As notícias de Minas ainda estavam confusas, ele se trancou no gabinete com os assessores Mário Gurgel (depois deputado do MDB, cassado em 1969) e Setembrino Pelissari (depois deputado da Arena e prefeito de Vitória).

Preparou dois manifestos. Um contra o movimento militar, para, se fosse o caso, ser lido por Gurgel. Outro, a favor, para, também se fosse o caso, ser lido por Setembrino. E ficou esperando, de ouvido no rádio e boca no telefone, falando com o Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.

De repente, toca o telefone no gabinete. Era o coronel comandante do 3º BC de Vila Velha, o mais graduado comando militar do Estado:

- Boa noite, governador. Como estão as coisas?:
- Não sei, coronel. O senhor sabe?
- Sei, governador. Mas antes quero saber de que lado, afinal de contas, o senhor está.
Chiquinho parou, pensou, gaguejou:
- Estou do lado da Escola Normal, coronel.
O coronel bateu o telefone, desligou. O Palácio Anchieta, em Vitória, dá os fundos para a Escola Normal.

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CHIQUINHO

Chiquinho Lacerda, como governador, havia conspirado com o governador de Minas, Magalhães Pinto, fez Marcha da Família com Deus pela Democracia contra o Comunismo e saudou a “Revolução Redentora”.

Os inquéritos levantaram pilhas de provas contra ele. Mas Chiquinho foi ficando no governo. Eurico Rezende, deputado federal e representante de Chiquinho nas jogadas nacionais, armou um esquema para salvá-lo.

Na época, Heron Domingues e José Ayler Rocha tinham a agência de promoções “Pro-News”. Eurico pediu um plano de relações públicas para evitar a cassação de Chiquinho. Oliveira Bastos, chefe da equipe de Heron, foi a Vitória conversar com ele. Trancaram-se numa sala e Bastos passou a mostrar ao governador o que era possível fazer e como devia ser feito.

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HERON

- E quanto vai custar isso?
- 150 milhões, governador. Mas sem isso o senhor será inevitavelmente cassado.
- Olhe, meu caro, eu, não estou me incomodando de ser ou não ser cassado. O que eu não quero é que o governo toque em meu patrimônio. Isso é que me interessa e me preocupa. Por que então iria desfalcar meu patrimônio em 150 milhões? Se eles quiserem, eu saio. Contanto que não bulam no que é meu.
Chiquinho renunciou, não foi cassado e salvou todo o patrimônio. Inclusive os 150 milhões que não pagou à agência de Heron e Zé Ayler.

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O COCHO

A Leilane Neubarth, no seu excelente programa das 18 horas da “Globo News”, diz que a CPI do Carlinhos Cachoeira está sendo “um retumbante fracasso”, porque o ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, como advogado, não deixou Cachoeira falar nem deixará os outros que irão lá.

Não é só o Cachoeira. Atrás dele está a Delta, que é o José Dirceu do “Mensalinho”. A Delta é o caixa, o cofre, a fábrica do dinheiro. Ela é que armou e financiou a brutal máquina de corrupção em todos os Estados. Na “Folha”, o Fernando Rodrigues pôs o dedo na ferida :

- “Sem quebrar o sigilo da Delta nacionalmente, jamais a CPI do Cachoeira chegará a uma conclusão definitiva se esta empreiteira praticava ou não traficâncias diversas”.

A Delta tem com ela o maior time de advogados e lobistas que já se juntou no pais para defender uma só empresa corrupta: Marcio Thomas Bastos, José Dirceu, Henrique Meirelles, Lula, o PT, governadores. É mais do que a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) inteira. Vamos ver como vão agir o presidente, o relator e a maioria da CPI, que é governista.

Se não quebrarem o sigilo bancário da Delta, vai ficar claro que Cavendish e Cachoeira puseram todos no cocho. Como Chiquinho Lacerda, estariam todos interessados apenas que não bulam no dinheiro deles.

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PALESTINA

Ancelmo Gois veio de Frei Paulo para enxergar longe:
- “Ahmadinejad vem. A confirmação do Irã chegou. Mahmoud Ahnadinejad vem à “Rio+20”. A comunidade judaica deve organizar protestos contra o iraniano”.
Todos sabemos : – “Quem não aprende com a historia vive-a de novo”. A “comunidade judaica” imagina que no Brasil só há judeus, não há árabes também? Estão querendo o quê? Fazer daqui uma Faixa de Gaza?

25 de maio de 2012
Sebastião Nery

MINO CARTA, RESTA A VOCÊ O SUICÍDIO HONROSO


Reinaldo Azevedo posta a trajetória de Mino Carta, o dono da Carta Capital, de quem o José Dirceu é uma espécie de eminência parda. Ou seja: o José Dirceu é proprietário do Mino Carta, mesmo que não seja dono das suas rotativas. Nenhuma novidade: Mino Carta sempre teve dono. Teve até dono milico nos tempos do regime militar. Agora cospe no prato que lambeu e se lambusou. O suicídio honroso lhe cairia bem. Leiam aqui.
 
25 de maio de 2012

LANCHAS, LANCHES, ESTRADAS, PONTES, COMPUTADORES, TURBINAS E GERADORES, AO QUE PARECE TUDO TEM A MARCA DO PT


O PT nacional arrecadou R$ 50,718 milhões por meio de doações privadas em 2011, fora do período eleitoral, segundo dados publicados pelo TSE. Em março, o partido informou ter quitado o montante total de empréstimos contraídos entre 2003 e 2004 com os bancos Rural e BMG.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, as operações teriam sido usadas para encobrir o uso de dinheiro público para irrigar o mensalão.PMDB e PSDB captaram em 2011, respectivamente, R$ 2,891 milhões e R$ 2,335 milhões.
A oposição usará a coincidência entre o "boom" de doações ao PT e a liquidação da dívida às vésperas do julgamento do STF.

Yes, we can O total arrecadado pelo PT em 2011, somando o fundo partidário, foi de R$ 109,9 milhões. O candidato republicano dos EUA, Mitt Romney, recolheu no mesmo ano US$ 56 milhões para as prévias. O presidente Barack Obama angariou US$ 106 milhões para sua campanha por novo mandato. (Do Painel da Folha)
Pergunta que não quer calar: quem são os doadores do PT? Eles têm negócios com o governo? De onde vem o dinheiro?
25 de maio de 2012
coroneLeaks